Sport leva 3 gols em 10 minutos e cai nos pênaltis diante do Ferroviário-CE. Vexame

Copa do Brasil 2018, 2ª fase: Sport (3) 3 x 3 (4) Ferroviário-CE. Foto: Peu Ricardo/DP

A eliminação foi um dos maiores vexames já vistos na Ilha do Retiro, com impacto profundo sobre o planejamento do Sport visando a temporada 2018. Ao ceder três gols entre os minutos 30 e 40 do segundo tempo, resultando num empate à parte do que se viu em quase toda a partida, o rubro-negro acabou eliminado da Copa do Brasil na disputa de pênaltis. Magrão até fez a sua parte, como quase sempre faz. O camisa 1 defendeu uma cobrança, mas o goleiro Bruno Colaço foi além, espalmando os chutes de Rogério e Marlone. Assegurou o Ferroviário na terceira fase, somando R$ 2,5 milhões em cotas, montante jamais alcançado pelo clube cearense num único torneio.

Ao Sport, que chegou a abrir 3 x 0 mesmo sem forçar, o empate em 3 x 3 acaba sendo o epicentro de uma condução pra lá de questionável no futebol. A própria escalação já era um indício, com o relacionado André sentindo dores antes da partida – à vera, ficou de fora mais uma vez envolto numa sondagem do Grêmio. Sem o seu principal jogador, Nelsinho optou por Leandro Pereira, que há uma semana havia feito dois gols na estreia leonina na copa. Desta vez, o centroavante saiu machucado ainda na primeira etapa, dando lugar a Rogério, recuperado de lesão. E o atacante participou do primeiro gol, numa jogada concluída por Anselmo. Apesar do futebol blasé, o leão chegou a ensaiar uma goleada ao acelerar duas boas jogadas na segunda etapa, uma pela esquerda (gol de Fabrício) e outra pela direita (gol de Marlone).

Copa do Brasil 2018, 2ª fase: Sport (3) 3 x 3 (4) Ferroviário-CE. Foto: Peu Ricardo/DP

Quem assistiu ao jogo, notou um time tecnicamente superior com condições de esticar o placar, mas falhando na cara do gol. Seguiu até a falta de atenção em sequência, com o mandante entrando em parafuso e sofrendo três gols em finalizações na pequena área. No desempate, a consumação da reviravolta, que obriga o Sport assimilar um novo cenário até a Série A. Financeiramente, acusou o golpe – o clube estimava R$ 10,8 milhões na competição, chegando nas quartas, mas sai com apenas R$ 2,2 mi. Tecnicamente, mostra um nível aquém do Brasileirão – no qual já brigou para não cair nos últimos dois anos. Para completar, o distanciamento da torcida em relação ao comando do clube, num turbilhão político que costuma cobrar uma conta alta. A conferir.

Sport na Copa do Brasil (1989-2018)
24 participações
62 confrontos
39 classificações (62,9%)
23 eliminações (37,0%)

Sport x Ferroviário (todos os mandos)
12 jogos
5 vitórias rubro-negras (41,6%)
4 empates (33,3%)
3 vitórias cearenses (25,0%)

Copa do Brasil 2018, 2ª fase: Sport (3) 3 x 3 (4) Ferroviário-CE. Foto: Peu Ricardo/DP

Com dois gols de André, um modificado Sport vence o lanterna Pesqueira na Ilha

Pernambucano 2018, 4ª rodada: Sport x Pesqueira. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Após o atropelo na arena, Nelsinho Baptista resolveu mexer no time do Sport. Mudou a zaga (Ronaldo Alves por Henríquez), o meio (Pedro Castro por Thallyson) e o ataque (Rogério, machucado, por Neto Moura). Embora a mudança na defesa deva ser mais ampla para o restante da temporada, ao menos no meio-campo já optou por um nome distinto, à parte de Pedro Castro, que já chegou ao Recife como uma contratação questionável.

