Um carro é como um filho querido. Tem que comer, tomar banho, ir ao dentista, ter plano de saúde. Mas o que mais existe é exemplo de consumidor que compra o veículo, todo feliz, e depois fica endividado por causa do custo com o combustível, a manutenção, o pagamento do seguro. Sem falar que o objeto do desejo pode se transformar em artigo de decoração, estacionado na garagem.
“Para muita gente o carro fica limitado a ocasiões especiais, como o passeio do fim de semana, as compras no supermercado. Ele deixa de ter a função de meio de transporte”, diz Gilberto Braga, do CDP/Ibmec. O economista recomenda a quem pretende comprar um carro fazer toda uma pesquisa sobre os custos que terá para mantê-lo. Vale conversar com amigos, parentes, vizinhos.
“Infelizmente, a pesquisa não é muito comum e as pessoas se surpreendem”, lembra Braga. A despesa com estacionamentos, por exemplo, podem pesar no fim do mês. Uma ida a qualquer grande shopping no Recife custa de R$ 3 a R$ 4, só nas primeiras horas. O consultor Roberto Ferreira lembra que os custos mensais para manter um carro popular chegam fácil a R$ 800, R$ 900, R$ 1 mil.
A radialista Renata Costa, 26, sabe disso. Depois de dirigir um Fusca 81 e um Palio 97, ela estreou no maravilhoso mundo do carro 0Km na quinta-feira, quando foi tirar o Mille da concessionária. Renata pesquisou, brigou, trocou de revenda. Deu R$ 5,5 mil de entrada e financiou o restante, quase R$ 23 mil, em 60 prestações de R$ 628. Com os outros gastos, o novo membro da família vai demandar mais de R$ 1 mil todos os meses.
Renata conta que conseguiu economizar quase R$ 300 ao eliminar o despachante e fazer ela mesma a matrícula no Detran. Mesmo assim, ficou com a sensação de que poderia ter pago menos pelo carro. “Da próxima vez vou brigar mais”, promete. O carro que poderia ter saído à vista por R$ 29.300 custará, ao final dos cinco anos de financiamento, R$ 43 mil. Uma diferença e tanto.