Jogos desiguais

Olimpíadas. Crédito: Official London 2012 websiteO esporte é o reflexo da economia de um país? Pode ser para os Estados Unidos. Ou para a China. Ou ainda para o Japão, a Alemanha, a Rússia. Eles estão entre as 15 maiores economias do mundo e entre os 15 maiores vencedores olímpicos. Os norte-americanos, claro, lideram disparadamente as duas listas. Apesar de ainda sentirem o impacto da crise de 2008, têm um PIB de US$ 15 trilhões e 934 medalhas douradas na estante (em um total de 2.304 medalhas na história dos Jogos Olímpicos).

A China está vivendo um crescimento econômico e olímpico sem igual. É a segunda economia do planeta – PIB de US$ 7,2 trilhões – e atual sétimo colocado no quadro de medalhas (163 de ouro e 386 no total). Desempenho garantido sobretudo às 51 douradas ganhas na Olimpíada realizada em casa, quatro anos atrás. Não custa lembrar que, para efeito de ranking, as medalhas de ouro contam mais que o total de medalhas conquistadas pelos atletas.

E o Brasil? Bem, o Brasil ultrapassou o Reino Unido e agora tem a sexta economia do mundo, com um PIB de quase US$ 2,5 trilhões. Coisa linda. De inflar o ego nacional. Sabe a posição do nosso país no ranking olímpico? Ocupamos o distante 37º lugar. Atrás, por exemplo, da Romênia (15º), da Bulgária (23º), da Nova Zelândia (30º), da Ucrânia (35º), do Quênia (36º). Será que a situação seria diferente se o país usasse um pouco mais desse PIB robusto para investir no esporte?

Certamente que sim. E o investimento não se refletiria apenas no acúmulo de medalhas (douradas, prateadas, bronzeadas). O esporte caminha de mãos dadas com a educação, com a saúde. Veríamos também números melhores no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que é medido pelas Nações Unidas e leva em conta expectativa de vida, anos na escola, expectativa de anos de estudo e PIB per capita. O Brasil fica em 84º lugar entre 187 países.

Daqui a quatro anos, a Olimpíada será aqui no país, no Rio de Janeiro. Que o dinheiro que o governo vai investir para melhorar nossa posição no ranking de medalhas possa ter efeito econômico e social. E que siga forte depois de 2016.

Agora se vocês me derem licença, vou ali ficar grudada em frente à TV assistindo aos Jogos Olímpicos de Londres. Vai, Brasil!

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