
Flávio Costa
*João Paulo Andrade
O ambiente de negócios atual é bem diferente daquele de 15 anos atrás. Principalmente, no que diz respeito à mudança no comportamento do consumidor. O cliente de hoje está mais bem informado. Isto significa mais dificuldade para as empresas em persuadí-lo e fidelizá-lo. Mas não é só. Se antes, produtos concorrentes eram bem distintos uns dos outros, hoje, esta diferença é cada vez menos perceptível. A consequência da convergência destes fatores é um cenário muito mais acirrado.
Assim, a capacidade de inovar desponta como a arma mais significativa para garantir a sobrevivência, competitividade, perenidade e evolução das empresas no mercado. O exemplo a seguir, visa desmistificar o errôneo conceito que muitos empresários têm de inovação acessível apenas às grandes empresas e associado a significativas mudanças tecnológicas.
Ao longo das praias de Brasília Teimosa, Pina e Boa Viagem, no Recife, os 61 quiosques presentes no calçadão eram tradicionalmente fornecedores de coco. No decorrer dos anos, no entanto, estes estabelecimentos ficaram mais sofisticados, associando outros produtos ao negócio e transformando-se em verdadeiras lanchonetes. A recente obra de requalificação e padronização desses quiosques contribuiu para torná-los ainda mais atraentes e estruturados.
Como são padronizados, obedecem a alguns parâmetros físicos, tornando-os à primeira vista quase idênticos entre si. Porém, as semelhanças param por aí. Numa observação mais atenta, podemos notar diferenças em pontos estratégicos da gestão. Como no mix de produtos, na quantidade de funcionários, nos equipamentos disponíveis, no volume de clientes e, no mais importante: o lucro. Isso sem contar os atributos qualitativos no atendimento e no produto.
Todas essas diferenças só existem graças às particularidades da gestão de cada permissionário. Ou seja, o toque empreendedor que cada proprietário promove no seu empreendimento. Só isto explica, portanto, o fato de quiosques vizinhos, (distantes em menos de 50m um do outro) terem desempenhos tão discrepantes.
O quiosque mais frequentado se diferencia em vários itens dos seus concorrentes: iluminação adicional para melhorar a segurança e estética, sistema de som para controlar as senhas e evitar confusão na ordem de chegada (eficiência e conveniência), almofadas para forrar os bancos de concreto da calçada e garantir mais conforto, automação comercial através de computador com software adequado e interligado aos demais processos (eficiência e organização), flexibilidade no pagamento com a disponibilidade da compra no cartão, maior variedade de produtos, funcionários qualificados para o atendimento, inclusive, em idioma estrangeiro etc. Não são diferenças mirabolantes, porém, pequenas adaptações e incrementos que somados resultaram num caso clássico de sucesso.
A frase de Henry Kissinger ilustra perfeitamente o nosso exemplo: “O sucesso resulta de cem pequenas coisas feitas de forma um pouco melhor. O insucesso, de cem pequenas coisas feitas de forma um pouco pior.”
Muitas vezes, inovação é erroneamente associada apenas a mudanças tecnológicas complexas. A prática mostra que ela está muito mais ligada à atitude empreendedora. Seja ao diferenciar algo da média ou em acrescentar pequenas mudanças a algo que já exista. Não é necessariamente a criação de um produto inédito, mas a associação de processos ou produtos um pouco melhores aos que já existem, resultando numa nova combinação, nunca antes pensada, para agregar valor.
No fomento a este processo criativo, uma ferramenta muito útil é o benchmarketing: técnica de observação e comparação de produtos, serviços e práticas empresariais, tendo por base os participantes mais destacados no mercado, não obrigatoriamente do seu segmento. O empresário precisa estar atento a essas boas práticas do mercando e buscar sempre atualizar-se e capacitar-se.
Para isso, ele pode contar com a ajuda do Sebrae, que oferece cursos, palestras, consultorias, orientação empresarial sobre os mais variados temas de gestão, empreendedorismo e qualificação empresarial. Também suporte com livros, perfis empresariais, revistas e DVDs.
Às vezes, passamos tanto tempo preocupados em implementar grandes mudanças ou lamentando não poder fazê-las, que esquecemos ou usamos como desculpa para não fazer as mais simples. Porém, como diria o provérbio chinês: toda grande caminhada começa pelo primeiro passo.
*João Paulo Andrade é administrador, pós-graduado em Marketing e Publicidade. Analista Trainee de Orientação Empresarial do Sebrae em Pernambuco.