Arquivo de março, 2012

Que lâmpada usar? Difícil escolha, para o bolso e para o ambiente

segunda-feira, 26 de março, 2012

 

 

Todo mundo sabe que as lâmpadas fluorescentes (como a da esquerda, na foto acima) consomem menos energia, certo? Além disso, quase todo mundo já ouviu falar que elas têm vida útil mais longa, operando por milhares de horas, não é mesmo? Então, a conclusão deveria ser que, ao adotá-las, fazemos a escolha certa para o nosso bolso e para o meio ambiente, ok? Infelizmente, a coisa é mais complicada.

Do ponto de vista do bolso, a lâmpada fluorescente pode significar muita economia se for utilizada para um fim específico: se mantida ligada por longas horas, sem interrupção (liga-desliga) muito frequente. No entanto, se utilizada em um banheiro residencial, por exemplo, a economia no uso diário pode ir por água abaixo, já que as muitas interrupções em um dia qualquer reduzem sua vida útil - em alguns casos, elas queimam em poucos meses.

Outro problema é o perfil de variação de tensão. Em áreas rurais, em que a tensão da rede varia muito, as fluorescentes se revelam menos resistentes que as incandescentes - dentro de certos limites.

E ainda tem a questão ambiental(!): as lâmpadas fluorescentes queimadas não devem ser descartadas com o lixo comum residencial. Por conterem mercúrio e fósforo, essas lâmpadas podem contaminar o solo, lençóis freáticos, o ar...

E então? Será que devemos voltar ao padrão antigo?

Creio que não. A solução, em nossa modesta opinião, passa por adotar as lâmpadas mais econômicas na maior parte dos casos, e utilizar as incandescentes somente para as circunstâncias em que o liga-desliga é inevitável... ah! vale lembrar: lâmpadas fluorescentes são recicláveis! Procure saber, na sua cidade, onde ficam os pontos de coleta.

 

 

 

 

 

Páscoa, chocolate… e a terrível publicidade infantil!

quarta-feira, 21 de março, 2012

Sempre que se aproximam datas como Páscoa, Dia das Crianças e Natal, os apelos publicitários voltados para o público infantil parecem ficar ainda mais abusivos e manipuladores. É o que revela o Blog Consumismo e Infância (clique aqui).

Além de truques realmente levianos, como elevar o volume de áudio nos intervalos comerciais, as emissoras de televisão ajudam a promover verdadeiras lavagens cerebrais em nossas crianças, ao exibirem comerciais que utilizam técnicas publicitárias condenadas na maior parte do mundo.

A tática mais repugnante, na minha modesta opinião, envolve apresentadores (crianças, muitas vezes) avalizando produtos dos anunciantes e, com isso, traindo a confiança de um público incapaz de reconhecer a natureza comercial daquele apelo.

Mais que o orçamento familiar, está em jogo a capacidade de nossos filhos e netos desenvolverem uma postura sadia em relação ao dinheiro e à estabilidade financeira. Além disso, num país em que tantas crianças são negligenciadas pelos seus pais e pela sociedade, a frustração diante desses desejos inalcançáveis de consumo é semente de revolta e violência.

Detalhe: nesse aspecto, tv´s abertas e canais de tv a cabo parecem igualmente apostar na passividade do cidadão brasileiro e na letargia de nossas autoridades. Quero crer que é, como muitos outros, comportamento míope, capaz – hoje – de levar a ruína empresas de grande sucesso no passado.

 

Senado lavando a roupa suja… com o seu dinheiro!

sexta-feira, 9 de março, 2012

 

Compra de 30 máquinas de lavar roupas! Dados como esse passavam (e ainda passam, em alguma medida) despercebidos pela maioria dos cidadãos brasileiros. Mas, felizmente, hoje temos uma instituição importantíssima, chamada Contas Abertas, que revela detalhes sobre a execução orçamentária pública.

O Contas Abertas (clique aqui para visitar a página) é “uma entidade da sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne pessoas físicas e jurídicas, lideranças sociais, empresários, estudantes, jornalistas, bem como quaisquer interessados em conhecer e contribuir para o aprimoramento do dispêndio público, notadamente quanto à qualidade, à prioridade e à legalidade.”

A importância de uma instituição como essa vem de seu acesso a dados e documentos técnicos, da interpretação e da divulgação de seus significados. Trata-se, portanto, de transparência, na sua expressão mais legítima e necessária.

É do bolso do cidadão que estamos falando, em última instância. Porque quanto mais bem informados estivermos, mais poderemos questionar as decisões de nossos representantes e exercermos, de maneira plena, nossa cidadania econômica e financeira.

A propósito, além das máquinas de lavar roupas, o Senado adquiriu 12 toneladas de açúcar neste início de mês. Para adoçar um pouco mais a vida de nossos nobres senadores.

Pibinho x Impostão: e o seu bolso?

quarta-feira, 7 de março, 2012

 

 

 

O IBGE anunciou ontem (6 de março) que o Produto Interno Bruto da economia brasileira cresceu 2,7% em 2011. Como essa medida de prosperidade anual subiu bem menos do que em 2010 (7,5%) – ano de eleição -, o cidadão percebe que a gestão do país sofre grande influência do calendário eleitoral.

