“A maior prova de que preço tem pouca influência no público de uma partida de futebol”. A lição da Seleção ao Sport?

Print do facebook, na página do Superesportes, em 03/03/2016

O jogo entre Brasil e Uruguai, na Arena Pernambuco, em 25 de março, irá registrar o recorde de público do estádio, com 44.739 ingressos já garantidos, sendo 38 mil para o público geral e o restante repassado aos parceiros comerciais da CBF. Considerando apenas o bilhete mais barato, de R$ 57,50 (lembrando que chegou a ter entrada vendida a R$ 287), a projeção mínima de bilheteria aponta R$ 2,18 milhões. A tendência é que ultrapasse os R$ 4 milhões. Sem dúvida, um sucesso comercial. Esperado, diga-se.

Possivelmente a partir disso, o CEO do Sport, Leonardo Estevam, comentou na página do Superesportes no facebook:

“A maior prova de que preço tem pouca influência no público de uma partida de futebol”.

A frase foi sumariamente rebatida por torcedores, não só rubro-negros. Como sou um dos administradores da página, resolvi comentar também (assinando o meu nome, claro). Na minha visão, o contexto do jogo da Canarinha é completamente descaracterizado para justificar ingressos de R$ 60 numa arquibancada da Ilha do Retiro contra América-PE ou River-PI, prática recente no clube. Com clara distinção na qualidade, estrutura, oferta e demanda.

Em seguida, o dirigente treplicou:

“Inelasticidade do preço demanda. Esse conceito você precisa entender, antes de fazer uma análise qq acerca de ocupação em jogos de futebol. Sugiro o livro Fundamentos de Economia do colega professor Marco Antônio Vasconcelos. Será muito útil para você entender e evoluir nas suas análises. Aliás, todos os argumentos acima, comprovam exatamente o conceito de que no jogo de futebol é inelástica a demanda.”

Vale destacar que originalmente a sua primeira frase dizia que o preço “não tem influência”, mudando depois para “pouca influência”.

De fato, teoria é algo importante em qualquer segmento (não li o livro indicado) e no esporte não é diferente. E é preciso somar isso a dados concretos de uma área de atuação específica. No futebol, entre outras coisas, o perfil da torcida, que no caso do Sport é formado em sua maioria pessoas de poder aquisitivo baixíssimo (na capital, só 26% ganham mais de dois salários mínimos). Nessa mistura, chega-se à prática. Na qual é preciso enxergar o seu público-alvo.

Atualização: após a repercussão negativa, Estevam apagou o comentário.

8 thoughts on ““A maior prova de que preço tem pouca influência no público de uma partida de futebol”. A lição da Seleção ao Sport?

  1. Como assim Leonardo Estevam(CEO e “Superintendente” Financeiro do Sport)?

    Primeiramente vale salientar a ignorância de um cidadão que é responsável por toda a parte financeira da instituição Sport Club do Recife.

    Situação: Devido à lotação em 48 horas do jogo válido pelas Eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo, o vulgo Superintendente afirmou em uma matéria da coluna SuperEsportesPE associado ao Jornal Diário de Pernambuco que “A maior prova de que preço tem pouca influência no público de uma partida de futebol”.

    Parando para analisar a frase, acredito que até mesmo os mais leigos discordam do que falou o Leonardo Estevam, porém a palavra “pouco” soa como uma defesa para o Leonardo, pois o que pode ser pouco para um, pode não ser para outro. Para mim a demanda por uma partida de futebol depende “MUITO” do preço do ingresso (com exceção de situações extremas como Finais de competição, jogos aperiódicos (caso de Brasil x Uruguai) e etc.) pois é um preço ao qual o consumidor não só paga para ver o seu time de sempre jogar, e sim o torcedor paga por:
    -Elenco que atuará
    -Adversário que enfrentará assim como jogadores de nome
    -Resultados dos últimos jogos (na minha concepção o mais influente)
    -Competição que está jogando
    -Violência (que ultimamente intensifica o afastamento do torcedor ao campo)
    -Transportes e horários
    -Renda média do torcedor
    Entre outros que poupo menções.

    Após o comentário a redação do Jornal o respondeu com divergência e fez uma analogia tratando toda a atmosfera discrepante criada para o jogo entre as seleções.

    E eis a tréplica do Leonardo: “Inelasticidade do preço demanda. Esse conceito você precisa entender, antes de fazer uma análise qq acerca de ocupação em jogos de futebol. Sugiro o livro Fundamentos de Economia do colega professor Marco Antônio Vasconcelos. Será muito útil para você entender e evoluir nas suas análises. Aliás, todos os argumentos acima, comprovam exatamente o conceito de que no jogo de futebol é inelástica a demanda”.

    Além da ignorância quanto ao tema (na minha perspectiva) vejo a arrogância (desnecessária e sem fundamento). Como o Leonardo implica ao redator Cássio Ziporli ler um livro sobre o tema “Inelasticidade – preço da demanda” se ela NÃO se aplica a este caso?

