Aposta no tradicional não está fora de moda

Apesar do avanço das redes sociais, olhar para demais segmentos do mercado ainda é fundamental

Apesar de todo o avanço da tecnologia e do surgimento das redes sociais, as marcas precisam estar atentas não apenas aos milhões de consumidores que têm acesso ao mundo virtual, mas também àqueles que ainda estão longe das redes de relacionamento. Sócia-diretora da agência Blackninja, Renata Gusmão destaca que metade dos consumidores está fora das redes e que, mesmo assim, eles continuam tendo um alto poder de influência sobre o mercado.

A publicitária destaca que o uso de mídias tradicionais é fundamental para alcançar esse tipo de público. A TV, o jornal, a rádio ou a mídia exterior (outdoors) são importantes para uma marca se fazer ainda mais presente na vida dos consumidores. E estar presente no cotidiano das pessoas é imprescindível para que qualquer empresa tenha sua marca entre as preferidas pelo público.

No entanto, erros também podem acontecer. Nesta entrevista, ela ressalta que, dependendo do caso, a adoção de estratégias equivocadas nas redes sociais pode destruir uma marca definitivamente. Fala ainda sobre o atual momento do mercado, em que algumas empresas apostam em campanhas consideradas polêmicas. Além disso, Renata Gusmão deixa claro que é praticamente “impossível” antecipar as tendências de mercado, citando uma campanha de sucesso feita recentemente por sua agência.

Não é à toa que as empresas têm essa preocupação estão na lembrança dos consumidores, fato comprovado pela premiação Marcas Preferidas, promovida pelo Diario. A edição deste ano tem uma amplitude maior, passando de 600 para 2,5 mil pessoas consultadas, detalhando as opções de acordo com gênero, idade e instrução, em uma metodologia sofisticada.

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

[ Entrevista Renata Gusmão // sócia-diretora da agência Blackninja

“Campanha deve ter um pouco de tudo”

Os consumidores que estão fora das redes sociais têm algum tipo de influência sobre o mercado?
Claro! Hoje, 47% da população do Brasil acessa a internet pelo celular. Pelo computador, estamos falando de apenas 26% das pessoas. E 56% da população utiliza os dois meios. Ou seja: metade dos consumidores está fora das redes sociais. Logo, eles têm ainda altíssimo poder de influência sobre o mercado.

Como conquistar esses consumidores que está fora do ambiente virtual?
Usando as mídias tradicionais, as chamadas offline: TV, rádio, OOH (out of home na sigla em inglês, ou “fora de casa”, em português, que engloba a mídia exterior), jornal, revista… Enfim, tudo que a gente conhece tão bem. A campanha ideal não deve ser apenas online ou offline. Deve ter um pouco de tudo.

Um mau planejamento das estratégias nas redes sociais pode destruir de vez uma marca?
Se for o único meio de comunicação e for mal planejado e mal desenvolvido criativamente, sim. É um risco.

De que forma é possível antecipar as tendências de mercado?
Antecipar, hoje, no Brasil, é quase impossível. Podemos chegar rápido. Recentemente, fizemos uma campanha para a Nagem no Snapchat. Fomos a primeira marca de varejo que usou essa ferramenta de redes sociais e aproveitamos uma blogueira muito ativa e importante para esse tipo de veículo de comunicação. Sucesso absoluto!

Em um momento em que a sociedade está tão intolerante, vale a pena fazer campanhas polêmicas, direcionadas às minorias que sempre sofreram preconceitos?
Tem que ter conteúdo. Em 1969, Bill Bernbach disse: “Me preocupa as pessoas que querem ser diferentes apenas para serem diferentes”. Muita gente acha que fazer uma campanha polêmica é sinal de criatividade e ousadia. Mas não é assim. Propaganda é ferramenta de venda. Não nos interessa afastar consumidores.

Como se corrige um erro publicitário e quando é necessário fazer isso?
Publicitários entendem de comunicação, mas, muitas vezes, falham no conhecimento do negócio do cliente. Se isso acontecer, ele provavelmente vai precisar ser corrigido.