Loucuras aéreas em Lesbos

Ilha de LesbosEsta aqui é para ninguém dizer que os problemas aéreos só acontecem no Brasil. A matéria é da Agência Reuters. Achei bem interessante e resolvi postar aqui.

Dois aviões que estavam prestes a pousar na ilha grega de Lesbos tiveram de ficar quase uma hora no ar porque a controladora de vôo não havia dado permissão para pouso: ela estava dormindo. As autoridades disseram nesta segunda (29) que as aeronaves ficaram circulando sobre o mar até que a autorização para pousar fosse concedida.

 Os pilotos tentaram se comunicar diversas vezes com a torre de controle, sem sucesso. Um avião era da Olympic Airlines, e outro da Slovakian Airlines. “Eles chamaram a torre para pedir informações, mas ninguém respondeu”, disse à Reuters um policial que não quis se identificar. “A controladora de vôo admitiu, depois, que havia dormido”.

O serviço de controle secundário do aeroporto auxiliou os pilotos durante o pouso. Segundo a polícia, a controladora de vôo seria suspensa por alguns dias.

Fico me perguntando com quem ou o que essa moça da Ilha de Lesbos estava sonhando para não acordar e deixar os aviões “à deriva” por tanto tempo.

Dona Armênia previu: “tudo na chon”

Bovespa

O presidente Lula, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e os simpatizantes do governo petista (incluindo uma penca de jornalistas) insistem em dizer que o caos americano ainda não teve reflexos no Brasil. Então tá. Acho que estou em outro país. Ou talvez na Terra do Nunca de Peter Pan.

O dia de hoje foi um marco. Negativo. O Congresso dos EUA rejeitou o plano de US$ 700 bilhões para salvar os bancos. Era o que faltava para derrubar de vez as bolsas mundo afora e causar ainda mais inquietações nos mercados. Henrique Campos, diretor da consultoria BDO Trevisan, saiu-se com esta:

Com o plano do Bush, havia uma luz no final do túnel. Sem o plano, ainda há uma luz, só que o trem vem no sentido contrário“.

BushQuem teve a curiosidade de dar uma espiadinha na internet ou assistir a algum jornal viu que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o pregão de hoje com uma queda de 9,36%, a maior desde 1999, quando a queda chegou a 9,97% (na ocasião, o câmbio voltava a ser livre no país).

As negociações chegaram a ser interrompidas pouco antes das 15h, quando a queda atingiu os 10%, fazendo disparar o chamado circuit breaker. As operações pararam por meia hora. Quando voltaram, a queda continuou. Chegou a passar a barreira dos -13%, mas aos 45 minutos do segundo tempo voltou ao patamar de “apenas” um dígito.

Enquanto a Bovespa ficou “na chon”, para usar o bordão da dona Armênia, de Rainha da Sucata, o dólar disparou. Fechou cotado a R$ 1,964. A alta foi de 6%. Aumento assim, em um único dia, só em 2002, na véspera da eleição presidencial (todo mundo tinha medo de Lula e do que ele poderia fazer com a economia do país).

Crise?Esses foram os efeitos imediatos. Mas já existem outros. Os índices de inflação, que depois da alta do primeiro semestre vinham apresentando queda, voltaram a subir. Isso acontece por causa da alta do dólar. O economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas, diz que o preço da carne de boi pode voltar a subir. Já a nossa gigante Embraer anunciou que vai adiar a entrega de quatro aviões, a pedido dos clientes, que estão com mais dificuldade de conseguir crédito para pagar as encomendas.

O dólar alto também deve atrapalhar quem tem planos de viajar para fora ou comprar produtos importados ou aqueles que tenham itens cotados em dólar (como os computadores). O crédito pessoal também ficará mais difícil (e caro). As empresas poderão investir menos. A economia poderá crescer menos, menos empregos serão gerados. Bem, mas se nosso presidente (que tem quase 80% de aprovação) diz que a crise não vai nos atingir…

Dois anos

Destroços GolVocê lembra o que fez em 29 de setembro de 2006? Eu me lembro. Era uma sexta-feira. Depois do trabalho, fui ao cinema com meu irmão e a namorada dele. O filme? Vôo 93, aquele do Paul Greengrass que conta a história do vôo 93 da United Airlines, seqüestrado no 11 de setembro e que não atingiu o alvo por intervenção dos passageiros.

Antes de sair para o cinema, já tínhamos ouvido um plantão sobre um avião que estava “desaparecido”. Quando voltamos, meu pai falou que tinha sido confirmado o choque entre duas aeronaves, uma delas um boeing da Gol, lotado. Era o vôo 1907. E o resto da história todo mundo sabe. Foi o segundo maior acidente aéreo do país; 154 pessoas morreram (era o maior acidente até o da TAM, em julho do ano passado).

