Meu país, vou-me embora!

Portugal FuturoNão, eu não estou indo embora. São os europeus que estão arrumando as malas. Cerca de um milhão deles já deixaram seus países de origem desde 2008 por causa da crise. Saem em busca de trabalho, de melhores condições de vida. Situações que a gente costumava ver nos países do terceiro mundo.

Em Portugal, 240 mil foram embora nos últimos dois anos, segundo dados do governo. A taxa de desemprego é de 17%. Parte desse povo está indo, vejam só, para Angola. Foram 30 mil só no ano passado. Nem na época em que Angola era colônia havia tantos portugueses.

A música “Meu país”, do cantor de rap Valete, conta justamente a história de um sujeito que decide deixar Portugal e ir para Luanda. “Levo quase tudo, até o meu kimodo de judô”. “Minha volta é um ponto de interrogação.” “Quanto há trabalho, são sempre temporários.”

No vídeo abaixo você confere a letra forte e triste do rap, que virou um símbolo por lá:

No último dia 1º de maio, os trabalhadores foram às ruas protestar contra os cortes e as políticas de austeridade do governo. Protestaram na capital, Lisboa, nas cidades do Porto, Coimbra, Évora, Faro, na Ilha da Madeira, nos Açores.

Em 2011, Portugal assinou um resgate financeiro de 78 bilhões de euros. O cinto foi apertado. Mas o crescimento não foi retormado. O Produto Interno Bruto caiu perto de 7%. Só no ano passado a queda foi de 3,2%.

O que pensar da Europa

O pensadorComo fiz nos últimos anos, juntei dinheiro para passar umas semanas na Europa nas férias, que infelizmente acabaram na última terça-feira (snif, snif, snif). Pude acompanhar de perto novos capítulos da crise que grudou no continente como música de gosto duvidoso e que não quer ir embora.

A bola da vez é o Chipre, ilha no Mar Mediterrâneo com pouco mais de um milhão de habitantes. Para que o país receba um empréstimo de 10 bilhões de euros, valores acima de 100 mil euros depositados nos bancos foram confiscados pelo governo. Isso parece familiar? Pois é. Vivemos isso aqui com o Plano Collor.

Eu não estive no Chipre durante as férias. Mas fui à Bélgica, sede da União Europeia, onde milhares de pessoas foram às ruas num protesto contra as ações de austeridade econômica. O protesto foi justo no dia em que os chefes de Estado e Governo dos países membros estiveram reunidos no Parlamento.

PedinteHoje, há mais de 26 milhões de desempregados na Europa. Conversei com pessoas que disseram que o desemprego entre os  jovens é o que mais assusta. Também fui à França, que só parece glamourosa com chuva num filme de Woody Allen. São Pedro foi malvado comigo.

Paris continua linda, claro, mas achei a cidade mais suja e com mais gente pedindo dinheiro nas ruas do que da primeira vez, em 2010. De Paris fui para a Espanha (Barcelona e Madri), onde a crise ainda está estampada nos cartazes de “aquiler” e “venta” dos imóveis.

Entre 2007 e o primeiro semestre de 2012, houve no país cerca de 400 mil execuções hipotecárias. Quem não consegue pagar os financiamentos vai para a rua. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) mostram que entre 5 milhões e 6 milhões de moradias no país estão vazias. É muita coisa.

Prédio em BarcelonaEm Barcelona, conversei com dois taxistas bem simpáticos que falaram um pouco (na verdade, falaram muito. Como eles gostam de falar!) da crise por lá. Um disse que gostaria muito vir ao Brasil para a Copa, mas como os bancos cortaram bastante o crédito e aumentaram os juros, ele vai acompanhar os jogos da Fúria pela TV.

O outro taxista, quando soube que eu era brasileira, falou que Brasil e Chile é que estão bem. Contei a ele do Pibinho de Mantega do ano passado. “Ah, mas isso não é nada. Vocês estão bem.” É, pode ser. Melhor que eles, pelo menos. Minha viagem acabou com uma parada vapt-vupt em Lisboa.

