Como explicar o pibinho de 2012
domingo, 3 de março, 2013Marcelo Barros e Luiz Maia
Em 2012, o Brasil produziu R$ 4,402 trilhões em bens e serviços, conforme anunciado recentemente pelo IBGE. Comparado com o ano de 2011, o crescimento do PIB foi de apenas 0,9%, ou seja, uma taxa ridícula para um país que almeja se transformar em uma potência econômica. Mas, o que aconteceu?
Os números descortinaram uma realidade na qual o setor de serviços é o puxador da orquestra do crescimento em um samba de uma nota só, na medida em que, as demais notas – os setores agropecuário e industrial – não conseguiram a cadência adequada e terminaram com queda de -2,3% e -0,8 respectivamente.
As famílias brasileiras aumentaram seu consumo em 3,1%, completando o nono ano consecutivo de expansão. A conjugação de um mercado de trabalho aquecido (ainda), elevação da renda real, farto crédito e turbinado por politicas de transferências de renda e do salário mínimo permitiram que os brasileiros continuassem a surfar na onda consumista (ainda bem que não viraram marolinhas).
Todavia, entra em cena um espantalho, os investimentos. Os atores produtivos da economia brasileira reduziram com força seus gastos em investimentos em capital físico (máquinas, equipamentos, estradas etc). A queda de 4% nesta rubrica levou a chamada taxa de investimento (relação entre o investimento total e o PIB) a 18,1%, um taxa muito aquém as necessidades da economia brasileira. O cerne do resultado do pibinho de 2012 reside justamente na queda dos investimentos. Mas por quê?
A capacidade futura de produzir bens e serviços depende do nível de investimento do presente. Se os empresários percebem o futuro de forma pessimista, reduzem ou adiam suas tomadas de decisões sobre novas fabricas ou ampliações das existentes. Nesse contexto, o futuro produtivo da economia fica comprometido. Por outro lado, se a oferta não acompanha o crescimento da demanda, a consequência será um nível de inflação mais alto.
Assim, o resultado bisonho do PIB brasileiro em 2012, completa o terceiro ano de baixo crescimento. A despeito de todas as medidas de estímulos proporcionadas pelo governo federal, a economia não respondeu a contento. Desse modo, é possível afirmar que o ciclo de crescimento baseado apenas no consumo não é mais factível para a situação atual. A nova canção de estímulo à economia passa em despertar o “espírito animal” dos empresários, recolocando o nível de investimento na trilha do crescimento econômico.
Pibão nordestino? Não é bem assim…
Em que pesem os volumes nada desprezíveis de investimentos públicos e privados nos últimos anos, em Pernambuco e no Nordeste, a expectativa de que a economia regional pudesse seguir dinâmica própria e superior à do resto do país parece não se sustentar.
Ainda aguardamos os números do PIB estadual em 2012, mas já se sabe que a economia pernambucana teve também um ano de desaceleração, em diversos setores – e de queda forte, no caso da produção agrícola.
A seca derrubou a produção de feijão e milho em 70% e 80%, respectivamente. A nossa lavoura mais importante, a cana-de-açúcar, registrou queda em torno de 5% em relação a 2011 – segundo dados divulgados pelo Boletim Regional do Banco Central do Brasil.
Na indústria pernambucana, o crescimento de 12% da Metalurgia Básica contrasta com as quedas na produção de setores como Alimentos e Bebidas (-3%) e Química (-2,5%) – na comparação dos 12 meses terminados em novembro/2012, em relação ao período imediatamente anterior.
Como no resto do país, o consumo das famílias e o comércio varejista pernambucano foram determinantes para impedir que o desempenho fraco em diversos setores produtivos caracterizassem uma recessão.
Com a estabilização da taxa de desemprego aberto em torno de 6%, após anos em declínio, a Região Metropolitana de Recife dificilmente estará livre do desafio que as demais capitais brasileiras enfrentam: manter os ganhos de emprego e renda dos últimos anos num cenário de desaceleração econômica e elevação no custo de vida.


