
Sem querer assustar, mas assustando, os aeroviários (pessoal de terra) e aeronautas (pilotos, comissários) ameaçam fazer greve nos próximos dias 23 e 24. O motivo é o reajuste salarial. Os trabalhadores pedem 10%. As empresas oferecem 4,5%. O Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP) tenta costurar um acordo. Se ele não chegar, viajantes de todo o país correm o risco de viver um Natal de caos. Coisa parecida com o pesadelo de 2006, quando a malha aérea entrou em colapso após o acidente com o voo 1907 da Gol, em setembro daquele ano. De acordo com a Infraero, só no Aeroporto Internacional do Recife estão previstos 178 pousos e decolagens nos dias 23 e 24.
Anteontem, os trabalhadores realizaram uma passeata em pleno Aeroporto de Congonhas. Os manifestantes percorreram o saguão e a área de check in das companhias pela manhã. Aproveitaram para alertar os passageiros sobre a possibilidade da greve em pleno período de festas. Na parte da tarde, representantes dos trabalhadores e das empresas participaramde uma reunião no MPT-SP. A procuradora Laura Martins de Andrade apresentou uma proposta para tentar evitar a greve: aumento de 6%, inclusão do direito à cesta básica na convenção coletiva dos aeronautas (similar à cláusula dos aeroviários).
Nesta segunda-feira, serão realizadas assembleias nos sindicatos (incluindo o de Pernambuco) para discutir a proposta. Uma nova reunião entre empresas e trabalhadores já foi marcada para a terça, também no Ministério Público do Trabalho de São Paulo. A paralisação nos dias 23 e 24 foi proposta no início do mês pelo presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke. Essa não é a primeira vez que os trabalhadores ameaçam cruzar os braços e atrapalhar os planos de Papai Noel. Ano passado aconteceu a mesma coisa. A ideia foi descartada depois de o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) bancar 8% de aumento.
Desta vez, os trabalhadores pressionam pelo aumento apresentado como armas os dados de crescimento do mercado de aviação nacional. O assessor econômico da federação, Cláudio Toledo, usa números da própria Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Esses números apontam que o setor aéreo dobrou de tamanho entre 2003 e 2009. Só em novembro, a demanda pelos voos domésticos aumentou 38,3%. Prova, segundo os trabalhadores, de que a aviação está se recuperando. Entre janeiro e novembro, a procura foi 15,6% maior e as aeronaves voaram com uma ocupação média de 66%. Em novembro, ela chegou a 70,77%.
O desempenho do terminal de passageiros do Aeroporto do Recife também confirma a recuperação. Até novembro, os embarques e desembarques (nacionais e internacionais) somaram 4,73 milhões. Volume 11,49% maior que o registrado no mesmo período de 2008. Não custa lembrar que quem é prejudicado por atraso de superior a quatro horas ou cancelamento do voo tem o direito de receber da companhia área alimentação, transporte e, dependendo do tempo de espera, hospedagem. Ou o reembolso do valor pago. Talvez o melhor mesmo seja fazer um pedido extraa Papai Noel: a resolução do impasse entre trabalhadores e empresas para todo mundo ter um feliz Natal.
* Matéria publicada na edição de 12/12/09 do Diario de Pernambuco
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