Construção de canal, que desaguaria em Enseada dos Corais, é suspensa no Cabo de Santo Agostinho

Ao acatar a notificação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e suspender as obras do Canal do Boto, em Enseada dos Corais, a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho jogou luz para os erros urbanísticos que os municípios cometem na faixa de terra junto ao mar.

As obras estão suspensas desde a semana passada, quando a prefeitura se comprometeu com a promotora de Justiça Janaína Sacramento em encaminhar ao MPPE estudos técnicos sobre a desova de tartarugas e a erosão marinha, além de monitorar ligações clandestinas de esgoto ao canal.

A necessidade da construção do canal é a consequência, no mínimo, da ocupação urbana sem o devido planejamento e acompanhamento do município. Ali, como se viu em regiões alagadiças do Recife, São José da Coroa Grande, Jaboatão dos Guararapes e Paulista, imóveis surgiram após imensos aterros.

Para se fazer o alicerce de determinadas casas em Enseada dos Corais, o volume de terra superou a altura de um metro. A rede natural de escoamento – riachos e córregos – desapareceu quase que por completo e sem ela vieram os alagamentos.

Isso jamais foi segredo, embora gestores públicos tenham agido com vista grossa para a questão. E o que se tenta agora no Cabo é reduzir danos, mas, ao contrário do passado, respeitando-se as leis de proteção ao meio ambiente.

Pode-se alegar que nos anos 1980, época da abertura do loteamento em Enseada, a legislação ambiental era mais frouxa ou inexistia?

Esse seria um argumento plausível, mas gestores e técnicos, com as experiências da época, tinham a noção do que poderia acontecer na praia do Cabo e nos mangues aterrados de Jaboatão e do Recife.

Cachoeira do Urubu recebe título de parque estadual, mas lixo continua sendo problema grave

Foto: Cremepe/Divulgação

Foto: Cremepe/Divulgação

A Cachoeira do Urubu, em Primavera, na Mata Sul, figura habitualmente entre as principais alternativas de lazer e contemplação no estado.

A queda d’água e o seu entorno mereceram o título de parque estadual em 2013. Título merecido, sem dúvida.

Mas do decreto para a realidade, a história é outra.

Medidas para tornar o lugar digno da denominação começaram a ser adotadas, porém vagarosas, o que pode refletir em mais degradação.

Louva-se o fechamento de pontos comerciais para o bem da natureza e da saúde pública, mas as ações de educação ambiental, incluindo-se as relacionadas ao descarte dos resíduos, pouco andam.

E a qualidade da água para o banho, objetivo principal dos que procuram a cachoeira, está também ligada ao destino do lixo.

Daí, compreensível é a recomendação do Ministério Público para a retirada dos resíduos sólidos descartados inadequadamente e para a orientação para que os comerciantes utilizem contêineres destinados especificamente ao lixo.

Passados meses da assinatura do decreto estadual que criou o parque não cabe a desculpa para questões básicas a um destino turístico que, por anos, foi “vendido” por seus méritos naturais e pelo acesso relativamente fácil.

Demorou, mas o Parque Dois Irmãos ganha plano de manejo

Listar as áreas verdes do Recife inclui obrigatoriamente o Parque Estadual Dois Irmãos.

Seja pelo zoológico, fincado no parque, seja pelo valor hídrico dos açudes e denúncias de crimes contra a reserva de Mata Atlântica.

Apesar desses desrespeitos ambientais, Dois Irmãos sobrevive a ocupações e à exploração indevida da fauna e da flora, provocada principalmente pelo cerco populacional da área nos últimos anos.

Mas resistência tem limite e o parque deu vários sinais disso, o que o estado parece ter compreendido ao publicar recentemente, no Diário Oficial, o plano de manejo do parque.

O documento estabelece o incentivo à pesquisa e ao monitoramento, propondo o estudo de viabilidade de corredores ecológicos.

Os corredores uniriam os 384 hectares que originalmente formavam o parque e os 744 hectares acrescidos recentemente.

Pena que a compreensão do estado para agir demorou em determinados aspectos, o que já levou a perdas irreparáveis no parque.

As denúncias de uso incorreto dos açudes, para banho e piquenique, são antigas, como velhos são os discursos para se resolver o problema.

Muito está por ser feito para preservar o parque, porém nessa briga o plano de manejo  tem papel essencial para o futuro de Dois Irmãos.

Ele supera as ações apaga incêndio e consolida o planejamento.

Se o plano será concretizado, o futuro nos dirá.