Caos AéreoO acidente do vôo 1907 marcou o início de um período de turbulências no setor aéreo brasileiro. Todo mundo achava que voar era seguro no país. E relativamente rápido, sem muitos atrasos. Depois do acidente, veio o caos. Passageiros passando horas e horas nos aeroportos, cancelamentos de vôos. Debates e mais debates sobre a situação do tráfego aéreo, agravada depois pelo acidente da TAM em Congonhas.

Dois anos após o acidente, as famílias das vítimas ainda esperam pelo relatório da investigação sobre o acidente. A situação nos aeroportos parece relativamente controlada. Mas ninguém que viaja parece ter 100% certeza de que vai chegar, despachar a bagagem, entrar no avião, voar e pousar sem maiores problemas. Há 15 dias, o Fantástico mostrou uma reportagem sobre uma quase colisão entre um avião da FAB e um boeing da Gol em junho.

MedoSexta-feira, no Recife, a presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Solange Vieira, disse que o aumento na fiscalização reduziu o número de atrasos nos vôos. Falou também que a agência está desenvolvendo ações para diminuir os riscos de acidentes. Pra mim ainda falta muita coisa a fazer, muita reforma em aeroporto, construção de novas pistas, novos aeroportos, contratação e preparação de mais controladores de vôos, novos equipamentos.

Escrevo essas linhas pouco antes de embarcar de volta ao Recife após um período de folga do jornal. Nunca tive medo de viajar de avião. Até gosto. Mas já tem dois anos que uma pulga atrás da orelha é minha fiel companheira de viagem pelos céus brasileiros. Não deveria ser assim.

Nova enquete – Plano de saúde

Plano de SaúdeA Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está fazendo uma consulta pública para receber críticas e sugestões da população sobre a alteração nas regras de mudança de planos de saúde no Brasil. A consulta segue até o dia 17 de outubro. 

A principal mudança prevista a partir do próximo ano (ao menos essa é a promessa da ANS) é a que vai permitir que o brasileiro possa transferir o período de carência já cumprido em caso de troca de operadora de plano de saúde. É a alardeada portabilidade.

Você tem plano saúde? Está satisfeito? Se a portabilidade entrasse em vigor hoje você trocaria de plano? Conte pra gente. Responda a enquete aí ao lado. Basta um clique. Nem vai doer.

Resultado da enquete – Você e o seu emprego

Você está satisfeito com seu emprego atual?

  • Mais ou menos. Bem que poderia ganhar um pouco mais. (44%)
  • Sim. Mas se receber uma boa proposta, posso mudar de idéia. (37%)
  • Sim, muito. Não troco por nada. (7%)
  • Não. O ambiente é ruim e o salário é pior ainda. (4%)
  • Já me aposentei. (4%)
  • Bem que gostaria de um emprego. Mas estou desempregado. (4%)

O Sul Maravilha de José

Jose“Olá. Boa tarde”, diz o simpático garçom na entrada do restaurante Guarapari, no distrito de São Bento Baixo, município de Nova Veneza. Há 10 anos, a região Sul de Santa Catarina é a casa de José Ferreira dos Santos, um pernambucano de 31 anos. Nascido em uma família de nove irmãos em Bezerros, agreste do estado, José decidiu seguir os passos dos dois mais velhos. Pegou um ônibus e rumou para Santa Catarina.

 

O primeiro emprego foi como office boy na cidade de Criciúma, onde moravam os irmãos. No dia 3 de agosto de 1999, José foi contratado pela Agrovêneto, indústria avícola instalada em Nova Veneza, cidade vizinha a Criciúma, distante 215 quilômetros de Florianópolis, capital catarinense. Mudou-se para lá. Durante a semana, ele trabalha como auxiliar de caldeira na avícola. Recebe pouco mais de R$ 1 mil por mês.

 

Nos finais de semana e feriados, por uma diária de R$ 50, José vira garçom no restaurante Guarapari. Ele não reclama de praticamente não ter folgas. Conseguiu comprar um terreno e construir a própria casa. Agora pensa em ter um carro. Uma coisa por vez. Casado com Valquíria, que também trabalha na Agrovêneto, José é pai de William, 6 anos, e de Muriel, 8. O mais velho, fruto de um relacionamento anterior.

 

Com o filho mais novo, voltou em março passado a Bezerros. A viagem foi boa. William só não gostou do nosso cuscuz. Foi a primeira vez que José visitou a família desde que se mudou. “Pra lá eu só volto a passeio”, responde, sem hesitar, quando questionado se pretende morar novamente na terra natal. “Aqui no Sul é bom demais. Só não trabalha quem não quer. É mesmo o Sul Maravilha”.

