Mamma Mia!!! Nem só de ABBA vive a Suécia

EstocolmoTodo mundo já viu na internet, no Jornal Hoje, no Jornal Nacional, na Band, na TV a cabo que a ONG Transparência Internacional divulgou hoje em Berlim seu relatório anual sobre corrupção. O Brasil manteve a mesma (péssima) nota de 2007 – 3,5 – mas caiu oito posições e passou do 72º para o 80º lugar, empatado com Burkina Faso (hein?), Marrocos, Arábia Saudita e Tailândia. A matéria da BBC Brasil traz o assunto bem explicadinho (clique aqui para dar uma olhada).

Que a corrupção no Brasil é crônica todo mundo também já sabe, que é difícil de combatê-la, também. Então vamos falar da Suécia, minha gente. Este ano, a Suécia dividiu a liderança do ranking com a Dinamarca e a Nova Zelândia, com uma nota de 9,3. Pesquisando um pouco sobre o país dá para ter uma idéia do porquê da nota. O governo gasta mais de US$ 25 mil per capita/ano com serviços sociais. O imposto de renda é altíssimo, mas a população vê e sente onde o dinheiro que paga está sendo aplicado, ao contrário de nós brasileiros. Os serviços de saúde e educação estão entre os melhores do mundo.

HagarJá o coeficiente de Gini da Suécia é 0,25, um dos mais baixos do mundo. O coeficiente é usado para medir o grau de concentração de renda. Varia de 0 a 1. Quanto mais baixo o índice, melhor é a distribuição de renda do país. O do Brasil é 0,52.

HelgaA igualdade entre os sexos também é elogiada no país da rainha Silvia. De acordo com o estudo do Fórum Econômico Mundial (FEM), a Suécia está no topo com 81,46%. Isso quer dizer que, mesmo que homens e mulheres ainda não estejam no mesmo nível (salarial, de representatividade política, por exemplo), o sexo feminino está mais próximo do masculino por lá. O Brasil ficou em 74º lugar, com 66,4%.

E, claro, existe o ABBA. Eu não poderia deixar de falar um pouquinho sobre o grupo que fez um sucesso danado na segunda metade dos anos 70 e início dos anos 80. Mais de 25 anos após o rompimento, o conjunto ainda faz muita gente cantar e dançar mundo afora (incluindo esta que vos escreve).

ABBANo ano que vem será inaugurado um museu em Estocolmo totalmente dedicado ao ABBA, contando a história do grupo, mostrando roupas originais, fotografias e instrumentos da banda.

O museu vai ocupar 6,5 mil metros quadrados no Stora Tulhuset, um imponente prédio construído há um século em estilo Art Deco na capital sueca. Os organizadores esperam cerca de 500 mil visitantes por ano. Quem quiser saber mais sobre o museu basta clicar aqui.

6 thoughts on “Mamma Mia!!! Nem só de ABBA vive a Suécia

  1. Gostaria de entender: primeiro, a colunista escreve um texto irônico sobre a grande oferta de cargos no serviço público, com o fito último de criticar a participação do Estado na Economia, lugar comum e crítica fácil, sabe-se, entre o dito “jornalismo econômico”, não por acaso dominado por profissionais de tendência neoliberal, a serviço do mercado e de suas “nobres” virtudes. 

    Depois, cita a Suécia como exemplo de sociedade, arrimada principalmente na imensa participação do Estado, com momentosos gastos sociais. Ora, a Suécia é um dos poucos países que não sucumbiu à onda do neoliberalismo, mantendo com poucos desvios os fundamentos do Estado de bem-estar social, consignando um Estado forte, ativo, intervenor na Economia, advindo dos princípios keynesianos e ensombrados praticamente em toda a Europa do pós-guerra. A social-democracia sueca (a verdadeira, não a farsa tucana brasileira) é soberana naquela país, obtendo sucessivas vitórias eleitorais desde a década de 30, e promoveu essa belíssima sociedade, de muitos iguais.