Fábrica dos Pastéis de BelémSeu João, taxista e guia a quem sempre recorro quando vou para lá, também me falou sobre a crise. “Não melhora nada neste ano.” Fizemos um giro rápido pela capital portuguesa e pude constatar pelo menos em um local a crise passa a léguas de distância: a fábrica dos deliciosos Pastéis de Belém.

Havia fila para quem queria comprar no balcão. E os salões estavam lotados. Esperamos uns 15 minutos por uma mesa. Além dos pastéis de nata, pedi bolinhos de bacalhau. Eles chamam de pastéis de bacalhau. Mas são bolinhos! Deliciosos também, mas são bolinhos e não pastéis. Será que é piada de português?

Pastéis e Bolinhos

É estranho, mas é imposto

Guerra da Abissínia

.

O ano era 1718. Pedro I, o Grande, já governava a Rússia por 36 anos. Foi quando teve a ideia de arrecadar mais dinheiro cobrando um imposto um tanto polêmico. O tal imposto era sobre a alma. Quem tinha uma, deveria pagar. E se a pessoa afirmasse que era “desalmada”, não tinha problema. Pagava do mesmo jeito. Era o imposto pela não religiosidade. Maluquice de um imperador que se achava? Pode até ser. Mas o passado e o presente estão cheios de exemplos de tributos estranhos.

Na abertura do XI Congresso Internacional de Direito Tributário de Pernambuco, quarta-feira passada, Paulo de Barros Carvalho, presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (Ibet), lembrou da Itália, um país rico em excentricidades tributárias. “A Guerra da Abissínia terminou em 1936. Mas ainda hoje os italianos pagam um adicional sobre a gasolina para cobrir os gastos com a guerra. Isso mostra como depois que um imposto passa a ser cobrado, é difícil de ser retirado.” …Continue lendo…

Você sabia que…

O Brasil é apenas o 11º consumidor mundial de Vinho do Porto, com 1,3% do total exportado por Portugal e pouco mais de 5 milhões de euros negociados. Se serve de consolo, o crescimento no ano passado foi de 20%. O levantamento do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) mostra o top 5 do ano passado:

1.    França…………………………………………………..28,5%
2.    Holanda………………………..14,2%
3.    Portugal………………………14%
4.    Bélgica…………………12,5%
5.    Reino Unido……10,4%

Vinho do Porto 2

Haja barril!

Aceita uma taça?

Vinho do Porto

"Eu bebo, sim".

Os entendidos em bebida dizem que vinho só presta se for seco. Ainda bem que no caso do Vinho do Porto a história não é bem assim. Esta delícia portuguesa tem doçura. E um monte de história para ser contada. Por ano, são consumidas mais de 100 milhões de garrafas de Vinho do Porto mundo afora.

Aqui no Brasil, o Porto teria chegado com os primeiros navios da época do Descobrimento. Já naquela época, os patrícios adicionavam aguardente de vinho para garantir uma melhor conservação da bebida durante as viagens que pareciam não ter fim.

Mas os ingleses juram de pés juntos – taça de Porto em uma mão e xícara de chá na outra – que foram eles que tiveram a brilhante ideia de colocar o “conservante” no século XVII. Foi naquela época que eles começaram a se abastecer com o vinho português por conta de problemas com os franceses.

Brigas pela paternidade à parte, é justamente a adição dessa aguardente de vinho neutra (com 77% de álcool) que faz o Porto ser o que é. A fermentação não fica completa. O açúcar natural das uvas não se transforma completamente em álcool. Por isso, a bebida é docinha, docinha. …Continue lendo…

Supermercado self service

Caixa self service

Você faz o show !

Taí uma coisa que chamou muito a minha atenção na capital portuguesa.

Estava no shopping Vasco da Gama depois de ir ao Oceanário de Lisboa (fantástico, por sinal).

Fui ao supermercado Continente para umas compras de última hora. Paguei minha parte. Ao lado, estavam os caixas self service.

Eles fazem jus ao nome. O sujeito (ou sujeita) vem com o seu carrinho ou cestinha e passa os códigos de barras dos produtos no leitor. Depois de ver a soma, paga com dinheiro (a máquina dá troco) ou cartão. Aí é colocar os produtos na sacola (de preferência ecológica) e ir para casa.

