A evolução do scout no futebol a partir do Diario de Pernambuco, em 1935

Scout no Diario de Pernambuco em 1935

A cobertura do futebol local ocorre de forma regular no Diario de Pernambucano desde o primeiro campeonato estadual, em 1915. Antes disso, as partidas já eram relatadas no jornal, mas como verdadeiros eventos sociais, escassos. A especialização no tema veio em meados da década de 1930, não por acaso no mesmo período da profissionalização do futebol no Recife.

Em 1935, na cobertura do Campeonato Brasileiro de Seleções, torneio entre seleções estaduais realizado de 1922 a 1962, a chave Norte foi toda disputada na capital, no antigo Campo da Avenida Malaquias. Estiveram presentes os times do Rio Grande do Norte, Alagoas, Ceará, Pará e Pernambuco, com jogos eliminatórios entre 21 de janeiro e 18 de fevereiro. Na abertura, os potiguares derrotaram os alagoanos por 3 x 0. No dia seguinte, o Diario trouxe uma novidade para o leitor, num resgate histórico encontrado pelo centro de documentação do DP: o scout do jogo. A quantidade de lances fora de jogo (“impedimento”), mão, faltas, ataque (“finalizações”), goal e corner.

A etapa regional do campeonato nacional terminaria com a Cacareco vencendo os paraenses por 5 x 2, com nove fotos na reportagem. No ano seguinte, a página de “Sports” do jornal se transformaria num suplemento exclusivo chamado “Todos os Sports”, tudo enfrentar a concorrência, com quase dez periódicos na capital. Em 1937, o nosso futebol enfim seria profissionalizado.

Portanto, há 80 anos foi publicado um dos primeiros registros de scout no estado, bem arcaico se comparado aos modelos da atualidade, com mais de uma dezena de estatísticas, mapas de calor, deslocamento, posse de bola, percentual de passes certos etc. Se hoje impressiona, imagine em 1935…

Scout da Fifa na Copa do Mundo. Crédito: montagem sobre arte da Fifa

2 thoughts on “A evolução do scout no futebol a partir do Diario de Pernambuco, em 1935

  1. De fato, se olharmos e compararmos a evolução do scout de hoje em dia com o feito a quase 100 anos atrás; há uma clara evolução. Porém se for comparar o scout e as estatísticas usadas no futebol com outros esportes;,tais quais: o críquete, basquete, baseball, futebol americano; os comentaristas de futebol não chegam nem perto de possuir uma análise realmente objetiva do esporte. Como se admitir por exemplo que não se recorde e faça uso de dados que são simples de se registrar como: número de cruzamentos certos por posição (estatistíca útil para avaliação de laterais por exemplo) e comparação com a média do brasileirão, porcetagem de uso de um determinado jogador por posse ofensiva, etc. Enfim os usos são ilimitados e com certeza enriqueceriam a discussão esportiva e sairia daquele lugar comum do “teste do olho”, pois já não aguento mais esses arcaicos radialistas dizendo que fulaninho é bom de bola ou perna de pau; sem que o argumento tenha algum embasamento estatístico.

  2. Matéria sobre o relançamento de um suplemento esportivo do Diario de Pernambuco, em 6 de novembro de 2005. Na ocasião, chamado de “Esporte Total” (o atual “Superesportes)

    ——

    No início do século, os acontecimentos esportivos ganhavam apenas pequenas notas veiculadas nas edições do Diario de Pernambuco – jornal que viu o esporte nascer no estado e abriu as portas para a sua popularização. Depois de inovar ao introduzir notícias esportivas em meio às reportagens do cotidiano da cidade, o Diario de Pernambuco escreveu o mais importante capítulo da história da impresa esportiva do estado, em 1936, quando lançou o suplemento Todos os Sports, que trazia conteúdo amplo (quatro páginas) sobre várias modalidades – profissionais e amadoras, além de informações sobre os principais campeonatos estaduais de futebol do Brasil.

    Entre as principais mudanças ao longo dos anos está a cobertura do futebol. Hoje,o esporte é o carro-chefe da editoria, mas há 100 anos o futebol ainda caminhava para se popularizar no País. O pouco espaço destinado ao jornalismo esportivo no Diario (o comum era sair apenas uma nota de “Sport” por dia) era quase tomado por completo pelo turfe e pelo remo. Com o aumento da prática e do interesse da população pelos esportes na cidade, o crescimento da demanda de leitores sobre assunto foi natural.

    Para vencer a acirrada concorrência no jornalismo local, uma vez que o Recife chegou a ter dez jornais circulando diariamente nas primeiras décadas do século 20, o Diario precisou inovar. As pequenas notas se transformaram-se em reportagens, crônicas e curiosidades sobre diversas modalidades. Os jornalistas não eram repórteres exclusivos da editoria, e ainda apuravam notícias da Capital, como Política e Polícia. O panorama mudou em 1950, quando foi contratado Hélio Pinto, o primeiro repórter esportivo do Diario.

    Curiosidade – Na década de 1930 aconteceu outra importante mudança no padrão editorial do Diario, que passou deixou de utilizar palavras em inglês, priorizando a língua portuguesa. A mudança atingiu em cheio a editoria “Sport”, que passou a ser escrita como Esporte. Assim, palavras como foot-ball, goalkeeper e match, passaram a ser escritas, respectivamente, como futebol, goleiro e partida.

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