Santa volta a decepcionar no Arruda, com 7 derrotas em 11 jogos. Desta vez, o Flu

Série A 2016, 21ª rodada: Santa Cruz 0x1 Fluminense. Foto: Mailson Santana/Fluminense F.C.

Pela segunda vez seguida, o Santa Cruz foi derrotado em casa depois de arrancar um pontinho como visitante. Primeiro com Grêmio/São Paulo e agora com Vitória/Fluminense. Segue sem obter resultados no Arruda, onde tem um aproveitamento de apenas 36%. São sete derrotas em onze partidas como mandante, num rendimento que vai mantendo o campeão nordestino afundado na zona de rebaixamento do Brasileiro, em penúltimo lugar.

Encerrando o ciclo olímpico, que dividiu o foco do público por duas semanas, o Tricolor foi a campo tendo um novo comandante, Doriva. Além de implantar o seu sistema de jogo – acionar Lelê no decorrer não foi um bom indício -, o técnico passou a semana inteira trabalhando a autoestima, com foco em Grafite. O centroavante vem em branco há nove rodadas. Pela sua qualidade técnica, a baixa repercute diretamente no time, afobado e desorganizado, sem relação com aquela cirúrgica formação na reta final do estadual e do regional.

No revés por 1 x 0, contra o Flu, o time coral não fez por onde. Não teve volume de jogo ou chances reais. O próprio tricolor carioca, numa campanha ainda insossa, parecia só esperar uma brecha. Não necessariamente um contragolpe. Basta ver o gol do jogo, com Henrique Dourado, o Ceifador, escorando uma cobrança de escanteio após falha de Tiago Cardoso, que sequer saiu na bola, e de Luan, que atrapalhou a reação do goleiro. A derrota foi vista por 8.279 torcedores. Num domingo à tarde? Imagine às 21h45, na Arena Pernambuco, pela Sul-Americana. Essa desmobilização só piora a situação, já dramática.

Série A 2016, 21ª rodada: Santa Cruz 0x1 Fluminense. Foto: Mailson Santana/Fluminense F.C.

Mesmo sem top ten, Brasil supera as suas marcas particulares nos Jogos Olímpicos

Brasil nos Jogos Olímpicos

O objetivo do Comitê Olímpico Brasil, de colocar o Time Brasil no top ten em 2016, não foi alcançado. Nem qualitativamente, pelo peso das medalhas (13º lugar), ou quantitativamente, pelo total de pódios (12º). Antes do Rio de Janeiro, em apenas quatro edições, das 27 edições realizadas, a nação da cidade-sede não havia ficado entre os dez primeiros no quadro de medalhas.

Ainda assim, o país encerrou a sua participação nos Jogos Olímpicos liderando na América Latina e quebrando todas as suas marcas particulares. Superou Atenas-2004 no número de ouros (7 x 5), Londres-2012 no total de medalhas (19 x 17) e Antuérpia-1920 na melhor colocação no quadro (13º x 15º), considerando o modelo tradicional. Medalhou em doze modalidades: atletismo (1), boxe (1), canoagem (3), futebol (1), ginástica (3), judô (3), maratona aquática (1), taekwondo (1), tiro (1) vela (1), vôlei (1) e vôlei de praia (2).

Esse desempenho teve um custo alto. De uma forma geral, nunca se investiu tanto, entre recursos estatais, loterias e iniciativa privada, com 700 milhões de dólares injetados neste ciclo, compreendendo num período de quatro anos. Ou 89% a mais que o ciclo anterior. Considerando o investimento no Rio e a média de gasto por medalha nas três edições passadas, as participações em 2012, 2008 e 2004 poderiam ter gerado 32, 45 e 74 medalhas, respectivamente

Investimento nos ciclos olímpicos
2004 – US$ 94 milhões, ou 9.4 milhões por medalha (10)
2008 – US$ 250 milhões, ou 15.6 milhões por medalha (16)
2012 – US$ 370 milhões, ou 21.7 milhões por medalha (17)
2016 – US$ 700 milhões, ou 36.8 milhões por medalha (19)

No Rio, dos 465 atletas da delegação brazuca, a maior da história, 49 foram ao pódio, distribuídos em 7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes. O índice de medalhistas foi de 10%, o menor desde 1992, em Barcelona – abaixo, um quadro com o desempenho em todas as participações. Pesou para o baixo aproveitamento, sem dúvida alguma, os resultados nos esportes coletivos, com apenas dois pódios (futebol e vôlei masculinos, ambos dourados). Em Beijing, para se ter uma ideia, foram 78 medalhistas, numa delegação com 188 representantes a menos. Ali, 28% dos brasileiros voltaram para casa com a medalha no pescoço.

