Vencedores do Janeiro

Com festa que começou no Teatro Apolo e terminou no pátio interno do Centro Apolo-Hermilo, ao som do DJ Pepe Jordão, foram entregues na noite deste domingo os prêmios do 18º Janeiro de Grandes Espetáculos. O Troféu Apacepe de Teatro e Dança elegeu peças como Essa febre que não passa, do Coletivo Angu de Teatro, melhor montagem adulta pelo júri oficial, e Eu vim da Ilha, da Companhia de Dança do Sesc Petrolina, como melhor espetáculo de dança. O infantil campeão foi Assim me contaram, assim vou contando, da Cia. Enlassos.

Essa febre que não passa, do Coletivo Angu. Foto: Ivana Moura/ DP/ DA Press.

VENCEDORES DO PRÊMIO APACEPE DE TEATRO E DANÇA 2012

CATEGORIA DANÇA

MELHOR ESPETÁCULO PELO JÚRI OFICIAL: Eu vim da Ilha (Companhia de Dança do SESC Petrolina)
Também foram indicados:
- Dark room (Cia. Etc)
- Ela sobre o silêncio (Helijane Rocha / O Solo do Outro)
- Ilhados: Encontrando as pontes (Grupo Experimental)

MELHOR ESPETÁCULO PELO JÚRI POPULAR: Noite de Performances Corpos Compartilhados (Coletivo Lugar Comum)

MELHOR CENOGRAFIA: Dark room (Cia. Etc)
Também foram indicados:
- Helijane Rocha (Ela sobre o silêncio)
- Henrique Celibi (Ilhados: Encontrando as pontes)
- Companhia de Dança do SESC Petrolina (Eu vim da Ilha)

MELHOR FIGURINO: Gustavo Silvestre (Sobre mosaicos azuis)
Também foram indicados:
- Patrícia Pina Cruz (Sob a pele)
- Eric Valença (Ilhados: Encontrando as pontes)
- Maria Agrelli (Eu vim da Ilha)
- Ivaldo Mendonça e Helijane Rocha (Ela sobre o silêncio)

MELHOR COREOGRAFIA:  Ela sobre o silêncio (Helijane Rocha)
Também foram indicados:
- Ilhados: Encontrando as pontes (Mônica Lira e Rafaella Trindade)
- Espaçamento (Cláudio Lacerda)
- Eu vim da Ilha (Jailson Lima)
- Sobre mosaicos azuis (Januária Finizola)

Eu vim da Ilha, da Cia de Dança do Sesc Petrolina. Foto: Chico Egídio/ Divulgação.

MELHOR TRILHA SONORA:  Sônia Guimarães (Eu vim da Ilha)
Também foram indicados:
- Adriana Milet (Ilhados: Encontrando as pontes)
- Missionário José (Estar aqui ou ali?)
- Rua (Caio Lima e Hugo Medeiros) e Marcelo Sena (Dark room)
- Moésio Belfort (Aluga-se um coração)

MELHOR ILUMINAÇÃO:  Saulo Uchôa (Dark room)
Também foram indicados:
- Beto Trindade (Ela sobre o silêncio)
- Beto Trindade (Ilhados: Encontrando as pontes)

MELHOR BAILARINO:  Kleber Lourenço (Estar aqui ou ali?)
Também foram indicados:
- André Vitor Brandão (Eu vim da Ilha)
- Alexandre Santos (Aluga-se um coração)
- Cláudio Lacerda (Espaçamento)

MELHOR BAILARINA:  Januária Finizola (Sobre mosaicos azuis)
Também foram indicadas:
- Patrícia Pina Cruz (Sob a pele)
- Carol Andrade (Eu vim da Ilha)
- Rafaella Trindade (Ilhados: Encontrando as pontes)
- Helijane Rocha (Ela sobre o silêncio)

