O nunca antes da Selic

Selic em quedaO que muita gente pensava que jamais aconteceria no país aconteceu. A taxa básica de juros da economia, a famosa Selic, foi baixando, baixando e atingiu o menor valor da história. E baixou ainda mais. Hoje está em 8% ao ano. Deve cair mais. Ainda é um tanto alta para os padrões mundiais, mas bem pequena quando comparada aos 19,75% de setembro de 2005. Ou aos 26,50% de maio de 2003. A Selic remunera os títulos públicos e serve de referência para as operações no comércio e nos bancos. Mas quem ganha de verdade com a Selic em baixa?

Muita gente, dizem os economistas: consumidores, empresários, investidores mais conservadores (adeptos da poupança), investidores mais ousados (que aplicam na bolsa de valores). O quanto se ganha e em quanto tempo é que ainda não está muito claro. “É um terreno em que a gente nunca pisou. Nunca houve no Brasil uma taxa básica de juros tão baixa. Estamos um pouco no escuro”, lembra o economista Marcelo Barros, professor da Faculdade Boa Viagem e coautor do blog Educação de Bolso.

Ele explica que a Selic funciona como um piso. Todos os juros do crediário, do cartão de crédito, dos empréstimos têm como referência a taxa. Se ela pende para baixo, os outros juros também vão pender. Desta forma, quem tem dívidas mais caras (cartão, cheque especial) pode trocar por outras mais baratas – dentro da chamada portabilidade. Fazer um crediário também fica mais em conta, assim como financiar um carro ou mesmo um imóvel. Só não dá para se empolgar muito e sair comprando tudo o que vê pela frente para não se endividar.

Para as empresas, a redução da Selic abre espaço para os investimentos. Isso acontece porque o custo para conseguir dinheiro cai. Há uma redução do custo financeiro. “Uma empresa que precisa investir e não tem dinheiro consegue empréstimos mais baratos. Já aquelas que têm recursos podem jogar o dinheiro na produção para ter um rendimento maior. Das duas maneiras há o crescimento, há a geração de emprego”, explica o economista Alexandre Jatobá, diretor da Datamétrica Consultoria.

Na Protec – especializada na venda de peças para manutenção industrial, com 760 clientes cadastrados entre o Ceará e Alagoas –, o empresário André Carvalho já pensa na ideia de recorrer aos bancos. Quer usar o dinheiro para projetos de inovação, tecnologia e gestão. “Toda redução de taxa é bem-vinda, senão a gente entra em colapso. Mas os juros ainda não baixaram como deveriam. Daqui a dois, três meses, teremos uma repercussão maior.”

Motivos

Mas por que a Selic começou a despencar? “O objetivo do governo é levar a economia a ter um crescimento mais robusto. Se você pegar o PIB do primeiro trimestre e anualizar (projetar para o ano inteiro), dá um crescimento de apenas 1,9%”, explica Marcelo Barros. Jatobá reforça que o efeito não é rápido. Está mais para os 1,5 mil metros do que para os 100 metros rasos, só para entrar no clima olímpico. De qualquer forma, a redução ajuda a economia a crescer. Talvez até renda um pódio. O Brasil está mesmo precisando subir no quadro de medalhas.

André Carvalho e sua equipe. Crédito: Alcione Ferreira/DP/D.A Press

André Carvalho, da Protec, quer usar dinheiro de empréstimo para projetos de inovação, tecnologia e gestão

Matéria publicada na edição de 05/08 do Diario de Pernambuco

Leia sobre a Selic e os investimentos aqui

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>