Noronha é para os fortes

Credito CVC/Divulgacao. Fernando de Noronha - Por do sol Dois IrmaosNão é novidade falar que fazer turismo em Fernando de Noronha é para os fortes. Para os fortes de bolso. Um leitor do blog que foi curtir as belas paisagens de lá enviou um e-mail reforçando a imagem “careira” de Noronha.

Refrigerante, água ou cerveja custam R$ 5 (e é o preço mais em conta). Tomar uma sopinha para forrar o estômago antes da balada pode sair por R$ 13 ou R$ 15, dependendo do tamanho do prato. Com quatro torradas de brinde.

Mas o que me chamou atenção no relato dele foi o preço da tapioca: de R$ 10 a R$ 13, dependendo do recheio. Deve ser recheio de prata ou ouro. A gente sabe que o arquipélago fica longe do continente e tal, mas cobrar R$ 13 por uma tapioca?

O leitor lembra também que agora é preciso pagar para conhecer as praias. Só as praias, não. A taxa é cobrada para visitar o Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha (Parnamar) e ter acesso às suas trilhas, praias e atividades aquáticas.

O bilhete com validade de 10 dias custa R$ 65 para brasileiros e R$ 130 para estrangeiros. Idosos com mais de 60 anos, crianças de até 11 anos, moradores de Fernando de Noronha e seus parentes, funcionários públicos e pesquisadores autorizados estão isentos.

Dá para não pagar a taxa, mas só se você ficar limitado às praias de fora do parque nacional marinho: Cachorro, do Meio, Conceição, Americano, Boldró, Bode e Cacimba do Padre.

Não custa lembrar que esse ingresso, que começou a ser cobrado no fim de setembro, não substitui a taxa de preservação ambiental. Ela custa R$ 43,20 por dia.

Brasileiros turistando pelos States

Central ParkNão sei se os atentados em Boston terão algum impacto no turismo. Mas até antes deles, os brasileiros estavam bombando nas viagens para os Estados Unidos.

Segundo números divulgados pelo departamento de comércio norte-americano, os números de 2012 (ainda não oficialmente fechados) devem ter registrados 1,8 milhão de brazucas passeando na terra de Obama: 300 mil a mais que em 2011.

Alguma dúvida para os onde os brasileiros vão mais? A Big Apple recebe mais brasileiros. Nova York foi o destino escolhido por 816 mil no ano passado. Um aumento de 15% na comparação com 2011.

Em Miami foram 690 mil (9% a mais que em 2011). Apesar da quantidade menor que a de New York, New York, sustentamos um recorde em Miami: o do maior contingente de turistas entre todas as nacionalidades. Imigrante ilegal não conta, ok?

Ainda segundo o departamento de comércio norte-americano, só em Nova York os brasileiros gastaram em 2012 US$ 1,9 bilhão (R$ 3,6 bilhões). Só britânicos e canadenses gastaram mais.

Um outro dado – que não chega a causar surpresa – é que 95% dos brasileiros que visitam os States fazem compras.

Turismo sustenta as cidades na Europa da crise sem fim

Torre EiffelA crise é grande na Europa, mas não vi tanto impacto no turismo. Barcelona tinha um mundaréu de turistas nas ramblas, no bairro gótico, no Park Güel. Na Sagrada Família, então, tive de pegar ficha e voltar mais tarde para comprar o ingresso e entrar na obra-prima de Gaudí.

Na Barceloneta, um casal de brasileiros começou a falar baixinho assim que descobriu que a mesa ao lado (a minha) era de brasileiros também. Será que eram amantes e estavam se escondendo? Coisa mais esquisita. Encontrei muitos outros brasileiros (que não estavam se escondendo) em todas as cidades que fui. E japoneses. E chineses.

Por falar nos chineses, a Organização Mundial de Turismo (OMT) divulgou que eles passaram os alemães e agora são o povo que mais gasta com turismo em termos absolutos. No ano passado, desembolsaram US$ 102 bilhões. Os brasileiros, ocupando o 12º lugar no ranking, gastaram US$ 22 bilhões.

Os viajantes francesees podem ter fechado um pouco a torneira dos recursos destinados às viagens. Houve uma queda de 6% em relação a 2011. Ainda assim, gastaram US$ 38 bilhões. Mas Paris continua sendo um dos principais destinos para os turistas do mundo inteiro. Mesmo com chuva, tempo feio e aquela “simpatia” dos franceses.

Foi a mesma coisa em Madri. Um monte de gente com mapa na mão. E ainda peguei o feriado de Páscoa na cidade, que encheu ainda mais a capital espanhola de visitantes. Seu João, meu guia português, confirmou que quem trabalha com turismo está conseguindo se virar. Ele falou também que a quantidade de brasileiros não diminuiu.

