Entre o “Fastio” e o “Penacova”

FastioPenacova

Acharam os nomes estranhos? Pois são nomes de duas águas minerais de Portugal.

A Penacova (nome completo: Caldas de Penacova) eu achei em supermercados e lanchonetes. Tinha tanta gente saudável tomando que eu não tive medo. Espero, sinceramente, que não seja um mau sinal.

Já a Fastio (a mesma expressão que a gente usa quando uma pessoa não quer comer) é captada e engarrafada na Serra do Gerês. Um must em muitos restaurantes do Porto e de Lisboa.

Tomei um monte de Fastio na viagem. Infelizmente, não houve o efeito esperado. Não fiquei sem vontade de comer. Pelo contrário. No Café Majestic, na cidade do Porto, até combinei uma Fastio com rabanadas. Uma delícia. E nada light, obviamente.

Fastio e Rabanadas

Fastio e rabanadas

Que tal uma água com gosto de manga com papaia?

FarrisOslo – A água mineral mais antiga (e mais vendida) na Noruega é a Farris. Engarrafada na cidade de Larvik, é uma água bem legal, em sua versão natural.

Mas os noruegueses gostam de inovar. E não apenas na Farris. Outras marcas fazem o mesmo. Por isso, aqui tem um monte de água mineral com gosto (esquisito).

Para quem acha estanho os sabores da H2O e da Aquarius Fresh, aqui vai a listinha norueguesa de misturas na mineralvann (água mineral):

* Manga + papaia

* Limão + capim limão

* Frutas vermelhas + melão

* Groselha + Toranja

Renata, nossa babá, digo, acompanhante da viagem (que já morou na Noruega) disse que também existe uma água com sabor de pepino. Vixe.

Lá no Japão, a Pepsi lançou a Pepsi Ice Cucumber, um refrigerante com sabor de pepino. Vixe de novo.

A água com gosto de pepino – felizmente – não foi servida pra gente. Mas as outras esquisitonas  sempre estavam lá, na primeira fila, quando íamos assitir a uma palestra ou visitar uma fábrica.

Da torneira, não!!!!

Da torneiraLembro que uma vez fui a uma audiência pública da Compesa e o então presidente, Luiz Gonzaga Perazzo, defendeu com unhas, dentes e copos plásticos a qualidade da água fornecida pela estatal. Ele até declarou que, de tão boa, o pernambucano poderia consumi-la sem problema, direto da torneira.

Já não tinha acreditado muito na declaração naquela época. Agora, então… Soube de uma turista alemã que, em visita ao Recife, comeu o pão que o Diabo amassou. Ou melhor, bebeu a água que o Diabo encanou. Inocente, a moça achou que a água que sai da torneira aqui é igual a que sai da torneira da terra dela. Passou mal, mal, mal. Tadinha.

Só depois de algumas semanas descobriu que o pessoal daqui bebe água filtrada, fervida ou então compra garrafões (ou garrafinhas) de água mineral. E como os pernambucanos compram água mineral. Uma pesquisa do Instituto Nielsen, chamada de Homescan, sobre hábitos de compras dos domicílios, mostrou que a água mineral é o segundo produto com maior penetração nos lares recifenses. Fica mais de 10% acima da média nacional. Só perde para o café solúvel.

Água MineralMinha colega Mirella Falcão fez uma recente matéria sobre esse estudo da Nielsen e entrevistou a enfermeira Ausany de França. Olha só o que ela respondeu quando perguntada sobre o motivo de comprar água mineral para a família. “Uso para beber e cozinhar. Tenho medo da água da torneira estar contaminada”. Certa ela.

Entre esta sexta-feira e o domingo Fortaleza vai abrigar o 16º Congresso Brasileiro da Indústria das Águas Minerais, organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (Abinam). Além de falarem sobre as novas tendências do mercado, os executivos das empresas também vão comemorar os números do setor, que são bem impressionantes.

Nas últimas duas décadas, o consumo de água mineral no Brasil cresceu 5.600%, segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O país já é o sexto maior produtor mundial. E a qualidade da água da Compesa deve ter alguma coisa com isso. Ah, deve ter, sim.