 

José diz que não conhece ninguém que esteja desempregado onde mora. Ao contrário da realidade ainda vivida pelos parentes, amigos e conterrâneos do interior pernambucano. “Lá tinha muita dificuldade. Cheguei a passar fome. E tem também a violência em Pernambuco. Aqui é muito mais tranqüilo”, destaca. Para ele, a situação só vai mudar quando existir a muito falada (e pouco praticada) vontade política.

 

Vamos aperrear dona Solange?

Solange VieiraTalvez os exemplos citados no post abaixo (e muitos outros) possam ser apresentados à presidente da Anac, Solange Vieira. Ela estará no Recife logo mais. Fará, a partir das 14h, a palestra de abertura do 15º Seminário Regional de Aviação Civil, no Recife Palace. O encontro é promovido pela gerência regional da Anac no Recife.

Durante dois dias, hoje e amanhã, serão debatidos temas como a segurança operacional do setor, a renovação da frota nacional e o tráfego aéreo. Pena que não estou no Recife. Ficaria na primeira fila, gravador (emprestado) em punho, doida para saber o que a Anac anda fazendo para melhorar a setor. O chefe dela, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, andou prometendo mundos e fundos depois do acidente com o avião da TAM em Congonhas. Até agora, vimos mais os fundos.

Ozires SilvaAlém da presidente da Anac, haverá palestra de Ozires Silva, que comandou a fundação da Embraer e foi presidente da empresa de 1970 a 1986 (voltou em 1992 para conduzir o processo de privatização). Também esteve à frente da Varig e da Petrobras. O homem é uma lenda. Em junho, ele lançou o livro Nas Asas da Educação – A trajetória da Embraer. Aqui você pode ler uma entrevista que o doutor Ozires concedeu para o InvesNews, da Gazeta Mercantil.

Amanhã, destaque para Ronaldo Jenkins, diretor do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas), que vai falar sobre renovação da frota, e para o Coronel-aviador Rufino Antônio da Silva Ferreira. Ele é do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e fará palestra sobre o acidente envolvendo o boeing da Gol e o Legacy.

Ah, tem também o astronauta aposentado e agora palestrante profissional Marcos Pontes.

Confira a programação completa aqui.

MAD – Malha Aérea Doida

AviãoA Azul, nova companhia aérea que vai começar a operar no mercado brasileiro até o final do ano, terá como foco a oferta de vôos sem escala ligando as capitais. Que assim seja, especialmente entre as cidades nordestinas. Hoje é bem cansativo. Até o governador de Sergipe, Marcelo Déda, andou reclamando. Só existe um vôo direto entre Aracaju e o Recife. Se perder, o passageiro tem que pegar uma conexão até Salvador para depois vir para cá. Uma viagem de menos de uma hora que pode durar até sete.

Os exemplos da Malha Aérea Doida (MAD) nacional são muitos. Quem quiser pegar um avião para Maceió, cidade que fica a quatro horas de distância do Recife de carro, vai ter que visitar Ivete Sangalo, Daniela Mercury e comer um monte de acarajé antes. Indo pela Gol ou pela TAM é preciso fazer escala em Salvador. Ou seja, você pega o avião, passa por sobre Maceió, dá tchauzinho para os parentes lá embaixo, desce na capital baiana, espera, pega outro avião até finalmente chegar a Maceió. Que beleza. O precinho também está uma maravilha: R$ 265 por trecho pela Gol e R$ 299 pela TAM.

Relaxa e gozaViagens para fora do Nordeste também podem ser bem “interessantes”. Para não dizer outra coisa. Veja o caso desta aqui, entre o Rio de Janeiro e o Recife, pela TAM. É a última opção da lista quando a gente consulta no site da companhia. E dá para entender o porquê.

O sujeito decola do Aeroporto do Galeão às 19h10 e segue até Salvador, onde chega duas horas depois. Desembarca e espera uma conexão que só vai sair perto da 1h do dia seguinte. De novo em um avião, o bravo viajante segue para João Pessoa (?!?!?!?). Pousa às 2h16 e aguarda uma nova conexão, às 5h, para chegar pontualmente (será?) ao Recife às 5h40. Tempo total de viagem: 9h30. Um vôo direto, sem escalas, demora 3h. Só com muita paciência.

Vou fazer a dieta do imposto. Já ouviu falar?

BalançaFiz uma aposta com uma colega do jornal. Apostamos quem vai perder mais peso até o final do ano. Claro que ela está na frente. Eu ainda nem saí do lugar. Quer dizer, o ponteiro da balança nem se mexeu. Mas agora descobri a solução para os meus problemas. Vou fazer a dieta do imposto. Não conhece? Pois vou contar com ela funciona.