Não que o Pesqueira fosse oferecer perigo – afinal, era (é) o lanterna -, mas o leão precisava dar uma resposta, justificando o papel de protagonista no embalo da maior disparidade financeira já vista no torneio local. Na marcação, segue sem ser combativo, numa dispersão duradoura. Já à frente, houve, sim, uma maior efetividade. Além de André, o nome da vazia noite na Ilha, vale destacar Neto Moura. Com um histórico de críticas no blog – justamente pela falta de combatividade, que o levou a ser emprestado em 2017 -, o jogador apareceu bem, revezando a posição com Marlone (meia/ponta-esquerda).

Pernambucano 2018, 4ª rodada: Sport x Pesqueira. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Neto foi mais ágil que de costume e conseguiu uma bela assistência para o camisa 90, que marcou o seu primeiro gol no ano, aos 7/1T. Na etapa complementar, aos 11, André fez outro. Avançou na intermediária, driblou um defensor e bateu colocado, de fora da área, 2 x 0. Pelo Sport, o atacante chegou a 43 gols em 105 partidas (média 0,40). Contra o Náutico foi desfalque devido às dores no joelho. Precisava mesmo ficar de molho, sobretudo se a resposta técnica seguir nesse nível, elevando um time ainda aquém.

Os confrontos oficiais pelo Estadual
06/03/2013 – Sport 1 x 1 Pesqueira (9.423 pessoas)
29/01/2018 – Sport 2 x 0 Pesqueira (3.724 pessoas)

Pernambucano 2018, 4ª rodada: Sport x Pesqueira. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

No ‘Clássico do Abismo’, o Náutico se impõe e goleia o Sport após 26 anos

Pernambucano 2018, 3ª rodada: Náutico x Sport. Foto: Roberto Ramos/DP

No aquecimento da rivalidade, este capítulo foi chamado de ‘Clássico do Abismo’, contextualizando a enorme diferença entre as folhas de Náutico e Sport, cerca de 17x. R$ 3,4 milhões x R$ 200 mil, A x C. Realmente, é uma distância financeira (e, consequentemente, técnica) considerável, mas se não houver organização, entrega e foco, isso não se traduz em campo. E por mais clichê que seja, a atmosfera de um clássico importa para qualquer jogo, como provou o time alvirrubro. Vindo de um duro revés em Caruaru e remontado às pressas, o timbu construiu uma goleada com muita aplicação, com dois gols do meia Wallace Pernambucano, numa cabeçada após escanteio e num contragolpe, e outro de Tharcysio, o substituto do próprio ‘falso 9’ da noite.

O timbu não goleava o rival centenário desde 6 de dezembro de 1992. No Arruda, também pelo Estadual, o Náutico aplicou 4 x 1. Época de Paulo Leme, Bizu e Nivaldo. Desta vez, um categórico 3 x 0. Os gols no primeiro tempo não foram acaso. Embora tenha tido apenas 36% de posse, o time de Roberto Fernandes encaixou melhor as jogadas, se aproveitando da recorrente lentidão do adversário, errando fundamentos básicos. Sobre a escalação, o treinador sacou o centroavante Daniel Bueno, pouco participativo, formando um time mais pegador, com Negretti e Josa tendo boas atuações. Na frente, o improvisado Wallace foi eficiente demais. A partida ainda estava esquentando quando o Náutico abriu o placar, num escanteio cobrado por Medina, aos 11. Eram sete leoninos na área, mas o camisa 9 entrou de forma fulminante.

Pernambucano 2018, 3ª rodada: Náutico x Sport. Foto: Roberto Ramos/DP

Sem conseguir produzir uma jogada decente – abusando da bola aérea, a velha mania -, o leão acabou punido numa saída errada. Aos 40, Pedro Castro errou o passe e o contragolpe veio a galope. Num pique surpreendente, de 40 metros, Wallace ganhou do próprio volante e tocou na saída de Magrão. No intervalo, Nelsinho promoveu duas mudanças, acionando o atacante Juninho e o lateral-direito Raul Prata, tirando Thomás e Felipe Rodrigues. A melhora ocorreu num espaço curto de tempo, mas não o suficiente para achar espaço na povoada área alvirrubra, com o time consciente da vantagem. Forçando a ligação direta, o Sport não ofereceu perigo a Jefferson. Todo à frente, ainda viu o garoto Tharcysio fechar o já histórico placar na Arena Pernambuco. Se no domingo Roberto Fernandes não foi bem, no clássico ele alimentou uma estatística particular contra o Sport. São 8 jogos, 4V, 3E e 1D.

