Dando o exemplo

Casa painelNa casa de Heitor Scalambrini, professor do departamento de Energia Elétrica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), existe há anos um painel solar que gera 90 kWh (quilowatts-hora) de energia por mês.

Agora é o presidente da Chesf, João Bosco de Almeida, quem quer dar o exemplo. Também está instalando painéis fotovoltáicos em casa, na Estrada da Mumbeca, na divisa entre o Recife e Camaragibe.

Os painéis devem entrar em funcionamento em junho. O que ele gerar de eneregia e sobrar poderá ser trocado por créditos ou descontos nas contas de luz.

João BoscoA instalação de pequenos geradores e a troca energia com a distribuidora tornou-se possível no ano passado, graças à aprovação da resolução 482 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Mas a regra só é válida para as fontes que são consideradas “incentivadas”, como hídrica, solar, biomassa e eólica. Elas também precisam ter potência de até 1 MW (megawatt).

Aqui em Pernambuco, a instalação de um sistema desse tipo deve ser feita por uma empresa especializada e ter a aprovação da Celpe. A companhia fornece o medidor usado para indicar o quanto está sendo gerado e consumido.

Os créditos, que serão em kWh, poderão ser utilizados em um prazo de 36 meses. A regra segue o modelo alemão.

Reajuste de energia de 0,79% para consumidor residencial

Lâmpada-1A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou e divulgou nesta terça-feira o índice final da terceira revisão tarifária periódica da Celpe (ela acontece a cada quatro anos).

O aumento será bem pequeno. Para os consumidores residenciais, o reajuste será de 0,79%. Para os consumidores de baixa tensão (abaixo de 2,3 kV), o aumento médio será de 1,97%. O menor reajuste ficou para os consumidores de alta tensão (de 2,3 a 230 kV): apenas 0,19%.

O reajuste começa a valer a partir do próximo dia 29.

Mas o resultado poderia ser melhor. A expectativa era de que houvesse uma redução média de 1,81% nas contas dos clientes residenciais, já que, em março, foi publicado um decreto presidencial autorizando as distribuidoras de energia de todo o Brasil a usarem dinheiro da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Esse dinheiro acaba aliviando o impacto das usinas térmicas nas despesas das empresas. Mas não cai do céu. O CDE é um encargo embutido na conta de luz de todo mundo.

As térmicas estão sendo usadas por conta da falta de chuva, que esvaziou os reservatórios das usinas hidrelétricas.

A Celpe atende 3,2 milhões de unidades consumidoras em 184 municípios pernambucanos, no distrito de Fernando de Noronha e na cidade de Pedra de Fogo, na Paraíba.

Ah, esse aumento de agora não tem nada a ver com a redução anunciada pela presidente Dilma em janeiro. Aquela, motivada basicamente pelo corte de impostos federais, rolou.

De qualquer forma, fica feio a gente ter aumento. Até porque logo ali, na Bahia, foi anunciada uma redução de 9,9% para os consumidores residenciais.

Dança da chuva

Dança da Chuva. Crédito: SamucaBem que a presidente Dilma e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, poderiam agendar uma dança da chuva na Esplanada dos Ministérios.

Talvez com a participação das “autoridades” a chuva caia nos reservatórios das hidrelétricas e a nuvem negra (perdão pelo trocadilho) de um racionamento se afaste de vez. E a gente não tenha de ficar usando as caras e poluentes termelétricas.

Se eu tivesse coragem, até mandava para Dilma uma trilha sonora para a dança da chuva governamental. Como não tenho, vou colocar a lista aqui mesmo. Lá vai:

Singing in the rain – Imagina só o Lobão sapateando como o Gene Kelly

Deixa chover – Dentro do peito tem um fogo ardendo que nunca vai se apagar? Então manda água, São Pedro

Chove chuva – Essa é só para usar o refrão como mantra: chove chuva, chove sem parar

Chuva, suor e cerveja – O carnaval está chegando, afinal

O ritmo da chuva – Forte, claro, para encher o mais rápido os reservatórios

Have you ever seen the rain? – Eu não vi. Você viu? Cadê, cadê?

