Viajando no tempo

Por Carlos Celso Cordeiro*

Quando o futebol foi introduzido em Pernambuco, no ano de 1905, os jogos eram disputados no campo do Derby, então chamado “Campina do Derby”, e no “Parque Santana”. O campo do Derby ainda existe. Lá foi erguido um monumento alusivo à realização da 1ª partida de futebol no Recife. Este campo fica na Praça do Derby, em frente ao Quartel da Polícia Militar, responsável por sua manutenção. O campo do Parque Santana não existe mais. Ficava localizado nas imediações do Hiper de Casa Forte.

Com o crescente interesse pelo futebol em Recife, a partir de 1911, começaram a aparecer os campos suburbanos. Vamos nos ater aos campos mais importantes, os utilizados para jogos do Campeonato Pernambucano, cujo início se deu no ano de 1915. Primeiro surgiu o campo do “British Club”, um clube de ingleses. Este campo ficava por trás de onde é hoje o Museu do Estado e tinha como vantagem o fato de ser “cercado”. Depois, em 1917, a LIGA (como era chamada a Federação Pernambucana de Futebol naquela época) arrendou um terreno para construir o campo dos Aflitos. Após um ano, a LIGA desistiu do campo e o Náutico assumiu o arrendamento. Posteriormente, o Náutico comprou o terreno e este campo é o hoje Estádio dos Aflitos.

Em 1918, os ingleses saíram do “British Club”. O campo passou a ser do América até o final de 1919. Em 1920, o América passou a ter o seu campo na Jaqueira (no Parque da Jaqueira). Em meados dos anos 30, este campo, passou a ser do Tramways. Em 1918, o Sport construiu seu campo na Avenida Malaquias, onde ficou até 1937, quando se transferiu para a Ilha do Retiro. No campo da Avenida Malaquias, o Sport instalou arquibancadas de madeira, adquiridas ao Fluminense do Rio. Na Ilha do Retiro o Sport começou a construção de moderno estádio que serviu de palco para um dos jogos da Copa do Mundo de 1950.

Quando o Sport saiu da Avenida Malaquias, o América assumiu este campo por um pequeno período. Os locais onde foram os campos do British Club e da Avenida Malaquias, hoje estão ocupados por prédios e avenidas. O local onde foi o campo da Jaqueira é parte, hoje, do Parque da Jaqueira, um dos pulmões da cidade do Recife. Nos anos 40, o Santa Cruz adquiriu o campo do Arruda, onde, nos anos 60/70, ergueu o Estádio do Arruda, apelidado de “Mundão do Arruda”. Antes da construção do Estádio do Arruda, o campo do Santa Cruz era utilizado principalmente para treinos. Algumas vezes foi utilizado para jogos amistosos e era conhecido como o “Alçapão do Arruda”.

Nota: Antes de ser adquirido pelo Santa Cruz, o campo do Arruda pertenceu à Associação Atlética do Arruda (AAA), conhecido como o clube da “Trinca de Az” e, posteriormente, ao Tabajaras.

*Carlos Celso Cordeiro é escritor e pesquisador do futebol pernambucano. Já publicou livros com os retrospectos de todos os jogos de Náutico e Sport (além do Campeonato Pernambucano), e se prepara para lançar a coleção com todas as partidas do Santa Cruz.

Ilha do Retiro – Parte VII

Vista geral da Ilha do RetiroA Ilha do Retiro poderá passar por mais uma transformação em breve. E não estou falando do gramado, que já era uma questão mais do que necessária (e que será finalmente trocado), mas sim de uma possível 7ª ampliação do estádio rubro-negro.

Inaugurado em 1937 e com capacidade atual para 34.500 pessoas, o estádio Adelmar da Costa Carvalho vem sendo alvo de um estudo sobre a viabilidade das lacunas da Ilha, entre a arquibancada frontal e as duas gerais.

Dirigentes do Sport evitam comentar sobre assunto, mas o presidente do clube, Milton Bivar, já revelou até o nome da empresa, em uma coletiva virtual no site do clube. A empresa é a Plurisport, a mesma que está desenvolvendo o projeto do novo estádio do Palmeiras. Um plano B vem sendo traçado há bastante tempo junto à portuguesa Lusoarenas, que construiria um estádio para ser compartilhado por Sport e Náutico. “Estamos dando andamento a duas propostas de estudo de viabilização”, disse Bivar.