Antes da dieta, porém, temos que saber que, em média, a tributação cobrada sobre os alimentos no país é de 22,5%. O percentual foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Ele é alto assim porque temos pelo menos seis impostos que incidem nas várias etapas de produção do alimento (PIS, Cofins, IPI, contribuição previdenciária, imposto de renda, contribuição social sobre o lucro).

Da hora em que se começa a plantar até a etapa final, a venda, os tributos são embutidos no preço do produto. Isso faz com que o custo aumente progressivamente. Acaba sobrando sempre para nós, os consumidores. Lá fora, na maioria dos países sérios, há apenas um tipo de imposto sobre os alimentos, o IVA (Imposto sobre Valor Agregado). A média mundial da tributação dos alimentos é de 6,5%. Na Alemanha, por exemplo, chega a 7%. Na França é de 5,5%.

O diretor do IBPT, João Eloi Olenike, diz que o governo brasileiro não adota a cobrança única porque “é guloso”, não quer ver reduzidas as arrecadações, remetendo a uma necessária diminuição dos gastos.

GarfieldComo eu também sou gulosa, igual ao governo, vamos logo à dieta, que é bem simples. Toda vez que for comer alguma coisa, vou diminuir a porção original em 22,5%. Na hora do almoço, minha antiga quantidade de arroz estará 22,5% menor. A de feijão preto também (não gosto do mulatinho). O mesmo vale para a galinha, o peixe ou a carne. Só não vou fazer isso no caso das verduras e legumes (porque já não sou lá muito fã deles mesmo).

No caso das sobremesas, irei além. Vou subir a incidência dos impostos para 50%. Doces só pela metade. Também não dá para cortar 100%, não é?

Que venha a dieta do imposto, então.

Mamma Mia!!! Nem só de ABBA vive a Suécia

EstocolmoTodo mundo já viu na internet, no Jornal Hoje, no Jornal Nacional, na Band, na TV a cabo que a ONG Transparência Internacional divulgou hoje em Berlim seu relatório anual sobre corrupção. O Brasil manteve a mesma (péssima) nota de 2007 – 3,5 – mas caiu oito posições e passou do 72º para o 80º lugar, empatado com Burkina Faso (hein?), Marrocos, Arábia Saudita e Tailândia. A matéria da BBC Brasil traz o assunto bem explicadinho (clique aqui para dar uma olhada).

Que a corrupção no Brasil é crônica todo mundo também já sabe, que é difícil de combatê-la, também. Então vamos falar da Suécia, minha gente. Este ano, a Suécia dividiu a liderança do ranking com a Dinamarca e a Nova Zelândia, com uma nota de 9,3. Pesquisando um pouco sobre o país dá para ter uma idéia do porquê da nota. O governo gasta mais de US$ 25 mil per capita/ano com serviços sociais. O imposto de renda é altíssimo, mas a população vê e sente onde o dinheiro que paga está sendo aplicado, ao contrário de nós brasileiros. Os serviços de saúde e educação estão entre os melhores do mundo.

HagarJá o coeficiente de Gini da Suécia é 0,25, um dos mais baixos do mundo. O coeficiente é usado para medir o grau de concentração de renda. Varia de 0 a 1. Quanto mais baixo o índice, melhor é a distribuição de renda do país. O do Brasil é 0,52.

HelgaA igualdade entre os sexos também é elogiada no país da rainha Silvia. De acordo com o estudo do Fórum Econômico Mundial (FEM), a Suécia está no topo com 81,46%. Isso quer dizer que, mesmo que homens e mulheres ainda não estejam no mesmo nível (salarial, de representatividade política, por exemplo), o sexo feminino está mais próximo do masculino por lá. O Brasil ficou em 74º lugar, com 66,4%.

E, claro, existe o ABBA. Eu não poderia deixar de falar um pouquinho sobre o grupo que fez um sucesso danado na segunda metade dos anos 70 e início dos anos 80. Mais de 25 anos após o rompimento, o conjunto ainda faz muita gente cantar e dançar mundo afora (incluindo esta que vos escreve).

ABBANo ano que vem será inaugurado um museu em Estocolmo totalmente dedicado ao ABBA, contando a história do grupo, mostrando roupas originais, fotografias e instrumentos da banda.

O museu vai ocupar 6,5 mil metros quadrados no Stora Tulhuset, um imponente prédio construído há um século em estilo Art Deco na capital sueca. Os organizadores esperam cerca de 500 mil visitantes por ano. Quem quiser saber mais sobre o museu basta clicar aqui.