Marinete Veloso tinha três anos quando saiu do Recife com os pais em direção a São Paulo. Seu Jose era fotógrafo lambe-lambe, nascido em Pesqueira. Dona Francisca era de uma família tradicional da Paraíba.
Seu José foi trabalhar como garçom. Depois acabou abrindo uma loja de tecidos, tendo a mulher como “cabeça” do negócio. Marinete fez o curso de letras e começou a dar aulas. Casou-se com um médico cearense e foi morar no Crato por dois anos.
O marido não queria que ela trabalhasse. Ela bateu o pé. Foi dar aulas na universidade e depois começou a cursar jornalismo. Durante oito anos, era professora pela manhã e jornalista à tarde.
Até que foi chamada pela Renault do Brasil para trabalhar na assessoria de imprensa, em 1996. Depois virou gerente, diretora-adjunta de comunicação e, enfim, diretora de comunicação da empresa.
Aposentou-se no ano passado. Foi a primeira aposentada da Renault do Brasil. Marinete trabalhou até às 19h de uma sexta-feira. E então a ficha caiu. E agora?
Foi para falar da experiência do imediatamente antes, do durante e do depois que ela foi convidada a dar palestra de abertura da sexta edição da Expo Money Recife. Para Marinete, as empresas deveriam cuidar mais dos trabalhadores que estão perto da aposentadoria.
Mas elas não cuidam. Então o melhor a fazer é se preparar por conta própria. “Há vários tipos: aquela em que a pessoa para de vez, a que a pessoa abre depois um negócio, a que vai trabalhar em outra coisa”, diz Marinete.
Para ela, que teve de se aposentar compulsoriamente, a solução foi buscar outras coisas para fazer (palestras, resenhas de livros). Parar de vez não estava nos planos de Marinete. E não deveria estar nos planos de nenhum brasileiro, por conta do aumento da longevidade.
Vale trabalho voluntário também. Mas ela acredita que o brasileiro precisa se preparar para se autosustentar, especialmente se for trabalhador de empresa privada, que terá de se virar com o benefício do INSS.
“Felizmente hoje você tem mais acesso à informação. Antes não havia isso. Pode fazer previdência privada, outro tipo de investimento. Mas não é uma questão só de finanças. É de cabeça também.”
Tenho duas perguntas para quem está em busca de um emprego para chamar de seu, mas quem já está empregado também pode responder. A primeira: qual é a sua prioridade na busca? A segunda: quais são os maiores problemas encontrados? Enquanto você pensa, vou mostrar uns dados da pesquisa da Page Personnel, empresa global de recrutamento.
Entre dezembro de 2012 e janeiro deste ano, a equipe entrevistou gente de todo o país. Errou quem pensa que o salário é tudo (ao menos para os profissionais entrevistados). Aqui no Nordeste, o ambiente de trabalho aparece no topo da lista de prioridades dos candidatos: 73,9%. Depois vêm o salário (56,5%) e as chances de crescimento profissional (52,2%).
O pódio por aqui é um pouco diferente daquele que foi encontrado nas regiões Sul e Sudeste. No Sul, a possibilidade de crescimento profissional vem em primeiro lugar (80,4%), acompanhado pelo salário (73,9%) e o ambiente de trabalho (56,5%). A ordem é a mesma no Sudeste: chance de crescimento (74,7%), salário (73,9%) e ambiente de trabalho (65,5%).
Na hora de falar sobre os problemas, aí sim o salário apareceu como primeira preocupação. No Nordeste, o baixo salário foi apontado por 65,2% dos entrevistados. No Sul, o problema foi citado por 56,5%. Entre os trabalhadores do Sudeste, 52,6% reclamaram dos pagamentos. Ainda entre os nordestinos, 52,2% apontaram a falta de um plano de carreira e 39,1% citaram a o pagamento de benefícios inadequados.
Mas a Page Personnel também ouviu os representantes das empresas e perguntou quais os principais problemas apresentados pelos profissionais. No Nordeste, os executivos apontaram a falta de conhecimento técnico (70,8%), de proatividade (37,5%) e de comunicação/postura (33,3%) como maiores deficiências técnicas e comportamentais dos trabalhadores. Hum…
Melhor pensar duas, três, quatro vezes antes de falar mal do chefe ou do trabalho nas redes sociais, especialmente no Twitter. Um site chamado FireMe! (“Demita-me”) pode lhe entregar bonitinho.