Clássico dos Clássicos na Arena Pernambuco
10 jogos (9 mandos alvirrubros e 1 rubro-negro)
4 vitórias do Náutico (40%)
2 empates (2%)
4 vitórias do Sport (40%)

116.495 torcedores nos 10 clássicos, média de 11.649

Pernambucano 2018, 3ª rodada: Náutico x Sport. Foto: Roberto Ramos/DP

Sem empolgar, Sport vence o Afogados com gols dos jogadores acionados no 2T

Pernambucano 2018, 2ª rodada: Sport x Afogados. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

O Sport conquistou a sua primeira vitória no Estadual de 2018, mas ainda num ritmo bem abaixo, jogando para o gasto. Diante de apenas 3.389 torcedores na Ilha, o time venceu o Afogados por 2 x 0, após as mudanças efetuadas por Nelsinho Baptista, no intervalo. No primeiro tempo, lento e desinteressante, o leão chegou com perigo apenas duas vezes, em tramas pelo lado direito. Na primeira, André chutou, com o defensor tirando de cabeça, em cima da linha. Na segunda, uma bola no travessão de Rogério. E só, com vaias no intervalo, expondo a impaciência do público sobre uma equipe sem imposição, num campeonato no qual, pelo investimento, deveria conseguir desde a estreia

Ao menos a insatisfação se estendeu ao treinador , que fez duas trocas no intervalo. Tirou André (dores no joelho – fará exame) e Lenis (opção), entrando Gabriel (estreante) e Thomás (opção recorrente no 2T). E logo na retomada os acionados participaram do primeiro gol oficial do leão no ano, após 145 minutos de bola rolando. Na ponta direita, Gabriel acertou o passe vertical para Rogério, que cruzou rasteiro para Thomás, na pequena área.

Pernambucano 2018, 2ª rodada: Sport x Afogados. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Mesmo em desvantagem, o time sertanejo, atuando pela primeira vez em sua história no Recife, pouco fez, com Magrão como mero espectador na barra. Já o Sport desperdiçou algumas boas chances, sobretudo com Rogério, o ‘falso 9’ na etapa complementar, conseguindo ampliar somente aos 38. Avançando pelo meio, Marlone encontrou Gabriel livre de marcação. O atacante contratado junto ao Flamengo puxou pra perna esquerda e marcou. De positivo, portanto, a reação do banco. Que mexa com o restante do time…

O jogos oficiais do rubro-negro em 2018 (1V, 1E e 0D)
17/01 – Flamengo 0 x 0 Sport (PE)
20/01 – Sport 2 x 0 Afogados (PE)

Pernambucano 2018, 2ª rodada: Sport x Afogados. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Em jogo ruim, Sport perde do São Paulo e chega a 9 jogos de jejum. Na porta do Z4

Série A 2017, 26ª rodada: São Paulo 1 x 0 Sport. Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Era um confronto de dois times desesperados na briga contra o rebaixamento. O São Paulo, que jamais caiu, não consegue se encontrar em campo, engatando jogos ruins, mesmo com a chegada de Hernanes, que voltou bem ao futebol brasileiro. Já o Sport é um time que se perdeu na competição, com um crescente jejum de vitórias e erros de Luxemburgo, cuja grife não esconde escolhas tão controversas no time. No Morumbi, com 43 mil torcedores, mantendo a ótima média de assistência do tricolor paulista, a partida foi bem fraca. Diria até que o mandante foi bem pior. Marcou mal e atacou mal.

No segundo tempo, talvez consciente da má apresentação, deu a bola ao Sport, que chegou a 70% de posse na reta final. Acertou na escolha, pois deu a bola a uma equipe que não consegue produzir nada de forma efetiva. O jogo do Sport é extremamente lento, passando por Wesley, cuja titularidade é injustificável. Na recomposição, deixou buracos. Na armação, viu os companheiros perdendo a paciência, com Rithely subindo e André voltando. Só assim a bola parecia seguir à frente, até a meta de Sidão.