Também pesou (contra) o desempenho feminino. Desde que as brasileiras passaram subir no pódio, há vinte anos, em Atlanta, esta foi edição com menos atletas medalhistas. Apenas 7, ou 3% da trupe. O recorde por gênero, das próprias mulheres, em 1996, é de 42%! A eliminação do vôlei feminino, então franco favorito, tirou 12 pessoas deste cálculo. Por outro lado, foram dois ouros, ambos inéditos (Rafaela Silva, no judô, e Martine Grael e Kahena Kunze, na vela), ficando atrás, qualitativamente, apenas dos Jogos de 2008.

Somando a participação brasileira em todas Olimpíadas…

Geral (22 participações)
3.147 atletas
475 medalhistas (15,0%)
128 medalhas (30 ouros, 36 pratas e 62 bronzes)

Homens (22 participações)
2.241 atletas
335 medalhistas (14,9%)
95 medalhas (23 ouros, 29 pratas e 48 bronzes)

Mulheres (20 participações)
906 atletas
140 medalhas (15,4%)
28 medalhas (7 ouros, 7 pratas e 14 bronzes)

Com três falhas de Magrão, Sport é goleado pelo Botafogo em Juiz de Fora

Série A 2016, 21ª rodada: Botafogo 3 x 0 Sport. Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo

O Sport vinha numa boa sequência no Brasileirão, com quatro vitórias e dois empates. Com confiança suficiente para seguir pontuando em Juiz de Fora, contra o Botafogo. Mesmo sem Diego Souza, lesionado. Noventa minutos depois, com a história escrita, uma derrota acachapante, 3 x 0. Após uma atuação regular em boa parte do primeiro tempo, uma sucessão de erros defensivos. Como a afobada cobrança de lateral de Samuel Xavier, a 20 segundos do intervalo, com o placar ainda em branco, o passe atravessado de Paulo Roberto, gerando o primeiro gol, o corte errado de Renê já no segundo tempo, e, sobretudo, a péssima atuação de Magrão, irreconhecível.

Como há muito não se via, o goleiro rubro-negro falhou nos três gols. Tem crédito, mas foi decisivo para a goleada, no jogo isolado na noite de sábado. No primeiro tento, ainda que o quique (no péssimo gramado) tenha atrapalhado, a reação evidenciou a falha. No segundo, Magrão espalmou, a la manchete de vôlei, uma cobrança de falta de muito longe, para o miolo da área. Gol no rebote do ex-alvirrubro Sassá, mais um. No terceiro, já nos descontos, espalmou mal um chute cruzado, novamente para frente, com Camilo pegando mais um rebote.

A gordura acumulada nas rodadas anteriores mantém o Leão razoavelmente acima da zona de rebaixamento, fato que segue como objetivo. Entretanto, a goleada, a primeira sofrida nesta Série A, traz dúvidas acerca da escalação para a estreia na Copa Sul-Americana, quarta, no Clássico das Multidões. Como “corrigir” a falta de cadência de Gabriel Xavier na vaga de DS87? Paulo Roberto, de boa mobilidade, acabou dando chance a Serginho – que deve ser acionado na Sula. No ataque, Edmílson (nada fez) ou Ruiz (mais arisco, mas perdeu um gol feito)? A partir de agora, cobrança em dobro na Ilha, inclusive a Magrão.

Série A 2016, 21ª rodada: Botafogo 3 x 0 Sport. Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Brasil, enfim campeão de tudo no futebol

Seleção Brasileira, campeã de tudo. Arte: Fred Figueiroa/DP

A espera foi grande, de quase um século, mas a Seleção Brasileira enfim alcançou o status de “campeã de tudo”, ao ganhar a medalha de ouro na Olimpíada. Desde a pioneira participação do país no torneio de futebol, em 1952, o time verde e amarelo sempre havia ficado no meio do caminho.

A restrição nas convocações, entre atletas amadores e profissionais, com ou sem passagem na seleção principal e até limite de idade, sempre atrapalhou a montagem dos grupos. Os resultados mais antigos, aliás, foram horríveis, como eliminações na primeira fase. Evoluindo nos Jogos, a Canarinha bateu trave em três oportunidades, com a prata. A obsessão durou até a glória no Maracanã. Foi o 18º título oficial do Brasil, sendo 5 da Copa do Mundo, 4 da Copa das Confederações, 8 da Copa América e 1 dos Jogos Olímpicos, no Rio.