O fenômeno não é novo, não está restrito ao Brasil e apenas revela fragilidades na democracia e na cidadania econômica. Ao retardar a alta dos juros, o governo permitiu uma maior aceleração no ritmo de atividades, a ponto de gerar pressões inflacionárias… tudo para não prejudicar a candidata do governo na eleição. Passado o pleito, o “remédio amargo” acabou vindo na forma de novas elevações das taxas de juros.

No passado, a tática ganhou contornos tão acentuados e inconsequentes, que os episódios hoje são lembrados como “estelionatos eleitorais”. O mais famoso deles ocorreu no Governo do Presidente José Sarney – esse mesmo Sarney, atual Presidente do Senado Federal e um dos principais aliados dos governos Fernando Henrique, Lula e Dilma. Seja como for, confirma-se a regra: não se alcança crescimento duradouro com maior tolerância à inflação.

Mas a história não acaba aí… se o nosso blog busca proteger o bolso do cidadão, é inevitável que perguntemos:

Como pode a economia crescer 2,7%, enquanto a arrecadação de impostos e contribuições federais subiu mais de 10% no mesmo período?

A arrecadação de impostos cresce tanto porque nossa estrutura tributária está desenhada para tomar 44% de todas as riquezas formais e legalizadas do país. Como o número de pessoas subempregadas e o número de negócios informais vêm perdendo participação no total, a chamada carga tributária vai subindo em direção àqueles 44% do PIB mencionados antes – ainda que o governo realize pontuais reduções de impostos, aqui e ali. Note-se: oficialmente, a carga efetiva hoje se encontra por volta dos 37% do PIB, porque a economia informal ainda é muito grande.

O governo, por sua vez, argumenta apenas que a culpa pelo crescimento modesto da economia em 2011 é da crise internacional, e que ele está atento para nos defender de “tsunamis monetárias” e guerras cambiais. Tomara! …e tomara que ele comece cortando mais alíquotas de impostos e usando com muito critério o nosso suado dinheirinho – leia-se: abandonando a megalomania dos trens-balas e promovendo uma revolução na educação e no saneamento básico. Isso, sim, faria muito bem para nosso bolso e para nossa economia.

10 justificativas para juros insustentáveis

segunda-feira, 5 de março, 2012

Todos nós, economistas ou não, sabemos que o Brasil tem taxas de juros incrivelmente altas, principalmente na comparação com outros países. No entanto, apenas uma parte de nós reconhece a multiplicidade das razões para o crédito tão caro nesse país. Nesse post, apenas resgataremos as principais justificativas – sugerindo que os leitores indiquem, em seguida, quais aspectos gostariam de compreender melhor. Aqui vão elas:

 

(1) Os governos brasileiros sempre gastam mais do que arrecadam – seja nos momentos de recessão, seja nos curtos períodos de prosperidade; esses governos se consideram desobrigados de poupar – como, aliás, acontece com boa parte da população;

(2) Os governos brasileiros (e as famílias!) se financiam pela emissão de dívida com prazos curtos, uma vez que o mercado exigiria retornos ainda mais elevados para operar com prazos maiores. Com isso, a cada trimestre, grandes volumes de dívidas precisam ser pagas ou “roladas” – isto é, trocam-se títulos vencidos por novos títulos, empurrando para o futuro a quitação;

(3) O setor bancário brasileiro é bastante concentrado, e a concorrência é muito limitada – apesar da forte participação de bancos públicos no volume total de crédito. Alguns bancos sob controle do governo batem recordes de lucratividade, praticando taxas tão absurdas quanto às dos demais agentes do setor;

(4) O setor bancário brasileiro é extremamente regulado, com leis e normas impondo aos bancos uma série de exigências que acabam onerando suas operações livres;

(5) O governo opta por tributar pesadamente o crédito e o setor bancário – fingindo não ver que o ônus de impostos e contribuições é quase integralmente repassado ao tomador de empréstimos;

(6) O cliente bancário brasileiro é passivo, não compara taxas ou tarifas e não tem costume de trocar de banco – ainda que esteja insatisfeito com os custos e com a qualidade dos serviços;

(7) A inflação no Brasil, embora sob controle, é muito alta e persistente – mantendo sempre presente o risco de nova aceleração;

(8) A inadimplência é alta e, em alguma medida, promovida pelas práticas comuns de anistia e re-escalonamento dos compromissos. Há lideranças sempre dispostas a sugerir o não-pagamento e a quebra de contratos;

(9) A justiça tarda e falha, quase sempre – premiando, muitas vezes, os maus pagadores e elevando o custo do crédito para todos, bons e maus devedores;

(10) A corrupção e a instabilidade jurídica/regulatória tornam os credores inseguros e, consequentemente, relutantes em emprestar a taxas de juros mais “civilizadas”.

 

Ufa! Que listinha, hein? Agora, a bola vai para você, leitor: vale criticar, questionar, solicitar mais detalhes, propor razões adicionais… Fico no aguardo!