Série A 2017, 26ª rodada: São Paulo 1 x 0 Sport. Foto: Fred Figueiroa/DP

É verdade que o Sport até começou bem, pressionando a saída de bola do São Paulo. E ainda acertou o travessão, com Anselmo batendo de fora da área. Essa imposição não durou muito. Primeiro pela questão física. Segundo porque psicologicamente o time se perde ao tomar um golpe, como foi o gol do domingo, com a zaga batendo cabeça. Aos 35/1T, num cruzamento sem tanto perigo, Henríquez cortou mal de cabeça, acertando Ronaldo Alves. A bola sobrou limpa para Marcos Guilherme marcar, 1 x 0.

Durante o jogo, Luxa fez três mudanças. Sander por Osvaldo, tentativa válida. Anselmo por Thallyson, incompreensível, uma vez que o volante era o melhor do time. Rogério por Thomás, a aposta perdida. Da torcida, pois a última troca manteve Wesley em campo. Desde a sua estreia, já foram cinco partidas. Enquanto esteve em campo, o leão não marcou um gol sequer – contra o Vasco, já havia sido substituído. No abafa, indo até os 50, o visitante ainda teve duas chances, em cabeçadas de Thomás e Henríquez, com o goleiro Sidão defendendo. Mais uma derrota na conta, a sexta no jejum de nove jogos. Dois meses sem vencer? A proximidade do Z4 não é acaso.

O jejum de vitórias do rubro-negro na Série A

02/08 – Sport 2 x 2 Fluminense (Ilha do Retiro)
05/08 – Sport 1 x 3 Corinthians (Arena Corinthians, SP)
13/08 – Sport 0 x 0 Ponte Preta (Ilha do Retiro)
20/08 – Sport 0 x 2 Cruzeiro (Mineirão, MG)
02/09 – Sport 0 x 5 Grêmio (Arena do Grêmio, RS)
10/09 – Sport 0 x 1 Avaí (Ilha do Retiro)
17/09 – Sport 0 x 2 Flamengo (Luso Brasileiro, RJ)
25/09 – Sport 1 x 1 Vasco (Ilha do Retiro)
01/10 – Sport 0 x 1 São Paulo (Morumbi, SP)

9 jogos; 3 empates e 6 derrotas, 4 GP e 17 GC; -13 SG

Série A 2017, 26ª rodada: São Paulo 1 x 0 Sport. Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Sport goleia o Coritiba no Couto Pereira, chega a 3 vitórias seguidas e entra no G6

Série A 2017, 12ª rodada: Coritiba 0 x 3 Sport. Foto: Joka Madruga/Futura Press/Estadão conteúdo

O confronto valia o “G6” após 12 rodadas. Em Curitiba, o vencedor da peleja entraria na zona da Libertadores, com o empate mantendo o Cruzeiro lá. Sem Diego Souza, num imbróglio com o “sai-não-sai”, o time pernambucano precisou ser rearrumado, com Everton Felipe assumindo (bem) o meio. O Sport já havia vencido dois jogos sem DS87, contra Grêmio e Fla. E repetiu diante do Coritiba, com a terceira vitória seguida na Série A, sem sofrer gols.

O futebol apresentado pelo leão nos 20 primeiros minutos foi excelente, com transições rápidas, abusando do lado esquerdo, sempre produtivo. Foram cinco chances reais. Nas três primeiras, o goleiro Wilson salvou o mandante. Em seguida, já aos 17, finalmente o gol. De garçom nos primeiros lances, Mena (de ponta esquerda) foi o finalizador. Recebeu e marcou um belo gol. E olhe que Rithely, em outra trama pela esquerda, ainda bateu por cima na sequência. Vaiado, o Coritiba demorou a entrar no jogo. Se ofensivamente o leão estava bem, na marcação havia espaço, sobretudo na cabeça de área. Por ali, o Coxa arriscou ao menos três vezes – em um desses arremates, de Galdezani, ex-Sport, Magrão fez grande defesa. Porém, houve a cobrança de Luxemburgo, com o visitante, bem distribuído em campo, passando a valorizar mais a posse. Diminuiu o ritmo e segurou a vantagem até o intervalo.

