
Final de ano é tempo para refletir o que passou e sonhar pelo que está por vir. O ano de 2012 não vai deixar muitas saudades na área econômica. A economia brasileira deverá fechar o ano com um crescimento bisonho de 1%. Como viver é recordar, no final de 2011, a projeção era que o crescimento econômico seria de robustos 4,5%. Ledo engano. O sentimento que fica é que o modelo de crescimento baseado no consumo se esgotou, na medida em que os estímulos governamentais de redução recorde da SELIC (atualmente em 7,25%, a mais baixa da história) e as desonerações tributárias, não conseguiram animar os consumidores em 2012.
A inflação irá fechar o ano a uma perigosa taxa superior a 5,5%, acima do centro da meta que é de 4,5%. A pressão dos alimentos e dos serviços ajudou a impulsionar a carestia levando preocupações de como será o desempenho de 2013. Esse cenário é muito preocupante, pois se a inflação acelerou em meio ao um crescimento econômico tão baixo, como será o seu comportamento quando a economia voltar a girar mais rápido?
O comportamento do emprego fecha o ano com números que saltam os olhos. O mercado de trabalho continua aquecido e a taxa de desemprego do mês de novembro foi de baixíssimo 4,9%, o menor índice para mês de novembro de todos os tempos. Todavia, depois de dois anos descolados do vagaroso ritmo da economia, o mercado de trabalho poderá ser afetado caso o pífio crescimento deste ano se repita no ano vindouro.
A situação externa ainda expira muito cuidado. Os números divulgados recentemente sobre as maiores economias da Europa demonstram uma situação muito ruim. O contraponto é que a economia americana parece que retomou com força a sua recuperação, entretanto as estatísticas sobre a China apontam para uma desaceleração no próximo ano.
Para as pessoas que conseguem pagar todas as suas contas e ainda sobrar um dinheirinho para poupar, o cenário é uma taxa de juros ainda muito baixa, pelo menos no primeiro semestre do próximo ano. Como o dragão da inflação começou a expelir mais fumaça, é possível que em algum momento o Banco Central seja forçado a elevar a taxa de juros da economia brasileira. Nesse cenário, o mais indicado são os títulos pós-fixados (DI) que irão se valorizar caso os juros subam. O mercado acionário ainda é uma grande incógnita, a despeito do crescimento do Bovespa observado nas ultimas semanas. A regra de ouro do mercado de ações é a aplicação no longo prazo para minimizar perdas no curto prazo. A caderneta de poupança continua sendo o porto seguro da maioria dos brasileiros e em um cenário de subida da SELIC, a caderneta irá ganhar, pois a nova regra é atrelar a remuneração a 70% da Selic.
Em suma, os desafios do próximo ano são enormes, mas retornando a frase inicial deste post “final de ano é tempo para refletir o que passou e sonhar pelo que está por vir”. Vamos ser otimistas e acreditar que o povo brasileiro irá ganhar um excelente 2013. Esse são dos votos deste blogueiro para todos os leitores do Educação de Bolso.