Preferências carnavalescas

Já sabe que o vai fazer no carnaval? Brincar, viajar, trabalhar? A empresa eCGlobal organizou uma pesquisa sobre os hábitos e preferências dos brasileiros no período. Vamos a alguns resultados:

31% das pessoas preferem localidades tranquilas

33% optam por descansar em suas próprias cidades

31% vão participar ativamente dos blocos e bailes

6% aproveitam o tempo livre para trabalhar

51% preferem Salvador para visitar

25% curtem mais o Rio de Janeiro

10% gostam mesmo é de Olinda

Brasileiro quer mais é viajar

Aeroporto. Crédito: Daniel Búrigo/CB/D.A Press

As passagens aéreas já não estão mais tão em conta. Mas o Ministério do Turismo garante que isso não desanima os brasileiros.

De acordo com a Sondagem do Consumidor – Intenção de Viagem, metade dos entrevistados que pretendem viajar nos próximos meses vai usar como meio de transporte o avião.

Realizada pela Fundação Getúlio Vargas em 12 capitais, a sondagem aponta que 31,9% dos entrevistados pretendem viajar até maio de 2013. A preferência (75%) é pelos destinos nacionais.

O Nordeste continua cobiçadíssimo. Os estados da região foram os preferidos por 42,6% dos entrevistados. Depois aparecem os destinos do Sudeste, com 26,5%. A região Sul foi a escolhida por 17,8%.

Você vai viajar? Já decidiu pra onde?

Descanso no feriadão?

Vista aérea do Recife. Crédito: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

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Um conhecido hotel do Agreste pernambucano saiu-se com a seguinte propaganda para este feriadão:

“Feriado de finados em clima de descanso é no XXXX”.

Se não for descanso eterno, tá valendo.

Eu espero descansar por aqui mesmo. E você? Vai viajar? O site de viagens Mundi fez uma pesquisa com os destinos mais procurados para este feriadão. E as capitais nordestinas, com apagão e tudo, aparecem bem na fita. Confira:

1º    São Paulo    17,35%

2º    Rio de Janeiro    11,90%

3º    Recife        7,89%

4º    Fortaleza    7,35%

5º    Salvador    5,72%

6º    Belo Horizonte    3,84%

7º    Brasília    3,36%

8º    João Pessoa    3,35%

9º    Curitiba    3,31%

10º    Maceió        2,97%

A pesquisa do Mundi contemplou apenas as buscas por passagens aéreas realizadas entre julho e outubro pelos internautas.

Entre as cidades estrangeiras, Buenos Aires continua fazendo a cabeça dos brasileiros, com 12,37% das buscas. Miami ocupa o segundo lugar (8,66%). completando o pódio, está Nova York, com 8,20% das buscas. Depois do Sandy, acho que teve gente se arrependendo de dar pinta na Big Apple durante o feriadão.

Mais viajada do que nunca

MalaJá arrumou as malas para a viagem? Não? Pois a nova classe média já.

Uma pesquisa divulgada hoje pelo instituto Data Popular mostra que, nos últimos dez anos, os gastos da classe média com viagens cresceram 277,3%. Foram de R$ 4,4 bilhões em 2002. Agora estão em R$ 16,6 bilhões.

Mesmo entre quem tem renda mais baixa houve um crescimento significativo entre 2002 e 2012: 121,7%. Os gastos passaram de R$ 2,3 bilhões para R$ 5,1 bilhões

Já os consumidores de alta renda, que gastaram R$ 17,4 bilhões em 2002, devem desembolsar R$ 26,4 bilhões em 2012. Aumento de 51,7%.

O reflexo do bom momento vivido pela classe c pode ser visto neste trecho do texto divulgado pelo Data Popular: “Esse ano, há a expectativa de que os brasileiros gastem R$ 48,1 bilhões. As regiões Norte e Nordeste apresentam aumento considerável”.

Ainda de acordo com o instituto, entre os brasileiros que disseram ter intenção viajar pelo país nos próximos meses:

60,4% são da classe média

24,1% são da baixa renda

15,5% são da alta renda

E viagem para fora do país? Acredite: 52,3% dos entrevistados da classe média disseram que querem, sim, bater perna no estrangeiro.

Brasileiros dando pinta em cruzeiros internacionais

Navio da MSC. Crédito/Divulgação

Até um tempo atrás, cruzeiro era para gente com carteira recheada. Então as viagens começaram a se popularizar no país. Com um punhado de dólares já dava para passar três, quatro dias dando pinta pela nossa costa.

Mas isso não é mais suficiente. Cada vez mais brasileiros querem dar pinta em cruzeiros internacionais.

A MSC Cruzeiros divulgou que, nos últimos cinco anos, registrou um aumento de 386% na venda de cruzeiros internacionais para o mercado brasileiro. Os destinos mais procurados são o Mar Mediterrâneo, norte da Europa, África do Sul, Mar Vermelho, América do Norte e Caribe.

Segundo a companhia, todos os cruzeiros podem ser pagos em reais com 10% de entrada + 10x sem juros no cheque ou cartão de crédito.

