Lembro que uma vez fui a uma audiência pública da Compesa e o então presidente, Luiz Gonzaga Perazzo, defendeu com unhas, dentes e copos plásticos a qualidade da água fornecida pela estatal. Ele até declarou que, de tão boa, o pernambucano poderia consumi-la sem problema, direto da torneira.
Já não tinha acreditado muito na declaração naquela época. Agora, então… Soube de uma turista alemã que, em visita ao Recife, comeu o pão que o Diabo amassou. Ou melhor, bebeu a água que o Diabo encanou. Inocente, a moça achou que a água que sai da torneira aqui é igual a que sai da torneira da terra dela. Passou mal, mal, mal. Tadinha.
Só depois de algumas semanas descobriu que o pessoal daqui bebe água filtrada, fervida ou então compra garrafões (ou garrafinhas) de água mineral. E como os pernambucanos compram água mineral. Uma pesquisa do Instituto Nielsen, chamada de Homescan, sobre hábitos de compras dos domicílios, mostrou que a água mineral é o segundo produto com maior penetração nos lares recifenses. Fica mais de 10% acima da média nacional. Só perde para o café solúvel.
Minha colega Mirella Falcão fez uma recente matéria sobre esse estudo da Nielsen e entrevistou a enfermeira Ausany de França. Olha só o que ela respondeu quando perguntada sobre o motivo de comprar água mineral para a família. “Uso para beber e cozinhar. Tenho medo da água da torneira estar contaminada”. Certa ela.
Entre esta sexta-feira e o domingo Fortaleza vai abrigar o 16º Congresso Brasileiro da Indústria das Águas Minerais, organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (Abinam). Além de falarem sobre as novas tendências do mercado, os executivos das empresas também vão comemorar os números do setor, que são bem impressionantes.
Nas últimas duas décadas, o consumo de água mineral no Brasil cresceu 5.600%, segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O país já é o sexto maior produtor mundial. E a qualidade da água da Compesa deve ter alguma coisa com isso. Ah, deve ter, sim.