No segundo tempo, a proposta leonina foi mais defensiva, com Ronaldo Alves e Henríquez rasgavam tudo lá atrás (seguindo o revezamento de duplas no setor). A pressão do Coxa aconteceu, sobretudo com Kléber e Henrique, num volume de jogo esperado. Ligado demais, o Sport conseguiu conter e articulou inúmeros contragolpes, esticando bastante as jogadas, até obter sucesso, com Rogério, que acabara de entrar. Aos 39, o atacante ampliou ao finalizar de primeira um cruzamento de Mena, o melhor em campo. Nos descontos, com a partida definida, um gol contra do Coxa, em outro cruzamento (este da direita), transformou a vitória leonina em goleada no Couto Pereira, 3 x 0.

Coritiba x Sport em Curitiba, pelo Brasileiro
8 vitórias do Coxa
5 empates
3 vitórias do Leão (2012, 2014 e 2017)

Série A 2017, 12ª rodada: Coritiba 0 x 3 Sport. Foto: Joka Madruga/Futura Press/Estadão conteúdo

Posse de bola e falta de objetividade, o script do Sport na derrota para o Avaí

Série a 2017, 4ª rodada: Avaí 1x0 Sport. Foto: Jamira Furlani/Avaí F.C.

O Sport teve a posse de bola a manhã inteira na Ressacada. De 57% no primeiro tempo, subiu para 63% na etapa complementar. Um controle pautado na falta de objetividade, sem conseguir uma infiltração sequer na zaga do Avaí, que após marcar o seu primeiro gol no Brasileiro, no primeiro tempo, não teve qualquer pudor em se manter atrás da linha da bola até o apito final. Se o jogo em Florianópolis era tido como uma boa opção para pontuar fora de casa, e, francamente, era mesmo, o rubro-negro passou longe disso. Girou a bola o quanto pôde, uma vez que não conseguiu trocar três passes verticais.

Apesar de ter jogadores técnicos, o futebol foi burocrático, com Diego Souza vivendo seu o momento mais apagado no clube (na véspera da apresentação na Seleção), André isolado (não finalizou), Rogério em jejum (15 jogos) e Osvaldo sem diálogo no setor. No segundo tempo, Luxemburgo, sem sua “estreia” na Série A, sacou os dois últimos e colocou Thomás (deu uma maior movimentação) e Thallyson (errando tantos passes quanto os demais). Por sinal, foram três jogadores da base acionados. Aqui, cabe uma observação. Na 4ª rodada da competição, a utilização de Fabrício, Evandro e Thallyson não está relacionada à convicção nos pratas-da-casa, mas na falta de peças, ou por lesão, como na direita, num gerenciamento equivocado da temporada, ou por reposição, na esquerda. A maturação dos jogadores acaba sendo forçada num elenco caro, com condições de fomentar apresentações paulatinas. Ou Fabrício, volante de ofício, não passou numa fogueira sendo lateral-direito? E o que dizer de Evandro, 4ª opção até pouco tempo?

Por fim, a zaga, que em tese não teve trabalho. Contudo, os avanços do leão da ilha de lá, sobretudo no primeiro tempo, levaram perigo, a partir de erros no meio-campo e da falta de cobertura – algo recorrente, tanto que foi a 8ª vez seguida que o time sofreu o primeiro gol do jogo. Resumindo: a derrota por 1 x 0 foi justa. Exceção feita à posse, faltou muito ao rubro-negro…

Série a 2017, 4ª rodada: Avaí 1x0 Sport. Foto: Jamira Furlani/Avaí F.C.

As prováveis formações de Sport e Bahia no jogo de ida da final do Nordestão 2017

Prováveis formações de Sport e Bahia para o jogo de ida da final do Nordestão 2017. Arte: Cassio Zirpoli/DP, via footbaluser.com

Em 2016, Sport e Bahia faturaram R$ 129 milhões, cada um. As maiores receitas no Nordeste, num cenário que deve se manter nesta temporada, resultando em jogadores de qualidade, ao custo de cifras milionárias. Entretanto, para a final da Copa do Nordeste, os dois clubes acabam chegando repletos de desfalques, por lesão e suspensão. Tecnicamente, a decisão poderia ser ainda maior, mas os nomes à disposição também deixam o clássico equilibrado. Sem surpresa, os técnicos Ney Franco e Guto Ferreira fizeram mistério acerca das escalações para o jogo de ida, na Ilha do Retiro. Com apuração dos repórteres Daniel Leal e João de Andrade Neto, do Superesportes, e a colaboração de Vitor Villar, do jornal baiano Correio, chegamos às prováveis formações do finalistas da Lampions 2017.