    Vejamos: > Sport x América – PE (Campeonato Pernambucano)
    -Sport 5º lugar na ocasião entre 6 times
    -Último jogo: Salgueiro 0×1 Sport
    -Elenco recém-montado e com peças desconhecidas
    -Ídolo do Sport no banco (tem força para atrair público)
    -Adversário de pouca expressão e baixa qualidade
    -Jogo na quarta-feira às 21h30
    -Jogo rotineiro em Recife

    INGRESSO MAIS BARATO: R$ 60 / R$30 (meia-entrada)
    *para não-sócio

    >Brasil x Uruguai (Eliminatórias da Copa do mundo)
    -Brasil 3º lugar entre 10 times
    -Último jogo: Brasil 3×0 Peru
    -Elenco a nível dos melhores times do mundo
    -Ídolo da seleção em campo
    -Adversário em 2º colocado de alto nível, com jogadores em melhores times do mundo
    -Jogo valendo a liderança (para o Uruguai)
    -Jogo em uma sexta-feira (Feriado) às 21h50
    -Jogo atípico em Recife

    INGRESSO MAIS BARATO R$115,00 / R$ 57,50 (meia-entrada)

    A demanda por ingressos no futebol é realmente Inelástica?
    O jogo da seleção brasileira justifica a baixa procura por jogos do Sport Recife?

    Eu entendo o lado do Leonardo Estevam, é mais fácil apontar a falta de interesse dos torcedores à partidas do clube do que olhar para a própria gestão, fazer uma auto-crítica, elaborar um estudo e colocar em prática melhorias para a torcida do clube que garanto, tem uma das torcidas mais doentes por futebol.

    Só que esse lado não é digno de um Superintendente.

    P.S.: O mesmo apagou os comentários ao qual expôs na matéria.
    P.S.2: Solicito relevar erros de concordância/gramática por elaborar em um celular, com 15 minutos em uma “pausa-café” no trabalho.

  2. Essa postura do CEO só comprova o apartheid promovido por essa metodologia equivocada que estão tentando implementar na Ilha. No mundo corporativo, o gestor, executivo ou CEO quando vai implementar um novo modelo de gestão, é de fundamental importância, conhecer o ambiente, o clima organizacional e a cultura da corporação, adequando o projeto de acordo com a visão, missão e valores da instituição.
    O Sport é um clube de massa, isso valoriza a marca, garante bons contratos de patrocínios, respeito, além da força da torcida que sempre empurra o time em momentos decisivos. O dado apresentado pelo Cássio é objetivo e preciso, 74% da nossa torcida ganha menos de 2 salários mínimos. O clube pertence a torcida, independente de cor, raça, classe social ou condição financeira.
    A teoria não deve ser utilizada apenas p/ tentar impressionar, deve ser aliada a pratica, junto com a ação-reflexão.

  3. Eu queria muito que esse cidadão apresentasse um estudo mostrando que no futebol há uma inelasticidade da demanda, pq mandar ler um livro e cuspir termos em economês pareceu mais uma forma de arrogância que uma defesa do que ele falou.Jogo de futebol é uma das coisas com mais variáveis possíveis(horário do jogo, fase do time, perfil da torcida, e claro, preço do ingresso), esse processo de elitização e esvaziamento da ilha é absurdo!! Até uns 3 anos atrás o Sport não jogava pra menos de 16 ~18 mil pessoas.
    Esse ceo e todos envolvidos tem que entender que futebol não é só feito para ‘sócios torcedores”, que as pessoas não podem e/ou não sou obrigadas a serem sócias do Sport! E outra o sport tem cerca de 43 mil sócios e o estádio as moscas. (??), qual será o livro que ele vai indicar para explicar esse fenômeno , Cássio?
    Fora que até hoje eu não engulo essa historia da capacidade da Ilha ter sido reduzido para 27mil pessoas e ninguém do Sport questionar. Ps. outra coisa que nunca entendi é pq a geral do placar de 2 anos pra cá passou a ser utilizada em todos os jogos pelo visitande ficando sempre vazia, logo ela que sempre recebia bons publicos e tinha um ingresso acessivel à grande parcela da torcida.
    Do jeito que tá não dá pra ficar, o Sport ta perdendo a identidade e tomara que mude logo, pq tem poucas coisas no mundo que mexem mais com a gente que uma ilha do retiro lotada!!
    Abraços e toca nesse tema no podcast pfvr!

  4. Eu acho muito importante que o clube seja administrado por pessoas com conhecimento técnico para tal. No entando, me parece que a aplicação de conceitos de economia “puros”, sem considerar as particularidades do futebol e tratando o clube como uma empresa que visa exclusivamente a dar lucro e reduzir custos traz prejuízos que estamos e vamos sentir na ilha do retiro por muito tempo. Primeiro que não estou convencida sobre a inelasticidade da demanda de ingresso de futebol. Acho que cada jogo tem um apelo, mas o preço interfere diretamente na demanda, principalmente no caso dos setores mais populares (geral, que na ilha, anda as moscas).
    O argumento de que “a conta não fecha” também não me convence, uma vez q o repasse do TCN era de 15 reais (salvo engano), e o programa era vantajoso pra ambas as partes.
    Só posso dizer que me entristece e me assusta ver o clube alijando o torcedor mais pobre do estádio. Até porque, nas horas de aperto, o que segura um club é a arquibancada, visto o exemplo do Santa Cruz na série D.

    No mais, boa sorte pra nós.

  5. Que pensasse assim, já seria de uma incoerência absurda, por estar no clube que está, baseado em tudo que o Cássio falou – target do clube, principalmente. Tornar isso público, sem rodeios, só o deixa mais indefensável ainda. Que isso venha a se tornar o segundo volta-atrás da história recente, depois da “correção” do grito de guerra.

  6. A prova de que o ingresso é um produto elástico e não inelástico é que eu, frequentador assíduo da Ilha, não vou hoje pelo preço. Assim como não fui contra o América. 2 mil de novo.

  7. Por isso que a média de público do Sport está tão baixa.
    Com o CEO com um pensamento babaca desse.

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