Semana literária no futebol pernambucano

Com mais de um século de paixão crescente, o futebol pernambucano tem muita história para contar. E num espaço intermitente, ela vem sendo contada. Confira alguns livros sobre o futebol no estado, disponíveis nas prateleiras das livrarias e perdidos em bibliotecas, com alguns exemplares desde a década de 1960. Outros, com edições bem antigas, só mesmo em sites de compra.

Para os fãs do futebol local, dois livros sobre o campeonato estadual formam um prato cheio de história, curiosidades e imagens. As estatísticas que dominam a imprensa esportiva atual foram colhidas nesses dois exemplares.

Livros do Campeonato Pernambucano, de 1915 a 1970 e 1971 a 2000. Crédito: Carlos Celso Cordeiro

Ainda sobre o Campeonato Pernambucano, que em 2014 terá a sua centésima edição, mais dois títulos. Em 1999, com o apoio da FPF, Givanildo Alves lançou “85 anos de bola rolando”, com histórias e causos do futebol local. O autor faleceu um ano depois, quando foi lançada a segunda edição, com nova capa. Já José Maria Ferreira revisou o certame estadual de 1915 a 2007, com uma linguagem mais técnica sobre a competição.

Livros "85 anos de bola rolando" e História dos campeonatos"

A série “Reis do futebol em Pernambuco”, criada em 2011, terá cinco capítulos. No primeiro, com 300 páginas, os maiores técnicos que trabalharam no estado, de Pimenta a Nelsinho. Os próximos serão sobre atacantes, meias, zagueiros e goleiros. Ainda sobre treinadores, a biografia do olindense Givanildo Oliveira, escrita em 2006 pelo jornalista Marcelo Cavalcante, tem o histórico do jogador e técnico, campeoníssimo no Recife, desde a infância na Vila Popular.

Livros "Reis do Futebol em Pernambuco - Técnicos" e "Givanildo - Uma vida de luta e vitórias"

O Náutico ganha dois livros em 2013, ambos com o selo da BB Editora. Primeiro, “Adeus, Aflitos”, com histórias e números de Carlos Celso Cordeiro, Lucídio José de Oliveira e Roberto Vieira sobre o estádio Eládio de Barros Carvalho, agora aposentado. Ainda neste ano, chegará a biografia “Kuki, o artilheiro do Nordeste”, sobre a carreira do quarto maior goleador da história do Timbu, com 179 gols em 357 partidas.

Livros do Náutico: Adeus, Aflitos e Kuki, o artilheiro do Nordeste. Crédito: BB Editora

Em 1996, o pesquisador Carlos Celso Cordeiro transformou a apuração de trinta anos em publicações, com uma série de livros preenchidos por estatísticas dos três grandes clubes do estado, com partidas, escalações, públicos etc. Começou com o Náutico, com as partes 1 (1909 a 1969) e 2 (1970 a 1984).

Livros do Náutico - Retrospecto: 1909/1969 e 1970/1984.

A série “Náutico – Retrospecto” continuou com mais dois volumes, de 1985 a 1999 e 2000 e 2009. O Timbu é o único com dados publicados sobre o século XXI. O pesquisador segue guardando dados sobre os jogos para futuros livros.

Livros do Náutico - Retrospecto: 1985/1999 e 2000/2009.

Em 2009 o tradicional clássico entre alvirrubros e rubro-negros chegou a cem anos de história. Com apoio da FPF, foi lançado um livro de capa dupla, “100 anos de história do Clássico dos Clássicos”, novamente com o trio de Carlos Celso/Lucídio José/Roberto Vieira. O incansável Carlos Celso ainda publicou uma edição especial sobre o Timbu com um vasto acervo fotográfico. A cada imagem, textos explicativos sobre escretes inesquecíveis.

Livros do Náutico: 100 anos do Clássico dos Clássicos em História em Fotos

Dessa vez, um trabalho solo do escritor Lucídio José de Oliveira, com o romance “O Náutico, a bola e as lembranças”. Em 2003, o jornalista Paulo Augusto lançou a “A guerra dos seis anos” sobre o hexacampeonato pernambucano de 1963 a 1968, com personagens e grandes jogos da saga.

