Uma louvação antes daquele abraço
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O baiano Gilberto Gil completa nesta terça-feira 70 anos de vida com uma obra que vai ficar na história. A efeméride rendeu páginas e mais páginas nos jornais brasileiros desde o último final de semana. O próprio Diario dedicou duas do Viver de Domingo com uma entrevista com o tropicalista que soube fundir os ritmos regionais com rock, funk e reggae. Um trecho importante da biografia de Gil se passa no Recife. Em abril de 1967, já com o primeiro disco gravado, ele passou cerca de dois meses se apresentando na capital pernambucana. Conviveu com os artistas locais da época e, ao visitar Caruaru, intuiu que a banda de pífano poderia figurar num disco dos Beatles. Ocupadas com notícias sobre o regime militar, o futebol e os concursos de misses, as páginas do Diario deram pouco espaço para o novo morador recifense. A primeira menção de sua visita foi publicada no dia9 de abril, sem foto. Na coluna Ronda do Disco, o destaque para o ”nome dos mais signifiativos da moderna música popular brasileira”.
No dia 4 de maio, uma matéria na coluna Teatro, Quase Sempre, trazia a primeira foto de Gil, ainda de Cavanhaque, publicada no Diario. Além de descrever a obra do músico, o texto destaca que seria a primeira excursão de Gil ao “norte”. Depois do Recife, ele iria para São Paulo, comandar um programa de TV.
No dia 6 de maio, um sábado, não houve matéria, mas um pequeno anúncio do show do cantor, no Teatro Popular do Nordeste, na Avenida Conde da Boa Vista. O espaço para cem espectadores geralmente ficava lotado.
No dia 7 de maio, novamente na seção Ronda do Disco, uma nova matéria sobre o espetáculo de Gil, alertando os leitores que ainda não foram ver o artista. Naquele domingo, já em final de temporada, ele faria dois espetáculos. Já sem cavanhaque na foto, parecia calmo diante do turbilhão de fatos que viveria nos anos seguintes. E que preencheriam páginas e páginas de jornal. Inclusive deste Diario.