    Decida-se, colunista. Aliás, segundo o Prof. Delfim Neto, que se define como um “keynesiano de pé quebrado” (em recente entrevista à revista do IPEA), o chamado “jornalismo econômico” não é nem uma coisa, nem outra.

  2. Mauro, a questão é que na Suécia o governo oferece bons serviços à população. Aqui ainda falta muito pra isso, não acha? Pesquisei e mostrei alguns dados sobre a Suécia para ilustrar o texto. Ah, o post fala sobre corrupção. A nota do Brasil: 3,5. A da Suécia: 9,3. Você acha que o problema da corrupção, dos dólares nas cuecas, nos apartamentos de banqueiros e em cofres de empresa da filha de um senador e ex-presidente da república não é sério? Eu acho que isso atrapalha a boa condução de um governo, seja ele do PT, do PSDB, do PMDB, do DEM.

  3. Cara Tatiana:

    Inicialmente, e reconhecendo fora uma atitude de pouca elegância, devo elogiá-la pelo nível do blog, a misturar assuntos pertinentes à economia com o tempero do bom humor. Mesmo discordando da sua linha central de raciocínio, que suponho idear, talvez pretensamente, devo-lhe tal reconhecimento.

    Em momento algum em meu texto anterior fiz qualquer referência à gravidade ou não do problema da corrupção, que infelizmente e lastimavelmente nos assalta. Diz o bom senso que a corrupção é, por óbvio, nefasta, indesejável, nociva. E, no caso brasileiro, imensa.  Arraigada infelizmente no espírito de alguma fração do brasileiro comum, diga-se. Ao meu ver, gerações serão necessárias para extirpar esse mal de nossas veias.

    Sim, Tatiana, a Suécia oferece ótimos serviços à população, é notório. E aqui, no Brasil, ainda falta muito para chegarmos em semelhante patamar, também é notório. Você está plena em razão. No entanto, pergunto-lhe: como chegaremos à excelência sueca se não investirmos significativamente no fortalecimento do Estado brasileiro? Contratar servidores, e bem remunerá-los, é apenas uma das práticas benfazejas ao difícil soerguimento do nosso Estado. Afinal, o furacão neoliberal procurou aniquilá-lo, feri-lo de morte.

    A Petrobrás, empresa de capital misto, mas com maioria acionária do Estado brasileiro, por pouco não foi privatizada nos anos FHC: chamar-se-ia Petrobrax. Com as recentes descobertas monumentais amplamente divulgadas, perceba o incomensurável prejuízo imputado à União caso estivesse em mãos privadas, provavelmente alienígenas.

    Produtoras de índices de crescimento econômico pífios e desprezíveis, atendo-se ao panorama latino-americano dos anos 90, a maior vitória das teses neoliberais dá-se precisamente no campo ideológico: com a ajuda da chamada “grande” imprensa, tentou impor-se como verdade única, incontestável, fim inexorável dos sistemas econômicos. Afinal, o que dizem as Mirians Leitão e Carlos Sardenbergs da vida, arautos “econômicos” das Organizações Globo? 

    Vencer semelhante massificação demanda intensa conscientização. É o que intenciono fazer, ainda que timidamente, por ora. E a jornalista contribuiu a semelhantes intuitos, ao invocar um Estado europeu com gigantesca participação do Estado na economia como exemplo a ser seguido.

  4. Mauro,

    também sou leitora do blog, li os dois posts sobre concurso e não percebi o tom irônico que você se referiu. Achei que foram dois textos bem informativos e que retrataram a realidade. Em momento algum ela colocou que era certo ou errado o investimento no fortalecimento do Estado, então é sem sentido a sua pergunta: “No entanto, pergunto-lhe: como chegaremos à excelência sueca se não investirmos significativamente no fortalecimento do Estado brasileiro?o

    Acho que você fez uma interpretação errada.

    Tatiane

  5. Que tal investir maciçamente no fortalecimento da educação brasileira? É provável que este seja o verdadeiro diferencial entre os escandinavos e os latinos.
    Cordialmente,
     
    Sandro

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