Arquivo da categoria ‘Dicas na web’

Tiradentes e os Impostos

sábado, 21 de abril, 2012

 

Dia 21 de abril, Feriado de Tiradentes… e não podíamos deixar de falar sobre uma das maiores mazelas do nosso país: a relação insustentável do fisco com o cidadão e com as empresas no Brasil.

Para quem acha que a expressão “insustentável”, no parágrafo acima, é exagerada, vale contextualizar:

- A carga tributária no Brasil ultrapassa os 35% de toda riqueza produzida anualmente; não há país no mundo com o mesmo nível de renda média que cobre tanto imposto;

- Como aproximadamente 20% da nossa economia ainda é informal – seja por empreendimentos irregulares, seja pela prática tão difundida do caixa-dois -, a estrutura tributária está montada para arrecadar, na verdade, mais de 40% da riqueza! É esse ônus que sofrem os cidadãos e as empresas cumpridoras da lei;

- Um dos maiores empresários do Brasil declarou recentemente, em evento público e diante de importantes autoridades, que obtém mais ganhos financeiros na contratação de um experiente consultor tributário do que no trabalho de um excelente engenheiro de produção;

- Uma empresa nacional de tamanho médio “gasta” mais de 2.500 horas de trabalho anuais para cumprir suas obrigações tributárias; esse custo é repassado para o cidadão nos preços dos produtos;

- A carga tributária no Brasil incide mais pesadamente sobre os pobres do que sobre os ricos: metade do que paga um beneficiário do bolsa família na compra de seu sustento é tributo! Isso mesmo, a carga tributária sobre a renda das famílias que ganham até dois salários mínimos é de 50%.

- Os governos se esmeram no desenvolvimento de novos recursos arrecadatórios, e se arrastam na correção das inúmeras distorções.

 

Sendo assim, sugiro os links abaixo para reflexões:

1. Um belo resgate da história de Tiradentes (clique aqui)

2. Projeto de Lei, Código Nacional de Defesa do Contribuinte (clique aqui)

3. Discussão crítica sobre o Projeto de Lei, sugerindo sua insuficiência (clique aqui)

 

Liberdade… ainda que tardia!!!

 

 

Juros: cartão de loja x cartão de crédito

terça-feira, 17 de abril, 2012

 

 

Parece difícil de acreditar, mas há quem cobre juros

ainda maiores do que os rotativos no cartão de crédito!

 

… e não(!), não estamos falando do agiota lá do seu bairro, ou aquele que circula comprando cheques e oferecendo empréstimos na feira que você frequenta. A bola da vez é o cartão de loja – ao que tudo indica, uma das maiores roubadas em que o cidadão pode entrar.

Duas boas reportagens recentes apontam nesta direção: A primeira (clique aqui), dava conta de que os juros nos cartões emitidos pelos estabelecimentos comerciais podem chegar a 600% ao ano!

Na segunda reportagem (clique aqui), a boa notícia: o cidadão está percebendo a diferença e, na medida em que vê sua renda crescer e tem acesso a novos produtos financeiros, tende a fugir dessa enrascada. A participação dos cartões próprios nas vendas de grandes cadeias varejistas caiu em torno de 5% entre 2010 e 2011.

Em todo caso, vale a ressalva: pular da panela quente com juros de 600% no cartão de loja e cair no fogo dos 180% do cartão de crédito pode não dar grande alento ao leitor… mas é o começo!

É pelo mercado, caros leitores, que faremos cair os juros no Brasil. É tarefa de cada um de nós – não apenas do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal.

Saúde física e financeira de braços dados

segunda-feira, 17 de outubro, 2011

Nós, brasileiros, vamos convivendo em 2011 com um desconfortável nível de inflação, que já chega a 7,31% nos últimos 12 meses. Esse encarecimento dos bens e serviços tem ofuscado uma outra tendência, até mais preocupante: a de custos crescentes nos gastos com a saúde.

A cada nova mensalidade dos planos particulares que quitamos, observamos fatias maiores dos nossos orçamentos sendo destinadas àquele fim. Curiosamente, a tendência é universal, já que procedimentos médicos cada vez mais sofisticados vão sendo desenvolvidos e utilizados mundo afora – e a conta acaba sendo dividida por todos.