CATEGORIA TEATRO PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE

MELHOR ESPETÁCULO PELO JÚRI OFICIAL:  Assim me contaram, assim vou contando… (Enlassos Cia. de Teatro)
Também foram indicados:
- Valentim e o Boizinho de São João (Cia. Máscaras de Teatro)
- Algodão doce (Mão Molenga Teatro de Bonecos)
- Nem sempre Lila (Grupo Quadro de Cena)

MELHOR ESPETÁCULO PELO JÚRI POPULAR: O Urubu Cor de Rosa (Grupo Scenas)

MELHOR DIRETOR:  Marcondes Lima (Algodão doce)
Também foram indicados:
- Sebastião Simão Filho (Valentim e o Boizinho de São João)
- Márcio Fecher e Mayara Millane (Assim me contaram, assim vou contando…)

MELHOR ATOR:  Márcio Fecher (Assim me contaram, assim vou contando…)
Também foi indicado:
- Fábio Caio (Algodão doce)

MELHOR ATRIZ:  Mayara Millane (Assim me contaram, assim vou contando…)
Também foi indicada:
- Andreza Nóbrega (Nem sempre Lila)

MELHOR ATOR COADJUVANTE:  Thomás Aquino (Nem sempre Lila)
Também foram indicados:
- Lano de Lins (O Circo do Futuro – Uma aventura musical)
- Antônio Carlos (Valentim e o Boizinho de São João)

Nem sempre Lila, da Quadro de Cena. Foto: Rodolfo Araújo/ Divulgação.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:  Marcella Malheiros (Nem sempre Lila)
Também foi indicada:
- Olga Ferrario (Caxuxa)

ATOR REVELAÇÃO: Diego Lucena (Valentim e o Boizinho de São João)

ATRIZ REVELAÇÃO: Não houve indicação

MELHOR FIGURINO:  Célio Pontes (O Circo do Futuro – Uma aventura musical)
Também foram indicados:
- Fabiana Pirro (Caxuxa)
- Marcondes Lima (Algodão doce)

MELHOR CENÁRIO:  Duas Companhias (Caxuxa)
Também foi indicado:
- Marcondes Lima (Algodão doce)

MELHOR MAQUIAGEM:  Java Araújo (O Urubu Cor de Rosa)
Também foram indicados:
- Vinícius Vieira (Pluft, o fantasminha)
- Márcio Fecher e Mayara Millane (Assim me contaram, assim vou contando…)

MELHOR TRILHA SONORA:  Milena Marques, Diogo Lopes e Thomás Aquino (Nem sempre Lila)
Também foram indicados:
- Henrique Macedo e Carla Denise (Algodão doce)
- Márcio Fecher (Assim me contaram, assim vou contando…)

MELHOR ILUMINAÇÃO:  Luciana Raposo (Caxuxa)
Também foi indicado:
- Sávio Uchôa (Algodão doce)

CATEGORIA TEATRO ADULTO

MELHOR ESPETÁCULO ADULTO PELO JÚRI OFICIAL:  Essa febre que não passa (Coletivo Angu de Teatro)
Também foram indicados:
- As Levianas em Cabaré Vaudeville (Cia. Animé)
- Divinas (Duas Companhias)

MELHOR ESPETÁCULO ADULTO PELO JÚRI POPULAR: Essa febre que não passa (Coletivo Angu de Teatro)

MELHOR DIRETOR: André Brasileiro e Marcondes Lima (Essa febre que não passa)
Também foram indicados:
- Marcondes Lima e Enne Marx (As Levianas em Cabaré Vaudeville)
- Pedro Vilela (O canto de Gregório)

O pranto de Maria Parda, com Gilberto Brito. Foto: Ivana Moura/ DP/ DA Press.

