Santa Cruz (263º) e Sport (280º) presentes no ranking mundial da IFFHS em 2016

Santa e Sport na lista anual da IFFHS. Arte: Cassio Zirpoli/DP

Pelo terceiro ano consecutivo o futebol pernambucano se faz presente no ranking mundial de clubes, organizado Federação de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), órgão alemão reconhecido pela Fifa. Desta vez em dose dupla. Na lista, com os jogos oficiais de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2016, o Santa Cruz ficou em 263º geral, 16º no país e 2º na região (atrás do Vitória). Foram as melhores colocações de sua história. Graças à campanha na Sula, quando chegou às oitavas, eliminando o Sport na fase nacional – não por acaso, deixou o rival 17 posições atrás. E olhe que por um golzinho, no confronto contra o Independiente Medellín, não alcançou as quartas de final…

A lista é atualizada mensalmente, com um balanço geral no início do ano seguinte. Em 2016, pela primeira vez um clube de fora da Europa terminou na liderança. Mérito do Atlético Nacional. O clube colombiano conquistou a Libertadores e ainda foi vice da Sul-Americana, quando abdicou do título em homenagem à Chape. À parte dos primeiros colocados, vale destacar também a presença pernambucana. Para fazer parte do levantamento, é necessário disputar a primeira divisão nacional – e cada país tem um peso distinto. 

Abaixo, o blog listou os rankings a partir de 2006, na pioneira participação local no Brasileirão na era dos pontos corridos. A apuração vai a partir dos quadros divulgados pelas IFFHS, pois nem todos os clubes pontuados são divulgados, com as listas variando de 200 a 500 nomes – em 2013, por exemplo, o Náutico disputou a elite e a Sula, mas não apareceu. Como a pontuação internacional é elevada, a melhor colocação do estado foi em 2009, quando o Sport disputou a Libertadores, chegando às oitavas. Em abril chegou a ser 29º. No fim do ano, mesmo com a lanterna na Série A, foi 89º.

Os pódios, o melhor brasileiro* e os pernambucanos listados no período:

2016
1º) Atlético Nacional-COL (383 pontos)
2º) Real Madrid-ESP (310)
3º) Barcelona-ESP (280)

13º) Atlético Mineiro (212)
34º) Grêmio (176)
36º) São Paulo (174)
44º) Corinthians (169)
45º) Palmeiras (166)
94º) Chapecoense (126)
94º) Flamengo (126)
132º) Santos (110)
159º) Coritiba (100)
168º) Cruzeiro (98)
201º) Internacional (88)
214º) Atlético Paranaense (86)
221º) Botafogo (84)
231º) Ponte Preta (82)
251º) Vitória (78)
263º) Santa Cruz (76 pts – Oitavas da Sula e 19º na Série A)
280º) Fluminense (74)
280º) Sport (74 pts – 2ª fase na Sula e 14º na Série A)
303º) Figueirense (70)

2015
1º) Barcelona-ESP (379)
2º) Juventus-ITA (286)
3º) Napoli-ITA (268)
18º) Internacional* (210) 

160º) Sport (101 pts – Oitavas na Sula e 6º na Série A)

2014
1º) Real Madrid-ESP (381)
2º) Bayern de Munique-ALE (276)
3º) Atlético de Madrid-ESP (267)
14º) Cruzeiro* (219) 

247º) Sport (80 pts – 2ª fase na Sula e 11º na Série A)

2013
1º) Bayern de Munique-ALE (370)
2º) Real Madrid-ESP (290)
3º) Chelsea-ING (273)
8º) Atlético Mineiro* (238) 

Nenhum pernambucano listado**

2012
1º) Barcelona-ESP (307)
2º) Chelsea-ING (279)
3º) Boca Juniors-ARG e Atlético de Madri-ESP (278)
5º) Corinthians* (272) 

321º) Náutico (72 pts – 12º na Série A)
413º) Sport (62 pts – 17º na Série A)

2011
1º) Barcelona-ESP (367)
2º) Real Madrid-ESP (312)
3º) Vélez Sarsfield-ARG (271)
6º) Santos* (238) 

Sem time pernambucano na elite

2010
1º) Internazionale-ITA (300)
2º) Bayern de Munique-ALE (268)
3º) Barcelona-ESP (266)
7º) Internacional* (231) 

Sem time pernambucano na elite

2009
1º) Barcelona-ESP (341)
2º) Chelsea-ING (292)
3º) Manchester United-ING (291)
9º) Cruzeiro* (235)

89º) Sport (125 pts – Oitavas na Libertadores e 20º na Série A)

