Quando entrou no mercado brasileiro, em 2001, a Gol se vendia como a primeira companhia área do país low cost, low fare (baixo custo, baixa tarifa). No começo foi mesmo. Mas os anos se passaram, os custos subiram e as tarifas também. A empresa fechou 2012 com um prejuízo de R$ 1,51 bilhão, o dobro de 2011.
Para tentar reverter o preju, a Gol começou, de todas as formas, a cortar os gastos para aumentar os ganhos. Ano passado, a companhia institucionalizou a venda de milhas. No mês passado, confirmou que vai deixar de oferecer lanches gratuitos a bordo. Nem amendoim ou barrinha de cereal. Tudo será pago.
De graça só um copo d’água, se o passageiro pedir. A companhia justificou a decisão dizendo que um cardápio variado vai “atender diferentes perfis de consumidor, respeitando aqueles que optam por não consumir no voo e, consequentemente deixam de pagar o preço que antes era embutido no valor da passagem”.
Hum…Então quer dizer que os preços das passagens vão baixar? Vamos ver. Só promoção de fim de semana de vez em quando não vale. É preciso que haja a redução nas passagens comuns também. E sobre os lanches pagos, uma sugestão: que haja troco para quem quiser pagar em dinheiro e comida em estoque.
No ano passado, dei uma nota de R$ 20 para pagar por um lanche de R$ 15. Como os comissários não tinham troco, eu fiquei sem comer. E uma amiga me disse que uma conhecida quis comprar um sanduíche e a resposta da comissária foi: “Sinto muito. Só tínhamos um. E ele já foi vendido.” Como assim só tinham um?
A novidade agora, que saiu no G1, é que a empresa vai pagar bônus para pilotos e comissários em troca da redução do tempo de voo e redução nos atrasos, refletindo na economia de combustível. A ação começou em janeiro. Nos dois primeiros meses do ano, a economia ficou em R$ 4,6 milhões.
A meta da empresa é de uma economia mensal de R$ 1,9 milhão. Ou seja, o desempenho está acima da meta. Mas me pergunto se isso não pode colocar em risco a segurança dos voos. O G1 listou algumas das sugestões da Gol para que os pilotos economizem combustível:
* Reduzir a altitude de forma mais direta possível para o pouso
* Desligar um dos motores durante o taxiamento
* Deixar um dos reversos (freio) travado para pousar em pistas longas, usando os freios manuais
* Fazer rotas mais diretas
Medo das sugestões. O que é “reduzir a altitude de forma mais direta”? Embicar e descer como se não houvesse amanhã? A direção da empresa garantiu que não haverá problemas e que os voos serão monitoradados para evitar a atitudes anormais. Sei não, sei não…
Já tem gente comparando a Gol à irlandesa Ryanair, a rainha das companhias low cost, aquela mesma que inventou de cobrar do passageiro a ida ao banheiro e está pensando em fazer o povo viajar em pé. No ano passado, a imprensa europeia publicou vários casos de problemas com aviões da Ryanair.
Entre os casos relatados nas matérias havia pousos de emergência por falta de combustível (os aviões viajam com cota de querosene e ficam sem margem, se acontece algum desvio) e passageiros atendidos nas emergências por terem sido mordidos por insetos. A suspeita era de seriam pulgas (!!!!!!). Será que eles colocam Gilliard na trilha sonora dos voos?
* A dica do post foi de Juliana Cavalcanti