Na semana passada, a revista britânica The Economist (clique aqui para ler artigo em inglês) trouxe interessante reportagem sobre uma empresa sul-africana que começa a desenvolver uma solução engenhosa para o problema. Trata-se de uma espécie de “programa de milhagem” que premia os clientes de acordo com seus esforços em se manterem saudáveis. Frequência em academias, consumo de vegetais, regularidade nos exames preventivos… tudo gera créditos que, mais tarde, orientarão descontos na mensalidade.

Como é claro que pacientes com hábitos saudáveis ficam enfermos com menor frequência – e, mesmo quando adoecem, se recuperam mais rapidamente – programas como esse tendem a aumentar a eficiência dos esforços de uma sociedade na promoção da saúde.

O que poucos sabem é que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador das operadoras de planos de saúde no Brasil, também aprovou uma norma similar em agosto deste ano (confira aqui). A Resolução Normativa 265 incentiva a participação dos beneficiários em programas de envelhecimento ativo, com a possibilidade de descontos e prêmios.

O objetivo da norma é ampliar o esforço que a ANS vem fazendo no sentido de inverter a lógica existente hoje no setor, pautado pelo tratamento da doença e não pelo cuidado da saúde. Para isso, as operadoras deverão estimular a adesão dos beneficiários a programas de promoção da saúde e envelhecimento ativo, podendo oferecer desconto nas mensalidades dos clientes que aderirem. Quem sabe o seu plano de saúde já não tem uma iniciativa deste tipo? Vale a pena consultar.

Para a coletividade, portanto, a saúde física e a saúde financeira caminham juntas!

P.S: Para quem usa o SUS, o incentivo a se manter saudável é ainda muito maior, considerando a péssima qualidade dos serviços em nossos hospitais públicos… É a versão brasileira daquela mesma política sul-africana!

 

 

Risco e Patrimônio

segunda-feira, 19 de setembro, 2011

Sempre que nos deparamos com oportunidades de investimento, temos que fazer – ou, em alguns casos, refazer – uma reflexão sobre nossas expectativas de rendas, gastos, etc.

Mas convém, também, reavaliarmos nossa exposição a riscos, a cada etapa de nossas vidas. Poucas pessoas que têm seus patrimônios concentrados em imóveis (e automóveis) se dão conta: essa escolha está associada a um efetivo grau de exposição a riscos – nesses casos, exposição mínima.

Na web, é possível encontrar um grande número de questionários que, ao serem respondidos, classificam o indivíduo em relação ao risco – ousado, moderado, conservador… Mas gosto de recomendar essa ferramenta aqui, do Portal Infomoney. A vantagem dela é que a pessoa pode comparar sua atual composição patrimonial com aquela que seria apropriada ao perfil revelado por suas respostas.

ps: O referido Portal – com o qual não tenho qualquer vínculo – é amplamente conhecido pelo público mais familiarizado com o mercado financeiro, mas pode também ser uma boa porta de entrada para iniciantes. Senso crítico, prudência e canja de galinha, claro…

Sob o guarda-sol vermelho II

quarta-feira, 27 de julho, 2011

Tudo bem, gostei muito dos comentários que recebi sobre o post anterior, com reflexões sobre aqueles aspectos óbvios da nossa realidade que passam despercebidos para muitos… mas senti falta de sugestões sobre o que precisamos fazer para mudar nossa realidade! Então, coloco – eu mesmo – alguns pontos para debate. Quem se habilita?

Antes de tudo, quero ressaltar: não há nada mais relevante para a “Educação de Bolso”, objeto dessa coluna, do que essa atitude das pessoas diante de seus obstáculos – pessoais ou coletivos.

Vejo, aqui e ali, nas escolas em que leciono e nas palestras de que participo Brasil afora, as sementes de ativismo e associativismo necessários para uma sociedade mais participativa. Já nos indignamos com muita frequência em relação ao noticiário político diário, mas relutamos em dar o próximo passo: nos associarmos pessoalmente às causas que defendemos.

Quantos de nós se preocupam com o equilíbrio das contas da Previdência Social, mas não têm coragem de manifestar, publicamente, apoio ao aumento de idades mínimas para aposentadoria? É claro que temos a discussão do direito adquirido pelos contribuintes que já estão no sistema, mas esse tipo de alteração pode e, ao meu ver, deve ocorrer imediatamente para os novos ingressantes.