O assunto foi levantado logo após o título da Copa do Brasil, pois a torcida rubro-negra (sem medo de pensar grande) já questionou sobre a capacidade do estádio, uma vez que para a final da Taça Libertadores o mínimo exigido é um estádio com 40 mil lugares. Tudo bem que o recorde da Ilha é de quase 57 mil pessoas (antes da última ampliação), mas isso não serve como parâmetro, pois aquela partida (em 1998) estava longe das atuais normas de segurança da Fifa.

Entre os projetos, estão o complemento da arquibancada no lado do sapotizeiro e até mesmo a construção de camarotes no lado oposto (ao lado da geral do placar). Em 2007, o então vice-presidente de futebol leonino, Homero Lacerda, afirmou que o projeto do Sport era fechar todo o anel do estádio até 2012.

Vista do setor de cadeirasRaio-x da Ilha
Capacidade: 34.500 pessoas
Recorde de público: 56.875 espectadores (Sport 2 x 0 Porto, em 7 de junho de 1998)
Área construída: 10 mil metros quadrados
Custo por jogo: R$ 9.570
Funcionários por jogo: 204
Dimensões do campo: 105 metros x 78 metros
Inauguração: Sport 6 x 5 Santa Cruz (4 de julho de 1937)
Primeiro gol: Artur Danzi (Sport)
Ampliações: 1938, 1950, 1955, 1984, 1996 e 2007
158 camarotes, 10 cabines para a imprensa e 2 elevadores

Fotos: Juliana Leitão/DP (2007)

Cabe mais uma estrela?

LeãoOs dirigentes do Sport ofereceram nesta semana uma premiação recorde de R$ 3 milhões para o elenco, caso o Leão consiga o bicampeonato brasileiro. O Rubro-negro inicia amanhã, contra o Botafogo, na Ilha do Retiro, essa luta que a princípio parece ser inglória. Após as primeiras 19 rodadas do Brasileirão (50% da Série A), o Sport soma 27 pontos, 14 a menos que o líder Grêmio. O aproveitamento do time pernambucano é de 47,36%, bem abaixo dos cinco campeões nacionais na era do pontos corridos (desde 2003).

O Corinthians foi o campeão brasileiro com o menor índice de pontuação (o Cruzeiro teve o maior, logo no primeiro ano). Para tentar pelo menos igualar a marca do Timão, o Leão precisará somar mais 46 pontos nas próximas 19 rodadas (somando 73 ao todo). Supondo que o Sport vença os dez jogos em casa (30 pontos), ainda precisará de cinco vitórias (15) e um empate fora de casa. Ou seja: só poderá perder 3 vezes.

Convenhamos, não é fácil dar uma arrancada assim, nem que o prêmio fosse de R$ 6 milhões (valor integral da premiação dada pela CBF ao vencedor da Série A).

Aproveitamento dos campeões brasileiros (pontos corridos)

2003 – 72,46% (Cruzeiro)
2004 – 64,49% (Santos)
2005 – 64,28% (Corinthians)
2006 – 68,42% (São Paulo)
2007 – 67,54% (São Paulo)

Boa sorte, Leão! Para somar pontos, a equipe precisará deixar a timidez de lado quando estiver longe da Ilha.

Sobre o filme Missão Impossível, você pode ler mais AQUI.

35 anos do Terror do Nordeste

Ramón - Santa CruzA época atual do Santa Cruz é terrível, caminhando para irreversível. E é desnecessário citar aqui os motivos, porque se você está lendo este post – e tem o mínimo de interesse em esportes – é provável que saiba exatamente quais são. Empolgada e apaixonada, a torcida tricolor segue acreditando no time, que ainda tem, sim, condições de se recuperar na Terceirona. E se essa torcida é mesmo louca pelo clube, um dos motivos para isso (esse sim, digno de recordação para você, internauta) é o 35º aniversário do pentacampeonato pernambucano, que acontece hoje.

A campanha do título estadual de 1973 foi mesmo fantástica. Em 36 jogos, o Tricolor venceu 29, empatou seis e perdeu apenas um. Teve o artilheiro, Luciano Veloso, com 25 gols, e o vice artilheiro, Ramón (foto), com 22. Na decisão, bateu o Sport por 2 x 0, em plena Ilha do Retiro, e festejou a conquista seguida, mostrando o seu domínio nos anos 70, quando chegou a ficar na colocação do Brasileirão (em 75).