Concorda com as escalações? Cabe alguma surpresa?

Sport 
No leão da ilha, o treinador abre mão dos três volantes, num sistema que não rende sem Rithely – suspenso nos dois jogos. Recuperado após três jogos ausente, DS87 volta como meia, com Everton Felipe indo para a ponta direita – embora uma inversão entre os dois não seja descartada. Na cabeça de área, Ronaldo fica como primeiro volante. Na lateral esquerda, o lateral-direito Raul Prata ganha chance. Já jogou assim.

Formação: Magrão; Samuel Xavier, Matheus Ferraz, Durval e Raul Prata; Fabrício, Ronaldo e Diego Souza; Everton Felipe, Rogério e André

Desfalques: Ronaldo Alves (problema muscular), Mena (distensão) e Rithely (suspenso)

Bahia
No tricolor de aço, que não terá o artilheiro do torneio, Régis, a solução acaba sendo o recuo de Zé Rafel, com Edigar Junio centralizado à frente – ganhou a disputa pela vaga deixada pelo Brocador, lesionado. Renê Júnior retorna após dois jogos, quando desfalcou o time devido a uma lesão na coxa. Momento oportuno, após a suspensão do volante Edson, destaque na estreia no Brasileirão, no 6 x 2 no Atlético-PR.

Formação: Jean; Eduardo, Tiago, Lucas Fonseca e Matheus Reis; Renê Junior, Juninho e Zé Rafael; Allione, Diego Rosa e Edigar Junior

Desfalques: Jackson (lesão no menisco), Hernane Brocador (fratura na tíbia), Armero (suspenso), Edson (suspenso) e Régis (suspenso)

Juninho marca duas vezes no finzinho e Sport vence o Náutico de virada na Ilha

Pernambucano 2017, semifinal: Sport 3 x 2 Náutico. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

O quadro se repetiu, com o prata da casa Juninho sendo acionado no lugar de André no segundo tempo. Com a milionária contratação passando em banco – desperdiçou três chances incríveis, mas foi útil no esquema – o atacante de 18 anos foi chamado por Ney Franco. Contra o Campinense, marcou o único e importante gol leonino no primeiro jogo do confronto, contra o Joinville, recebeu ótimo passe de Rithely e finalizou quase sem espaço, e agora contra o Náutico foi ainda mais avassalador. O Sport perdia o clássico até os 45 minutos do segundo tempo, no jogo de ida da semifinal do Estadual.

Em plena Ilha, a torcida alvirrubra celebrava o silêncio do público mandante. Apesar do 2 x 1, os leoninos haviam dominado, finalizando bastante contra a meta de Tiago Cardoso – com ótima atuação até então, mostrando o porquê de sua contratação. Após disputar algumas jogadas longe da área, uma vez que também atua como meia, Juninho acabou sendo orientado a ficar na área. No primeiro lance, iniciado por Everton Felipe (que também entrou no decorrer), a jogada prosseguiu com Rogério, num cruzamento na medida. De cabeça, com força, o empate. Na pressão do estádio, numa festa já invertida, o rubro-negro manteve o rival alvirrubro em seu campo, trocando passes nos descontos, buscando espaço para a última tentativa.

Pernambucano 2017, semifinal: Sport 3 x 2 Náutico. Foto: Rafael Martins/DP

Após o escanteio conquistado por Lenis, Everton Felipe cobrou baixo, como de costume, mas Juninho se antecipou a João Ananias, girou e finalizou. Em menos de dois minutos, da derrota à vitória, 3 x 2. Juninho chegou a 5 gols em 14 jogos como profissional. Começo promissor, pressionando André, com os mesmos 5 gols nesta volta. Sobre o resultado, o leão, que ganhou o primeiro clássico no ano, tem o empate a seu favor, num momento em que vem ganhando casca em mata-matas. Entretanto, terá que corrigir os problemas defensivos. De posicionamento, de rebotes e até mesmo de escalação – caso Ronaldo Alves siga fora. Em quatro jogos seguidos na Ilha (Campinense, Danubio, Joinville e Náutico), só não tomou gol em um.