Hoje, falta apenas Eurocopa.

Brincadeira à parte, só poderia participar como convidado, claro. Porém, se o Japão disputou a Copa América nesta condição, em 1999, impossível não é…

Até segunda ordem, o torneio europeu não dá espaço a isso. Ainda.

Linha do tempo das principais conquistas
1919 – Copa América (Brasil)
1922 – Copa América (Brasil)
1949 – Copa América (Brasil)
1958 – Copa do mundo (Suécia)
1962 – Copa do Mundo (Chile)
1970 – Copa do Mundo (México)
1989 – Copa América (Brasil)
1994 – Copa do Mundo (Estados Unidos)
1997 – Copa América (Bolívia)
1997 – Copa das Confederações (Arábia Saudita)
1999 – Copa América (Paraguai)
2002 – Copa do Mundo (Japão e Coreia do Sul)
2004 – Copa América (Peru)
2005 – Copa das Confederações (Alemanha)
2007 – Copa América (Venezuela)
2009 – Copa das Confederações (África do Sul)
2013 – Copa das Confederações (Brasil)
2016 – Jogos Olímpicos (Brasil)

Espera até o primeiro título*
3 anos – Copa América (1916-1919)
5 anos – Copa das Confederações (1992-1997)
28 anos – Copa do Mundo (1930-1958)
96 anos – Jogos Olímpicos (1920-2016)
*Desde a criação da Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF, em 1914 

O Brasil é a terceira seleção a conquistar os quatro maiores títulos do futebol, reconhecidos pela Fifa: mundial, intercontinental, olímpico e continental. Antes, apenas França e Argentina. Os Bleus têm 1 Copa do Mundo, 2 Copas das Confederações, 1 Ouro e 2 Eurocopas. Completaram o ciclo em 2001. Já os hermanos, que fecharam a lista em 2004, na Olimpíada de Atenas, ganharam 2 Copas do Mundo, 1 Copa das Confederações, 2 Ouros e 14 Copas Américas. Ao Brasil, uma diferença. É o único que venceu tudo no Século XXI.

Neymar celebra o ouro inédito da Seleção num Maracanã repleto, contra a Alemanha

Olimpíadas 2016, final: Brasil (5) 1 x 1 (4) Alemanha. Foto: Rio 2016/twitter (@Rio2016)

Como um raio, tal qual Usain Bolt já se faz presente na história olímpica, Neymar escreveu o seu nome na antologia do futebol brasileiro. O atacante passou em branco na primeira fase do torneio olímpico do Rio. Vaias da torcida no Mané Garrincha, ansiedade em campo e a pressão de ser a maior estrela em busca de um título inédito para a Seleção Brasileira. Reservado desde então, longe de entrevistas atravessadas (até colocar a medalha no pescoço) e mais consciente de seu papel, inclusive o de capitão, o craque passou a ser o que dele se espera. Foi decisivo. Contra a Colômbia, contra Honduras, contra a Alemanha.

Foram quatro gols no mata-mata e o último pênalti na agônica decisão contra os germânicos. O jogador de 24 anos, em sua segunda Olimpíada, comandou o Brasil numa reviravolta celebrada em um Maracanã totalmente amarelo, como se imaginou para a Copa 2014. No primeiro tempo, o camisa 10 marcou um golaço de falta. A partir dali o jogo ficaria bem complicado, com a Alemanha mandando três bolas no travessão. Trabalhando bem as jogadas, mostrando a organização de sempre, chegaram ao empate na segunda etapa, com Meyer finalizando.

Na prorrogação, faltou gás. Mas não coração, de ambos os lados. O Brasil errava mais, talvez pelo peso dos maus resultados do time principal nos últimos anos. Nos rápidos intervalos, Micale tentou incutir na equipe a necessidade de ocupar os espaços, tudo ou nada. Nada mudou, e a definição se estendeu às penalidade. Após oito cobranças perfeitas, quatro de cada lado, brilhou Weverton, convocado de última hora, justamente pelo histórico nos pênaltis. Deixou o caminho aberto para Neymar confirmar o ouro, 5 x 4. Aquele mesmo time que passou em branco contra África do Sul e Iraque explodiu o Maraca.

Após três vices olímpicos no futebol, enfim o ouro, o sexto do Time Brasil nos Jogos de 2016, quebrando o recorde de Atenas. Mais emblemático, impossível.