Livros "O Náutico, a bola e as lembranças" e "A guerra dos seis anos"

Kuki terá a sua própria biografia. Contudo, esse será o segundo livro sobre o ex-ídolo alvirrubro. O pesquisador Carlos Celso já levantou todos os dados do atacante, que desembarcou nos Aflitos em 2001, na série “Grandes Goleadores”. Além do baixinho, há o exemplar sobre o Bita, o maior goleador do Náutico, com 223 gols em 338 partidas, com o tradicional apelido no título: “O Homem do Rifle”.

Livros do Náutico, na série Grandes Goleadores: Bita e Kuki

O próximo livro agendado sobre o trio de ferro é o do centenário do Santa Cruz, em 2014, pela BB Editora. Com um ano de produção, irá retratar a história do clube com doses de emoção. Em 2007 o Tricolor também teve a sua história revisada com resumos estatísticos, via “Retrospecto”, assim como os rivais. O trabalho nos mesmos moldes, com jogos, escalações, público e renda, vai de 1914 a 1999, em três livros distintivos.

Livros do Santa Cruz: Centenário 2014 e Retrospecto 1914/1959

Com o apoio do filho, Luciano Guedes, Carlos Celso conseguiu estampar capas coloridas nos três exemplares do Tricolor, fato alcançado com o apoio do clube, uma vez que a circulação do livro não contou com uma grande editora.

Livros do Santa Cruz - Retrospecto: 1960/1979 e 1980/1999. Crédito: Montagem sobre fotos do egoldosanta.blogspot.com

Editado em 1986 pela Cepe, o livro “Eu sou Santa Cruz de Corpo e Alma”, do falecido Mário Filho, conta histórias da Cobra Coral desde os anos 30, com causos sobre o povão e a formação da mística da torcida tricolor. Já em “Centrefó de Armação”, Aramis Trindade mistura realidades paralelas e ficção do futebol pernambucano de uma forma geral, mas com bastante humor. A capa foi ilustrada com um desenho do Santa Cruz.

Livro do Santa Cruz: "Eu sou Santa Cruz de corpo e Alma". Centrefó de Armação

Tendo o goleiro Magrão como personagem principal, o Sport lançou “Copa do Brasil 2008 – Há cinco anos o Brasil era rubro-negro”, com revelações de bastidores da segunda conquista nacional, como pressão de árbitro, viagens e orientações, editados por Rafael Silvestre. O Leão já contava com o levantamento de todos os seus jogos desde 1905, com três volumes. No primeiro, de 1905 a 1959, a diretoria do clube não apoiou no início e a capa, com baixo custo, foi preta e branca. A partir da segunda edição ela foi colorizada.

Livros do Sport: Copa do Brasil 2008 - Há cinco anos o Brasil era rubro-negro, e Retrospecto 1905/1959

A série “Sport – Retrospecto” continuou, enumerando todas as partidas do Leão de 1960 a 1999, seguindo o padrão adotado por Carlos Celso Cordeiro nos demais livros estatísticos dos grandes clubes do Recife. Nas capas três fases da Ilha, com os formatos da Copa de 1950, ampliação na década de 1970 e reforma em 1982.

Livros do Sport: Retrospecto 1960/1979 e 1980/1999

Durante muitos anos Fernando Bivar, irmão mais velho de Luciano e Milton Bivar, foi o curador do museu do Sport. Apreciador da história do clube, escrever alguns livros. Um deles foi “Coração Rubro-negro”, focando a importância da união do Leão em certas conquistas. Já o romance História da Garra Rubro-negra, editado pela Comunicarte, chama a atenção pela bela capa.

Livros do Sport: Coração Rubro-negro e Histórias da Garra Rubro-negra

A publicação “100 anos de história – O Clássico dos Clássicos” é, literalmente, a mesma do Náutico. A capa e a contracapa têm ilustrações distintas, uma para o Alvirrubro e outra para o Rubro-negro. São 25 capítulos para o Sport e 25 para o Náutico. A primeira edição, esgotada, teve 500 unidades. Também com uma linha romanceada, Costa Filho lançou as memórias de um paraibano louco pelo Sport, com “Meu coração de Leão”.

Livros do Sport: 100 anos de Clássico dos Clássicos e Meu coração de Leão

Autor do gol da vitória do Sport sobre o Santa Cruz por 6 x 5 na inauguração da Ilha do Retiro, em 1937, o saudoso Haroldo Praça também foi escritor. Com diversas crônicas sobre o futebol local, ele reuniu o material no livro “Gol de Haroldo”. Já a biografia “Clécio: o Halley” conta a vida do zagueiro, encontrado morto em um quarto de hotel aos 26 anos, em 2007. Revelado pelo Sport, Clécio viveu os altos e baixos no campo e fora dele.