Bye, bye 2012

PIB. Crédito: Samuca/DPTá certo que o mundo não acabou. Mas o ano vai acabar. Não tem jeito: 2012 está nas últimas. Sem “o pibão grandão” que a presidente Dilma queria. Com o “pibinho” que o ministro Guido Mantega disse em junho ser uma “piada”. Com a inflação acima da meta do Banco Central mais uma vez e o governo anunciando pacotes de bondades para incentivar o povo a consumir. E a presidente Dilma defendendo-se dos rumores de que o Brasil poderia passar por um novo racionamento de energia.

A presidente, por sinal, deve ter pedido a Papai Noel doses generosas de bom humor para enfrentar as últimas semanas de 2012. Antes do bom humor chegar, Dilma ficou irritadíssima com a revista britânica The Economist, que pediu a exoneração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, por conta do frustrante resultado PIB do terceiro trimestre (crescimento de 0,8%). “Vocês não sabem que a situação deles é pior que a nossa? Pelo amor de Deus, (é pior) desde 2008.” Dilma está certa. O problema no Hemisfério Norte é sério.

Mas que o Mantega poderia chispar do governo, bem que poderia. Parece que nunca sabe de nada ou é sempre otimista além da conta (aquela velha síndrome de Pollyana). Anteontem – passado o Natal – a presidente levou na brincadeira a tiração de onda do blog beyondbrics, especializado em mercados emergentes. O blog é do jornal britânico Financial Times. O pessoal bolou um conto de Natal mostrando Dilma como uma rena chamada Roussolph (alusão a Rudolph, a rena do nariz vermelho). Já Mantega é um elfo chamado Guido.

No conto, o nariz vermelho já não faz mais sucesso e os chifres estão menores que os de David Camerolph (o primeiro-ministro inglês Cameron). Para quem não se lembra, a Inglaterra retomou o lugar de sexta economia mundial do Brasil. Guido, o elfo, é apresentado como um bobão. E Papai Noel ainda diz que Roussolph vai perder o lugar de representante da América Latina para Peña Nieto, presidente do México. “Vai querendo”, brincou Dilma quando foi questionada pelos jornalistas. Ela também disse que a “rena é bem engraçadinha”.

Ainda bem que a presidente ganhou bom humor de presente de Natal. Se a economia brasileira continuar em 2013 no ritmo de 2012, as piadinhas só tendem a aumentar. Mas os economistas dizem que a situação pode melhorar um pouco. E 2012 não foi de todo ruim, vamos combinar. Vimos os juros repetirem o bordão de Lula do “nunca antes na história deste país”. E o mercado de trabalho seguir firme. Melhor assim.

Feliz ano-novo!

A gente já viu essa história antes. E vai ver de novo

Capa Diario de PernambucoNão teve Gabriela. Não teve coronel Jesuíno. Mas teve escuridão, calor, muriçoca e preconceito nas redes sociais. Aí está o resultado de mais um apagão no sistema elétrico brasileiro. O segundo no Nordeste em pouco mais de um mês. O quarto que o Brasil ganhou no mesmo período.

Ainda bem que não culparam o vento desta vez, como o governo federal fez em setembro de 2009, quando um inédito desligamento total da usina de Itaipu fez com que 18 estados brasileiros ficassem totalmente ou parcialmente sem energia. Até porque a desculpa ficou manjada depois do desempenho de Fabiana Murer, no salto com vara, na última olimpíada.

Daquela vez o governo culpou a concentração de “descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes” na região de Itaberá, no interior de São Paulo. No apagão que começou ontem e terminou hoje, a culpa foi da rebimboca da parafuseta. Traduzindo sem traduzir: chave seccionadora de um banco de capacitores.

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp – o mesmo que qualificou que “apaguinho” a falta de luz em parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além dos Estados do Acre e Rondônia no último dia 3 – disse o seguinte sobre o apagão desta noite e madrugada:

“Em princípio, sem identificação de causa com precisão ainda, houve um incêndio numa chave seccionadora de um equipamento, que é um capacitor-série do circuito 2 da linha de transmissão de 500 KV, entre as subestações de Colinas e Imperatriz, na interligação que liga os sistemas Norte/Nordeste ao sistema Sul/Sudeste”.

A ironia de tudo isso é que os apagões em série estejam acontecendo durante o governo Dilma, ex-ministra de Minas e Energia do Governo Lula. E, mais irônico ainda, foi a presidente ter feito um discurso no mês passado assegurando que o país tem energia suficiente para evitar nos próximos anos um novo apagão como aquele da época de FHC.