MELHOR ATOR:  Gilberto Brito (O pranto de Maria Parda)
Também foram indicados:
- Jadenilson Gomes (A inconveniência de ter coragem)
- Alcy Saavedra (Manual Prático de Felicidade)
- Manuel Carlos (Noturnos)

MELHOR ATRIZ:  Ceronha Pontes (Essa febre que não passa)
Também foram indicadas:
- Enne Marx (As Levianas em Cabaré Vaudeville)
- Lívia Falcão (Divinas)

MELHOR ATOR COADJUVANTE:  Tarcísio Queiroz (A inconveniência de ter coragem)
Também foi indicado:
- Giordano Castro (O canto de Gregório)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:   Márcia Cruz  (Essa febre que não passa)
Também foram indicadas:
- Daniela Travassos (Noturnos)
- Mayra Waquim (Essa febre que não passa)

ATOR REVELAÇÃO: Não houve indicação

ATRIZ REVELAÇÃO:  Nara Menezes (As Levianas em Cabaré Vaudeville)
Também foram indicadas:
- Tâmara Floriano (As Levianas em Cabaré Vaudeville)
- Nínive Caldas  (Essa febre que não passa)

MELHOR FIGURINO:  Marcondes Lima (Essa febre que não passa)
Também foram indicados:
- Cecília Pessoa e Guilherme Luigi (O canto de Gregório)
- Marcondes Lima (As Levianas em Cabaré Vaudeville)
- Moncho Rodriguez (O pranto de Maria Parda)

MELHOR CENÁRIO:  Marcondes Lima (Essa febre que não passa)
Também foram indicados:
- Renata Gamelo e Guilherme Luigi (O canto de Gregório)
- Marcondes Lima (As Levianas em Cabaré Vaudeville)

MELHOR MAQUIAGEM:  Moncho Rodriguez (O pranto de Maria Parda)
Também foram indicados:
- Cia. Animé (As Levianas em Cabaré Vaudeville)
- Jade Sales (Essa febre que não passa)

MELHOR TRILHA SONORA:  Cia. Animé (As Levianas em Cabaré Vaudeville)
Também foram indicados:
- Beto Lemos (Divinas)
- Henrique Macedo (Essa febre que não passa)

MELHOR ILUMINAÇÃO:  Pedro Vilela (O canto de Gregório)
Também foi indicada:
- Luciana Raposo (As Levianas em Cabaré Vaudeville)
- Luciana Raposo (Essa febre que não passa)

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Caminhos paralelos

Ceronha Pontes em O comedor de ópio. Foto: Ivana Moura

Como se não bastasse a grade oficial lotada do Janeiro de Grandes Espetáculos, alguns grupos ainda estão envolvidos em programações paralelas. Um tormento para quem quer acompanhar tudo, mas precisa escolher!

Bom, no Espaço Coletivo (Rua Tomazina, 199, Bairro do Recife), o Coletivo Angu de Teatro realiza o Angu mix, com três solos curtos – O comedor de ópio (com Ceronha Pontes), Ela sobre o silêncio (Helijane Rocha) e Vestido longo (Ceronha Pontes e Márcia Cruz). Será hoje e amanhã, às 21h. A capacidade é para 60 lugares e os ingressos custam R$ 20.

No Espaço Muda (Rua do Lima, 280, Santo Amaro) sob direção do mineiro Anderson Aníbal, atores pernambucanos apresentam uma demonstração do trabalho Cinema, que tem previsão de estreia em maio. Será neste sábado, às 23h, e não será cobrado ingresso, mas apenas uma contribuição espontânea.

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Quarto dos desejos

Marcelo Sena é um dos bailarinos em Dark room. Foto: Breno César/ Divulgação.

