“Inshalá! Muito ouro!” Dez anos atrás, a menina Khadija, da novela O clone, só queria saber de casar com um homem e rico e ter muito ouro. Podia não ser uma aspiração lá muito feminista. Mas ela estava no caminho certo. Ao menos no que diz respeito ao ouro como porto seguro. É assim desde que o mundo é mundo. E as barrinhas douradas são ainda mais cobiçadas em momentos de crise, já que podem ser trocadas em qualquer lugar do mundo. Elas têm atraído cada vez mais os pequenos investidores. Mas será que vale a pena mesmo?
“É uma boa opção, sim. Hoje em dia, você tem aquelas distribuidoras que vendem quantidades pequenas, múltiplos de grama. Isso ficou muito acessível para o pequeno investidor”, afirma o consultor Conrado Navarro, autor do livro Vamos falar de dinheiro? e fundador da empresa Dinheirama, especializada em educação financeira. A possibilidade de comprar ouro em pequenas quantidades – de 1 a 250 gramas – e receber o metal em casa existe desde abril de 2010, quando foi publicada a Instrução Normativa nº 1.022, da Receita Federal.
Em compras de até R$ 20 mil não é preciso pagar Imposto de Renda, apenas 1% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) quando o negócio é fechado. As empresas são regulamentadas, com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em pequenas quantidades, o que o investidor recebe em casa é parecido com cartão de crédito. No espaço do “chip” vem o ouro. Se for uma quantidade maior, muda a embalagem. Mas do tamanho que for, ela não chegará com o nome “ouro” estampado no pacote.
A OM Grupo, por exemplo, já conta com 30 mil pequenos investidores castrados. E o número cresce cerca de 60% ao ano. O diretor da empresa, Roselito Soares, reforça que “sempre quando se tem insegurança econômica, todo mundo quer comprar ouro, e isso é muito bom pra quem já o tem em mãos”. Conrado Navarro chama atenção, no entanto, para o motivo do investimento. “O pequeno não pode pensar em comprar ouro para especular. Ele é um fator de proteção do investimento. Se precisar se desfazer algum dia, a pessoa levanta o dinheiro e resolve os problemas.”
A sugestão dele é investir algo em torno de 5% das reservas financeiras. Mas primeiro é para respeitar a ordem dos fatores, isto é, ter investimento em renda fixa e, no caso do longo prazo, ações ou fundo de renda variável. Só então viria o ouro. Mesmo quem não caiu na tentação de investir em ouro pensando apenas em ganhar dinheiro está pra lá de feliz. Entre janeiro e outubro, o metal teve valorização de 18,63%. O dólar subiu 8,61% no mesmo período. A Bolsa teve variação de apenas 0,55%. O ano está dourado.
* Matéria publicada no Diario de Pernambuco de 25/11