2008
1º) Manchester United-ING (292)
2º) Bayern de Munique-ALE (272)
3º) Liverpool-ING (267)
10º) São Paulo* (223) 

97º) Sport (118 pts – Campeão da Copa do Brasil e 11º na Série A)
343º) Náutico (62 pts – 16º na Série A)

2007
1º) Sevilla-ESP (306)
2º) Manchester United-ING (281)
3º) Milan-ITA (280)
5º) Santos* (254)

214º) Náutico(78 – Quartas na Copa do Brasil e 15º na Série A)
273º) Sport (70 pts- 14º na Série A)

2006
1º) Sevilla-ESP (295 pontos)
2º) Internazionale-ITA (286)
3º) Roma-ITA (277)
14º) São Paulo* (115) 

Nenhum pernambucano listado**

** No estudo da IFFHS, nem sempre a lista completa é divulgada no site

Campeã da Sula, a Chape torna-se o 12º clube brasileiro com título internacional

Conmebol oficializa título da Chapecoense na Copa Sul-Americana 2016. Crédito: Conmebol/twitter

O pedido partiu do próprio adversário, o Atlético Nacional. No dia da tragédia, no acidente aéreo que matou 71 pessoas, o clube colombiano fez um pedido formal à Conmebol para que a Chapecoense fosse reconhecida como campeã da Copa Sul-Americana de 2016. Não se tratava de uma divisão de título, mas de uma conquista exclusiva. Pois a Conmebol atendeu ao pedido do Verdolaga, num ato de solidariedade institucional como nunca se viu no futebol – com o agora vice-campeão reconhecido com o Prêmio Centenário Conmebol de Fair Play.

Oficialmente campeã, a Chape ergue o primeiro troféu internacional da história de Santa Catarina, sendo o 12º clube brasileiro a conquistar uma competição oficial sob a chancela da Conmebol. Em relação à Sula propriamente dita, essa é apenas a 3ª vez de um time do país, após Inter (2008) e São Paulo (2012).

Além da premiação de US$ 2 milhões pelo título, o alviverde recebe mais US$ 1 milhão para disputar a Recopa Sul-Americana em 2017. Contra quem? Contra o próprio Atlético Nacional, o atual campeão da Taça Libertadores. Desde já, um encontro de muita emoção. Ah, a Chape está na Liberta de 2017, com Santa Catarina voltando a ter um participante no principal torneio do continente após 26 anos! Hiato desde o Criciúma, campeão da Copa do Brasil em 1991.

Parabéns, Chape!

Os 12 times brasileiros com títulos internacionais oficiais
12 – São Paulo (3 Mundiais, 3 Libertadores, 1 Supercopa, 1 Sula, 1 Copa Conmebol, 2 Recopas, 1 Copa Master)
8 – Santos (2 Mundiais, 3 Libertadores, 1 Copa Conmebol, 1 Recopa Internacional, 1 Recopa)
7 – Intrenacional (1 Mundial, 2 Libertadores, 1 Sula, 2 Recopas, 1 Suruga)
7 – Cruzeiro (2 Libertadores, 2 Supercopas, 1 Recopa, 1 Copa Ouro, 1 Copa Master)
4 – Corinthians (2 Mundiais, 1 Libertadores, 1 Recopa)
4 – Grêmio (1 Mundial, 2 Libertadores, 1 Recopa)
4 – Flamengo (1 Mundial, 1 Libertadores, 1 Mercosul, 1 Copa Ouro)
4 – Atlético-MG (1 Libertadores, 2 Copas Conmebol, 1 Recopa)
3 – Vasco (1 Libertadores, 1 Sul-Americano e 1 Mercosul)
2 – Palmeiras* (1 Libertadores, 1 Mercosul)
1 – Chapecoense (1 Sula)
1 – Botafogo (1 Copa Conmebol)
* O clube também venceu a Copa Rio em 1951

Atlético Nacional proclama Chapecoense como campeã da Sul-Americana de 2016

Comunicado do Atlético Nacional sobre o título da Sula 2016. Crédito: Reprodução

O Atlético Nacional proporcionou um enorme gesto institucional no mundo esportivo. Abalado pela tragédia ocorrida com a Chapecoense, com a morte de 71 pessoas no voo que levava o time, o clube colombiano pediu à Conmebol para que o título de campeão da Copa Sul-Americana de 2016 seja dado ao alviverde catarinense (abaixo). O clube, atual campeão da Taça Libertadores, sequer cogita a ideia de divisão, abrindo mão do troféu da Sula em homenagem a todo o elenco da Chape, merecedor do status de campeão continental.