Energia a gente até tem. E acho que a gente não vai viver mesmo um perigo de racionamento. O problema é como transportar esta energia. Os apagões recentes estão sendo causados por problemas no sistema de transmissão. E não adianta dizer que está tudo lindo e maravilhoso. Não está. Falta investimento.

A propósito, no capítulo de Gabriela que os nordestinos perderam por causa da falha na rebimboca da parafuseta, o coronel Jesuíno (José Wilker) foi condenado a 30 anos de prisão por ter matado a mulher e o amante dela. Foi levado para cumprir pena em Salvador. Antes tentou esganar a fofoqueira Dorotéia (Laura Cardoso).

Hoje, no último capítulo da novela, o coronel Ramiro (Antônio Fagundes) vai tentar matar outra vez Mundinho (Mateus Solano). Gabriela (Juliana Paes) deve voltar às boas com Nacib (Humberto Martins). Todos viverão felizes para sempre. Na novela. No Brasil real, teremos que esperar cenas dos próximos capítulos da saga dos apagões.

P.S: Só para relembrar, deixo aqui uma declaração de Dilma quando era ministra chefe da Casa Civil (ainda de peruca por causa do tratamento contra o câncer), braba que só ela, falando do “blecaute” de 2009.

Isenção na conta de luz

Últimas

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Notícia boa. As pessoas que dependem de aparelhos médicos em casa (como os de aspiração de secreções ou de apoio à respiração) e estão inscritas no cadastro único do governo federal serão isentas de pagar a conta de luz.

A portaria que determina a isenção foi assinada hoje pelos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e de Minas e Energia, Edison Lobão.

Estão inscritas no cadastro único as famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa ou de três salários mínimos no total.

Para obter a isenção, é preciso comprovar, por meio de laudo da Secretaria de Saúde estadual ou municipal, a necessidade de uso de equipamentos e atualizar regularmente as informações cadastrais na concessionária de distribuição de energia e na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Energia Verde, da Celpe, é ampliado

Energia VerdeO projeto Energia Verde da Celpe – que dá desconto para quem compra de geladeira, ar condicionado e TV – conta agora com mais um parceiro. A partir desta sexta-feira, os produtos com o Selo Procel terão desconto de até R$ 500 no Magazine Luiza.

Para participar do Energia Verde é preciso morar no Recife, Olinda ou Jaboatão dos Guararapes. Também tem que ser consumidor residencial, ter consumo médio nos últimos três meses acima ou igual a 100 kWh/mês e estar adimplente com a Celpe.

Outras duas coisas: não pode ter participado de outro programa de eficiência energética como o Nova Geladeira ou Doação de Geladeira, e deve possuir CPF coincidente com o que consta na fatura de energia.

Ao comprar o novo eletrodoméstico, o cliente também deve disponibilizar o usado, que será recolhido em casa pela própria Celpe.

Os bônus recebidos pelos clientes variam entre R$ 220 a R$ 500, dependendo do produto a ser adquirido. No ato da inscrição, o cliente recebe seis lâmpadas florescentes compactas.

Mas existe uma contrapartida. É preciso fazer uma doação financeira que varia de acordo com a faixa de consumo.

O valor da doação poderá ser parcelado em até 12 vezes, com prestações de R$ 3, R$ 5 ou R$ 7. Segundo a Celpe, a contribuição será integralmente repassada à Associação para a Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (Amane).

O projeto Energia Verde já tem parceria com as redes Insinuante e Eletro Shopping.

Ah, não são todas as lojas que participam, mas as cadastradas. As unidades da Insinuante e do Magazine Luiza ficam na Rua da Concórdia. A loja da Eletro Shopping é na Rua da Palma.

O prazo para inscrição e troca de equipamentos é até o próximo dia 15 de dezembro ou enquanto durar o estoque. Para mais informações, os interessados podem acessar o site www.celpe.com.br/energiaverde.

São Pedro e a conta de luz

São Pedro

"Quando a esmola é demais, o santo desconfia."

Mas e quando é o santo quem aparentemente está dando a esmola?

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, disse hoje, segunda-feira, 1º de agosto, que talvez a conta de luz baixe. Ohhhhhhh!!!!! O ONS é o órgão que coordena e controla as instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN).

