Profecias auto-realizáveis e seus profetas
sexta-feira, 9 de dezembro, 2011Há algo de extraordinário na frequência com que esses fenômenos ocorrem:
- Quando as pessoas desconfiam que a inflação vai subir, elas antecipam gastos pessoais, estocam bens de consumo regular e os preços, de fato, sobem;
- Boatos de que uma empresa negociada em Bolsa pode perder valor no futuro acabam gerando vendas expressivas das ações… e queda no seu valor de mercado, desde já;
- Alguém percebe que está atrasado para uma reunião… diante de situação aparentemente inevitável, acaba relaxando e se atrasando ainda mais. Se a reunião acontece com regularidade, todos os participantes começam a contar com os atrasos – que se tornam cada vez maiores!
- Você acredita que não é capaz de organizar suas finanças pessoais – seja pela correria do dia-a-dia, seja pela irregularidade das rendas e dos gastos – e, por isso, se torna negligentes com sua própria segurança… e tome juros do cheque especial e nome no SPC! Dificuldades crescentes para apenas “seguir o barco”.
O fenômeno é tão interessante porque, em cada caso, as pessoas mesmas determinam coletivamente aquilo que mais temem – individualmente. Na imprensa internacional, as expressões “crise”, “contágio”, “pânico”, “colapso” revelam: a própria maneira com que nos referimos à realidade tende a impactar profundamente nossas ações e, consequentemente, a severidade da situação.
O que fazer, então? Como lidar com profecias auto-realizáveis?
Ao contrário do que pensam algumas criaturinhas lastimáveis, que frequentam altos círculos de poder mundo afora, restrições e limitações à liberdade de expressão, sob qualquer forma e natureza, não apenas são ineficazes… elas agravam o problema.
A solução, senhoras e senhores, está em nós mesmos: disciplina e temperança! São palavras que vão desaparecendo do linguajar cotidiano… sobretudo, daquele utilizado pelos nossos mais estimados profetas. Se há, de fato, uma grande crise, ela é de liderança, antes de tudo.