Livros do Sport: Gol de Haroldo e Clécio, o Halley

Na década de 1980, Manoel Heleno escreveu dois livros sobre a história do Leão. Em 1985, no octogésimo aniversário do clube, saiu a primeira parte da “Memória Rubro-negra”, focando não só o futebol, mas a construção da identidade leonina na Ilha do Retiro. Em 1988 veio a segunda parte, compilando todos os fatos ocorridos de 1956 a 1988.

Livros do Sport: Memória Rubro-negra, volumes I e II

Há espaço também para os clubes intermediários. Começando pelos dois mais famosos, América, seis vezes campeão estadual, e Central, o maior do interior. Em 1990 o Alviverde da Estrada do Arraial ganhou um livro de Mário Filho, “O Periquito”. Já a Patativa viu a sua história contada por Zenóbio Meneses em “Meu Central, meu orgulho, minha paixão”, num esforço grande do torcedor/escritor. O livro foi publicado em espiral.

Livros "O Periquito", do América, e "Meu Central". Crédito: Washington Vaz

No embalo da fama de pior time do mundo, o jornalista Israel Leal conta a história do Íbis e todo o folclore que marca o famoso clube, no “O voo do Pássaro Preto”. Já Marcondes Moreno relembra a vida do Ypiranga, que cresceu paralelamente à cidade de Santa Cruz do Capibaribe, desde a era amadora.

Livros do Íbis (O voo do Pássaro preto) e Ypiranga (Azul e Branco)

Histórias de cabeceira de quem treinou com maestria

Livro "Reis do Futebol em Pernambuco"

Em primeira mão, a capa do pioneiro capítulo de uma série de livros que devrá contribuir bastante com a história do futebo de Pernambuco.

Uma parceria entre os pesquisadores Carlos Celso Cordeiro, Roberto Vieira e Lucídio Oliveira resultou na série “Reis do Futebol em Pernambuco”, dividida em cinco edições.

Na primeira parte, a história de 15 grandes técnicos no estado. Começando por Pimenta, que dirigiu a Cacareco em 1939, até Nelsinho, campeão nacional pelo Sport em 2008.

Em seguida, virão os livros sobre goleadores, goleiros e zagueiros. Já na gráfica, com 300 páginas, o primeiro será lançado em 3 de fevereiro de 2012, na Fundaj de Apipucos. O projeto “Reis do Futebol em Pernambuco” terá uma colaboração financeira da FPF.

Entre os pesquisadores, vale destacar a contribuição histórica de Carlos Celso Cordeiro, com 15 livros publicados com dados estatísticos sobre o futebol pernambucano desde o primeiro jogo realizado no Recife, em 1905, no Campo do Derby (veja aqui).

15 grandes técnicos? 15 atacantes? 15 goleiros? 15 zagueiros? Quem são…?

Finalmente, 500 Clássicos dos Clássicos

Estádio dos Aflitos

Náutico x Sport, o terceiro clássico mais antigo do Brasil.

O duelo iniciado em 1909 tem neste domingo, às 16h, nos Aflitos, o seu capítulo 500.

Esvaziado? Provavelmente, pois os dois clubes devem escalar equipes mistas, focando já a semifinal, na próxima semana. Evitar lesões é a meta maior.

Ainda assim, com titulares ou não, a história estará em jogo, como sempre. Confronto do luxo e da obsessão, digno do Clássico dos Clássicos!

Clássico dos Clássicos: Náutico x Sport, com os seus primeiros escudos499 jogos
193 vitórias do Sport (691 gols)
167 vitórias do Náutico (641 gols)
138 empates
1 placar desconhecido (de 1931)

Fonte: pesquisador Carlos Celso Cordeiro (veja AQUI).

“Mas eu achava que o clássico entre Sport e Náutico já tinha passado de 500 jogos…”

A polêmica tem cinco anos. Em 21 de outubro de 2006, o Leão e o Timbu se enfrentaram na Ilha do Retiro, pela Série B. Parte da imprensa considerou aquela partida como o 500º clássico da história. O Leão venceu por 2 x 0, gols de Fumagalli.