O motivo da possível redução: os reservatórios de água estão no maior nível dos últimos dez anos, graças às fortes e prolongadas chuvas do começo do ano. Por aqui, o “prolongamento” aparentemente ainda não acabou.

Esta boa vontade excessiva de São Padro tem outra consequência. Como tem muita água nos reservatórios das hidrelétricas, as usinas termelétricas ainda não foram ligadas este ano. E podem nem ser “despachadas” (termo usado no meio) em 2011.

Por conta desse “não despacho”, as contas poderiam baixar. É que a eletricidade que sai das térmicas é mais cara do que a fornecida pelas usinas hidrelétricas.

Será? Será? Será?

Dia cabalístico

Dia 29O próximo dia 29 promete fortes emoções.

Tem o casamento real, claro. Mas isso é lá na Inglaterra e não vai mudar em nada a nossa vida (ainda assim, muita gente vai colocar o despertador para acordar às 5h e acompanhar a cerimônia).

Só que 29 também é o último dia para os brasileiros declararem o Imposto de Renda (não vá deixar para o final, viu). Segundo a Receita Federal, cerca de nove milhões de pessoas ainda precisam enviar o documento.

Já os pernambucanos ganharam um presente (de grego) para o dia 29: começa a valer o aumento médio de 8,27% nas contas de energia.

O reajuste foi homologado hoje pela manhã pela “queridíssima” Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Segundo apurou a colega Mirella Falcão, o aumento para as residências será de 8,04%. Já para as indústrias e outras atividades de alta tensão, o reajuste médio será de 8,68%.

No site do Diario de Pernambuco, já teve leitor cobrando o compromisso do governador (quando ainda era candidato) de que pagaríamos menos pela conta de luz. Ano passado deu certo. E agora?

Hora de preparar o bolso

Charge Aumentos

Lá vem bronca...

Energia, água, ônibus, plano de saúde, remédio. Pode não parecer, mas eles têm uma coisa em comum. Têm seus preços administrados pelo governo. Ou seja, no fim das contas, é o setor público quem decide em quanto vai ficar o reajuste. Parece bom? Nem sempre. Em 2011, muitos destes serviços e produtos devem subir acima da inflação, que não será pequena. Segundo o Boletim Focus, publicado pelo Banco Central toda semana, o mercado anda projetando uma inflação de 5,66%.

Aviso importante: boa parte dos reajustes dos preços administrados se concentra no primeiro semestre. Os moradores da Região Metropolitana do Recife já tiveram o dissabor de encarar logo nos primeiros dias do ano um aumento médio de 8,66% nos preços das passagens de ônibus. O bilhete do anel A – pago por 80% dos passageiros – passou de R$ 1,85 para R$ 2. Situação pior viveu o pessoal de São Paulo, onde o reajuste chegou ao cabalístico 11,11%.

Em março, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) deve anunciar o reajuste para cerca de 20 mil apresentações de remédios. Ano passado, o aumento máximo ficou em 4,83%. Em 2011, o percentual deve ser maior. É que o reajuste leva em consideração o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) dos últimos 12 meses terminados em fevereiro. O IPCA é a inflação oficial do país, que fechou 2009 em 4,31% e 2010 em 5,91%, o maior nível em seis anos.

No fim de abril, os pernambucanos vão descobrir de quanto será a mudança nos valores das contas de luz. Em 2010, os consumidores comemoraram uma queda média de 8,7% na tarifa. A primeira desde que a Celpe foi privatizada, em 2000. A queda na conta de luz acabou ajudando a segurar a conta d’água. No fim do ano passado, a Compesa teve um reajuste autorizado de 5%. Mas a situação não deve se repetir em 2011.

“No ano passado, por conta da eleição, alguns aumentos foram represados. Mas agora a eleição já passou”, destaca o economista Josué Mussalém. Ele lembra que a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, em janeiro, previu que os reajustes da gasolina e gás de cozinha fiquem zerados em 2011.

“Mas isso não quer dizer que é o que vai acontecer. Estamos tendo uma crise no Egito, onde o Canal de Suez tem importância para a logística do transporte de petróleo entre o Oriente Médio e a Europa”, diz Mussalém. E a gente com isso? Bem, o problema é que os preços dos combustíveis no Brasil refletem em parte os preços internacionais do petróleo. Aí vai depender da Petrobras decidir o que vai fazer.

* Matéria publicada na edição de 08/02 do Diario de Pernambuco