Campanhas brasileiras nos Jogos
1952 – quartas de final (2v, 0e, 1d)
1956 – não disputou
1960 – 1ª fase (2v, 0e, 1d)
1964 – 1ª fase (1v, 1e, 1d)
1968 – 1ª fase (0v, 2e, 1d)
1972 – 1ª fase (0v, 1e, 2d)
1976 – semifinal (2v, 1e, 2d)
1980 – não disputou
1984 – Prata (4v, 1e, 1d)
1988 – Prata (4v, 1e, 1d)
1992 – não disputou
1996 – Bronze (4v, 0e, 2d)
2000 – quartas de final (2v, 0e, 2d)
2004 – não disputou
2008 – Bronze (5v, 0e, 1d)
2012 – Prata (5v, 0e, 1d)
2016 – Ouro (3v, 3e, 0d)

Em 13 participações olímpicas, o Brasil disputou 60 jogos, com 34 vitórias, 10 empates, 16 derrotas. Considerando três pontos por vitória, um aproveitamento de 62,2%. No Mundial, com força máxima, exceto em 1930 (base carioca), são 104 jogos, com 70 vitórias, 17 empates e 17 derrotas. Índice de 72,7%.

Olimpíadas 2016, final: Brasil (5) 1 x 1 (4) Alemanha. Foto: Lucas Figueiredo/MoWa Press (site da CBF)

Após 18 dias de preparação, Timbu inicia mal o returno, derrotado pelo Criciúma

Série B 2016, 20ª rodada: Náutico 0x1 Criciúma. Foto: Nando Chiapetta/DP

Foram 18 dias de preparação física, técnica e tática. Testes, orientações no posicionamento, correções no sistema de jogo. O trabalho até ocorreu no centro de treinamento Wilson Campos, mas em campo, à vera, foi difícil perceber uma mudança efetiva no Náutico, derrotado em casa pelo Criciúma, 1 x 0. Um resultado frustrante, ainda mais pelos tropeços de Atlético-GO e CRB nesta largada do returno. Uma vitória na Arena Pernambuco teria deixado o time pernambucano a apenas dois pontos do G4 da Segundona

Com o desfalque de Hugo, a criação alvirrubra ficou a cargo de Renan Oliveira, distante dos atacantes. Uma distância “ampliada” pelos passes errados do time durante todo o sábado. Por mais que todos os jogadores de linha tenham o natural papel de marcar, João Ananias ficou sobrecarregado no meio. O próprio Renan não tem intensidade e Bergson é mais correria que visão de jogo.

Enxergando a oportunidade, diante de um adversário desorganizado, os catarinenses nem esperaram muito para se arriscar. Aos 25 minutos, mandaram no travessão, aos 26 balançaram as redes. Enquanto isso, do outro lado, apenas volume de jogo, sendo impossível, entre os 3.024 espectadores, não destacar a falta de um centroavante com um mínimo de qualidade. Falando da (pouca) torcida, alguns alvirrubros, mesmo decepcionados, ficaram no estádio para acompanhar no telão à decisão do torneio olímpico de futebol, já em andamento. Para ver ser o dia terminaria com um mínimo de alegria…

Série B 2016, 20ª rodada: Náutico 0x1 Criciúma. Foto: Léo Lemos/Náutico

Isaquias Queiroz, o primeiro brasileiro com 3 medalhas em uma Olimpíada

As três medalhas olímpicas de Isaquias Queiroz no Rio, em 2016. Crédito: Rio 2016/twitter (@Rio2016) e Sportv/reprodução

O histórico brasileiro de multimedalhistas olímpicos é escasso. Ainda que tenha começado bem, com os atiradores Guilherme Paraense e Afrânio da Costa ganhando duas medalhas, cada, no idos de 1920, em Antuérpia. Depois, o país esperou 76 anos até que um representante repetisse o feito nos Jogos Olímpicos, com o nadador Gustavo Borges. Cielo, também da natação, fez o mesmo em Beijing. Sempre com duas medalhas. Parecia cabalístico. Até surgir Isaquias Queiroz, em 2016, numa modalidade sem resultados até então.

Na canoagem, o baiano de Ubaiataba foi ao pódio nas três provas que disputou na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro. Começou com a prata no C1 1.000m. Seguiu com um bronze emocionante no C1 200m, quando “empurrou” a canoa a centímetros da linha de chegada. Por fim, em parceria com Erlon de Souza, remou na C2 1.000m e ganhou mais uma prata. Recorde.