Vale lembrar que, da entrada em vigor da lei federal que exige planos de manejos para as unidades de conservação e a publicação do documento específico do parque, se passaram 14 anos. É muito tempo!

A manutenção da vida depende da preservação das florestas

Malena Damasceno, engenheira agronômica e especialista em gestão sustentável de recursos naturais

Comemorado em 21 de setembro, o Dia da Árvore é uma data que nos convida para uma reflexão profunda a respeito do que estamos fazendo pelo o meio ambiente. Pois até pouco tempo, quando falávamos em desmatamento, ouvíamos apenas discussões sobre problemas como o efeito-estufa, a perda da biodiversidade e o aumento da poluição. No entanto, com o passar dos anos, percebemos que as consequências são muito mais preocupantes.

Com as derrubadas na região amazônica, a umidade relativa do ar foi reduzida, o que tornou o clima mais seco e interferiu diretamente no volume das chuvas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, de maneira nunca antes vista. Em São Paulo, por exemplo, foi registrada uma das piores secas da história, o que resultou na baixa dos reservatórios de água que abastecem a maior metrópole do País.

Isso tudo ocorre porque a Amazônia é a responsável por bombear para a atmosfera a umidade que se transforma em chuva. Para se ter uma ideia de sua importância, uma única árvore é responsável por colocar no ar mais de 1.000 litros de água por dia. Inclusive, um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e o Instituto de Física Nuclear de São Petersburgo, na Rússia, aponta que, em algumas áreas do planeta, mais de 60% do transporte de umidade é realizado pela ação direta da floresta.

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Livro de imagens inéditas do Sertão

O entardecer em Buíque. Foto: Henrique José da Costa Moreira/Divulgação

O entardecer em Buíque. Foto: Henrique José da Costa Moreira/Divulgação

Ao percorrer o Nordeste, o engenheiro Henrique José da Costa Moreira passou a comungar da frase do escritor Guimarães Rosa:

“O Sertão é do tamanho do mundo”.

O engenheiro dimensionou esse mundo através de fotografias captadas ao percorrer 25 quilômetros em cinco expedições.

As andanças foram feitas em mais de 100 municípios de Pernambuco, Bahia, Piauí, Ceará, Paraíba, Alagos e Sergipe.Parte dos registros ilustram o livro “Olhos da Caatinga”, com 400 páginas e lançado em comemoração aos 40 anos da FMC Agrícola.

A publicação retrata desde a fauna à flora nordestina, passando pelo artesanato, habitantes e relevo dos sertões nordestinos.

De Pernambuco, o livro apresenta imagens dos municípios de Buíque, com destaque para o Vale do Catimbau, e de Petrolina.

É possível “folhear” toda a obra pelo endereço afmcagricola.com.br.

Apenas 10% dos resíduos das construções são reciclados no Grande Recife

Pioneira em Pernambuco, a Ciclo Ambiental reprocessa e recicla resíduos da construção civil. Foto> Blenda Souto Maior/DP/D.A.Press

Pioneira em Pernambuco, a Ciclo Ambiental reprocessa e recicla resíduos da construção civil. Foto Blenda Souto Maior/DP/D.A.Press

Dados da construção civil mostram o quanto a Região Metropolitana do Recife (RMR) precisa melhorar no campo da reciclagem de resíduos.

Desde 2007, as construtoras são obrigadas a adotar um plano de gerenciamento e a destinarem corretamente o lixo das obras.

A exigência legal para veio com a Resolução nº 307 do Conama.

Passados sete anos, no entanto, a construção civil reaproveita apenas 10% das quatro mil toneladas de resíduos geradas por dia na RMR.

A lista dos resíduos inclui cimento, gesso, areia, madeira, papel e ferro.

Entre os empecilhos para o reaproveitamento e o gerenciamento, segundo especialistas, é a falta de controle das construções informais.

As pequenas construções geram 70% dos resíduos do setor.

Outro entrave é que existem apenas três empresas especializadas no gerenciamento de resíduos na RMR, número considerado baixo.

Instalada em Camaragibe, a Ciclo Ambiental recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos por mês. A partir delas, produz areia e brita.

Com informações de Rosa Falcão, repórter do Diario de Pernambuco

Lixo que vira lixo

Carlos Melo, engenheiro agrônomo

capa-planoNo dia 2 de agosto encerrou-se o prazo dado pelo governo federal para que as prefeituras fechassem os seus lixões. Pois bem, sabem o que aconteceu? Apenas 26 prefeituras das 184 do estado, cerca de 15%, cumpriram em boa parte o que diz a lei.