Nem tudo me agrada em Dark room, espetáculo da Cia. Etc. mostrado ontem, na Casa Mecane, na Boa Vista. Foram duas sessões, às 19h e 21h, absolutamente lotadas, com cerca de 70 pessoas cada. Antes de entrar na sala, o público é intimado a tirar os sapatos e recomendado a ter cuidado por onde pisa, pois a iluminação de leds pode causar acidentes indesejados. Ao pisar o chão do espaço, uma pelúcia bem macia nos aguarda.
E o que virá a partir daí passa pelos desejos e questões da sexualidade, numa montagem na qual o espectador se coloca como voyer. Me fez lembrar um pouco a passagem de Zé Celso e o Teatro Oficina pelo Recife, com trabalhos em que plateia e atores se misturavam, nem sempre com a permissão de quem foi lá “apenas” para ver a performance dos quatro bailarinos – Liana Gesteira, Marcelo Sena, José W. Júnior e Natalie Revoredo, que estreava na ocasião.
No jogo de Dark room – ou Quarto escuro, numa tradução livre, vale simular um orgasmo, assistir a uma cena meio sadomasoquista, com Júnior batendo em Marcelo com uma camisa preta, ver os bailarinos nus, nas posições mais esquisitas. Pouca dança reside no trabalho, embora restem momentos singelos, como quando Liana e Natalie contracenam, trajando camisas masculinas sociais e calcinha. Ou quando eles giram em volta da sala, os rapazes carregando as moças nos braços, lembrando o espetáculo da Mimulus, de Belo Horizonte, sobre a loucura, apresentado durante a última Mostra Brasileira de Dança, no Teatro Luiz Mendonça. José W. Júnior encarnando uma libéluba contemporânea, com tapa-sexo, cílios postiços, sandália de salto alto e antenas que brilham no escuro, é algo que surpreende. É bem estranho, mas é bonito também.
Na cena final, em que alguém é escolhido ou sorteado na plateia para participar, é preciso decidir por uma parte do corpo e uma ação que os bailarinos se encarregam de realizar. Teve gente ficando boquiaberta, incrédula e gente com cara de constrangimento. Um trabalho que, definitivamente, divide opiniões.

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Aquilo que meu olhar quer mostrar

Quando foram estrear o espetáculo O canto de Gregório, ano passado, os garotos do Magiluth penaram para conseguir um teatro. Chegaram a pensar em estrear na própria sala do grupo, na Madre de Deus. Numa entrevista que fiz com eles – uma tarde de sol escaldante – aventaram essa possibilidade. Lembro que respondi na brincadeira. “Pois eu não venho não..que calor da peste!”. Estive lá esta semana e, como estava chovendo mesmo, nem percebi – mas eles fizeram questão de me mostrar: “Colocamos ar-condicionado, Polly”. (Good for us! êee)

A sala estava uma bagunça! Mas eles parecem se entender ali mesmo; um quadro de escola estava repleto de anotações – um roteiro para que tudo saísse certinho na estreia de Aquilo que meu olhar guardou para você, que será nesta sexta-feira, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho. Aí fiz com que Giordano Castro (O torto, o Buda) gravasse um vídeo pra gente mostrando que espaço é aquele!!!

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Ilhados em palavras

Noite de quinta-feira, começo de espetáculo atrasado por reflexo do protesto dos estudantes contra o aumento das passagens de ônibus. Teatro Hermilo lotado, com duas fileiras de pessoas acomodadas no chão, na frente da arquibancada de quase 100 lugares. Um fotógrafa reclama para não pisarmos na bolsa contendo seu equipamento. Haja hostilidade, pois não havia 10 segundos a moça na entrada do teatro também reclamara, desta vez da câmera fotográfica/ de filmagem, porque queria nos proibir de usá-la, questionando se tínhamos autorização. Não, moça, mas até agora ninguém havia pedido, não usamos flash e fazemos de tudo para não atrapalhar… Conjugo os verbos no plural pois tive a companhia de Pollyanna Diniz, que colaborou fazendo vídeo e fotos.
Ilhados – Encontrando as pontes, mais recente criação do Grupo Experimental, traz ao palco Mônica Lira, a diretora da companhia, ao lado da filha, Rafaella Trindade. Com parte da trilha executada ao vivo por Tarcísio Resende, que arrasa nos trechos de percussão, Ilhados parte das memórias familiares da diretora, nascida na Ilha de Fernando de Noronha, onde viveu parte da infância, para chegar a uma dança que reúne muito do que o Experimental fez até hoje, em 18 anos de trajetória.
Lembra o movimento mangue, mas chega até o frevo. Remete a outros trabalhos do grupo, como Zambo e Conceição. É emocionante vê-las em cena, quando dançam juntas, trocam carinhos e energia, ou nas passagens solo. A proximidade gera intimidade, mas nem sempre elas estão em sincronia. E certamente nem era essa a intenção. Mas há instantes em que se percebia um certo nervosismo das duas, a coreografia atrasada, nada que não se resolva ao entrar em temporada.
Conta ponto positivo a iluminação de Beto Trindade, marido de Mônica e pai de Rafaella. E o cenário com saquinhos de água pendurados por fios presos no teto, de Henrique Celibi. Nos faz pensar nas ilhas que somos e em como as coisas no Recife às vezes são difíceis, falta comunicação entre as pessoas, as diferentes tribos. Mas dá para reverter os caminhos.
A pequena lanterna que elas utilizam amarradas nos joelhos e depois ficam segurando com as mãos, podem ser referência à luz dos navios, dos portos. A máscara no rosto na cena final é sufocante, faz uma ponte com os orixás, um lado Iemanjá de uma cidade-estado (Recife-PE) cercada de rios e mar. Que venha o espetáculo completo, já que este é só um prólogo de 40 minutos.