Além de se tornar o primeiro atleta brasileiro com três medalhas em uma mesma Olimpíada, logo como estreante, Isaquias já é um dos 15 maiores medalhistas do país somando todas as participações. Até então, apenas nomes da vela, vôlei, natação e hipismo. Tendo iniciado a prática da modalidade em 2005, o canoísta tem apenas 22 anos, com a perspectiva de evolução técnica e física para até dois ciclos olímpicos, em 2020 e 2024. Caminho aberto para ser o maior medalhista do país em todos os tempos? Parece bem plausível…

Eis os maiores multimedalhistas olímpicos do Brasil:

Em uma Olimpíada
3 – Isaquias Queiroz (2016, canoagem), 2 pratas e 1 bronze
2 – Guilherme Paraense (1920, tiro), 1 ouro e 1 bronze
2 – César Cielo (2008, natação), 1 ouro e 1 bronze
2 – Afrânio da Costa (1920, tiro), 1 prata e 1 bronze
2 – Gustavo Borges (1996, natação), 1 prata e 1 bronze

Somando todas Olimpíadas*
5 – Robert Scheidt (vela), 2 ouros, 2 pratas e 1 bronze
5 – Torben Grael (vela), 2 ouros, 1 prata e 2 bronzes
4 – Serginho (vôlei), 2 ouros e 2 pratas
4 – Gustavo Borges (natação), 2 pratas e 2 bronzes

3 – Marcelo Ferreira (vela), 2 ouros e 1 bronze
3 – Dante (vôlei), 1 ouro e 2 pratas
3 – Giba (vôlei), 1 ouro e 2 pratas
3 – Rodrigão (vôlei), 1 ouro e 2 pratas
3 – Bruno (vôlei), 1 ouro e 2 pratas

3 – Ricardo (vôlei de praia), 1 ouro, 1 prata e 1 bronze
3 – Emanuel (vôlei de praia), 1 ouro, 1 prata e 1 bronze

3 – Rodrigo Pessoa (hipismo), 1 ouro e 2 bronzes
3 – Fofão (vôlei feminino), 1 ouro e 2 bronzes
3 – César Cielo (natação), 1 ouro e 2 bronzes
3 – Isaquias Queiroz (canoagem), 2 pratas e 1 bronze
* Atualizado após a edição do Rio

Isaquias Queiroz na Olimpíada de 2016. Foto: Rio 2016/twitter (@Rio2016)

Escrito durante 22 anos, livro celebra a história do Santa e mira o futuro, no CT

João Caixero e o livro "Santa Cruz de corpo e alma". Foto: Antônio Melcop/Santa Cruz

Em 1994, João Caixero, então com 59 anos, começou a escrever um livro sobre a história do Santa Cruz. Presidente tricolor em 1974, ele queria registrar tudo acerca do clube, da fundação, títulos, torcida, Arruda, craques, colaboradores e relatos, positivos ou não. A ideia cresceu tanto que não saiu naquele ano. Aliás, demoraria bastante, 22 anos. Já octogenário, Caixero enfim concluiu. Um não, três livros, com 1.238 páginas ao todo. A obra “Santa Cruz de corpo e alma” foi finalizada após o inédito título da Copa do Nordeste, num trabalho com inúmeras colaborações, de pesquisa (são 2.003 imagens!), texto e edição.

Se o projeto inicial consistia numa homenagem aos 80 anos do Santa, o tempo ampliou o horizonte. Em vez de apenas celebrar o passado, que se fomente o futuro. A tiragem de mil edições especiais visa um faturamento de R$ 1 milhão, com a obra (incluindo os três volumes) saindo por R$ 1.000. Sendo 600 no lançamento e em venda avulsa e 400 para as empresas patrocinadores. Popular desde sempre, o clube deve criar uma edição mais barata, de R$ 30. Toda a receita será repassada o Centro de Treinamento Rodolfo Aguiar.

O CT, essencial para a estruturação coral, foi lançado em 2012 e estimado em R$ 5 milhões. Se gastou apenas na aquisição do terreno, R$ 1 milhão, segundo o balanço publicado em 2014. Pedra fundamental à parte, nada desde então. Pelo projeto, a área de dez hectares, em Aldeia, contaria com três campos de futebol, vestiários, sala de imprensa e um alojamento para até 128 pessoas. Com a obra literária, espera-se construir até dois campos oficiais.

