Quem ri por último ri melhor

Ri HappyO setor de varejo de brinquedos movimenta R$ 5 bilhões ao ano no país. Muito dinheiro, não é? Os brinquedos mais desejados pela criançada já não são aqueles baratinhos.

Por isso quanto mais lojas diferentes, melhor para a concorrência. Os pais/avós/tios ficam com mais opções de pesquisa antes de decidirem o que comprar.

Mas a concorrência vai diminuir um pouco. É que a Ri Happy, controlada pelo fundo de investimentos Carlyle, anunciou nesta segunda-feira a compra da sua concorrente PBKids. O valor da operação não foi divulgado.

A Ri Happy tem cerca de 110 lojas em 18 estados e faturou R$ 600 milhões em 2010. A PBKids, com cerca de 60 unidades, faturou R$ 230 milhões em 2010.

A Ri Happy riu por último.

Em um mar de dívidas, veja o que pagar primeiro

Mar de dívidas. Crédito: Greg/DP

O pior aconteceu. As dívidas saíram do controle. Você está rolando a fatura do cartão de crédito há meses. Atrasou o pagamento dos financiamentos da casa e do carro. Entrou de cabeça no cheque especial. Jogou para debaixo do tapete da sala o carnê da geladeira e da máquina de lavar, compradas depois que o governo deu aquela força reduzindo o IPI. Talvez tenha que deixar de pagar a conta de luz. E agora? Agora é deixar o orgulho de lado, esfriar a cabeça e montar uma estratégia financeira para sair do buraco o mais rápido possível.

Se serve de consolo, você não é o único. Em maio, 23,6% das famílias brasileiras estavam com dívidas em atraso, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio. E 7,8% disseram não ter a mínima condição de quitá-las. Os especialistas em finanças pessoais falam que a primeira coisa a fazer é colocar no papel tudo o que você deve e para quem. Tudo mesmo. O passo seguinte é fazer uma hierarquia das dívidas e começar a pagar as mais caras e aquelas que podem lhe prejudicar no curto prazo.

Atrasar o pagamento da prestação do automóvel ou da casa própria pode ser muito ruim, já que você corre o risco de perder o bem rapidamente, especialmente no caso do carro. E ainda vai ficar devendo, porque o veículo se deprecia. Já a luz pode ser cortada se o pagamento for deixado de lado. Na hora de priorizar o pagamento das contas, não dá para esquecer aquelas com juros mais altos, como o cartão de crédito e cheque especial. No caso do cheque especial, as taxas podem chegar a 222,51%, segundo o Banco Central.

Já os juros do cartão – que não caem há 27 meses, de acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) – batem nos 238,30% anuais. “Mesmo com a redução dos juros, incentivada pelo governo, eles ainda continuam muito altos”, lembra o economista Alexandre Jatobá. Segundo ele, o devedor deve renegociar com a empresa do cartão para conseguir um abatimento. Se estiver muito apertado para pagar, pode tomar um empréstimo com juros menores, como o consignado, para quitar o débito do dinheiro de plástico.

Troca-se, portanto, uma dívida mais cara por uma mais barata. Em média, os juros dos empréstimos pessoais são de pouco mais de 50% ao ano. Outra opção é recorrer à portabilidade de crédito. Os bancos estão oferecendo vantagens para ter mais clientes. “Deixar a dívida num só banco é mais fácil de controlar”, diz Jatobá. O também economista Luiz Maia, professor da UFRPE e coautor do blog Educação de Bolso, faz um alerta: renegociar a dívida sem “estancar” o uso do cartão ou do cheque especial não adianta nada.

“Sabemos que é muito difícil mudar os hábitos. Mas em alguns casos é preciso tomar uma atitude radical. Não usar mais o talão de cheques e deixar os cartões de crédito em casa ou quebrá-los. Ligue para a operadora e diga que não quer mais”, sugere Maia. Ele conta que conhece uma pessoa que passou exatamente por essa situação. Ao invés do empréstimo no banco, ela conseguiu um “empréstimo familiar”. Resolvido o problema da dívida, a pessoa passou a pagar as contas pelo internet banking e a andar só com dinheiro.

Importante também, lembram Alexandre Jatobá e Luiz Maia, é envolver toda a família e fazer uma reavaliação do orçamento. “Se estão gastando mais do que ganha, vão ter que cortar”, diz Jatobá. Os cortes podem ser no celular ou no custo da TV a Cabo. Se a situação for mais complicada, pode ser necessário um ajuste de patrimônio. “É muito doloroso precisar se desfazer de um imóvel, de um carro. Mudar o estilo de vida para baixo é difícil. Mas é necessário se adequedar. Quanto mais rigoroso for o corte, mais rapidamente ele fará efeito”, afirma Maia.

* Matéria publicada na edição do Diario de 25/06