Parceria é essencial para superar obstáculos

Queiroz Filho atesta que é fundamental diálogo entre agências e empresas para enfrentar desafios

Em tempos de crise econômica, nem tudo é tão ruim como parece. De acordo com o CEO do grupo Duca, Queiroz Filho, a atual conjuntura tem proporcionado aprendizado tanto para o mercado publicitário quanto para as marcas. Em entrevista ao Diario, ele reforça que as agências precisam se tornar parceiras de seus clientes na busca pelo aumento da eficiência e dos resultados simultaneamente.

Apesar de reconhecer que os investimentos em publicidade diminuíram, Queiroz ressalta que as marcas não devem deixar de investir completamente em comunicação para sobreviver à crise. Destaca, também, que ninguém estava preparado para a dimensão das dificuldades econômicas, lembrando que nos últimos anos a região Nordeste teve um crescimento exponencial, impulsionado principalmente pelo crescimento da classe C.

Ainda na avaliação de Queiroz Filho, alguns segmentos podem se recuperar mais rápido que outros. “Os setores automotivo e imobiliário, por exemplo, estão sofrendo em níveis maiores. Porém, o varejo, de uma forma geral, é um segmento que tende a reagir de forma diferenciada”, diz. Ressalta, também, que o mercado consumidor pernambucano é destaque no Nordeste e um dos principais do país, principalmente pelo aumento do poder de compra. “É de extrema importância que as peças de comunicação das marcas falem a língua de cada região, que tenham sintonia com o seu público-alvo”, diz, enfatizando a comunicação regionalizada é fundamental, mas sem esquecer que o estado tem um histórico de comportamento contemporâneo.

Publicitário fez uma avaliação do atual momento do mercado pernambucano - Foto: Daniela Nader/Divulgação

Publicitário fez uma avaliação do atual momento do mercado pernambucano – Foto: Daniela Nader/Divulgação

[ Entrevista Queiroz Filho // CEO do grupo Duca

“Criatividade será sempre o aspecto mais relevante”

Os investimentos em publicidade caíram neste momento de crise?
Sim, caíram. A retração da economia e, consequentemente, a queda nas vendas e uma estagnação nas possibilidades de geração de novas receitas fizeram com que os empresários diminuíssem os investimentos, inclusive em comunicação. Apesar de ser objetiva do ponto de vista macroeconômico, essa retração acaba sendo um tiro no pé, uma vez que a falta de crença na retomada do crescimento acaba aumentando a estagnação do próprio negócio e diminuindo as possibilidades de retomada no curto prazo. Por isso, mesmo com o pé no freio, as marcas não podem deixar de investir em comunicação para conseguir sobreviver à crise.

As marcas e o mercado publicitário estão preparados para enfrentar a crise?
O Nordeste é uma região que aproveitou uma fase muito positiva nos últimos anos. Conquistou um crescimento sempre acima da média nacional, atraiu novos negócios, inclusive internacionais. Para você ter uma ideia, de 2004 a 2010 o Nordeste teve uma velocidade de consumo cinco vezes maior do que a média nacional, de acordo com a Nielsen. A classe C, que aqui teve um aumento expressivo, foi uma dos grandes responsáveis por esse crescimento. Nesse contexto, ninguém estava preparado para a crise. E mais do que isto: ninguém estava preparado para uma crise na dimensão desta que estamos vivendo!

É possível tirar algum aprendizado da crise?
Há males que vêm para o bem, e muitos estão conseguindo tirar proveito disso tudo. Cada um da sua forma e, certamente, com ganhos futuros para quando o Brasil voltar a crescer. Assim como para todos os segmentos, a crise tem proporcionado um grande aprendizado para o mercado publicitário. Tanto para as agências, como para as marcas. Cada vez mais, as agências precisam se tornar parceiros de negócios dos seus clientes e encontrar alternativas para aumentar a eficiência e os resultados ao mesmo tempo. É o que estamos fazendo há algum tempo, mesmo antes da crise, o que nos deu uma vantagem competitiva extrema neste momento.

Os segmentos respondem de maneira diferente à crise. Qual o segmento no estado que pode se recuperar mais rapidamente da atual conjuntura?
É verdade que uns estão sofrendo mais do que outros. Os setores automotivo e imobiliário, por exemplo, estão sofrendo em níveis maiores. Porém, o varejo, de uma forma geral, é um segmento que tende a reagir de forma diferenciada. Isso porque o varejo tem um comportamento de movimento sempre diferenciado, é mais ágil em implantar mudanças necessárias para garantir os resultados do negócio. Por isso, certamente, será o primeiro a se destacar em todo este processo de retomada.

Que tipo de publicidade atrai mais a atenção do consumidor pernambucano?
O mercado pernambucano tem um bom destaque em relação ao mercado nacional. É um mercado maduro, com excelentes profissionais, agências e anunciantes. E apesar de considerar que a publicidade é composta de vários elementos, a criatividade será sempre o aspecto mais relevante nessa relação com o consumidor. E nisso, podemos afirmar, também, que Pernambuco tem um belo destaque no cenário nacional. Independente do meio, os consumidores não aceitam mais interrupções sem serem criativas e assertivas, ou seja, que sejam do interesse deles. Por isso, a criatividade continua sendo o ponto central de uma boa propaganda.

Quais as particularidades do mercado consumidor do estado?
O mercado consumidor pernambucano é destaque no Nordeste, e um dos principais do país pelo aumento do seu poder de compra. Porém, todo mercado tem suas peculiaridades, e isto vale, também, para o mercado consumidor pernambucano. É de extrema importância que as peças de comunicação das marcas falem a língua de cada região, que tenham sintonia com o seu público-alvo. Por isso, é fundamental uma comunicação regionalizada, mas sem esquecer que Pernambuco tem histórico de comportamento contemporâneo. Então, é certo dizer que o consumidor pernambucano segue tendências nacionais e mundiais como qualquer outro mercado maduro mundo a fora. Para falar com esse público é preciso entendê-lo profundamente. É aí que as agências locais ganham cada vez mais vantagem competitiva e destaque na comunicação de grandes marcas.