Madri - Olhando de relance, não sugere grande coisa. A famosa Puerta del Sol – onde fica o Marco Zero da Espanha, que orienta todas as rodovias do país – parece até um tanto acanhada. Tem uma estátua de urso. Tem uma estação de metrô modernosa. Turistas passam e param para tirar fotos.
Mas uma coisa definitivamente chama atenção. Serão os sem-terra de Madri? Não. São os indignados. Agora são poucos. Mas já foram milhares.
Os jovens tomaram as ruas de Madri e foram parar na Puerta del Sol em 15 de maio, dando nome ao movimento contra a condução da economia e da política da Espanha. Os primeiros protestos foram organizados pelas redes sociais, como Facebook e o Twitter. Eles foram chegando e acampando.
A maior presença dos jovem é explicada porque eles estão entre os mais atingidos pela recessão que varre o país. A taxa de desemprego entre eles chega a 40%, quase o dobro da média nacional. Houve dia em que 28 mil pessoas se espremeram na praça para protestar. Foram ouvidos.
O escritor uruguaio Eduardo Galeano passou pela Praça quando visitou Madri, no início de junho. Em entrevista à TV3 espanhola, ele disse o seguinte:
“Parece hoje que os jovens vêm crescendo em matéria de desobediência contra esta lei que os condena à resignação, à aceitação do mundo tal qual é”.
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