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Ilhados em vídeo

Confira trechos da apresentação de Ilhados: Encontrando as pontes, duo do Grupo Experimental mostrado na quarta-feira no Teatro Hermilo Borba Filho.

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Desconstruindo para dançar

Não tinha jeito de dar certo. Tentei ver Espaçamento, projeto de Cláudio Lacerda/Dança Amorfa, nas três vezes anteriores em que o espetáculo foi encenado. Numa pré-estreia, em junho do ano passado, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, tinha algum compromisso tipo festa de família, bem na hora marcada. Na segunda vez, era o Festival de Dança do Recife, em outubro, a performance foi no Parque Dona Lindu, e minha filha ficou doente. Em Olinda, durante o projeto Cumplicidades, poucas semanas depois, também não consegui comparecer.

Mas agora foi. No Centro Cultural Correios, no Bairro do Recife, numa sala ampla do segundo andar, assisti – na noite de terça-feira – ao trabalho de Cláudio, no qual ele dança ao lado de Juliana Siqueira e Jefferson Figueirêdo. É um desdobramento, um dos resultados artísticos da pesquisa Trilogia da Arquitetura Desconstrutivista. O outro é um livro com artigos de Jonatas Ferreira, Gentil Porto Filho e Arnaldo Siqueira, que ele autografou logo em seguida.

Assim como o estilo ou movimento arquitetônico que se propôs a detalhar, Espaçamento é bastante árido, seco, uma coreografia de linhas retas ou de curvas que não se encontram. É nisso que reside sua beleza e também na performance do trio, que foi acompanhada por uma plateia até bem silenciosa, em se tratando de uma cidade como Recife, onde faltam muitos quilômetros a rodar para educar o público nos teatros e salas de espetáculo.

No início da montagem, apenas Cláudio e Juliana aparecem, comprovando que estão bem afinados em seus movimentos, numa simbiose rara de se ver, pois atuam em parceria há vários anos. Ele coreografou para ela Deserto aresta, dentro do projeto O Solo do Outro, do Centro Apolo-Hermilo, em 2008. Juliana possui formação clássica, é uma das estrelas do Studio de Danças, tradicional escola de Ruth Rozembaum e Lúcia Helena Gondra, nas Graças. Atua como professora de balé, mas consegue chegar ao outro extremo, com movimentos que exigem amadurecimento e técnica apurada do corpo do bailarino. Deslocamento do centro de gravidade, rolamentos pelo chão, força em partes do corpo não tão exploradas pelos passos clássicos, e Juliana tira de letra.

