
As primeiras moedas com as características que conhecemos hoje surgiram no século VII a.C. Faz um tempinho. De lá pra cá, elas evoluíram. Deixaram de ser cunhadas manualmente. As bordas não são mais irregulares e o rosto de reis e imperadores já não ficam tão mais feios que os originais. A tecnologia deixou as moedas mais ou menos iguais. Mas ainda dá para encontrar coisas diferentes mundo afora. Um exemplo recente vem lá do Japão. É a série de moedas comemorativas ilustradas com a Hello Kitty.
Lembram dela? A gatinha fofinha – febre entre as crianças e adolescentes (e não tão adolescentes também) – fez 35 anos em 2009. Agora vai aparecer em mil notas de 30 mil ienes e 30 mil moedas de 500 ienes. Não é brinquedo, não. O dinheiro poderá ser realmente usado em 500 lojas do bairro Asakusa, em Tóquio, do próximo dia 23 de janeiro até 14 de março. Mas nem precisa atravessar meio mundo para encontrar dinheiro diferente.
Aqui mesmo no Brasil existem exemplos curiosos de alternativas ao real. Temos maracanã, santana, castanha, sabiá, sol, palmeira. São 32 moedas administradas por bancos comunitários que pertencem à Rede dos Bancos Comunitários do Brasil.
Essas instituições existem em pequenos municípios ou bairros de periferia de capitais. Normalmente lugares com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). O dinheiro alternativo é aceito apenas pelo varejo local.
O Ceará concentra muitos desses bancos. O Palma atua no bairro Conjunto Palmeira, em Fortaleza, lar de 30 mil pessoas. Foi fundado em 1997 pelos próprios moradores. O dinheiro de lá, claro, chama-se palma. A também cearense Maracanaú tem desde 2006 o seu maracanã. Já a grana de Santana do Acaraú é o santana (nenhum parentesco com o forrozeiro Santana, aquele que canta “Ana Maria”). É usada nos assentamentos, mas aceita, de bom grado, em todo o município.
São iniciativas bem interessantes. Se a moda pegar mesmo, poderemos ter moedas diferentes inspiradas em acontecimentos recentes. Brasília seria, com certeza, campeão de moedas inusitadas. De meia de deputado a bigode de presidente do Senado. Quem sabe o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, não resolva presentear o povo com uma nova moeda no próximo Natal. Panetone, claro.