Baseado nos números de Carlos Celso Cordeiro, o Diario de Pernambuco não considerou os confrontos válidos pelo Torneio Início, pois os jogos festivos, disputados de forma intermitente entre 1919 e 1981, duravam entre 15 e 40 minutos, longe do que se considera uma partida oficial de futebol.

Dois dias antes daquele dia, o Diario “recontou” o clássico. Assim, foram retirados 22 jogos do extinto Torneio Início, além de uma vitória anulada do Timbu, em 1934.

Portanto, o Clássico dos Clássicos de número 500, de fato e de direito, será agora.

Veja a lista com os clássicos mais antigos do país clicando AQUI.

Perto de 500

Clássico dos Clássicos: Sport x Náutico (escudos antigos)

O Clássico dos Clássicos chega ao seu capítulo 497 no próximo sábado, nos Aflitos.

“Mas eu achava que o clássico entre Sport e Náutico já tinha passado de 500 jogos…”

A polêmica é antiga. Em 21 de outubro de 2006, o Leão e o Timbu se enfrentaram na Ilha do Retiro, também pela Série B. Parte da imprensa considerou aquela partida como o 500º clássico da história. O Leão venceu por 2 x 0, gols de Fumagalli.

Baseado nos números do pesquisador Carlos Celso Cordeiro (veja AQUI), o Diario de Pernambuco não considerou os confrontos válidos pelo Torneio Início, pois os jogos festivos (disputados de forma intermitente entre 1919 e 1981) duravam entre 15 e 40 minutos, longe do que se considera uma partida oficial de futebol.

Dois dias antes daquela partida em 2006, o Diario ‘recontou’ o clássico. Assim, foram retirados 21 jogos do extinto Torneio Início. Houve também uma vitória do Timbu que foi anulada, em 1934. Desta forma, o jogo de número 500 deverá acontecer no returno do Pernambucano de 2011. Aí sim, de fato e de direito.

496 jogos
193 vitórias do Sport (688 gols)
167 vitórias do Náutico (638 gols)
135 empates
1 jogo de placar desconhecido (disputado em 1931)

Vale lembrar que o centenário Clássico dos Clássicos é o 3º confronto mais antigo do país. Reveja os clássicos brasileiros mais antigos AQUI.

Uma vida dedicada à história

Livro do Náutico 1909-1969Carlos Celso Cordeiro. Pernambucano de Tabira, 66 anos. Morador do Recife.

Um alvirrubro fanático, da época do hexa. Mas, sobretudo, um apaixonado pelo futebol pernambucano. Um abnegado em resgatar a história do nosso futebol, perdido nas páginas amareladas dos jornais da capital.

Pesquisador nato, Carlos Celso sempre colecionou todos os dados possíveis sobre os resultados dos times do Recife. Primeiro em cadernos, depois no seu computador. E assim, mesmo sem apoio, passou a publicar livros em série sobre Náutico, Sport e Santa.

O primeiro, em 1996, com um levantamento estatístico de todos os jogos do Timbu entre 1909 e 1969 (foto). Depois foram mais dois volumes, até 1999. Os dois rivais também têm três livros com as partidas até 1999.

Saíram ainda, com esforço, o livro dos 100 anos do Clássico dos Clássicos, a história do Estadual (dois volumes) e o retrospecto dos atacantes alvirrubros Bita e Kuki.

Agora, chega o 5º livro no período de um ano. O 15º da carreira, com o 4º volume da história do Náutico, compilando resultados de 2000 a 2009, com destaque para os três títulos pernambucanos do Timbu na década vigente. Colaborador do blog, Carlos Celso escreveu a série Futebol Pernambucano – Ano Zero, dividida em seis capítulos.

Confira a série: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte 6.

13 gols: 5 horas e 1 minuto de empate

Durante 5 horas, entre o gol do alvirrubro Gilmar, às 15h55 de quinta-feira, e o gol do centralino Fábio Silva, às 20h56 do mesmo dia, o Pernambucano chegou a ter um empate entre 4 atacantes na briga pela artilharia!

Todos com 13 gols, faltando apenas 3 rodadas… Representantes dos 3 times da capital e do maior clube do interior. Algo raríssimo. Tanto que nesse momento – quando estavam empatados – eu conversava sobre o assunto com o pesquisador Carlos Celso Cordeiro, próximo ao alambrado dos Aflitos, vendo a fácil vitória timbu.

