Arquivo de dezembro, 2011

Profecias auto-realizáveis e seus profetas

sexta-feira, 9 de dezembro, 2011

Há algo de extraordinário na frequência com que esses fenômenos ocorrem:

- Quando as pessoas desconfiam que a inflação vai subir, elas antecipam gastos pessoais, estocam bens de consumo regular e os preços, de fato, sobem;

- Boatos de que uma empresa negociada em Bolsa pode perder valor no futuro acabam gerando vendas expressivas das ações… e queda no seu valor de mercado, desde já;

- Alguém percebe que está atrasado para uma reunião… diante de situação aparentemente inevitável, acaba relaxando e se atrasando ainda mais. Se a reunião acontece com regularidade, todos os participantes começam a contar com os atrasos – que se tornam cada vez maiores!

- Você acredita que não é capaz de organizar suas finanças pessoais – seja pela correria do dia-a-dia, seja pela irregularidade das rendas e dos gastos – e, por isso, se torna negligentes com sua própria segurança… e tome juros do cheque especial e nome no SPC! Dificuldades crescentes para apenas “seguir o barco”.

O fenômeno é tão interessante porque, em cada caso, as pessoas mesmas determinam coletivamente aquilo que mais temem – individualmente. Na imprensa internacional, as expressões “crise”, “contágio”, “pânico”, “colapso” revelam: a própria maneira com que nos referimos à realidade tende a impactar profundamente nossas ações e, consequentemente, a severidade da situação.

 

O que fazer, então? Como lidar com profecias auto-realizáveis?

 

Ao contrário do que pensam algumas criaturinhas lastimáveis, que frequentam altos círculos de poder mundo afora, restrições e limitações à liberdade de expressão, sob qualquer forma e natureza, não apenas são ineficazes… elas agravam o problema.

A solução, senhoras e senhores, está em nós mesmos: disciplina e temperança! São palavras que vão desaparecendo do linguajar cotidiano… sobretudo, daquele utilizado pelos nossos mais estimados profetas. Se há, de fato, uma grande crise, ela é de liderança, antes de tudo.

 

 

Agitação no cenário econômico

quinta-feira, 1 de dezembro, 2011

A imprensa hoje noticia pelo menos três importantes aspectos para o planejamento financeiro de cada brasileiro nesta passagem de ano: a nova redução da taxa Selic, que iniciará 2012 ao nível de 11%; as medidas de desoneração tributária para estimular o consumo no País; e os novos dados de natalidade e longevidade de nossa população. Nesse emaranhado de informações, precisamos ter clareza sobre como nossos bolsos tendem a ser afetados, em cada caso.

Em primeiro lugar, a redução da texa Selic para 11% a.a. confirma a leitura  da realidade elaborada pelo Banco Central há alguns meses: nossa economia já desacelera (principalmente a indústria), a crise financeira internacional faz ampliar o número de países em recessão e, nesse contexto, o Banco Central prefere correr o risco inflacionário a deixar que a recessão chegue também por estas bandas. Para a nossa Educação de Bolso, sempre ficou a sensação de que o governo pretende proteger nossos empregos… ainda que seja às custas de um descasamento ainda maior entre o custo de vida no Brasil e no exterior…

Aqui entra o segundo ponto, uma ação do governo muitíssimo bem-vinda: a desoneração tributária.  As medidas fazem sentido macroeconômico, por tentarem manter o ritmo das atividades, e microeconômico, pelo fato de reconhecer que quase todo produto nacional é mais caro que seus concorrentes importados. Com a recessão se espalhando mundo afora, uma avalange de produtos importados vem se aproximando daqui, trazendo ganhos imediatos ao consumidor, mas prováveis perdas de emprego no médio prazo. Ao reduzir impostos, o governo busca moderar ambas tendências.

Por último, a queda na taxa de natalidade da população e a elevação da expectativa de vida ao nascer (de 73 anos, 3 a mais que a estimativa de 2000) servem de alerta para todos nós, governos e cidadãos: precisamos adquirir hábitos de poupança, sob risco de entregarmos a nossos filhos e netos um país tão endividado quanto os EUA, a Itália ou mesmo a Grécia… Já passou da hora de olharmos lá para fora e aprendermos essa lição.