O programa foi desenvolvido em inglês por dois pesquisadores brasileiros – Bernardo Nunes Pereira e Ricardo Kawase – da Universidade de Hanover, na Alemanha. Olhaí os brasileiros bombando.
Com o programa dá para ver os tuítes de todo mundo que está falando mal do trabalho, do chefe, dos colegas. Conta com seções como “O chefe que se…”, “Assassinos em potencial”, “Maus empregados”, “Chefes intragáveis”.
A ideia dos pesquisadores ao criar o programa (que já possui versões em português e espanhol) foi verificar se as pessoas são conscientes de que podem ser achadas através dos comentários. E podem se dar mal por causa deles.
Há cerca de um mês, os pesquisadores apresentaram um artigo que escreveram na conferência Web Science.
Era o eldorado. Já não é assim a última Coca-Cola do deserto. Profissionais estão desistindo de trabalhar em Suape, mesmo ganhando ótimos salários, por causa do caos da (i)mobilidade urbana. Conversei com quem desistiu, com quem ainda trabalha no complexo e enfrenta o tráfego pesado, com consultores. A matéria completa está no caderno de Economia do Diario de Pernambuco deste domingo (12). Aqui você confere o primeiro texto e o vídeo da rotina de Patrícia Uchôa, gerente de RH da Iberdrola, que gentilmente nos deu uma carona solidária para nos mostrar a ida e volta de um dia de trabalho. O vídeo é de Blenda Souto Maior, com edição de Roberta Cardoso e Eduardo Travassos. Ficou bem legal.
Três dias. E acabou. Não deu para a publicitária Ludmilla Menezes, 33. O salário era muito bom. O trabalho de marketing que ela iria desenvolver na Refinaria Abreu e Lima, interessante. Mas ficar três horas no trânsito para voltar ao Recife e perder as reuniões no Grupo Espírita Transformação Consciente, no Cordeiro, foi demais. Há 20 anos ela faz trabalho voluntário lá. Os pais questionaram a decisão. Não valia a pena tentar? Não. “Isso não iria mudar e estava interferindo na minha vida pessoal.” Na saúde também. A hérnia de disco reclamou. E Ludmilla entrou para a lista de profissionais que desistem de Suape, o eldorado do mercado de trabalho de Pernambuco que pena com os problemas de mobilidade urbana.
O consultor de recursos humanos Carlos Alberto Valença, sócio da Acting Solution no Recife, seleciona executivos. Conta que recebe ligações de profissionais que dizem estar bem em seus empregos, ganham muito bem, mas… Se aparecer alguma coisa boa fora de Suape… “Eles reclamam muito do tempo que levam para ir e voltar. Há profissionais que, se tiverem de escolher entre uma empresa em Suape e outra no Recife, preferem a da capital.” Mesmo com a empresa pagando o combustível e dando outras bonificações. O ponto crucial é a qualidade de vida. Ou melhor, a falta dela. Como foi o caso de Ludmilla, que já havia trabalhado em Suape entre 2003 e 2006. Era uma época diferente.
Sete anos atrás, havia 6,6 mil empregados no complexo. Hoje são 75 mil, incluindo aí 50 mil que atuam nas obras de construção civil de empreendimentos, como a própria Refinaria Abreu e Lima e a PetroquímicaSuape. Mais de 10 mil veículos acessam o local todos os dias. A esse volume somam-se os congestionamentos do Recife, de Jaboatão dos Guararapes, do Cabo de Santo Agostinho. Quando desistiu do emprego na refinaria, em 2012, Ludmilla ficou sem trabalhar alguns meses. Mas conseguiu se recolocar. Montou uma empresa que presta consultoria em mídias sociais. Tem um escritório em Campo Grande, visita clientes, resolve os problemas usando o iPad, o celular. De vez em quando, recebe propostas para Suape.
Quando o trabalho é curto e a proposta é muito boa, ela até aceita. “Mas trabalhar lá direto não me interessa. Nem por um ótimo salário. Teria de abrir mão de outras coisas que são muito importantes para mim”, afirma a publicitária. O engenheiro João Carlos Gomes, 47, já trabalhou duas vezes em Suape. A última foi entre 2006 e 2011. Saiu para fazer um curso no Canadá. Algo que ele jamais conseguiria fazer enquanto estivesse empregado no complexo. O MBA que João Carlos já tinha foi da época em que trabalhava em uma empresa no Curado. Ele mora nos Aflitos. São 49 quilômetros até Suape. Tinha de sair às 6h30 para chegar às 8h. Deixava para sair da fábrica depois das 20h para gastar só uma hora na volta.