Comunicado do Atlético Nacional sobre o título da Sula 2016. Crédito: Reprodução

Reunida em Montevidéu, a cúpula da confederação sul-americana de futebol comunicou que deverá dar uma resolução oficial sobre o caso até 21 de dezembro, no sorteio da próxima edição da Liberta. Contudo, a tendência é que o time brasileiro seja homologado como campeão da Sula (mesmo que dividido), ganhando, assim, a inédita vaga na próxima Libertadores, que já tem a presença assegurada do Verdolaga, como é conhecido o popular alviverde colombiano.

E os destinos de Chape e Atlético parecem mesmo entrelaçados. Caso o pleito seja confirmado, os times irão se enfrentar em 2017. Pela Recopa, com outra taça em jogo, a ser disputada de maneira digna, em todos os aspectos.

Parabéns ao Atlético Nacional de Medellín, não esqueceremos.

Abaixo, o vídeo da festa dos jogadores da Chape após a passagem à final…

A necessária união do futebol brasileiro para a reconstrução da Chapecoense

Clubes de luto pela Chapecoense

O dia 29 de novembro de 2016 seria histórico para a Chapecoense, que, contra todos os prognósticos, disputaria a sua primeira final internacional. Infelizmente, o Brasil acordou em choque com a notícia sobre a queda do avião que levava a Chape para Medellín, onde disputaria o título da Copa Sul-Americana. Morreu quase todo o elenco do exemplar e carismático clube catarinense, que foi da Série D à Série A em cinco anos e vivia o seu auge.

Num raro (e necessário) momento de união dos clubes brasileiros, todos trocaram seus escudos pela versão enlutada do alviverde da Arena Condá, incluindo Náutico, Santa Cruz e Sport. Todos com a seguinte frase:

“Hoje, todos os clubes do Brasil são um só”

A final da Copa do Brasil, na quarta, e última rodada do Brasileirão, no domingo, foram adiadas em uma semana, para 7 e 11 de dezembro. Treinos, entrevistas e demais atividades esportivas foram cancelados de norte a sul. Não há clima.

Sobre o incerto futuro do clube, sem dúvida um pormenor diante da tragédia com 71 vítimas fatas, a Chapecoense precisa de amparo de clubes e dirigentes. Como sugestão, a Conmebol poderia dividir o título da Sula, cuja decisão não faz mais sentido, moral e tecnicamente. Como o Atlético Nacional já é o atual campeão da Libertadores, a vaga na próxima edição não seria um problema. E na Série A, em 2017, a Chape poderia ter uma imunidade contra o descenso, até porque a sua reconstrução deve passar por todos, incluindo adversários.

Meus sentimentos a todos aqueles que fazem e torcem pela Chape.

Os resquícios do narcotráfico em sete clubes do futebol colombiano

O envolvimento de Pablo Escobar com o futebol colombiano

“Aquele que apitar mal, nós eliminamos”

“As lágrimas vieram porque o futebol estava morrendo um pouco….”

No embalo da primeira incursão do futebol pernambucano na Colômbia, através do Santa Cruz, nas oitavas da Copa Sul-Americana, vamos a um relato histórico do esporte no país, envolvido com o narcotráfico. Inclusive o adversário coral, o Independiente de Medellín, com ninguém menos que o “El Patrón”, Pablo Escobar. O texto a seguir é uma tradução da reportagem do jornal Marca, publicada em 9 de setembro de 2015 (entre parênteses, observações do blog).

O futebol colombiano ainda vive hoje um pouco à sombra de um passado obscuro, quando, nos anos 80, os narcotraficantes tomaram conta do esporte, dirigindo clubes e contratando grandes jogadores, até então impensáveis para o futebol local. Pablo Escobar e companhia usaram o esporte das massas para ganhar popularidade entre o povo colombiano, lavar dinheiro do tráfico e também com o fim mórbido de levar a guerra do narco aos campos de jogos.

Unión Magdalena
O Unión Magdalena foi o primeiro clube colombiano a contar com dinheiro ilícito da droga. No fim da década de 1970, os irmãos Dávila Armenta, suspeitos de traficar maconha na época, salvaram o clube do rebaixamento e ainda o levaram à disputa do título em 1979 (após uma ótima primeira fase, o clube acabaria na 4ª posição geral, com o jejum de títulos em vigor desde 1968).