Quanto ao alvirrubro, fica a lamentação após jogar com muita disposição defensiva. A zaga cortou cruzamentos, dividiu jogadas, rasgou, os volantes ocuparam os espaços no meio e os atacantes tentaram prender a bola. Foi a tática de Milton Cruz. Teve poucas chances, mas construía uma vitória justa. Sem contar o gol anulado de Everton Páscoa, quando estava 1 x 1. Embora torcedores e parte da imprensa considerem que a partida teria chegado aos 3 x 1, pois o gol de Anselmo saiu dois minutos depois, não me parece correta a leitura de que o lance seguiria da mesma forma caso o primeiro o gol tivesse sido valido. De toda forma, a queixa é justa, pois foi o lance capital da partida, mal assinalado. E o jogo na Arena promete…

Pernambucano 2017, semifinal: Sport 3 x 2 Náutico. Foto: Rafael Martins/DP

Sport paga R$ 6 milhões por 50% dos direitos de Rogério. Recorde no Nordeste

Copa do Nordeste 2017, quartas de final: Sport (4) 3 x 1 (2) Campinense. Foto: Paulo Paiva/DP

Em fevereiro, após uma longa articulação o Sport repatriou André pagando uma fortuna, levando em conta o poder econômico do futebol nordestino. Precisou desembolsar R$ 5,2 milhões, num repasse dividido entre Sporting e Galo. Dois meses depois, nova investida milionária no mercado, com o leão contratando em definitivo o também atacante Rogério. Numa negociação realizada em dois momentos distintos, o montante absoluto transforma o novo negócio no maior já realizado por um clube da região: R$ 6 milhões.

Em 16 de junho de 2016, o Sport adquiriu 25% dos direitos econômicos de Rogério. Na ocasião, pagou R$ 2,5 milhões. Logo, o valor de mercado do atacante, estipulado pelo São Paulo, era de 10 milhões de reais. Pelo contrato, o clube pernambucano teria até maio de 2017 para exercer a cláusula de compra para permanecer com o jogador – sem que o tricolor paulista pudesse fazer nada a respeito, nem com o técnico Rogério Ceni solicitando a volta. Para isso, precisava adquirir mais 25%, mas desta vez por R$ 3,5 milhões – informação da ESPN, não confirmada pelo clube. Ou seja, independentemente do rendimento de Rogério no último Campeonato Brasileiro, hoje ele valeria 14 milhões, considerando 100% dos ativos.

Após captar receitas nos torneios desta temporada (R$ 2,83 mi até a 4ª fase da Copa do Brasil e R$ 1,6 mi até a semi do Nordestão), o leão bancou.

O novo contrato de Rogério na Ilha do Retiro vai até maio de 2021…

As 10 maiores compras do futebol nordestino no Plano Real*
1º) Rogério (2017, do São Paulo para o Sport) – R$ 6,00 milhões por 50%
2º) André (2017, do Sporting para o Sport) – R$ 5,23 milhões por 70%

3º) Petkovic (1997, do Real Madrid para o Vitória) – R$ 5,00 milhões por 100%
4º) Kieza (2016, do São Paulo para o Vitória – R$ 4,00 milhões por 100%
5º) Bebeto (1997, do Sevilla para o Vitória) – R$ 3,50 milhões por 100%
6º) Lenis (2016, do Argentinos Jrs. para o Sport) – R$ 3,16 milhões por 50%
7º) Jackson (2016, do Inter para o Bahia – R$ 3,00 milhões por 70%
8º) Régis (2014, da Chape para o Sport) – R$ 2,50 milhões por por 50%
8º) Diego Souza (2016, do Flu para o Sport) – R$ 2,50 milhões por 100%
10º) Bebeto Campos (1998, do Flu para o Bahia) – R$ 1,7 milhão por 100%

* Valores divulgados pela imprensa e/ou clubes nas respectivas épocas.

Confira todas as aquisições milionárias dos clubes da região aqui.