
Você comprou um CD pirata no ano passado? Um DVD? Quem sabe uma relógio baratinho pra dar pinta na balada com os amigos? Ou talvez uma bolsa “quero ser Prada”? Um óculos “Ráiban” na praia?
Se a resposta foi “sim” para alguma das respostas acima (ou para outro produto falsiê) saiba que você entrou para o clube dos 68 milhões de brasileiros acima de 16 anos que adquiriram alguma mercadoria falsificada em 2008. Foram 8 milhões a mais que em 2007, segundo mostra a pesquisa Pirataria – Radiografia do Consumo, ano III, da Fecomércio do Rio de Janeiro.
A equipe da Fecomércio aponta o aumento do emprego e da renda no país como uma das causas para o crescimento da pirataria. Com mais dinheiro no bolso dos trabalhadores o consumo foi aquecido, o que incluiu o mercado de produtos piratas (bem isso até a crise internacional bater à nossa porta, no final do ano).
CDs (83%), DVDs (69%) e óculos (7%) foram os produtos preferidos pelos consumidores de “genéricos” em 2008. O avanço maior foi entre os DVDs, que passaram de 53% para 69% no consumo. O presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, definiu assim o aumento do consumo dos DVDs piratas:
“O avanço do consumo de DVD pode ser explicado pelo fato de os filmes antes mesmo de chegarem às telas de cinema já estarem, disponíveis nas ruas a preços incomparáveis. Não só pelo preço, muito abaixo do de mercado, mas também pelo fato de não estarem em cartaz nas locadoras. Some-se a isso a expansão das vendas de aparelhos no país.”
Ele tem razão. Hoje é possível comprar um aparelho de DVD de marca razoável por R$ 100. Às vezes menos.
O levantamento também mostra que caiu o número de pessoas que dizem não comprar produto pirada de jeito nenhum. Em 2007 eram 58%. Ano passado foram 52%. Os anti-piratas responderam assim quando foi perguntado o motivo: 55% disseram que era por causa da baixa qualidade dos produtos. Já 20% falaram que o motivo era a falta de garantia. Apenas 5% disseram que não compram pirataria por medo ser punido.
Será mesmo que o mundo é dos espertos? Espero que não. E vocês, o que acham?
Num país onde 75% das pessoas admitem consumir algum produto falsificado – segundo a pesquisa organizada pelo Instituto Akatu e divulgada na última semana – até que foi bem difícil conseguir alguém que topasse abrir o jogo e falar sobre a compra de artigos piratas. Mesmo com a garantia de que não seria identificado (a). Um rapaz de 37 anos concordou. E foi bem direto em suas colocações. Disse, por exemplo, que já viu delegado de polícia comprando CD pirata e que não está certo justificar o crescimento da pirataria apenas por conta dos preços dos produtos originais. “A comodidade das pessoas também ajuda”. Vamos chamá-lo de Jack Sparrow (o personagem de Johnny Depp no filme Piratas do Caribe). Segue a entrevista:
Está no DP de hoje. O Instituto Akatu (em parceria com a empresa Microsoft) organizou um estudo sobre o comportamento do consumidor brasileiro em relação à pirataria no país. O resultado mostra que 75% da população brasileira admite consumir algum tipo de produto falsificado. Essa grande maioria, espalhada por todas as classes sociais, reconhece o mal que isso causa ao país, mas não se sente responsável porque não vê o seu “pequeno” ato contribuindo para um crime. (