Engajamento social também vale ouro

Além de contribuir com o bem-estar da sociedade, investimentos nesse sentido agregam valor à marca

Praia Sem Barreiras atende pessoas com limitações físicas para banho de mar - Foto: Hesidio Goes/Secretária de Turismo - 28/03/15

Praia Sem Barreiras atende pessoas com limitações físicas para banho de mar – Foto: Hesidio Goes/Secretária de Turismo – 28/03/15

 

Muito além de um diferencial, estar engajada socialmente é praticamente um dever a ser cumprido pelas marcas que atuam no mercado. Em um mundo globalizado, onde as questões sociais têm ganhado grande destaque nos últimos anos, esse compromisso significa que as preocupações da empresa não estão focadas exclusivamente nas vendas, mas sim no papel que
elas representam onde estão inseridas. Não há dúvidas de que a questão agrega valor às marcas, mas o principal impacto desse tipo de ação é sentido por toda a sociedade.

“É fundamental esse engajamento para criar um valor percebível e mostrar que a marca não está preocupada só em vender, mas também com o futuro da sociedade em que ela está inserida”, afirma Miguel Melo, diretor da Italo Bianchi. Segundo ele, é importante que as empresas sejam sinceras e não divulguem algo que não estejam realmente fazendo. “O mais importante é que as marcas percebam que não devem apenas dizer que fazem. Elas precisam, de fato, fazer aquilo que divulgam. Uma meia verdade se transforma numa mentira rapidamente”.

Ainda de acordo com ele, aos olhos dos consumidores, o compromisso social também faz diferença. “Se há dois produtos de qualidade e valor semelhante, mas uma das marcas tem ações de preservação ambiental, por exemplo, não há motivos para que uma pessoa escolha o concorrente, que não tem nenhum tipo de engajamento. Sem dúvidas, é um diferencial.”

Diretor da Gênesis Comunicação, Hélio Charles afirma que, além de um diferencial, o engajamento social é uma obrigação das marcas. “As empresas que querem investir no segmento de fidelização devem começar, primeiramente, pelo investimento em ações sociais. Mais do que um engajamento, é preciso que haja um compromisso social. O compromisso é para a vida toda”, diz, ressaltando que o mercado brasileiro herdou essa preocupação de mercados mais antigos, como o europeu. “Uma marca não deve buscar somente consumidores, mas defensores dela. E uma marca engajada em questões sociais está sempre ao lado das pessoas”, afirma Marcus Murta, diretor de criação da Raio Comunicação.

Projetos voltados à população

Atuando há 13 anos no mercado, a Uninassau aposta no compromisso social desde o primeiro ano de fundação. As atividades atendem a milhares de pessoas e são acompanhadas pelo Instituto Ser Educacional. O compromisso social é refletido emdezenas de projetos, como o Praia Sem Barreiras, que atende pessoas com limitações físicas para banho assistido no mar, o Circo Social, que realiza oficinas de arte circense para crianças e adolescentes com Síndrome de Down, além de quatro clínicas-escola, que prestam serviços gratuitos ou de baixo custo para a comunidade, entre outros. São mais de mil pessoas atendidas por mês.

Reitor da Uninassau, Janguiê Diniz ressalta que o compromisso social é uma responsabilidade com a sociedade. “Queremos poder contribuir com o desenvolvimento socioeconômico do Recife e também do Brasil e uma das formas de fazer isso é promovendo ações sociais”, disse.

Já o Instituto Shopping Recife foi criado em 2007 e está sediado na comunidade Entra Apulso, localizada no entorno do centro de compras. Ao longo desses nove anos, tem atuado em parceria com outras empresas em programas e projetos nas áreas de qualificação, empreendedorismo, educação, cultura e lazer. Cerca de 4 mil alunos foram capacitados, dos quais mais de 1 mil foram inseridos no mercado de trabalho.

Ao longo da trajetória de 131 anos, a Ferreira Costa tem se preocupado em apoiar projetos que desenvolvam o ambiente no qual a empresa está inserida. Atualmente, a empresa auxilia o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP) e a Fundação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). No ano passado, foram entregues 58 estantes, cada uma com cerca de 45 livros, através do Festival Internacional de Literatura Infantil de Garanhuns (Filig), projeto idealizado pela própria Ferreira Costa. O material foi doado a 53 instituições, entre salas de leitura, creches, escolas e também bibliotecas municipais.