Cultura em desconstrução no campus da UFPE

fev 15, 2017 Comentários desativados por

15.02

 

Centro de Convenções, na Cidade Universitária, está sem data para ser devolvido à população.

Marcionila Teixeira (texto)
Marlon Diego (foto)

O cenário é de abandono. Mato, resto de material de construção, lixo, tapumes, depredação. Até mesmo urubus integram, vez por outra, a paisagem do Centro de Convenções (Cecon) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária. Fechado para reforma desde novembro de 2013, o prédio ainda não tem data para ser devolvido pronto para o público. Para quem passa pelo local, restam a saudade dos eventos um dia ofertados e a insatisfação com o “adoecimento” de mais um bem público destinado à cultura. A concha acústica também entrou no pacote do “abandono”. Na frente do prédio, a frase “cultura em construção” resiste, antagônica, gasta pelo tempo sem retoque.
Problemas na licitação para contratação da empresa responsável pelo projeto de reforma são a explicação para o atual cenário. “Agora, batemos o martelo. Na licitação anterior, as empresas não apresentaram documentação necessária. Tivemos que fazer nova seleção”, explicou Ana Júlia de Souza Melo, diretora do Cecon.
A empresa selecionada é a ATP Projetos. Mas a ordem de serviço para início dos trabalhos ainda não tem sequer data para ser assinada. “Nosso compromisso é entregar o Cecon pronto até o final da gestão do atual reitor, em 2019”, disse Ana Júlia. Pela previsão inicial, as obras deveriam ficar prontas no final de 2015
Somente o projeto está orçado em R$ 2 milhões. A obra toda está calculada em R$ 48 milhões, verba ainda não garantida. O atual reitor, Anísio Brasileiro, encontrou-se com o ministro da Educação, Mendonça Filho, para falar sobre o investimento. A UFPE já tinha garantido verba junto ao governo anterior para trocar o telhado, deteriorado pelas chuvas. Alguns homens ainda são vistos fazendo reparos na coberta do prédio de eventos. No mais, não há qualquer sinal de obra.
A falta de limpeza do espaço e de capinação são tão parte da paisagem quanto o vazio do teatro. Ana Júlia afirmou que a tarefa de limpar o lixo é da empresa responsável pelo serviço do telhado. “Obra suja muito e costumamos cobrar essa tarefa deles”. O Cecon é formado por três edificações. Uma delas é destinada a ensaios e ao teatro. O outro prédio é para eventos, como congressos, palestras, reuniões. O terceiro funciona com oferta de serviços. Atualmente, o prédio de serviços tem uma Caixa Econômica em funcionamento e o edifício destinado a eventos está com aulas provisórias do curso de música.
O projeto prevê reforma, readequação e requalificação do teatro, o que inclui plateia, palco, acústica, iluminação ambiente e cênica, sonorização e climatização. Se pronto ficar, o centro passará a contar também com auditórios para 300 e 200 lugares, salas para seminários, salas de trabalho em grupo e cinema para 250 pessoas, com projeção digital de última geração (projetor 4k e som dolby). A obra prevê a requalificação da concha acústica, que faz parte do complexo do Cecon. A ideia é propor, ainda, novos acessos para os usuários, calçadas mais largas e uma rua exclusiva para pedestres, com ligação até a Biblioteca Central da UFPE.
O Cecon da UFPE foi inaugurado em 18 de dezembro de 1995. Com uma média anual de 240 eventos. O teatro tem 1.931 lugares, sendo 466 no balcão e 1.465 na plateia. A última reforma do Cecon – que tem 13,6 mil metros quadrados de área construída – ocorreu em 2005, com a recuperação das instalações físicas do hall e do teatro. A Região Metropolitana do Recife tem hoje dois centros de convenções, mas apenas o de Salgadinho, em Olinda, está em funcionamento.

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Sobre o autor

Paulo Goethe, no Diario de 1990 a 1997 e desde 2001
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