
Come together!
Hoje é dia de Paul in Arruda (sim, sou uma tricolor orgulhosa). Eu vou. Confesso que nem pensei muito no valor do ingresso. Afinal, é Paul McCartney. Mas, convenhamos, R$ 306 para ficar na arquibancada inferior (se conseguir um lugar) ou no gramado (quero não) é bem salgado, não é mesmo? Reflexo desta nova realidade brasileira de receber grandes shows internacionais. Agora eles vêm. Mas para a gente ver esse povo tem de pagar caro. Caríssimo.
Pior é que não há nenhuma perspectiva de que os preços baixem. Vejam, por exemplo, os valores dos ingressos para os shows de Madonna, em dezembro. O ingresso mais barato – R$ 120 – é para a arquibancada lateral do Estádio Olímpico, em Porto Alegre. O público deve ganhar um torcicolo de brinde. Os preços mais caros são para a pista premium (claro). Em Porto Alegre custa R$ 800. No Rio e em São Paulo, R$ 850. Haja dinheiro e calor humano.
Mas por que tão caro? Por vários motivos, dizem os entendidos. A infraestrutura é ruim. O trânsito enlouquece todo mundo. Mas como dizem que, depois da Copa de 2014, tudo será um mar de rosas neste país, vamos esperar por dias melhores. Outra coisa que deixa o ingresso caro é a nossa carga tributária de país de primeiríssimo mundo. De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) no ano passado, 40% do preço é imposto.
Ah, e tem um negócio que me deixa com várias pulgas atrás da orelha: a tal taxa de conveniência para você comprar no site. No meu caso, tive de pagar R$ 46 de taxa. Não vi muita conveniência, já que, como foi a namorada do meu irmão que pagou o ingresso no cartão (eu estava viajando e já fiz o reembolso, tá), somente ela pode retirar a entrada. Detalhe: ela mora em São Paulo. Imagina só se acontecesse alguma coisa com a moça e ela não pudesse vir?
Muito inconveniente. A Time For Fun (T4F), que está trazendo o show de Madonna, foi notificada pelo Procon nesta semana. Além de não estar comercializando a meia-entrada e só aceitar pagamento em cartão, a produtora estava cobrando taxa de conveniência em percentual sobre o valor do tíquete. Ou seja, se você comprar o ingresso mais caro (R$ 850) paga mais caro para receber também. Que lindo, não é? Será que em outros países é assim?
Ainda sobre os preços dos ingressos, uma colega minha disse que deveriam fazer o credit diva, só para financiamentos de shows internacionais. Do jeito que a coisa está, não duvido nada que os bancos anunciem algo assim em breve. Ainda mais agora que começou a guerra dos juros e eles vão começar a se engalfinhar pelos clientes.