A rigor, isso deveria ter acontecido em 2012, mas o governo postergou para 2014 essa exigência. De anda adiantou. Tem prefeito, pasmem, alegando que foi eleito para ser gestor do município e não gestor de lixo. Até essas desculpas estão sendo dadas.

A pergunta que cabe é a seguinte: de que é a culpa? …Continue lendo…

Erosão destrói área de parque

Foto: Jailson da Paz/DP/D.A.Press

Foto: Jailson da Paz/DP/D.A.Press

Criado em 1979, o Parque Metropolitana Armando Holanda Cavalcanti, no Cabo de Santo Agostinho, enfrenta graves problemas de erosão.

As feridas no solo podem ser encontradas em vários pontos do parque, principalmente no trecho entre o farol e as ruínas da casa do faroleiro.

O fenômeno, com o inverno, ampliou a área erodida e atingiu trechos com vegetação nativa, soterrando as espécies menores.

Esse processo é, ao lado das invasões, um dos principais problemas do parque, que possui áreas de mata atlântica e imóveis tombados.

As invasões de terra, que resultaram no surgimento de centenas de casas, aconteceram nas localidades de Gaibu, Suape e Calhetas.

Por conta delas, o Ministério Público recomendou ações ao município, às  companhias de energia e água e ao Complexo de Suape.

O parque possui áreas de mata atlântica e imóveis tombados.

Suape terá fontes poluidoras identificadas por inventário

Primeira estação de monitoramento do ar funciona em Suape desde dezembro de 2013. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Primeira estação de monitoramento do ar funciona desde dezembro de 2013. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Até novembro deste ano, o Complexo Industrial Portuário de Suape terá um inventário de fontes poluidoras.

O documento definirá o número de estações de monitoramento do ar a ser instalada no complexo, que possui apenas uma estação.

A estação faz parte do projeto para instalar uma rede automática de monitoramento, como as de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Goiás.

Embora o inventário não esteja finalizado, a CPRH trabalha com a possibilidade de comprar, ao menos, duas estações para Suape até janeiro de 2015.

Além de Suape, a proposta é ampliar a rede de monitoramento para outros polos de desenvolvimento, a exemplo do Gesseiro, no Araripe.

Até 2007, havia um sistema que media a qualidade do ar em algumas cidades pernambucanas. Recife foi um dos lugares beneficiados.

Esse sistema, segundo a CPRH, não pode ser considerado uma rede integrada, pois as amostragens do ar eram coletadas de forma pontual.

O antigo sistema começou a funcionar nos anos 1990.

Ele teve reforço em 1995, quando a CPRH firmou parceria com a Agência de Cooperação Técnica do Governo Alemão (GTZ).

A parceria internacional possibilitou a compra de equipamentos e o aumento de locais de monitoramento da qualidade do ar.

Plantas exóticas e exóticas invasoras castigam a caatinga

Foto: Juliano Ricardo Fabricante/Divulgação

Foto: Juliano Ricardo Fabricante/Divulgação

Além do aquecimento global, a caatinga enfrenta outras adversárias.

Há décadas, plantas exóticas e exóticas invasoras provocam danos ao meio ambiente e ao sistema produtivo sem que os moradores da região tenham se dado conta do perigo.

Ao contrário, veem algumas espécies como benéficas e naturais do bioma, quando  foram introduzidas no bioma desde o Brasil Colônia.

Um grupo de estudo da Univasf, coordenado pelo professor Juliano Ricardo Fabricante, identifica essas vilãs que se passam por mocinhas.

A lista de espécies do quarto volume, lançado neste mês, traz plantas bastantes conhecidas, como a leucena, a amargosa, o capim-pé-de galinha e capim-de-burro.

E a aparentemente inofensiva boa-noite.

De flores rosas e brancas, a boa-noite ocupa quintais, terreiros e roças do semiárido, tirando o melhor do solo, produzindo substâncias tóxicas para animais e seres humanos e hospedando pragas.

Os quatro livros da Univasf detalham 20 de 63 espécies inventariadas pelo Centro de Referência Para Recuperação de Áreas Degradadas.

Mas a relação dessas espécies é bem maior.

Uma lista, publicada no ano passado, indicava mais de 130 plantas naturalizadas, equivalentes a exóticas, na caatinga.

É difícil prever as consequências futuras desse cenário.

Para revertê-lo ou amenizá-lo, precisa-se criar políticas e rubricas nos orçamentos público para se combater essas plantas.

A tendência é o agravamento de problemas ambientais e econômicos para um bioma presente em mais de dois terços de Pernambuco.