Documentando os cem anos de futebol no Recife, começando pela capa

Livro "Cem Anos de Conquistas e Vitórias". Crédito: Santa Cruz/divulgação

O Recife será a segunda cidade do país a contar com três clubes de massa no futebol com um século de fundação. Antes, apenas o Rio de Janeiro, que na verdade já soma quatro times tradicionais com mais de cem anos.

Aqui no estado, em 3 de fevereiro de 2014 será a vez do Santa Cruz. Ou seja, história tem demais para contar. É preciso documentá-la. O centenário coral já vem sendo organizado por uma comissão especial e entre os atos previstos para a data está o livro “Cem Anos de Conquistas e Vitórias”.

A produção será numa parceria com a BB Editora. Inclusive, uma capa provisória já foi revelada. Já o autor ainda será escolhido.

Relembrar o passado em um aniversário tão emblemático é algo positivo. Náutico e Sport não publicaram livros especialmente dedicados aos respectivos centenários, em 1901 e 1905. Porém, o clássico entre ambos ganhou um livro exclusivo de capa dupla em 2009, também ao completar um século de disputa.

O livro “Clássico dos Clássicos – 100 anos de história” trouxe 50 crônicas de duelos históricos, com 25 vitórias alvirrubras e 25 rubro-negras. Os episódios foram escritos por Roberto Vieira, Carlos Celso Cordeiro e Lucídio de Oliveira.

Livro “Clássico dos Clássicos – 100 anos de história”. Crédito: Carlos Celso Cordeiro/divulgação

Artimanhas de um campeão

Livro: Futebol: Paixão e CatimbaPost em homenagem ao primeiro campeão brasileiro de futebol. Agora, oficialmente.

O Esporte Clube Bahia.

Campeão da Taça Brasil de 1959, primeiro torneio nacional a indicar um representante do país à Taça Libertadores da América (veja AQUI). Agora, unificado à Série A.

Na campanha, 14 jogos, com 9 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Bateu o Santos na finalíssima, disputada no Maracanã.

No campo, a história é conhecida. E no extracampo? Nos bastidores…

Aí, é preciso ler ao ótimo livro “Futebol: Paixão & Catimba”, publicado em 1973, com frases do notável e folclórico dirigente do Tricolor de Aço, Osório Vilas Boas.

Como nem todas as histórias mostram um lado positivo do “Baêa”, o livro foi censurado durante muito tempo pelo clube.

Em um dos episódios, o cartola explica o mata-mata contra o Sport, no caminho para o título da Taça Brasil. Era uma melhor de 3. Na primeira, em Salvador, Bahia 3 x 2.

Na segunda, na Ilha do Retiro, com João Havelange na tribuna de honra, o Leão atropelou, por 6 x 0. Aí, ele narra a história até a vitória na negra, por 2 x 0, na Ilha.

Basta dizer que, na véspera do jogo, o dirigente pagou várias rodadas de cerveja para os jogadores do Sport… O time entrou cambaleando. Deu no que deu!

O livro completo está disponível na internet. Veja AQUI.

Glória no Rei dos Estádios

Livro Maracanã 60 anos. Foto: Clube dos 13/divulgação

O futebol do Rio de Janeiro está carente de um grande palco. E vai continuar assim por algum tempo… O Maracanã ficará fechado até dezembro de 2012 (veja AQUI).

Assim, o Engenhão assume o papel principal, como, por sinal, já o fez no desfecho do Brasileirão, no título do Flu. O “Maraca”, com seus 60 anos de história, faz falta!

Até a reabertura, apenas lembranças. No livro “Maracanã 60″, escritores renomados na área eportiva (Eduardo Bueno, João Máximo, Roberto Assaf e Ruy Castro) contam histórias sobre os maiores eventos já realizados no “Rei dos Estádios”, segundo o livro.

Lançado agora, em português e inglês, a obra foi um projeto editorial pelo Clube dos 13, que implantou uma ideia interessante no livro de 300 páginas (veja AQUI).

Os 20 integrantes da entidade estão listados em seus momentos de glória no livro.

Então… Qual teria sido o maior mometo do Sport no Maracanã?

Indo além: Quais são as principais lembranças de Náutico e Santa Cruz no estádio?

Livro – Futebol versus Psicanálise

Livro: O Futebol como linguagem - da mitologia à psicanálise, de David Azoubel NetoTarde de quinta-feira. Eu havia acabado de chegar redação do Diario. Logo na portaria, o recado de que tinham deixado um livro para mim. Sem texto nem nada. Apenas o livro.

Quando peguei a publicação (“O Futebol Como Linguagem”), caiu uma ficha que na verdade demorou demais… Meses!

Por que não criar no blog uma seção de livros sobre esportes? Com resenhas sobre livros novos, antigos, almanaques, romances etc. A partir de agora, tem. A cada duas semanas.

A seção começará justamente com o presente.

Nascido há 80 anos em Vitória de Santo Antão e criado no Recife, David Azoubel Neto se tornou psicanalista em 1972, com uma ideia fixa: associar o esporte de milhões à psicanálise. Ele conseguiu, em 300 páginas.

O livro “O Futebol Como Linguagem – Da Mitologia à Psicanálise” foi lançado neste ano pela Funpec Editora. Na capa, o quadro “Futebol”, de Portinari, numa tela de 1935.

Logo no início, a evolução da simbologia, com a comemoração de Bebeto na Copa de 1994, quando ele saiu balançando os braços, como se estivesse embalando um bebê. O seu filho havia nascido dois dias antes. Nesta década, a homenagem ganhou novas versões, com o polegar na boca (chupeta) e a bola por dentro da camisa (gravidez).

O livro passeia também em outros simbolismos, como o sinal da cruz a cada lance, como numa véspera de batalha. Ou o fato de entrar no gramado com o pé direito, mania estentida inclusive àqueles que são canhotos…

Passagens da infância do autor se confundem com alguns capítulos, mas sem perder o traço da revolução social causada pelo futebol. Vale a leitura.

Uma vida dedicada à história

Livro do Náutico 1909-1969Carlos Celso Cordeiro. Pernambucano de Tabira, 66 anos. Morador do Recife.

Um alvirrubro fanático, da época do hexa. Mas, sobretudo, um apaixonado pelo futebol pernambucano. Um abnegado em resgatar a história do nosso futebol, perdido nas páginas amareladas dos jornais da capital.

Pesquisador nato, Carlos Celso sempre colecionou todos os dados possíveis sobre os resultados dos times do Recife. Primeiro em cadernos, depois no seu computador. E assim, mesmo sem apoio, passou a publicar livros em série sobre Náutico, Sport e Santa.

O primeiro, em 1996, com um levantamento estatístico de todos os jogos do Timbu entre 1909 e 1969 (foto). Depois foram mais dois volumes, até 1999. Os dois rivais também têm três livros com as partidas até 1999.

Saíram ainda, com esforço, o livro dos 100 anos do Clássico dos Clássicos, a história do Estadual (dois volumes) e o retrospecto dos atacantes alvirrubros Bita e Kuki.

Agora, chega o 5º livro no período de um ano. O 15º da carreira, com o 4º volume da história do Náutico, compilando resultados de 2000 a 2009, com destaque para os três títulos pernambucanos do Timbu na década vigente. Colaborador do blog, Carlos Celso escreveu a série Futebol Pernambucano – Ano Zero, dividida em seis capítulos.

Confira a série: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte 6.