Corrida de cavalos“Cassio… Essa pesquisa nem vai adiantar fazer dessa vez… Pois nunca tinha visto algo assim no Pernambucano!”

Para Carlos Celso dizer algo assim, é porque estamos diante de algo inédito mesmo… 8-O Fato que mereceu destaque no Blog de Lédio Carmona, do SportTV (veja AQUI)

A última vez que a artilharia ficou dividida foi em 2001, quando Kuki e Rodrigo Gral (ex-Sport) marcaram 14 vezes (confira a lista de artilheiros clicando AQUI). Nunca, porém, o status foi compartilhado por mais de 2 jogadores…

De qualquer forma, Fabio Silva fez o gol de empate do Central diante do Ypiranga, no Lacerdão, e deu um passo a mais que os rivais. Se no Santa, a artilharia de Marcelo Ramos é considerada “projeto do clube”, o mesmo ocorre na Patativa, que nunca teve o goleador máximo do Estadual.

Quem é o favorito na briga pela artilharia? Você acredita em um empate na disputa? Opine!

14 gols – Fábio Silva (Central)

13 gols – Marcelo Ramos (Santa Cruz)

13 gols – Ciro (Sport)

13 gols – Gilmar (Náutico)

Malaquias 235

Campo da Avenida MalaquiasUm dia o local abrigou a sinuca da Ilha do Retiro. Depois, virou o Fiteiro da Bola, filial do famoso bar da Tamarineira. A idéia, porém, não deu certo. Agora, uma nova tentativa. O espaço nobre localizado na sede do Sport será ocupado pelo Bar Malaquias 235.

A inauguração será nesta segunda-feira, às 19h. O nome do bar é uma homenagem ao primeiro estádio do Leão, o Campo da Avenida Malaquias (foto). Leia mais sobre o estádio clicando AQUI. O Sport jogou lá entre 1918 e 1937. Quantas vezes? Exatamente 235.

A idéia do novo nome foi de Fernando Bivar, irmão mais velho do agora presidente do Conselho Deliberativo, Milton. Ele contou com a ajuda do alvirrubro, e pesquisador, Carlos Celso Cordeiro, que fez o levantamento das partidas.

“Fernando cuida do museu do Sport e me chamou para uma visita lá, pois ele já tinha me citado como fonte quando escreveu um livro sobre o clube, há 4 anos. Conversamos bastante e passei o número de partidas na Malaquias. Mas foi só uma visita ao Sport. Sou alvirrubro!”, disse Carlos Celso, já ‘justificando’. :-D

O nome do bar – que funcionará principalmente nos dias de jogos na Ilha – marcará também a passagem dos 90 anos da construção do antigo estádio, inaugurado em 2 de junho de 1918, com a vitória do Sport sobre o Torre por 4 x 3. Nesta noite, Fernando Bivar deverá exibir fotos antes do Sport durante a inauguração. Vale a pena conferir.

94 anos, 62 times, 7 campeões, 2 rankings

Classificação geral (1915/2008) dos 12 participantes do Estadual 2009Contabilizando as 94 edições do Campeonato Pernambucano (1915/2008), como ficaria o ranking histórico da competição? O pesquisador Carlos Celso Cordeiro teve a paciência de fazer o somatório de todas as campanhas dos 62 times que já participaram da 1ª divisão pernambucana.

Ao lado, as colocações dos 11 participantes da edição de 2009 (compilação de pontos). Apenas o Acadêmica Vitória não consta na tabela. Apesar de ter herdado 99% da Desportiva Vitória (até o presidente…), legalmente, trata-se de outro time.

Classificação geral segundo o Blog dos NúmerosJá o Blog dos Números, editado por Adethson Leite elaborou uma tabela detalhada levando em consideração a posição do clube no campeonato (ao lado). Assim, um título vale 50 pontos, enquanto o vice leva 30 e o 3° lugar recebe 20. Todas as colocações valem pontos. No entanto, a quantidade varia (a partir do 5° colocado) de acordo com o número de participantes.

Nos 2 rankings, a única mudança é entre Salgueiro e Cabense, no final da tabela. No ranking de Adethson, o Central caiu do 4° para o 5° lugar devido aos 6 títulos pernambucanos do América, que pesaram bastante.