Atlético Nacional
O Nacional de Medellín foi o “time de excelência” de Pablo de Escobar, considerado o narcotraficante mais poderoso da história da Colômbia. Em 1989, o clube ganhou uma Libertadores (a primeira do país) envolta em polêmica devido à alegação de manipulação do torneio por parte de Escobar. Tal era o descaramento na relação com Escobar que vários jogadores visitavam o traficante em sua prisão domiciliar para jogar uma pelada com ele (o clube voltou a conquistar a Libertadores em 2016, já sem a sombra do Patrón).

O envolvimento de Pablo Escobar com o futebol colombiano

Independiente Santa Fé
Em 1989, Fernando Carrillo Vallejo, acusado nos Estados Unidos de narcotráfico e dono de uma cadeia de farmácias que funcionavam na verdade como refinamento de cocaína, comprou a maioria das ações do Santa Fé. Em 1991, tornou-se propriedade de Phanor Arizabaleta, o 5º homem mais importante do cartel de Cali. Também se meteram no clube Daniel ‘El Loco’ Barrera e Efraín Hernández ‘Don Efra’.

Millionarios
Em 1983, Hermos Tamayo presidiu o clube. Também foi proprietário de um carregamento de duas toneladas de cloridrato de cocaína em Barranquilla. Em 1986 os advogados Germán e Guillermo Gomez tiveram cargos no clubes, até que Guillermo fosse assassinado por Gonzalo Rodríguez Gacha ‘El Mexicano’, que investiria no clube até fazê-lo novamente campeão nacional. (o que ocorreria em 1987 e 1988, após iniciar um hiato de taças até 2012). ‘El Mexicano’ foi um dos narcotraficantes mais sanguinários e poderosos da Colômbia.

América de Cali
Este clube foi dirigido nos anos 80 e 90 por Miguel Rodríguez Orejuela, líder do cartel de Cali e arqui-inimigo de Pablo Escobar. A partir de 1995, começaram os julgamentos contra Rodríguez e o clube foi acumulando dívidas, despedindo-se de uma gloriosa época (foi pentacampeão colombiano, de 1982 a 1986, um recorde histórico, e também alcançou a final da Libertadores em quatro oportunidades, todas como vice).

Deportivo Independiente Medellin
Héctor Mesa, narcotraficante do cartel de Medellín, foi acionista majoritário do DIM nos anos 80. Mais tarde também teve influência no clube Pablo Escobar, apesar de ser torcedor do Atlético Nacional (ao contrário do que diz o filho do traficante, que aponta Escobar como “hincha” do DIM).

Deportivo Pereira
O Pereira foi controlado nos anos 80 por Octavio Piedrahíta, um narcotraficante que os Estados Unidos tentou extraditar, mas antes foi assassinado em Medellín em 1998 (a melhor campanha do clube – jamais campeão – no período de Octavio foi um 4º lugar em 1982).

O envolvimento de Pablo Escobar com o futebol colombiano

Atlético Nacional é bicampeão da Taça Libertadores e unifica títulos da Colômbia

Libertadores 2016, final: Atlético Nacional 1 x 0 Independiente Del Valle. Foto: Conmebol/site oficial

O Atlético Nacional fez a melhor campanha na fase de grupos e seguiu impossível no mata-mata, conquistando o bicampeonato da Libertadores com a maior pontuação da história, 33 pontos. Em 2016, 10 vitórias, 3 empates e apenas 1 derrota. Teve o melhor ataque, com 25 gols, sofrendo apenas 6 tentos, o primeiro deles na sétima partida! Um campeão maiúsculo.

À parte de alguns erros graves na arbitragem, o time de Medellín de fato jogou muito bem do começo ao fim, superando a partir das oitavas de final o Huracán, Rosario Central, São Paulo e o modesto Independiente del Valle, do Equador, na decisão, 1 x 0. Na arrancada, quem brilhou foi o atacante Miguel Borja, de 23 anos, comprado pelo Verdolaga por US$ 1,5 milhão. Já está pago. 

Ranking de países campeões da Libertadores 1960-2016. Arte: wiki

O Nacional repetiu o feito de 1989, na época com o folclórico goleiro Higuita. Ao todo, foi a terceira Liberta vencida pelo futebol colombiano, somando ainda o título do Once Caldas em 2004. Agora, o país só está atrás de Argentina, Brasil e Uruguai. O momento atual, aliás, é pra lá de positivo, uma vez que a Colômbia também detém o título da Copa Sul-Americana, com Santa Fé, em 2015. 

Santa Fé e Atlético Nacional estão na Sula de 2016. Pelo chaveamento, no caminho de Sport ou Santa Cruz. Nas quartas e na semifinal…

Libertadores 2016, final: Atlético Nacional 1 x 0 Independiente Del Valle. Foto: Conmebol/twitter (@conmebol)