
Será mesmo? Eu realmente “vou estar esperando” que isso aconteça. Nesta segunda-feira “vão estar entrando” em vigor as novas regras para o atendimento nos call centers do país. Serviços de telefonia, televisão por assinatura, planos de saúde, fornecimento de água e energia elétrica, empresas aéreas e de ônibus, por exemplo, terão que “estar oferecendo” atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana.
Nós, consumidores, teremos que ser atendidos em, no máximo, um minuto. Nada mais de ouvir toda a programação de flashbacks da Antena 1 ou 500 vezes Pour Elise, a música oficial do call center (Beethoven não merecia isso). No caso dos serviços financeiros, esse prazo “vai estar variando” de 45 a 90 segundos. Outra mudança é que os problemas que levarmos ao SAC da empresa “devem estar sendo resolvidos” em até cinco dias.
Pelas novas regras, a opção de cancelamento do serviço também deve estar disponível no menu inicial. Um alívio. Conheço casos de quem passou seis meses insistindo com a operadora até conseguir cancelar uma linha de celular. Promessa de melhoria também para os passageiros que têm milhas no programa Smiles. Há quem fique dias inteiros sem conseguir atendimento na central. Quando finalmente consegue falar com o atendente, a pessoa é informada de que “infelizmente” não há mais bilhete prêmio para o destino e os dias desejados.
E, felicidade geral, “vamos poder estar falando” com um atendente de carne e osso sempre que essa for a nossa intenção. É uma vantagem, mesmo sabendo que, hoje, muitos deles se parecerem mais com uma máquina do que a própria máquina.
O único senão do decreto 6523, que regulamenta as novas regras, é que ele não veta o gerundismo. Pelo jeito, “vamos ter que estar convivendo” com essa praga até o fim dos nossos dias.