
Ilustração/Clipart CDR
*Flávio Valdez Martins da Silva
Quase sempre as referências sobre sustentabilidade referem-se a formas de administrar considerando-se os aspectos socioambientais e programas de Responsabilidade Social desenvolvidos pelas organizações empresariais.
Gostaria de adicionar um ingrediente estratégico no contexto dos processos voltados para a sustentabilidade empresarial, considerando uma visão integrada das partes que fazem a organização especificamente: os seres humanos, os recursos econômicos e a cultura organizacional.
No padrão atual, a sustentabilidade empresarial, apesar de considerar os aspectos socioambientais e a responsabilidade social, ainda tem forte base clássica atuando de forma mecanicista e tradicional.
Nesse sentido, para uma mudança de paradigma é necessário mais que investimentos financeiros em processos de gestão ambiental e em processos de redução de perdas, é necessário mudança de cultura organizacional.
Para a mudança da cultura organizacional é necessário:
• a incorporação de novos conceitos ao processo de aprendizagem da organização, buscando-se compreender e internalizar práticas integradas que possam transpor as barreiras e as resistências estabelecidas pelo cotidiano predominante.
• ter uma visão holística da organização. Entendendo-se por holismo, a concepção de que os elementos de um sistema quer sejam seres Humanos ou outros, não podem ser entendidos apenas pela soma de seus componentes, que já em Aristóteles se definia como: “O inteiro é mais do que a simples soma de suas partes”.
• é necessária uma revisão conceitual incorporada a uma nova prática que altere os rumos da estratégia empresarial no sentido da sustentabilidade com base holística.
• Ou seja, uma nova atitude empreendedora que compreenda a necessidade de integração num mesmo plano estratégica e operacional de elementos: ecologicamente corretos, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente diverso.
Considerando-se a flexibilidade e a capacidade de adaptação como características mais presentes nas organizações de pequeno porte, podemos ter a certeza que as Micro e Pequenas Empresas são espaços capazes de liderar os procesos de desenvolvimento com sustentabilidade numa perspectiva holística.
Flávio Valdez Martins da Silva é economista, mestre em Desenvolvimento Local Sustentável, professor de Adminstração e Economia e analista do Sebrae em Pernambuco