*Ricardo Melo
Lembro-me que há dois meses escrevi um artigo que começava com a seguinte frase: “Em época de economia estável e boas perspectivas futuras…”. Pronto! Isso já basta para lembrarmos como andava o mercado financeiro naquela ocasião. Desde aquela data, uma surpreendente soma de acontecimentos provocou uma mudança de cenário que faz com que apenas os investidores mais experientes não entrem em completo desespero.
Como estudioso de finanças comportamentais, venho acompanhando clientes que estão “blindados” psicologicamente para essa e outras crises, pois, antes delas ocorrerem, já se imaginaram no meio do furacão e se prepararam emocionalmente para isso. Quem nunca fez tal exercício e começou a investir no período de alta – e por isso contava apenas com os lucros – sente uma dificuldade enorme para adaptar-se ao atual cenário. A primeira reação desses inexperientes e impulsivos investidores é querer sair desse mercado de risco e voltar para a segurança da poupança. É nessa hora que o emocional equilibrado separa os “homens dos meninos”.
Digo isso porque são nesses momentos que se destacam os investidores que possuem o emocional equilibrado e tomam suas decisões racionalmente; eles analisam de modo coerente a situação sem deixar o emocional guiar suas ações. Porém, na maioria das vezes não é isso que acontece.
É fato que o nosso emocional dita como reagimos, como tomamos decisões importantes e, por isso, ter equilíbrio emocional diante de uma situação inesperada significa conseguir enxergar o fato de maneira racional, com a menor interferência possível do campo emotivo e, assim, administrar de maneira sensata a circunstância.
Você já olhou o índice da bolsa hoje? Caso seja um novo investidor, não entre em desespero se ela estiver em grande baixa e digo isso, pois imagino que essa tenha sido a sua primeira reação. Faça um real levantamento de quanto você já lucrou arriscando-se com esse tipo investimento, estude casos de outros investidores e peça ajuda a um consultor se necessário. Saiba que nessa época de crise cada decisão tem que ser tomada rapidamente, porém pensada três vezes antes de ser realizada. Com certeza, o mercado continuará a respirar com certa arritmia, mas espero que o meu próximo artigo tenha um começo tão bom quanto o que eu escrevi há dois meses.
*Ricardo Melo é escritor, especialista em Coaching de executivos e de atletas profissionais, trainer em Programação Neurolinguística e diretor do Instituto Ricardo Melo, com reconhecimento internacional da ONU
A história é testemunha de que são são os tempos de crise e caos que abrem as maiores oportunidades para aqueles que tem, como falado no texto, a tranquilidade de olhar as coisas pelo que elas são.
Turbulência e volatilidade, apesar de parecerem com um quadro assustador, na verdade acontecem justamente para separar os homems dos meninos.
É evidente que empresas saudáveis e bem administradas, como por exemplo a Vale, não deixaram de ser lucrativas a ponto de perder 50% de seu valor em ativos como aconteceu logo no início desta crise, criando portanto, a oportunidade de se “comprar a empresa” por 2 terços do que realmente vale. Fale-me de oportunidades!
Por coincidência acabei de ouvir um desabafo de uma investidora evidentemente, em sua primeira incursão no mundo das ações. Pelo que entendi, está tentando safar o que for possível antes de ver zerada a aplicação.
Meninos(as) voltam para o lugar de onde nunca deveriam ter saído!