Cláudio possui uma carreira consolidada dentro da dança contemporânea. É um dos raros bailarinos atuantes no Recife a ter estudado no Laban Centre for Movement and Dance, em Londres, na Inglaterra. Também foi integrante da Cia dos Homens, o primeiro grupo de DC do Recife (de 1992 a 1997), fundado por Airton Tenório, que mora no Rio de Janeiro, mas também está circulando pelo festival.

Do meio para o final de Espaçamento, entra Jefferson, o terceiro elemento desta dança que foge dos padrões. Há momentos em que eles se conectam, se superpõem. Noutros, os dois bailarinos dançam determinados movimentos em sincronia, e a bailarina faz algo completamente diferente. Exige ainda mais concentração da gente. Ou pede que seja visto mais de uma vez, de ângulos distintos, para formar novos cartões-postais corporais na nossa retina, outros modos de interpretar dependendo de onde se acompanha a coreografia.

A ausência de trilha sonora é proposital. O silêncio convida o espectador para se concentrar ainda mais nos bailarinos, escutando até a respiração deles, suas batidas com os pés e outras partes do corpo no chão de madeira. Mas Espaçamento já foi testado ao som de Bach. E deve ganhar trilha eletrônica para a temporada que deve se desdobrar no segundo semestre e para a qual Cláudio Lacerda aprovou projeto no Funcultura. Serão 12 apresentações, sendo quatro em escolas públicas. E neste sábado, eles dançam em Petrolina, a convite do Sesc.

 

 

 

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Performances compartilhadas

Hoje vou dormir com um pedacinho da palavra “saudade” escrito no braço direito. Tomei banho quando cheguei em casa, mas não saiu tudo. Está gravado com hidrocor cor-de-rosa, pela bailarina Sílvia Góes, ao final de OSSevaO, performance que ela apresentou na Noite de Corpos Compartilhados, na Casa Mecane. Silvinha foi uma das estrelas da sequência de solos vista dentro do Janeiro, todos produzidos por integrantes do Coletivo Lugar Comum. Seu trabalho é bastante poético e cercado de palavras, que ela traz coladas em seu corpo e das quais vai se desvencilhando aos poucos. Também interage com a plateia, pedindo e oferecendo sugestões de qual a palavra mais importante, bela, significativa da existência de cada um. Só não me agrada a necessidade de dizer um texto ao final do solo, reforçando o que foi expresso antes através do corpo. Soa repetitivo.

Antes dela, para abrir a noite, vi Liana Gesteira em Topografias do feminino. Nunca tinha assistido a nenhuma das quatro criações, embora já ouvisse falar nelas e já tivéssemos noticiado algumas vezes no Viver, do Diario de Pernambuco. Liana usa um vestido marrom com as costas nuas e faz desta parte do corpo um fechamento diferente para o solo, mexendo músculos e omoplatas, explorando os movimentos de braço e nos fazendo refletir sobre como podemos nos assemelhar a acidentes geográficos. Somos um pouco rocha, montanha, relevos. Ela também fala durante sua coreografia (cita trechos de poemas de Viviane Mosé, do livro Pensamen-to Chão), reforçando a conexão do Lugar Comum com o conceito de performance, como ponto de confluência da dança e do teatro. Não gosto tanto do começo do solo, pouca luz e pouca dança.

Mas talvez esta sensação guarde relação com ter ficado mal instalada. A sala estava lotada, não havia cadeiras para todos os presentes. E ainda precisamos mudar de lugar entre o primeiro trabalho e os restantes, pois apenas ele era pra palco italiano.

Chega a vez de Cyro Morais com Valsa-me. Nunca tinha visto o rapaz na vida, ou pelo menos não que me recorde, mas acho que para um bailarino, ele bem que pode perder uns quilinhos e ganhar em leveza e desenvoltura. Ou então mudar a calça do figurino, que não o deixa nada elegante. Dá para perceber a marca dos amores sofridos e experimentados por Cyro, mas esperava mais. Ele se sai bem quando canta e o cenário é uma sacada deveras interessante, com camisas masculinas penduradas por cabides suspensos.