Tarde? Se saía mais cedo, às vezes João Carlos chegava a gastar quatro horas até finalmente chegar em casa. Havia uma Agamenon Magalhães no meio do caminho. A mulher dizia que ele fazia a casa de hotel, com uma boa dose de razão. “Você não tem qualidade de vida nenhuma. Não consegue fazer nenhum curso, se deslocar para a universidade. Temos essa tendência de crescimento do estado e a estrutura que tem para lá é terrível. É um desrespeito.” A perda não é apenas de bons profissionais. O consultor Carlos Alberto Valença conta que uma empresa (ele prefere não citar o nome) veio fazer um estudo para se implantar em Suape e desistiu depois que a equipe levou duas horas até chegar lá.
Não, eu não estou indo embora. São os europeus que estão arrumando as malas. Cerca de um milhão deles já deixaram seus países de origem desde 2008 por causa da crise. Saem em busca de trabalho, de melhores condições de vida. Situações que a gente costumava ver nos países do terceiro mundo.
Em Portugal, 240 mil foram embora nos últimos dois anos, segundo dados do governo. A taxa de desemprego é de 17%. Parte desse povo está indo, vejam só, para Angola. Foram 30 mil só no ano passado. Nem na época em que Angola era colônia havia tantos portugueses.
A música “Meu país”, do cantor de rap Valete, conta justamente a história de um sujeito que decide deixar Portugal e ir para Luanda. “Levo quase tudo, até o meu kimodo de judô”. “Minha volta é um ponto de interrogação.” “Quanto há trabalho, são sempre temporários.”
No vídeo abaixo você confere a letra forte e triste do rap, que virou um símbolo por lá:
No último dia 1º de maio, os trabalhadores foram às ruas protestar contra os cortes e as políticas de austeridade do governo. Protestaram na capital, Lisboa, nas cidades do Porto, Coimbra, Évora, Faro, na Ilha da Madeira, nos Açores.
Em 2011, Portugal assinou um resgate financeiro de 78 bilhões de euros. O cinto foi apertado. Mas o crescimento não foi retormado. O Produto Interno Bruto caiu perto de 7%. Só no ano passado a queda foi de 3,2%.
Você adora a empresa/repartição onde trabalha. Veste a camisa e tal. Mas estaria disposto (a) a tatuar a logomarca do local na própria pele? Empregados de uma imobiliária de Nova York toparam. E estão ganhando em troca 15% de aumento no salário. Polêmico? Pois é…
Os 40 empregados da Rapid Realty que já fizeram a tatuagem não acharam, não. A primeira tattoo nem teve essa intenção. Um dos agentes decidiu fazer por conta própria, sem ganhar nada por isso, depois que procurou um espaço comercial para um tatuador. Isso aconteceu um ano e meio atrás.
Anthony Lolli, dono da Rapid Realty, ficou sabendo e adorou a ideia (naturalmente). E lançou a proposta para os outros empregados, com o adicional dos 15% (ele também deu o aumento para o tatuado pioneiro). A tatuagem custa cerca de US$ 300 e a empresa paga por ela.
As tatuagens estão em todos os tipos de lugares no corpo. Mas ficam principalmente nos braços, tornozelos e costas. Detalhe importante: os 15% de aumento não são só para quem se tatua. Quem atua em programas de caridade ou vira mentor de um funcionário novato também pode receber o benefício.
Vaga sobrando eu compro. Brincadeira. A Faculdade dos Guararapes tem seis vagas abertas, na área administrativa, para pessoas com deficiência. Segundo a faculdade, podem concorrer candidatos com ou sem experiência. Mas o candidato deve ter o ensino médio completo, senão não vale.
O salário não foi informado, mas há benefícios como plano de saúde, plano odontológico, desconto em curso graduação ou pós-graduação.Interessou? Conhece alguém que vai gostar de saber disso? Então corra para avisar. A facudade só recebe os currículos até esta terça-feira (30).