“E se a pessoa quiser sair sem pagar algum item?”, me perguntou um colega.

Tinha de ser brasileiro…

Eu não sei, confesso. Mas acho que algum tipo de alarme deve disparar com produtos que não passem pela leitora e saiam do super.

Os primeiros caixas self service foram implantados em Portugal em 2005. Eles também já existem em outros países, como Estados Unidos e Austrália.

Aqui no Brasil eu não conheço nenhum super com caixa self service. Vocês conhecem?

Sigam o blog no Twitter: @TatiNasci

Faça o que eu digo…

MicoComecei a contar alguns “causos” da viagem nos posts abaixo.

Nos próximos, vou falar sobre três micos que passei nas férias. Todos na Itália.

Vou passar vergonha na frente de mais gente?

Vou. Mas pelo menos posso dar o alerta.

É aquela velha história do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Entre o “Fastio” e o “Penacova”

FastioPenacova

Acharam os nomes estranhos? Pois são nomes de duas águas minerais de Portugal.

A Penacova (nome completo: Caldas de Penacova) eu achei em supermercados e lanchonetes. Tinha tanta gente saudável tomando que eu não tive medo. Espero, sinceramente, que não seja um mau sinal.

Já a Fastio (a mesma expressão que a gente usa quando uma pessoa não quer comer) é captada e engarrafada na Serra do Gerês. Um must em muitos restaurantes do Porto e de Lisboa.

Tomei um monte de Fastio na viagem. Infelizmente, não houve o efeito esperado. Não fiquei sem vontade de comer. Pelo contrário. No Café Majestic, na cidade do Porto, até combinei uma Fastio com rabanadas. Uma delícia. E nada light, obviamente.

Fastio e Rabanadas

Fastio e rabanadas

Do lado de lá do Atlântico

Bandeira da ItáliaVoltei ontem das férias. Foram apenas 16 horas entre a aterrissagem no Aeroporto do Recife/Guararapes e o regresso à redação do Diario de Pernambuco.

Loucura, disseram meus colegas. Sou obrigada a concordar com eles.

A cabeça ainda está em parafuso, claro, por conta do fuso horário de mais quatro ou cinco horas da Europa. Quatro em Portugal e cinco da Itália, os dois países que visitei. (Os países começaram o horário de verão e adiantaram o relógio em uma hora).

Bandeira de PortugalForam 18 dias na “Bota” e sete em Portugal. Um tempo razoável para conhecer um monte de coisas legais.

Nos próximos posts e na coluna que é publicada no caderno de economia do Diario de Pernambuco aos sábados vou colocar algumas coisas interessantes que encontrei nos dois países. Economicamente falando, claro.

Até logo mais…

Seu João

Seu João

Já falei sobre João Moreira no post abaixo. Entre um passeio e outro em Portugal, ele me contou que trabalha com turismo há 20 anos. Atende muitos brasileiros daqui de Pernambuco, do Ceará, da Paraíba, de São Paulo.

“Para mim não há muita diferença. Todos são muito bons, alegres. Mas os paulistas têm mais dinheiro”. Disso a gente sabe, seu João.

MigasAlém de conhecer o santuário de Fátima, fui com o motorista e guia boa praça também ao Palácio de Queluz, a Sintra e à cidade fortificada de Óbidos (show de bola). Quem for a Portugal e estiver interessado, pode entrar em contato com ele por e-mail (jdelacosta@sapo.pt).

João Moreira também apresentou a esta jornalista duas delícias portuguesas: as migas e os travesseiros.

A tal das migas que eu comi foi feita com couve refogada, feijão e pão de milho esfarelado. Está aí na foto. Ela também pode vir com carne ou outra proteína. Bem gostosa.

TravesseiroJá o travesseiro da Periquita (uma fábrica de doces e bar) é uma bomba calórica com recheio de doce de amêndoas, ovos e açúcar. Maravilha!

Saí completamente da dieta,viu seu João? Mas o senhor está perdoado.