It’s Stavanger time

Stavanger 3. Crédito: Tatiana NascimentoStavanger – Depois de Kristiansand e Bergen, chegamos no início da noite de sábado à Stavanger, cidade que recebe a mais importante feira naval e offshore (petróleo no mar) da Europa, a ONS. Vamos ficar aqui até o fim da viagem (faremos só um bate-volta até Alesund na segunda).

Com cerca de 120 mil pessoas, Stavanger é a quarta maior cidade da Noruega. Até o final da década de 1960, era uma cidade tranquila, tranquila, com seu porto pesqueiro.

Aí, em 1969, descobriram petróleo na região. E a cidade virou a capital norueguesa do “ouro negro”.

Dizem que agora Stavanger “ferve”. Até que, no sábado à noite, a gente viu vários jovens “fervendo” depois de tomarem todas. Uma loira alaranjada (pense como as mulheres daqui curtem o tal do bronzeamento artificial) tentava dançar algo parecido com o samba.

Mas tirando os embalos de sábado à noite, Stavanger é uma típica cidade norueguesa. O porto é uma graça, assim como a cidade antiga. Confiram algumas fotos:

Stavanger 4. Crédito: Tatiana Nascimento

O porto

Stavanger 6. Crédito: Tatiana Nascimento

O centro antigo

Stavanger. Crédito: Tatiana Nascimento

E vejo flores em você

Stavanger 7. Crédito: Tatiana Nascimento

Vou morder estas bochechas

Hola, que tal?

Omar e o monkfish. Crédito: Tatiana Nascimento

Bocão!

Bergen – Estávamos no mercado de peixes quando vimos… um peixe. Bem feio. Era um monkfish. Tinha uma boca gigante. Um rapaz prontamente foi lá, puxou o bigode e abriu a boca do monkfish.

“Olá. São brasileiras?”, perguntou o rapaz, num português com toques de espanhol. O nome dele é Omar. Ele é espanhol e mora na Noruega há três anos. Mas já morou no Brasil, mais precisamente em São Luís do Maranhão. Por isso, quando falei que era de Pernambuco, ele foi logo dizendo: “Recife!”

Comprei umas latinhas de caviar na barraca de Omar para levar para a minha mãe. Obviamente, não é ova de esturjão. Senão teria de assaltar um banco norueguês.

Contei que tinha comprado caviar em 2010, mas que mainha ainda não tinha aberto as latas. Ele avisou: “pode jogar fora. Está estragado. Este aqui vale até junho de 2013″, disse me mostrando a data. “Diga a sua mãe para ficar atenta”.

Atenção, mainha! Ouça o Omar.

Omar 2. Crédito: Tatiana Nascimento

Comida para quem precisa

Bergen comida. Crédito: Tatiana NascimentoBergen – Depois da falar sobre a história da cidade dentro da Liga Hanseática, nossa guia Olga nos levou ao mercado local, que tem peixes, frutas, salames e outras coisas relacionadas à comida.

Exemplo: o cortador de queijo. Esse mesmo que a gente usa para fatiar queijo prato. Sabia que foram os noruegueses que iventaram o troço? Um bem bonitinho, cheio de detalhes, custava 125 coroas norueguesas (uns R$ 50).

Passamos por uma barraca de frutas e Olga falou sobre os morangos (ah, os morangos…show de bola).

Bergen comida 2. Crédito: Tatiana NascimentoEla explicou que eles são produzidos num lugar de Bergen chamado Hardangerfjord, também conhecido como o “jardim das frutas da Noruega”. Lá não tem apenas morango, claro. O cultivo começou a ser feito por monges.

Passamos também por barracas de salame (de alce, de rena, de baleia). Também vimos tanques com lagostas, camarões, vieiras, mariscos. Todos vivos. Mas acho que eles não ficariam assim por muito tempo.

Bergen comida 3. Crédito: Tatiana NascimentoNos despedimos de Olga e fomos almoçar em típico restaurante italiano norueguês, com um leve toque oriental (esta última observação foi feita pela colega Beatriz Cardoso, da revista TN Petróleo).

A lista de pedidos: Bife apimentado (Beatriz), lasanha (Ana e Mikaella), sanduíche aberto (Renata) e duas sopas Rudolph. Os “sopeiros” fomos eu e o Alexandre Fernandes, da Tribuna (de Santos).

Sabe de onde vem o nome da sopa? Vou dar 30 segundos pra você pensar…

…acabaram os 30 segundos.

Rudolph é uma das renas do Papai Noel. Lembra? Parece estranho, mas não é. Ao menos para eles. Tudo bem que a cor da sopa é de um marrom titica de rena, mas ela é gostosa. Um pouco apimentada demais, mas bem gostosa.

Na Noruega, faça como os noruegueses. Tome uma sopa de rena. Pena que Papai Noel vai ter de arrumar uma rena substituta para o trenó no próximo Natal.

Sopa Rudolph. Crédito: Tatiana Nascimento

Bergen histórica e chuvosa

Bergen chuva. Crédito: Tatiana NascimentoBergen – Nosso último dia em Bergen teve um convidado ilustre: São Pedro. Ele providenciou uma despedida bem ao estilo da cidade onde chove pelo menos 280 dias por ano. Enviou doses generosas de água nas nossas cabeças. Mas nada que fizesse o grupo de jornalistas desanimar.

Munidos de guarda-chuvas emprestados pelo hotel, saímos para dar uma volta rápida pela região central. E com direito a uma guia local. Local desde 2006, na verdade. Olga é russa. Foi morar em Bergen seis anos atrás com o marido norueguês. Já era guia em sua terra natal e continuou exercendo a profissão aqui na Noruega.

Olga, a guia russa. Crédito: Tatiana NascimentoOlga começou falando sobre como Bergen se tornou uma cidade membro da Liga Hanseática, fundada pelos alemães. Eles chegaram em 1360, 11 após a epidemia de peste que dizimou 50% da população. A liga chegou a contar com 70 cidades (Hamburgo foi uma das principais). Em Bergen durou até 1899.

O escritório dos alemães ficava em Bryggen, o amontoado de casinhas que é a cara da cidade. Só homens poderiam ficar lá dentro, inclusive no rigoroso inverno. Mas havia mulheres, claro, que circulavam pela rua de trás, oferecendo seus serviços. Segundo Olga, havia quatro mandamentos que os homens deveriam seguir:

1. Nada de fogo (para não causar incêndios)

2. Nada de brigas

3. Pode beber, mas nunca até ficar caindo de bêbado

4. Nada de mulheres (no local)

Bacalhau com cabeça. Pelo menos na escultura. Crédito: Tatiana NascimentoEm Bryggen havia uma espécie de escola para aprender a mexer com peixe. os iniciantes aprendiam tudo sobre as várias espécies da região. Ficavam estudante cinco, seis anos. Depois faziam uma prova. Se passassem, poderiam trabalhar na área de carga e descarga dos navios.

Depois de mais alguns anos, eles faziam outra prova. Se fossem aprovados novamente, iam galgando posições até virarem gerentes. Com o dinheiro que ganhavam, podiam voltar para a Alemanha e estabelecer família.

“Mas a vida era bem dura até chegar lá”, lembrou Olga.

Bergen. Crédito: Renata Ferreira

De guarda-chuva no Bryggen