Sport 0 x 2 Santa Cruz

Data: 15/08/1973. Local: Ilha do Retiro. Juiz: José Marçal Filho. Público: 36.459 pagantes; Renda: Cr$ 227.217,00. Gols: Ramon (2) (SC).
Santa Cruz: Gilberto; Gena, Antonino, Paulo Ricardo e Botinha; Erb, Luciano Veloso e Givanildo; Walmir (Zito), Fernando Santana (Zé Maria) e Ramon.
Sport: Adeildo; Djair, Lima, Cidão e Marcos; Drailton, Odilon e Ronaldo (Meinha); Ditinho, Maranhão (Mário) e Ivanildo.

O centroavante Ramón – que marcou os dois gols do título de 73 – se tornaria no mesmo ano o primeiro jogador de um clube nordestino a conseguir a artilharia do Campeonato Brasileiro da Série A, com 21 gols. Série A… O Santa já esteve lá sim (e até bem pouco tempo atrás, diga-se), mas agora precisa de uma severa reformulação para voltar um dia.

Santa Cruz, Santa Cruz junta mais essa vitória.
Santa Cruz, Santa Cruz, ao teu passado de glória.
(bis)

És o querido do povo, terror do Nordeste no gramado.
Tuas vitórias de hoje, nos lembram vitórias do passado.
Clube querido da multidão, tu és o supercampeão.
(bis)

Obs. Os resultados de hoje NÃO lembram as vitórias do passado, que é coberto de glórias. Glórias que seguem alimentando a paixão coral.

Espírito da Copa do Brasil

Caldeirão da Ilha ferveu na Copa do BrasilA coluna semanal do Blog no Diario de Pernambuco trouxe nesta segunda-feira o primeiro texto enviado por um internauta. Curiosamente, o comentário do rubro-negro Rodrigo Peixe, de 22 anos, foi feito antes da vexatória derrota do Sport diante do Coritiba por 3 x 0, no Couto Pereira, no domingo. Apático em campo, os jogadores leoninos acabaram dando razão a Rodrigo… A queixa é recorrente entre os torcedores, que exigem uma boa campanha do Leão na Série A, para fechar o ano de 2008 com chave de ouro.

Abaixo, o texto publicado na coluna:

“O Sport precisa voltar a ferver. Aquela raça da Copa do Brasil parece que se esvaiu (salvo algumas exceções). É de dar raiva ver alguns jogos do Sport ultimamente. Sem vontade, com medo de ir pra cima principalmente nas partidas fora de casa. O time ‘pediu’ um prazo pra se recuperar da conquista da Copa do Brasil, mas esse prazo já venceu. Está na hora do time acordar, porque o Campeonato Brasileiro é traiçoeiro, e em poucas rodadas vai do céu ao inferno sem escala”

Você também pode participar. Basta acessar o “Parla, Torcedor!

Obs. A foto que ilustra este post foi feita por Osmário Marques, diagramador do Diario de Pernambuco e (bom) estudante de fotografia. Ela foi feita na noite do inesquecível título da Copa do Brasil do Sport, sobre o Corinthians, em 11 de junho. Naquela noite, 34 mil rubro-negros fizeram o caldeirão ferver. É isso que a torcida quer novamente.

Link com a página de Osmário no Flick: http://www.flickr.com/photos/osmariomarques

Clássico dos Clássicos rumo aos 100 anos

 
Primeiros escudos de Sport e Náutico
Primeiros escudos de Sport e Náutico
Já começou a contagem regressiva para o centenário do clássico mais antigo do Nordeste. Falta menos de um ano (mais precisamente 350 dias), pois às 16h do dia 25 de julho de 1909 começava o primeiro Sport x Náutico da história, ou simplesmente Clássico dos Clássicos, como ficou conhecido décadas depois. Naquela tarde, o Alvirrubro fazia a primeira partida de futebol de sua história (o clube foi fundado em 1901, mas para a prática de esportes aquáticos, como “sugere” o nome).
 
E que estréia do Náutico! Venceu por 3 x 1, no campo do British Club, com um público estimado em 3 mil pessoas (um verdadeiro evento social na cidade naquele dia). O duelo entre rubro-negros e alvirrubros é o 3° mais velho do Brasil, ficando atrás apenas do Clássico Vovô (entre os cariocas Fluminense e Botafogo, que jogaram em 22 de outubro de 1905) e do Gre-Nal (entre Grêmio e Internacional, cuja partida foi apenas uma semana antes do clássico pernambucano). 

