Neste sábado tem aniversário. Mas não é um dia de celebração. Oitenta anos atrás, quando minhas avós eram meninas de trança, a Bolsa de Nova York quebrou. Fruto do olho grande de um monte de gente. Banqueiros, governo, trabalhadores. O banqueiro alemão Otto Kahn, que anos antes havia emigrado para os Estados Unidos, não podia ter sido mais feliz ao descrever o mercado financeiro daqueles roaring twenties, os barulhentos anos 20, a década dourada norte-americana: “O público tinha concluído que cada pedaço de papel valeria amanhã duas vezes o que valia hoje”.
Difícil não se empolgar. Ações que valiam US$ 1,50 em 1921 pagavam US$ 570 em 1929. Era o milagre da multiplicação dos dólares. Comprar ações era muito fácil e tentador naquela época. Milhares de investidores (novos e antigos) colocavam todo o dinheiro que tinham nos papéis. E o que não tinham também. A prática comum era comprar ações “na margem”. Nessa operação, o investidor pagava uma pequena parcela do valor total das cotas e tomava o restante emprestado do corretor ou do banco. Loucura, não?
Mas a explicação é bem simples: como as ações não paravam de se valorizar, na hora de pagar o débito com o credor, era só vender as dita cujas, quitar a dívida e embolsar o lucro. Moleza. Até o caos se instalar e milhares de investidores serem convocados a pagar o que deviam. Sem nenhuma economia, o povaréu teve que se desfazer das ações. Tudo ao mesmo tempo. Quase 12,9 milhões de ações mudaram de dono naquele dia 24 de outubro de 1929, que ficou conhecido como quinta-feira negra. Teve rico que ficou pobre. E pobre que virou classe Z.
Um monte de gente famosa dançou. O comediante Groucho Marx (o mais bigodudo e famoso dos irmãos) perdeu US$ 800 mil. Todas as economias. Até as que guardava embaixo do colchão, usadas na tentativa de pagar os empréstimos feitos “na margem”. Pelo menos fez piada: “Alguns de meus conhecidos perderam milhões. Eu teria perdido mais. Mas esse era todo o dinheiro que tinha”. Felizmente, ele conseguiu se recuperar depois, fez um monte de filmes, incluindo Copacabana, com a nossa Carmen Miranda.
Mas em grande parte das histórias do crash, o final não foi feliz. Em 29 de outubro, quando a bolsa deu outra despencada (a terça-feira negra), a polícia de Nova York foi chamada para resgatar um corpo das águas do Rio Hudson. Era um agente comercial. Com ele, além da roupa do corpo, foram encontrados US$ 9,04 e alguns avisos para o pagamento do “aumento da margem”.
Highlander, a operação imortal
Depois do pandemônio de 1929, podia jurar que a tal operação de compra de ações “na margem” nem existia mais. Mas ela existe, sim! Só que agora com regras, como explica Leonardo Paiva, sócio-diretor da Athena Investimentos. Segundo ele, quando o dinheiro é emprestado, a pessoa fica pelo tempo acordado. Se o contrato é para 60 dias, o banco só pode cobrar depois de 60 dias. Ah, bom. Ainda assim, continua sendo uma doidice para mim.

O que você tem a dizer a respeito da crise de 1929 e a “pequena crise” de 1920 terem sido produzidas por um cartel de banqueiros, “donos” do FED no EUA?
O que você tem a dizer a respeito da crise de 1929 e a “pequena crise” de 1920 terem sido produzidas por um cartel de banqueiros, “donos” do FED no EUA???