Como construir, de modo coletivo e democrático, escolas públicas de melhor qualidade, se não nos envolvemos diretamente nos desafios? Reuniões de pais e mestres semestrais (quando muito), apenas para entregar as notas? O fato é que as estantes de nossas casas vão acumulando poeira e mofo, sobre os livros que não mais utilizamos, enquanto nosso sistema de bibliotecas públicas é extremamente precário. Não é fácil mudar essa realidade: é preciso o gesto revolucionário… de se mover!

Quanto tempo se perde com discussões sobre a tão necessária reforma tributária, quando há uma mudança fundamental e imprescindível a ser feita: a aprovação de um Código Nacional de Defesa do Contribuinte! Sem essa pedra fundamental do direito democrático, o cidadão e as empresas não tem instrumentos legais para se defenderem de arbitrariedades. Tudo mais permanecerá distante da realidade individual e, assim, passível de se perder em discussões hipotéticas… ao menos que lutemos por essa aprovação e paremos de tratar os contribuintes verdadeiros como sonegadores eventuais.

A competitividade de nossa economia e a qualidade de nossa democracia dependem de uma mudança de atitude em relação ao Estado. Discordo quando dizem que “o povo tem o governante que merece”. Para mim, bem ou mal, o povo governa… e pode continuar passando férias em Pernambuco em meio às chuvas, ou planejar com mais cuidado seus destinos.

ps: Participe! Se envolva no debate! Respeitosa e democrática, toda e qualquer manifestação é bem-vinda!

 

 

Poupança, na prática

quarta-feira, 8 de junho, 2011

Muito bom o mais recente episódio da TV Educação Financeira, iniciativa da BM&FBovespa e da TV Cultura. O tema, nesse episódio, foi a construção de atitudes e hábitos capazes de nos aproximar da conquista de nossos sonhos. Vale a pena conferir como o assunto pode mesmo ser tratado de modo ágil, leve e bastante informativo.

Para acessar, clique aqui e boa diversão!

 

Você sabe o que é cidadania financeira?

segunda-feira, 23 de maio, 2011

Se a combinação de palavras aí acima, no título, lhe parece estranha, isso não ocorre por acaso. O acesso às informações e ao mercado financeiro é ainda bem restrito no país, prejudicando uma parte significativa da população. Muitos cidadãos, por exemplo, seguem incapazes de defender sua poupança familiar e suas reservas para emergências da reaceleração da inflação – que deve alcançar os 7% no período de 12 meses até junho.

Muitos mantêm seus recursos na caderneta de poupança, que vem “apanhando” da inflação mês após mês, desde 2010. Já falamos neste blog sobre alternativas, mas as pessoas ainda temem adotar uma gestão mais ativa de seus recursos e acabar perdendo dinheiro.

Mas há esperança. Muitas instituições financeiras, públicas e privadas têm se esforçado em ampliar o conhecimento da população, como é o caso do portal Meu Bolso em Dia, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O portal oferece, além de muitos textos didáticos, o acesso gratuito a uma excelente ferramenta de planejamento financeiro pessoal, o Jimbo.

Ele funciona como calculadora e agenda financeira, mas permite também o planejamento para a compra de bens como automóveis, cursos de qualificação e imóveis. Operar o Jimbo é realmente fácil, pois sua interface gráfica é leve e intuitiva.

Pode ser que alguns dos leitores já utilizem ferramentas de informática para organização de suas vidas financeiras, mas a sugestão fica para que ajudem a divulgar iniciativas como essa, simples, gratuitas e de boa qualidade.

 

Consumo Impulsivo

quarta-feira, 13 de abril, 2011

LIQUIDA TUDO!

É SÓ HOJE!

CORRA JÁ PARA A LOJA!

… só falta dizerem (ou gritarem):

NÃO HESITE, COMPRE IMEDIATAMENTE!

 

Sabe aquela promoção imperdível, aquela liquidação que só vale até tal dia, aquela chance única de alcançar certo bem ou serviço? Cuidado, porque em 90% dos casos não há nada de extraordinário nessas ocasiões – e os desavisados podem se arrepender logo adiante. É o que mostra o último episódio da TV Educação Financeira, iniciativa da BMF&Bovespa e da TV Cultura para tornar o assunto agradável e acessível a todos.

Os vídeos duram cerca de 15 minutos, são bastante instrutivos e combinam entrevistas e depoimentos de modo a desmistificar as decisões financeiras. Bem informados, todos nós podemos fazer muito mais com o nosso tão suado dinheirinho.

Vale conferir a longa série de episódios dos últimos anos, cada um deles abordando aspectos bem particulares de nossas vidas financeiras.