“Com esse dinheiro, vamos construir dois campos no CT até dezembro e dar um descanso ao nosso gramado do Arruda.”

E ao próprio Caixero, cujo engajamento data há muito tempo… e ainda presente.

Projeto do Centro de Treinamento do Santa Cruz. Crédito: Santa Cruz/divulgação

E se o Recife cogitasse receber uma edição dos Jogos Pan-Americanos?

Ideias para centros pan-americanos no Recife. Arte: Cassio Zirpoli sobre imagem do Google Maps

No embalo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, com pleno engajamento da torcida, vamos a um exercício de futurologia. E se o Recife cogitasse uma candidatura aos Jogos Pan-Americanos, emulando a infraestrutura olímpica numa escala menor? Trata-se de um evento com 42 países, com 5,6 mil atletas competindo durante duas semanas. Considerando as principais modalidades, a estrutura já existente e projetos já apresentados oficialmente (em execução ou não), o blog apontou 14 locais com eventos esportivos na região metropolitana.

Localização dos polos esportivos no Grande Recife
1 – Centro Santos Dumont (atletismo, natação, badminton e lutas)
2 – Geraldão (basquete)
3 – Praia de Boa Viagem (vôlei de praia)
4 – Orla do Pina (tênis)
5 – Marco Zero (chegada da maratona)
6 – Rio Capibaribe, na Rua da Aurora (remo e canoagem)
7 – Centro de Convenções (handebol, ginástica, judô, taekwondo e boxe)
8 – Memorial Arcoverde (basebol)
9 – Ilha do Retiro (futebol)
10 – Aflitos (rúgbi)
11 – Arruda (futebol)
12 – Cabanga Iate Clube Maria Farinha (vela)
13 – Caxangá Golf & Country Club (hipismo, golfe e tiro)
14 – Arena PE (futebol e cerimônias), Arena Indoor (vôlei) e vila dos atletas

Lima, a capital peruana, ganhou a eleição para o Pan de 2019, enquanto a sede de 2023 ainda será definida pela Organização Desportiva Pan-Americana, a Odepa. A cidade deve ser anunciada em 2017, mantendo a média de seis anos de preparação para cada cidade. Mesmo menor em relação aos Jogos Olímpicos, o gasto é alto. Em 2007, na última vez em que o Brasil recebeu o torneio intercontinental, o Rio gastou R$ 3,5 bilhões, sendo R$ 330 milhões no Engenhão, o Estádio Olímpico de 2016. O velódromo também saiu caríssimo – este, por não ter nada parecido em Pernambuco, precisaria ser erguido do zero.

Para 2023, sete cidades já demonstraram interesse. São Paulo (sede em 1963), San Juan-PUR (sede em 1979), Mar del Plata-ARG (sede em 1995), Rosário-ARG, Medelín-COL e Porto Alegre. Além do óbvio plano executivo com locais de competição, infraestrutura, centro de imprensa, mobilidade e segurança, cada cidade precisa pagar o custo de inscrição: US$ 50 mil. Encara?

No Recife, vamos às justificavas sobre cada local.

Obs. Com o claro problema no litoral, a maratona aquática precisa ser estudada.

1 – Santos Dumont: Atletismo
Apesar de não ter sido utilizado, o Centro Esportivo Santos Dumont chegou a ser inscrito no guia oficial de treinamento Pré-Jogos Olímpicos de 2016. A pista de atletismo, reformada, receberia uma arquibancada na ala leste. Para receber ao menos 15 mil espectadores, precisaria de uma arquibancada móvel. A medida foi adotada pela cidade canasense de Winnipeg, no Pan de 1999.

Projeto de reforma do Centro Santos Dumont. Crédito: divulgação

1 – Santos Dumont: Natação, polo aquático e saltos ornamentais
Pelo projeto lançado em 2012, o parque aquático do Santos Dumont receberia boa parte da verba de reforma de todo o complexo. O orçamento total foi calculado em R$ 84.994.736, considerando a requalificação física e estrutural, através do decreto 38.395 no Diário Oficial do Estado. Na divisão, 65,32% do governo do estado e 34,68% do Ministério do Esporte. Ainda não saiu do papel.

Projeto de reforma do Centro Santos Dumont. Crédito: divulgação

1 – Santos Dumont: Badminton, lutas greco-romana/livre e levant. de peso
Um enorme galpão com quadras poliesportivas seria construído no projeto de reforma – cujo prazo de conclusão datava no primeiro semestre de 2014. O amplo espaço seria suficiente para esportes de menor apelo popular no Brasil.