O currículo deve ser enviado para rhfg@faculdadeguararapes.edu.br. O e-mail também deve ter anexando o laudo médico com o número do CID (Código Internacional de Doenças).
Preparei uma lista com cinco concursos (três nacionais e dois locais) para quem estiver em busca de emprego. Ou querendo trocar de emprego. Ou só com vontade de testar os conhecimentos. Alguns já estão com inscrições abertas. Outros vão começar já, já. Lá vai a lista:
INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS (IBAMA)
Inscrições abrem nesta terça-feira (23) e seguem até 13 de maio pelo site www.cespe.unb.br/concursos/ans_13. O concurso tem 81 vagas de níveis médio e superior para técnico administrativo, técnico em regulação de saúde suplementar, analista administrativo e especialista em regulação de saúde suplementar. Salários: R$ 4.760,18 a R$ 10.019,20. Taxas: R$ 80 a R$ 100.
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Inscrições serão abertas na sexta-feira (26) e poderão ser feitas até 17 de maio pelo site www.cespe.unb.br/concursos/ms_13. Concurso com 265 vagas de nível superior para diversos cargos. A grande maioria das vagas é para Brasília. Mas há duas vagas para Pernambuco (administrador). Salários: R$ 3.981,41 a R$ 6.722,34. Taxa: R$ 80.
FUNDAÇÃO DE HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA DE PERNAMBUCO
Inscrições até 15 de maio pelo site www.upenet.com.br. Concurso público com 111 vagas em todos os níveis de escolaridade para diversos cargos. Salários: R$ 651 a R$ 3.668,94. Taxas: R$ 30 a R$ 70.
SECRETARIA DA MULHER DE PERNAMBUCO
Inscrições até 28 de abril pelo site www.upenet.com.br. Processo seletivo com 61 vagas temporárias de níveis médio e superior para diversos cargos. Salários: R$ 900 a R$ 4.590. Taxas: R$ 60 a R$ 80.
Na última terça-feira, fui com a fotógrafa Annaclarice Almeida e o motorista Gilson Bezerra dar um passeio lá em Goiana, cidade de 75 mil habitantes da Mata Norte do estado. Que deve dobrar de tamanho em quatro anos. Também, com o monte de fábricas que estão chegando por lá… Fiat, Hemobrás, Companhia Brasileira de Vidros Planos são só algumas.
Fui conversar com o povo, conhecer quem já estava se beneficiando e quem esperava se beneficiar com as mudanças na região. Uma das figuras que conheci foi seu Dário Evengelista, trabalhador das obras da Hemobrás, 43 anos, quatro filhos, um monte de ex-trabalhos nas costas. Até no circo ele trabalhou.
Seu Dário acabou virando o personagem central das duas páginas da reportagem que o caderno de Economia do Diario de Pernambuco publica neste domingo. Vou colocar aqui o texto e os dois vídeos que fiz na cidade (um com o andamento das obras da Hemobrás e outro com o povo falando sobre a economia do local).
Quem for assinante do Diario pode ler o restante das matérias.
Da lona do circo para as obras da Hemobrás
O circo perdeu um aspirante a trapezista. Os bares e restaurantes perderam um garçom. A usina de cana-de-açúcar perdeu mão de obra para a moagem. Teve gente que ficou sem pedreiro, faxineiro, pintor, lavador, carregador. Durante 20 anos, o recifense Dário Evangelista de Souza, 43, foi tudo isso e mais o que aparecesse pela frente. Até que, em 2010, acabou contratado para trabalhar nas obras da Hemobrás. Hoje, é um dos 450 profissionais que ajudam a construir a fábrica de R$ 670 milhões que vai produzir hemoderivados em Goiana, na Mata Norte do estado. Se não for o mais famoso, é um dos mais. Conhece todo mundo. Só falta dar autógrafos.
Dário entrou na Hemobrás como servente de pedreiro. Fazia massa, carregava tijolos, areia, cimento. Virou auxiliar de serviços gerais. Serve café, limpa o escritório. “Mas esse não é o meu alvo. Pretendo ir um pouco mais adiante. Quero virar zelador”, diz o quase trapezista, que estudou apenas até a segunda série do ensino fundamental e só conviveu com os pais até os oito anos de idade, quando eles se separaram. Cada um foi para o seu lado. O menino, caçula de 11 filhos, “foi morar na casa dos outros”.
