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Um espaço para aprender e renascer

Casa de Apoio ao Idoso Vovó Bibia, no Cordeiro, muda a vida de idosos através de atividades de educação e lazer que aumentam a autoestima

Maria de Fátima do Nascimento, 62 anos, busca escapar dos sintomas da depressão. Jaciara Shiranush, 77, ensina a dança do ventre como voluntária. A Casa de Apoio ao Idoso Vovó Bibia, no bairro do Cordeiro, no Recife, é frequentada por cerca de 30 pessoas. Antes da epidemia de chikungunya, tinha o dobro. Não é um abrigo. É um espaço para aprender, empreender, relacionar-se. Com a convivência cada vez mais próxima junto aos moradores do bairro, a coordenação da casa percebeu sinais de algo grave: a violência contra o idoso. Era hora de chamar as famílias e levar o debate às escolas.

Os coordenadores da casa criaram, então, em 2012, o projeto Renovando famílias com educação, talento e arte. “A ideia é promover a inclusão da pessoa idosa com foco na diminuição da violência contra ela na família. Por isso a necessidade de fortalecer ações de cultura de paz integradas com a cultura do artesanato e a promoção do aumento da renda familiar, através da venda dos produtos e resultados dos cursos de formação profissional feitos na casa”, explica Aparecida Brito, diretora de projetos sociais.

Jaciara Shiranush pratica caratê e ensina dança do ventre como voluntária - Foto: Peu Ricardo/DP

Jaciara Shiranush pratica caratê e ensina dança do ventre como voluntária – Foto: Peu Ricardo/DP

A iniciativa foi abraçada pelas escolas Antônio de Brito Alves e Aventura do Pinóquio, mas, por falta de verba, quase chega ao fim este ano. “Apresentamos nosso projeto ao Porto Social e terminamos aprovados. Com a capacitação, acreditamos que vamos conseguir apoio para continuar o trabalho”, completa Aparecida, que divide a responsabilidade da casa com mais sete irmãos. A ONG foi uma das 50 escolhidas para ter um projeto incubado durante um ano no Porto Social. Os participantes receberão mentoria nas áreas de gestão, planejamento, elaboração de projetos e comunicação.

Vovó Bibia, que deu nome ao lugar, chamava-se Severina de Araújo Brito. Morreu há dez anos e deixou um sonho realizado. Um espaço de resgate da cidadania da pessoa idosa e de sua família. Seus oito filhos cuidam da casa como voluntários. Cresceram com a mãe levando moradores de rua e pessoas doentes para casa. Aprenderam cedo o valor da solidariedade. Bibia seguia os passos de dom Helder Camara.

Espaço é frequentado majoritariamente por mulheres que desejam ocupar de forma criativa o tempo ocioso. - Foto: Peu Ricardo/DP

Espaço é frequentado majoritariamente por mulheres que desejam ocupar de forma criativa o tempo ocioso. – Foto: Peu Ricardo/DP

A casa, na Rua Frei Teófilo  Virgoleta, 134, tem espaço para a prática de artesanato, dança, educação física e encaminhamento jurídico e de saúde. O espaço sobrevive com doações de pessoas físicas e, por mês, seu aluguel custa R$ 1,6 mil, valor considerado alto.

“O médico disse para eu  ocupar a mente. Assim eu ficaria curada de forma mais rápida”, diz Maria de Fátima. Francisco dos Santos, 88, foi pedreiro e hoje ajuda a recepcionar pessoas na Casa Vovó Bibia. É um dos poucos homens do espaço, frequentado majoritariamente por mulheres. Todos desejam a continuidade do local onde passam parte de um tempo que poderia ser ocioso. Quem quiser colaborar com ajuda financeira pode enviar e-mail para casavovobibia@hotmail.com.

A ideia é promover a inclusão da pessoa idosa com foco na diminuição da violência contra ela na família.

Aparecida Brito

Diretora de projetos sociais

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