Projeto de reforma do Centro Santos Dumont. Crédito: divulgação

2 – Geraldão: Basquete
Inaugurado em 1970, o Geraldão passa por sua maior reforma, numa obra de R$ 45,7 milhões e que deveria ter sido concluída em 2014. O equipamento, que já recebeu 19 mil pessoas na Liga Mundial de Vôlei, em 2002, será liberado para 10 mil pessoas, em cadeiras. Entre as novidades, ambiente climatizado, piso com padrão internacional e um telão de última geração. Em caso de inversão com a Arena Indoor, o ginásio poderia receber o vôlei em vez do basquete.

Projeto de reforma do Geraldão. Crédito: divulgação

3 – Praia de Boa Viagem – Vôlei de praia
A famosa orla recifense recebe torneios nacionais de vôlei de praia há mais de uma década. Abaixo, um exemplo, o Circuito Banco do Brasil em 2013. A estrutura montada atenderia à exigência pan-americana, com quadra central, com mais de dois mil lugares, e três quadras menores, com arquibancadas.

Circuito de vôlei de praia Banco do Brasil, no Recife, em 2013. Foto: CBV/divulgação

4 – Orla do Pina: Tênis
As quatro quadras de tênis no Pina já receberam quatro torneios oficiais de nível “challenger”, em 1992, 1993, 1994 e 2011. O último aconteceu após uma reforma completa das quadras, de R$ 4,1 milhões, incluindo novo piso e troca no sistema de iluminação, com 48 refletores. Na quadra principal foi montada até uma arquibancada com 1.000 lugares e mais 150 no camarote vip. Na ocasião, a disputa contou com 32 tenistas na chave principal.

Quadras de tênis na orla do Pina, no Recife

5 – Marco Zero: Chegada da maratona e fan fest
Cartão postal do Recife, o local seria ponto obrigatório para imagens do evento, com a chegada da maratona, cujo trajeto poderia sair da Igreja de Nazaré, em Suape. Além disso, o local, com know-how, poderia abrigar o palco de eventos do Pan, engajando turistas e demais interessados.

Marco Zero do Recife. Foto: DP

6 – Rio Capibaribe: Remo e canoagem
Outro cartão postal. O rio é ponto de treino de remo em diversos pontos, como próximo à Ilha do Retiro (remadores do Sport) e na Rua da Aurora (remadores do Náutico). Ás águas calmas e o calçadão da Aurora poderiam harmonizar com a disputa. Outra opção seria levar as provas para o Marco Zero.

Rio Capibaribe, no Recife. Crédito: yoneericardo2.blogspot.com.b

7 – Centro de Convenções: Handebol, ginástica, judô, taekwondo e boxe
Assim como ocorreu no Pan de Toronto, em 2015, e na Olimpíada do Rio, em 2016, o Centro de Convenções, em Olinda, poderia ser adaptado para receber diversas modalidades com demanda menor de espaço. As alas sul e norte do pavilhão de feiras têm 18.870 metros quadrados e já contam com ar-condicionado. O Cecon ainda tem 5,3 mil m² de área livre, num espaço para praças de alimentação e confraternização. Em 2012, o governo do estado apresentou um projeto de ampliação de R$ 800 milhões, incluindo a construção de um complexo empresarial-hoteleiro. Ainda no papel.

Centro de Convenções, em Olinda. Crédito: governo do estado

8 – Parque Memorial Arcoverde: Basebol
O parque na divisa entre Olinda e Recife foi inaugurado em 1994. Inicialmente, contava com campos de futebol, quadras de tênis e de outras modalidades. Deteriorado, o espaço tem um projeto de repaginação parado. Paralelamente a isso, pode receber um campo de basebol, numa parceria entre a Major League Baseball (MLB), do Estados Unidos, e o governo estadual. A liga busca desenvolver o esporte no país. Resolveria a lacuna no Pan.

Projeto de requalificação do Memorial Arcoverde, em Olinda

9 – Ilha do Retiro: Futebol
Ainda que o futebol seja um evento com seleções Sub 20, a popularidade no país poderia causar um interesse acima da média na disputa. Três estádios na capital dariam conta, com a Ilha do Retiro aguardando uma reforma de R$ 750 milhões. Como o Sport não encontrou um parceiro na iniciativa privada, a arena acabou engavetada, mesmo liberada pela Prefeitura do Recife.