Dário viveu de casa em casa até ir parar na de uma irmã mais velha, em Goiana. Tinha 18 anos quando decidiu seguir com uma trupe circense. Durante cerca de um ano, trabalhou como peão. Desmontava e montava a lona. Fazia o serviço pesado, sempre sonhando com o picadeiro. Com o tempo, mudou de ideia. Largou o circo. “A gente vai descobrindo no decorrer da vida o que é o forte da gente, qual é o alvo. A gente vai fazendo um pouco até dizer ‘vou seguir por aqui’.” Mas ele não voltou logo para Goiana. Foi para Vitória de Santo Antão, onde trabalhou como garçom.
Quando voltou para a casa da irmã, não estava mais só. Tinha conhecido Laudicéa, com quem decidiu construir uma família. Juntos fizeram Dário, 22, Daiane, 20, Douglas, 18, e Diego, 14. O mais velho já está encaminhado na vida. Tem o curso técnico de contabilidade e trabalha em uma empresa de montagem de câmeras de segurança. Daiane deu uma parada depois de concluir o ensino médio, mas Dário espera que ela se anime a continuar. O mais novo quer ser policial. E Douglas deseja trabalhar como auxiliar de escritório. “Disse para ele continuar estudando. Quando se sonha com os pés no chão fica mais fácil de alcançar o sonho”, ensina.
Agora Dário quer levar Laudicéa para trabalhar na Hemobrás. Se conseguir, será o primeiro emprego dela. Dário tem esperança. Aconteceu com ele, afinal. Foi o fim de um período de incertezas. A cana só dava emprego certo por cinco meses. Os outros sete eram de bicos. “Às vezes faltava o pão na mesa.” Hoje, a situação é diferente. Para ele e outras famílias. “As fábricas que estão vindo para cá vão abrir muitas vagas de emprego. Tem gente deixando a cana para trabalhar. Imagino que daqui a 10, 15, 20 anos nossos filhos e netos estarão empregados.” Mas para que eles estejam realmente empregados, ainda é preciso investir em qualificação.
O Senai e o Senac trabalham em parceria com a UPE, o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e outras entidades para formatar um programa e capacitar 30 mil pessoas até 2015. Dados da Agência de Desenvolvimento de Goiana (AD Goiana) mostram que a instalação dos empreendimentos nos polos farmacoquímico (capitaneado pela Hemobrás) e automotivo (com a fábrica da Fiat à frente) deve gerar mais de 23 mil empregos até 2016. Mas o gargalo não está apenas na qualificação. “O saneamento tem que melhorar. E há muitas ruas esburacadas. Precisa melhorar para darmos boas-vindas a quem vem de fora”, lembra Dário.
Trabalho e vida pessoal. Você consegue equilibrar os dois? Ou anda torcendo, pedindo, enviando mensagens telepáticas para que o seu chefe se toque que vai fazer 125 anos que a Lei Áurea foi assinada? Pois é… Mas não é só com você que isso acontece.
Uma pesquisa mundial divulgada nesta semana pela consultoria Hay Group mostra que um em cada quatro profissionais pretende sair da empresa onde trabalha em até dois anos. Por quê? Porque não consegue equilibrar a vida em casa com a escravidão…Ops, vida no trabalho.
O levantamento foi feito no ano passado com cinco milhões de profissionais de mais de 400 empresas. Vamos aos resultados:
39% disseram que não conseguem contrabalançar o trabalho e a vida particular. Em 2011, eram 32%
36% dos brasileiros estavam insatisfeitos. Em 2011, eram 30%
O problema, segundo a pesquisa da Hay Group, é a falta de incentivo ao equilíbrio por parte das empresas. E isso reflete na satisfação com o salário e com os colegas. Quer dizer, na insatisfação. Nas empresas malvadas, só 36% dos trabalhadores dizem receber um salário justo. Nas mais legais, 58% estão tranquilos com a remuneração.
A pesquisa também aborda a questão das horas extras intermináveis para garantir que todo o trabalho seja feito. Elas acontecem porque as empresas querem o máximo com menos. Menos trabalhadores. Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados disseram que não há a quantidade de gente necessária para fazer todo o trabalho. No Brasil, foram 51%.
Daqui a pouco vamos começar a ver gente mostrando cartazes ou usando camisetas com a seguinte frase: “A Princesa Isabel não me representa”.