O calor está de matar. Aparentemente, não é só ele. De acordo com um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os produtos tradicionais de verão estão com os preços tão altos quanto a temperatura. No Recife, as despesas com os itens típicos da estação, como o chope, tiveram um aumento médio de 7,04% entre fevereiro de 2010 e janeiro deste ano. No mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) registrou uma alta de 5,21%.
Segundo o levantamento coordenado pelo economista André Braz, a dupla chope & cerveja lidera a lista de aumentos na capital pernambucana. Em um ano, o reajuste médio foi de 14,32%. “São produtos consumidos em bares e restaurantes. Esse aumento vem muito do aquecimento da demanda e do próprio desempenho da economia. Com salários melhores, as pessoas se sentem mais à vontade financeiramente para consumir”, diz Braz.
Quem prefere tomar refrigerante está pagando em média 12,24% a mais pela bebida. Já o queijo coalho subiu 4,65%. Além do Recife, a pesquisa da FGV também entrevistou consumidores de outras seis capitais (Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e São Paulo). Na média nacional, as despesas com produtos de verão subiram 8,07%, enquanto o IPC geral ficou em 6,21% entre fevereiro de 2010 e janeiro deste ano.
Depois de tantos índices de alta, uma surpresa positiva. O valor médio do sorvete ficou na mesma. Zero de aumento. André Braz reforça, no entanto, que se trata de uma média. “Em alguns lugares o preço pode ter subido. Em outros, pode ter caído. Isso acontece em virtude das promoções”, explica o economista. Os consumidores de Belo Horizonte não tiveram a mesma sorte. Estão pagando em média 12,09% a mais pelo sorvete.
BH é a capital onde os preços dos itens típicos de verão mais subiram no último ano: 11,17%. O menor aumento médio foi registrado em Salvador (5,64%). André Braz lembra que, como o levantamento é anual, ele acaba excluindo os efeitos sazonais. Mas nem todos. O economista destaca que,como o Recife é uma cidade turística e ainda estamos no auge da estação, nada impede que o preço de um determinado produto suba no próximo fim de semana.
Braz dá dicas para quem quer aproveitar o sol e o mar sem ficar com o orçamento apertado. Ele sugere que as pessoas levem parte do que vai consumir. Pode ser um litro d’água, umas poucas latas de cerveja ou refrigerante. “Se der vontade de beber mais, o gasto não será tão grande.” Achou a dica de farofeiro? Pode até ser. Mas que ajuda a economizar, ajuda.
* Matéria publicada na edição de 10/02 do Diario de Pernambuco