Também está querendo navegar em águas internacionais? A MSC vai lançar o 12º navio da frota, o MSC Divina. Segundo a empresa, o transatlântico é o maior já construído por um armador europeu (#Titanicfellings), com mais de 140 mil toneladas.

Serão 18 decks, 1.750 cabines, 25 elevadores, SPA, a primeira piscina de borda infinita em navio de cruzeiros. Uia.

Os mais bombados de grana poderão usar o MSC Yacht Club, clube privativo com 71 suítes de alto luxo.

O navio será inaugurado no próximo dia 26, em Marselha, na França.

Turismo bombando

Mais uma para a série “Nunca antes na história”. A história em questão é a do nosso planeta. Numa tivemos tantos turistas viajando mundo afora.

Segundo o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT), Taleb Rifai, em 2012, o número de turistas vai superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão.

TurismoRifai participou hoje de uma reunião dos ministros do turismo dos países do G20 na cidade mexicana de Mérida.

Ele explicou que os resultados serão tão bombados porque, no primeiro trimestre, houve um crescimento de 5,8% no fluxo de  turistas. As estimativas iniciais eram de um aumento entre 3% e 4%.

Eu já dei minha contribuição para este bilhão de turistas nas minhas férias.

Se pudesse, entraria de férias de novo amanhã só para ajudar. Mas é como naquela música brega: “Vou não, posso não, minha chefe não deixa não”.

* Post com a colaboração de Adaíra Sene

Bundas, obras, tortas e a crise do euro

Vista de Praga

Eu quase comprei uma bunda nas minhas férias. Infelizmente não achei uma que encaixasse com o meu corpo. Teve outra coisa: os preços das bundas que vi não eram tão atrativos. Decidi que a minha ainda dá para o gasto. Vou dar um trato para usar nas próximas férias. Antes que você me acuse de blasfemar em plena Semana Santa ou ache que eu endoidei de vez, quero deixar bem claro: bunda é jaqueta. Em tcheco.

Preços em PragaPraga foi uma das cidades que incluí no roteiro das férias. Claro que não dá para entender nada do que eles falam ou escrevem. Mas a cidade é linda. A gente ri com coisas como a bunda. E conhece pessoas de todo o mundo como o búlgaro de nome impronunciável que falava um pouco de português e tão logo soube que eu era brasileira saiu-se com esta: “Sua presidente é metade do meu país”, lembrando que o pai de Dilma Rousseff nasceu na Bulgária.

Não gastei minhas korunas (a moeda local) na loja dele, mas muito turista gastou. A República Tcheca faz parte da União Europeia, mas não está na Zona do Euro. E eles não parecem muito interessados em mudar tão cedo. O presidente Vaclav Klaus já lembrou mais de uma vez que o governo só tem de tomar uma posição sobre o euro em 2014. O país também foi o único, ao lado da Grã-Bretanha, que não assinou o pacto orçamentário europeu, apertando as regras fiscais.

Obras em Berlim 1Ao menos em Praga não percebi situações como as que vi em Madri, onde a crise aparece escancarada nas esquinas. Também passei por cidades da Holanda, da Áustria e da Alemanha. Os dois primeiros países foram um pouco mais contaminados pela crise. Mas também não vi ninguém reclamando ou protestando nas ruas. A Alemanha segue como o motor da região. “Crise? Só se for na Grécia”, me disse o brasiliense León, que mora em Berlim há um ano e meio.

A capital alemã é praticamente um canteiro de obras. E ainda precisa? “Berlim sempre está em obras”, respondeu a moça do ônibus turístico. Eles fazem obras, mas gastam dentro do possível, ao contrário dos vizinhos. Por isso ficam incomodados. Não sem razão. Coleta – holandesa que conheci no trem entre Berlim e Dresden – falou sobre o que a maior parte dos alemães, holandeses e austríacos pensa da ajuda financeira dada a países como a Grécia.

“Há questionamentos. Por que dar tanto dinheiro para a Grécia? Ninguém acha que, hoje, o país vai sair do euro. Mas poderia ter saído antes. Será que vale a pena?” A percepção é que tanta ajuda financeira vai pesar depois nos ombros de quem costuma fazer tudo certinho (com o aumento de impostos). Coleta mora há cinco anos em Viena, capital austríaca. Quando falei que iria passar por lá também, ela disse para eu aproveitar os doces do país. Nos cafés definitivamente não há crise.

Pelo meu formato arredondado, Coleta deve ter imaginado que gosto muito de doce. Acertou! Fui comer a tal Sachertorte no Hotel Sacher, onde essa torta de chocolate foi criada no século 19. Servida com chantilly, ela não é muito doce. Acho que por isso não me apaixonei por ela. Mas matei um monte de gente de inveja ao postar a foto no Face. Agora as férias acabaram. Tchau, Europa. Olá, trabalho.

Sachertorte de Viena