Por fim, a noite contou com uma grata surpresa, ao ser acrescentado o solo Pé de saudade, de Maria Agrelli, à programação. A bailarina sofre para fazer esta performance, pois lhe exige o aplique nos cabelos de longos dreadlocks, que devem doer para caramba. Neles, ficam guardados papéis com frases que remetem à fase em que sua mãe morreu e são entregues aos espectadores, para que sejam lidos em voz alta.

Na verdade, são versos adaptados de uma poesia de Valéria Vicente, outra talento da dança pernambucana. E que também sofreu muito com a morte repentina da mãe. A passagem mais emocionante, na minha opinião, é quando as pessoas são convidadas por Maria para segurar e puxar os tais dreads. Formam uma espécie de toldo em volta do corpo da intérprete, que sente a dor mas não para de dançar. Confesso que me levou às lágrimas. E fazia tempo que não chorava num espetáculo cênico, fosse dança ou teatro. Talvez tenha relação com já ter visto Leve, outro espetáculo de Maria Agrelli, em que contracena com Renata Muniz, sobre a temática da morte, indigesta para todos nós.

E fui embora quase correndo para não chegar tão atrasada na segunda atração de dança da noite, Ilhados – Encontrando as pontes, do Grupo Experimental, no Teatro Hermilo. Mas isso já é assunto para um outro post.

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Ingressos esgotados

Spok comanda homenagem ao Rei do Baião, no Santa Isabel. Foto: Michele Souza/ Divulgação.

Pelo menos duas atrações do Janeiro estão com ingressos esgotados: o musical Todos Cantam pra Gonzaga, que será realizado nesta quarta-feira, às 20h, no Teatro de Santa Isabel, com direção geral do Maestro Spok e a participação de mais de 10 músicos e intérpretes, em homenagem ao Rei do Baião.

E as duas sessões de Essa febre que não passa, produção do Coletivo Angu de Teatro, que chega ao Teatro Hermilo Borba Filho, na quinta-feira, em dois horários, às 19h e às 21h. A peça, com o elenco de seis atrizes que interpretam personagens e reinterpretam histórias de suas próprias vidas, é baseada no livro homônimo, da jornalista Luce Pereira.

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Bailarina cheia de magia

Júnior Sampaio em A bailarina vai às compras

Da última vez que o ator Júnior Sampaio participou do Janeiro de Grandes Espetáculos, em 2010, conversamos longamente. E lembro que esse ator, diretor, dramaturgo, que respira teatro, me disse que não era sempre que os espetáculos causavam “deslumbramento”. Que ele mesmo tinha conseguido isso algumas vezes.

Ontem, quando falei com Júnior por telefone, perguntei se desta vez, com A bailarina vai às compras, ele tinha alcançado o feito. “A bailarina parece que encontrou essa magia; mas é sempre bom deixar a dúvida”, brincou.

Bom, segundo mesmo me contou Sampaio, a recepção ao espetáculo foi muito boa tanto no Rio de Janeiro e em São Paulo quanto em Salgueiro, terra natal do ator. “Leonardo Brício viu três vezes, Gabriel Vilela viu em São Paulo. Foi muito boa a repercussão”. E ele vai voltar a Salgueiro para apresentações em fevereiro.

No espetáculo, Júnior é uma bailarina que vai fazer uma performance no supermercado na cidade imaginária de Tolaboa. Essa bailarina é um transsexual de meia-idade; que descobre que não recebeu o cachê e nem vai poder fazer as compras. O texto é de Júnior em parceria com Quico Cavadal; a direção é de Rita Lello, filha de Maria do Céu Guerra, que assina a coordenação artística. Desde 1998, Sampaio mantém a companhia ENTREtanto Teatro, na cidade de Valongo, em Portugal.

Serviço:
A bailarina vai às compras
Quando: hoje e amanhã, às 20h30, no Teatro Barreto Júnior (Pina)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Informações: (81) 3355-6398

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