Ano zero do futebol pernambucano – 6

Rua da Imperatriz

Por Carlos Celso Cordeiro*

Continua a criação de novos clubes em 1914. Os jogos passam a ter maior divulgação na imprensa escrita. Dentre os novos clubes, dois merecem citação especial: Santa Cruz Futebol Clube e Sport Club Flamengo. Originalmente, o Santa Cruz adotou o preto e o branco para suas cores.

Em 1915, quando da disputa do primeiro campeonato pernambucano, mudou para vermelho, preto e branco para não ficar igual ao Flamengo que também era alvinegro. A decisão de quem mudaria as cores foi feita por sorteio, conforme registrado no livro História do Futebol em Pernambuco, de Givanildo Alves. E o Santa Cruz passou a ser tricolor.

Os jornais anunciavam, frenquentemente, os jogos do Santa Cruz que iriam ser realizados. Nas datas após estes jogos, contudo, dificilmente encontra-se referência a estas partidas. De acordo com o livro História do Futebol em Pernambuco, o primeiro jogo do Santa Cruz foi realizado no dia 08/03/1914, na Campina do Derby, contra o Rio Negro FC. O Santa venceu por 7×0.

Finalmente, no dia 16 de junho de 1915, foi criada a Liga Sportiva Pernambucana para organizar os Campeonatos Pernambucanos. Esta Liga prosperou. Ao longo do tempo mudou de nome algumas vezes e é hoje a Federação Pernambucana de Futebol. Participaram da criação da Liga os seguintes times: Centro Sportivo do Peres, Torre Sport Club, Sport Club Flamengo, João de Barros Foot-ball Club, Colligação Sportiva Recifense e Santa Cruz Foot-ball Club.

Com a criação da Liga, o futebol Pernambucano ganha nova motivação. O primeiro jogo foi disputado entre os times do Santa Cruz e da Colligação SR, no dia 1 de agosto de 1915 (vitória tricolor por 1 x 0). O Flamengo, fundado em 20/04/1914, foi o primeiro campeão pernambucano. Com o passar do tempo, o Flamengo perdeu importância. Seus últimos anos foram marcados por derrotas de goleada. Despediu-se do Estadual em 1949 e terminou fechando as portas.

Veja todos os resultados do Estadual de 1915 clicando aqui.

* Carlos Celso Cordeiro é escritor e pesquisador do futebol pernambucano

Confira a história completa: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5.

Ano zero do futebol pernambucano – 5

Antigo Mercado do Derby

Por Carlos Celso Cordeiro*

Numa segunda tentativa de organizar o Campeonato Pernambucano, em agosto de 1913, foi fundada uma outra Liga, que também foi denominada Liga Pernambucana de Foot-ball. Esta Liga, organizou um campeonato com os seguintes clubes: Recife Club, Pernambuco Sport Club, Sport Club Olindense e Caxangá Foot-ball Club.

O returno deste campeonato chegou a ser iniciado, mas não foi concluído. O Olindense não compareceu ao jogo do 2º turno contra o Pernambuco e, pelo regulamento, perdeu por WO. Tudo leva a crer que a partir daí começaram os desentendimentos e o campeonato não continuou. Esta Liga de 1913 também não prosperou.

A atividade dos times do Náutico, do Sport, e dos clubes de ingleses, foi muito pequena em 1914. Localizamos um único jogo do Sport e nenhum do Náutico. Uma nota, publicada no “Jornal Pequeno” de 23/04/1914, dá a dimensão da pequena atividade futebolística de Náutico e Sport em 1914. Esta nota é, na realidade, a transcrição de uma carta enviada àquele Jornal.

“Ilmos srs redactores do Jornal Pequeno. Pedimos a publicação do seguinte: Chegando ao meu conhecimento que diversos rapazes do sympathico Club Náutico Capibaribe, organizarão um team para, no próximo domingo, bater-se com um team de inglezes ou o team do Telegrapho, venho por meio destas humildes linhas louvar o procedimento dos dignos moços pois, desde que o Sport Club do Recife não tenha um team como ficou provado pelo officio do qual vv.ss. deram noticia só existia um meio para termos um jogo de estímulo para os mesmos jogadores do Sport Club. E por este meio vamos ter no próximo domingo com a perda ou a victoria do team de brazileiros. Agradecendo desde já a publicação destas humildes linhas na secção de sports, subscrevemo-me attenciosamente – de vv. ss. amigo e agradecido – Um foot-baller.”

* Carlos Celso Cordeiro é escritor e pesquisador do futebol pernambucano.

Confira a história completa: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 6.