Projeto da Arena do Sport. Crédito: Sport/divulgação

10 – Aflitos: Rúgbi
Sem mandar jogos em seu estádio de forma regular desde 2013, o Náutico projeta a volta ao Eládio de Barros em 2017. Com dimensões menores e sem grandes perspectivas de modernização, o local poderia receber o torneio de rúgbi. Há algum tempo já vem sendo palco de jogos de futebol americano, num bom indicativo para os aficionados locais sobre uma modalidade semelhante.

Estádio dos Aflitos. Foto: Cassio Zirpoli/DP

11 – Arruda: Futebol
A Arena Coral foi lançada em 28 de junho de 2007. Na época, o Santa estipulou o investimento em R$ 190 milhões. Uma década depois, o montante aumentou, ainda sem uma quantia definida. O novo Mundão poderia receber a final ou ao menos a semifinal dos torneios de futebol, tendo a Arena Pernambuco como concorrente – dependendo do grau de reforma no estádio até o Pan.

Projeto da Arena Coral. Crédito: Santa Cruz/divulgação

12 – Maria Farinha: Vela
O litoral norte de Paulista, na altura de Maria Farinha, é um reduto tradicionalíssimo das regatas pernambucanas, na proximidade da segunda unidade do Cabanga Iate Clube. A descentralização do Pan-Americano também poderia pesar a favor da decisão de levar a disputa para lá.

Maria Farinha, no norte de Paulista

13 – Caxangá Golf: Golfe, hipismo e tiro
O clube no final da Avenida Caxangá tem 80 hectares, boa parte no campo de golfe, com 18 buracos, a quantidade exigida no torneio do Pan – a estreia da modalidade foi em 2015. Também há espaço para hipismo, em provas de saltos e equitação, além de espaço suficiente para para montar instalações para o tiro.

Caxangá Golf Club

14 – Cidade da Copa: Arena (futebol), Indoor (vôlei) e vila dos atletas
Como se sabe, apenas a arena tornou-se realidade. No entanto, pelo bilionário projeto original, em 2019 o local também já contaria com um ginásio (a “Arena Indoor” teria 15 mil lugares, sendo a maior da cidade, apta para o vôlei, de grande procura), centro de convenções (9,5 mil m²), centro comercial (79 mil m²), dois hotéis (300 e 250 quartos) e 1.510 unidades residenciais, entre prédios e casas. A área residencial, sendo concluída próxima ao evento, poderia formar a Vila dos Atletas. A distância dos demais polos de competições teria que ser resolvida com um ajuste no metrô e em linhas expressas. 

Projeto da Cidade da Copa em 2019. Crédito: Odebrecht/divulgação

Após a mania na Copa e na Olimpíada, os copos colecionáveis chegam ao Arruda

Copos colecionáveis das Olimpíadas de 2016. Crédito: divulgação

Mania na Copa do Mundo, os copinhos colecionáveis, exclusivos em cada jogo, voltaram nos Jogos Olímpicos do Rio, com modelos de todos os esportes presentes. Na compra de cerveja ou refrigerante, uma lembrança do evento, com torcedores colecionando os copos. Não demoraria a chegar no futebol.

No início de 2016 o Corinthians tentou aplicar a ideia na Libertadores, mas a Conmebol vetou a venda do copo personalizado. Alegou a possibilidade de “atos de vandalismo” com o copinho na arquibancada (!). O clube paulista esperava faturar até R$ 250 mil por jogo, com a unidade saindo a R$ 10. Acabou sendo comercializada apenas na loja oficial. No Brasileirão, entretanto, a venda de copos plásticos está liberada, com o Santa Cruz largando na frente no Nordeste.

Copo colecionável do Santa Cruz. Crédito: divulgação

Associando a ideia à sustentabilidade, o Tricolor anunciou a novidade a partir do jogo contra o Fluminense, em 21 de agosto, com cada copo custando R$ 5 nos bares do Arruda, com cerveja Itaipava. Segundo o clube, lembrança à parte, o torcedor também tem a opção de devolver o copo e recuperar o dinheiro, com cada copo reutilizável significando menos quatro copos descartáveis no chão.

O clube coral já iniciou até uma companha de conscientização sobre o lixo, informando a quantidade de copos descartados diariamente (1.500 toneladas), com até 200 anos para se decompor. Inicialmente, apenas um modelo. Novos desenhos devem ser lançados dependendo da resposta do povão.

“Colabore com o meio ambiente e leve uma lembrança do Santa Cruz pra casa”

Copos colecionáveis das Olimpíadas de 2016. Crédito: divulgação