Em 21 de outubro de 2006, Sport e Náutico se enfrentaram na Ilha do Retiro, pela Série B. Parte da imprensa considerou aquela partida como o clássico de número 500 (o Leão venceu por 2 x 0, gols de Fumagalli). Baseado nos números do pesquisador Carlos Celso Cordeiro (autor de coleções completas com todos os jogos da história do Náutico, do Sport e do Campeonato Estadual), o Diario não considerou os confrontos válidos pelo Torneio Início, pois os jogos festivos (disputado de forma intermitente entre 1919 e 1981) duravam entre 15 e 40 minutos.

Mas dois dias antes daquela partida, o Diario ‘recontou’ o clássico. Assim, foram retirados 22 jogos. Houve também uma vitória do Timbu que foi anulada, em 1934. Assim, já contando a vitória do Sport no Brasileirão deste ano, por 2 x 0, no Aflitos, foram realizados 488 clássicos. Se os rivais mantiverem uma média de quatro duelos por ano, o tão aguardado 500° duelo poderá ocorrer em 2011.

Clássico dos Clássicos
488 jogos

191 vitórias do Sport
165 vitórias do Náutico
131 empates
1 jogo de placar desconhecido (disputado em 29 de março de 1931, mas sem registro nos jornais dos dias seguintes)  

Clássicos “extras”
22 jogos do Torneio Inicio

5 vitórias do Sport
4 vitórias do Náutico
13 empates

1 jogo anulado (vitória do Náutico, em 16 de dezembro de 1934)

Ilha precisa voltar a ferver

Após perder 3 posições na classificação do Brasileiro (agora é o 10° lugar), o Sport tentará voltar vencer na Ilha do Retiro nesta quarta-feira, diante da Portuguesa. Para este jogo, os torcedores já preparam a volta do “espírito da Copa do Brasil”, com sinalizadores nas arquibancadas. Um colorido especial, que deixa o estádio com uma cara de ‘caldeirão’ mesmo, e a pressão acaba aumentando. Mas essa aura precisa ser assimilada pelo time rubro-negro também. Se na Copa do Brasil foram 6 vitórias avassaladoras em 6 jogos, o desempenho no Brasileiro vem deixando a desejar.

O Leão é apenas o 11° melhor mandante, com 17 pontos conquistados no estádio Adelmar da Costa Carvalho. Posição abaixo da média histórica do time, que sempre conquistou a grande maioria dos seus pontos em casa. Com 70,8% de aproveitamento (até razoável), o Sport está bem atrás do líder Palmeiras, que tem 91,7%. Mas para manter o time no pelotão da cima, a torcida rubro-negra deverá se apresentar mais um vez, com muito barulho e energia positiva. Já a situação do Náutico preocupa ainda mais, pois o Timbu está em 15° neste quesito, com 51,9% (um índice que seria aceitável na competição apenas somando os jogos como mandante e visitante). O Alvirrubro, aliás, perdeu os dois últimos jogos nos Aflitos, ambos por 2 x 1, para Coritiba e Figueirense.

Classificação dos mandantes na Série A

1° Palmeiras – 22 pontos / 8 jogos – (91,7%)
2° Cruzeiro – 22 / 9 (81,5%)
3° Vitória – 21 / 9 (77,8%)
4° Grêmio – 21 / 9 (77,8%)
5° São Paulo – 20 / 9 (74,1%)
6° Botafogo – 19 (79.2%)
7° Internacional – 19 / 8 (79,2%)
8° Atlético-MG – 18 / 8 (75%)
9° Vasco – 17 / 8 (70,8%)
10° Coritiba – 17 / 8 (70,8%)
11° Sport – 17 / 8 (70,8%)
12° Flamengo – 16 / 9 (59,3%)
13° Portuguesa – 16 / 9 (59,3%)
14° Figueirense – 15 / 8 (62,5%)
15° Náutico – 14 / 9 (51,9%)
16° Atlético-PR – 14 / 9 (51,9%)
17° Santos – 12 / 8 (50%)
18° Goiás – 12 / 8 (50%)
19° Ipatinga – 11 / 9 (40,7%)
20° Fluminense – 11 / 9 (40,7%)