Espanha e Itália fazem a final da Eurocopa, neste domingo, em Kiev, na Ucrânia. Os jogadores da Alemanha, cotadíssimos para levantar a taça, estarão só assistindo (ou não). Angela Merkel, a primeira-ministra, deve estar pensando agora: “Mas eles estão em crise e nós não. Como é que vamos salvar o euro se não conseguimos nem ganhar a Eurocopa?”
Pois é, dona Merkel. Que coisa, hein? A senhora deve ter ouvido um monte de piadinhas durante a reunião dos 27 chefes de Estado e de governo da União Europeia, ontem e anteontem, em Bruxelas. Principalmente porque os debates da quinta-feira foram interrompidos para que todos assistissem à semifinal entre Alemanha e Itália. Ui.
A crise no país da bota está grande. O governo italiano aprovou o resgate do banco mais antigo do mundo em atividade, o Banca Monte dei Paschi di Siena (fundado em 1472). Quando visitei Siena (cidade belíssima, por sinal), no ano passado, percebi como o pessoal de lá falava com orgulho do banco. Agora ele vai fechar 400 agências e demitir cerca de 4,6 mil empregados.
A Itália está em recessão, como a Espanha, que passou o pires e pediu oficialmente ajuda esta semana para recapitalizar seus bancos. Logo em seguida, 28 deles foram rebaixados pela agência de classificação de risco Moody’s. No começo do mês, outra agência, a Fitch, desceu em três níveis a nota soberana da Espanha. Baixou de A para BBB. Já pode chamar o Pedro Bial e mandar todo mundo para o confessionário.
Outro dado ruim: a Espanha tem a maior percentagem de “nem-nem” entre os 34 países que formam a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os “nem-nem” não são bebês. São os jovens de 15 a 24 anos que “nem” estudam, “nem” trabalham. De acordo com a OCDE, eles são 38% da massa jovem espanhola. Complicado.
Parece que só o esporte vem dando alegrias aos espanhóis. Além da seleção de futebol, o país tem Rafael Nadal, o rei dos reis do saibro no tênis, sete vezes campeão em Roland Garros. Na Fórmula 1, o bicampeão Fernando Alonso chorou de alegria no último domingo, ao vencer o GP da Europa, em Valência. E destacou a superação do povo local frente à crise econômica.
Enquanto isso, na Alemanha sem crise, Angela Merkel declarou – antes das semifinais da Eurocopa – que as reformas estruturais dos países em dificuldade estão “em primeiro lugar na ordem do dia”. Então talvez ela não esteja se sentindo mal, como falei no início do texto. Deixar Itália ou Espanha ganhar o título pode ser o começo da luz no fim do túnel para a Europa. Tomara.

