Fogueiras são tema de debates
E a preocupação dos ambientalistas com as fogueiras e outros hábitos juninos continua crescendo! Tenho recebido vários emails e telefonemas e as pessoas da área também têm escutado cada vez mais alertas.
Uma moradora do Pina está com o coração apertado por conta de seu flamboyant. Ela conta que um vizinho já acendeu uma fogueira para Santo Antônio quase em baixo da árvore, deixando ela “doentinha”, e está temendo o resultado com o fogo ainda previsto para o São João e São Pedro.
Ela faz um apelo pela árvore que plantou e pelo ar da cidade. Abaixo o graduando em Ciências Sociais pela UFPE e blogueiro Robson Fernando conta como aguarda a proibição das fogueiras, como um dia aconteceu com os balões.
Leia o texto As fogueiras juninas como inconvenientes ambientais:
Tradição secular, a fogueira de São João está se aproximando da época em que será vista como um costume proibitivo e não-recomendável, se não já começou a ser vista assim. Assim como o balão poliédrico a fogo, tem inconvenientes importantes que fazem a continuidade de seu uso ser algo nocivo, dessa vez para o meio ambiente, vide desmatamento e poluição.
Em época de sonoros debates sobre preservação das florestas e proposições de diminuição máxima de emissões de gases de efeito-estufa e poluentes, os fogaréus juninos vêm sendo escancarados como elementos causadores de um impacto ambiental notável e evitável, o qual nunca foi quantificado em dados mas é fortemente perceptível antes e durante os dias de festejo.
Dados sobre quanto de madeira é retirado a cada ano de matas virgens, reflorestadas ou de plantação para a montagem de fogueiras no Nordeste são difíceis de ser encontrados, mas, percorrendo-se avenidas e estradas de muitas cidades nordestinas, pode-se ter uma ideia de que houve um significante estrago nos ecossistemas explorados para tal fim, em especial em áreas de Mata Atlântica – incluindo brejos de altitude – e de Caatinga.
As pilhas de lenha à venda para confecção de fogueiras são enormes e lembram predominantemente troncos e galhos de árvores de vegetação tropical ou semiárida. Como raramente há garantia de que vieram de manejo florestal, pode ser deduzido que a cada ano é feito um significativo dano, infelizmente jamais medido ou sequer estimado em números, nas matas nordestinas. Contudo, não há nenhuma lei, pelo menos em Pernambuco, regulamentando a extração de madeira para fins de comemoração das festas juninas.
Além do evidente desmatamento anual que o São João “provoca”, chama atenção também a poluição gerada. A queima da lenha gera uma relevante fumaça que, além de ameaçar a saúde de quem está próximo, suja substancialmente o ar. Uma única fogueira parece não fazê-lo tanto, mas, quando observamos, por exemplo, uma praça rodeada por seis fogueiras, o ar torna-se irrespirável e a fumaça em cima da área toma um aspecto quase espesso, lembrando um pequeno incêndio florestal.
Não é só o ar sujo que depõe contra a fogueira junina, mas também o clima terrestre como um todo. Talvez apenas um fogo pareça desprezível quando se considera a atmosfera do planeta, mas, quando somamos os milhares ou talvez milhões de fogueiras acesas no Nordeste na segunda metade de junho de um ano, percebemos a emissão de toneladas e toneladas de gases-estufa altamente poluentes, contribuindo para as perversas mudanças climáticas globais. Quando multiplicamos por 15 anos então, a “ajuda” dada ao efeito-estufa é bastante pomposa.
A consciência que reconhece os inconvenientes ambientais da fogueira, no entanto, ainda é incipiente na região e, conseqüentemente, a resistência cultural ao abandono desse costume ainda é grande, tanto quanto a intransigência perante os apelos de defensores animais sobre a crueldade contra animais presente nas vaquejadas.
Considerada essa realidade, o surgimento de uma campanha na mídia pela aposentadoria das fogueiras de São João, semelhante à feita contra os balões poliédricos que corriam o risco de causar incêndios, é esperado para os próximos anos. Fica aqui a recomendação de que comece o quanto antes, pelo menos de forma gradual, tendo tão logo um pontapé inicial com, por exemplo, Caruaru abandonando o costume em prol de um São João ecologicamente correto e ensinando às pessoas que a fogueira é um estorvo ambiental que não faz falta para os festejos.
Robson Fernando é articulista independente, graduando em Ciências Sociais pela UFPE e dono do blog Consciência Efervescente (http://conscienciaefervescente.blogspot.com/)
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19 de junho, 2009 às 22:51
Com acesso a informacao e sabendo dos maleficios causados por esta brincadeira anual, fora as queimadas regulares que acontecem impunemente todos os dias no Brasil , nao seria hora de cuidarmos da nossa qualidade de vida?
Deveria haver uma lei com punicoes severas para quem polui, infelizmente muita gente so muda seus habitos se sentir no bolso.
Nao faz sentido parte do mundo civilizado se empenhar tanto em cuidar do planeta enquanto o restante nao esta nem ai, em nome de tradicoes. As tradicoes acompanham o aculturamento de um povo, e a cultura acompanha os avancos em todas as areas, neste caso o problema eh muito mais serio, eh uma questao de sobrevivencia do planeta e de todos que o habitam. Ha milhares de formas de se divertir, desde que exista um planeta.
28 de junho, 2009 às 22:23
Temos que fazer um abaixo assinado pra acabar de uma vez por todas essa tradiçãozinha assassina de queimar fogueiras, isso é coisa de quem não tá nem aí com a saúde, o meio ambiente e o futuro do planeta (que já está por um triz). E as ruas que ficam intransitáveis nessa época junina, o povo fecha as ruas e calçadas com fogueiras e se você reclamar, são capaz de te jogar na fogueira. Vamos acabar com isso ou esperamos a morte chegar o mais rápido possível?
29 de junho, 2009 às 2:20
[...] as fogueiras são reprimidas em vários lugares e tem sido criticada por ambientalistas. Na festa de Campina Grande, a fogueira de quase 20 metros de altura é cenográfica, para evitar [...]