Na seca, cacto alimenta o gado

quarta-feira, 16 de maio, 2012 por jailsonpaz às 12:34 am

É triste ver a caatinga sendo destruída, no Nordeste, sem que muitos estudos sejam feitos para atestar a riqueza de sua flora.

A riqueza pode ser comprovada com o xiquexique.

Nesse tempo de estiagem, o cacto é um dos poucos sobreviventes da flora sertaneja. E alimenta o gado faminto.

Para essa tarefa, os agricultores agem cuidadosamente.

Antes de servi-lo aos animais, queima-se o cacto para acabar com os espinhos, que são muitos.

“O gosto não é lá dos melhores”, diz o vaqueiro Cláudio Olímpio de Sá, 58 anos, morador de Floresta, no Sertão pernambucano.

Mas na ausência de outros vegetais, completa o vaqueiro, o xiquexique torna-se a salvação para os bichos sujeitos à fome.

Eis um motivo para se investir na proteção da caatinga.

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Animais morrem vítimas da seca

terça-feira, 15 de maio, 2012 por jailsonpaz às 11:49 pm

Os estragos da seca estão por quase todo Pernambuco. Mas são percebidos principalmente no Sertão e Agreste.

Depois da vegetação esturricada, os animais entram na lista das vítimas da estiagem.

Em Floresta, a 434 quilômetros do Recife, os exemplos são muitos.

Desde o início deste ano, quatro reses morreram na fazenda de Ulisses de Souza Ferraz, 83 anos, vítimas da falta de água e de alimentos.

O quinto animal, lamenta o fazendeiro, pode morrer a qualquer momento. É a vaca Lavrada, que perdeu as forças.

De tão fraco, o animal ficou de pé durante oito dias graças à uma tipoia.

Ulisses, ao ver que o quadro de  Lavrada era irreversível, resolveu cortar os panos e desatar os nós das cordas que sustentavam a vaca.

O uso da tipoia também acontece no sítio de Juviniana Constança de Jesus, 73.

A agricultora dedica parte do dia para salvar três vacas.

São horas cortando palma, comprada a “preço de ouro”, e colocando água para manter de pé os animais.

“As vacas não valem nem metade do que já gastei. Gasto para não ver os bichos morrerem à míngua”, desabafa.

Se deixarem os animais deitarem, contou Ulisses, as pernas adormecem e, aos poucos, eles perdem a força por completo. E morrem.

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Rios e barragens secaram devido à estiagem

segunda-feira, 14 de maio, 2012 por jailsonpaz às 9:16 pm

Os rios, riachos, açúdes e barragens do Sertão, Agreste e na Zona da Mata retratam bem o tamanho da estiagem em Pernambuco.

As unidades que ainda não secaram estão perto disso.

Em Triunfo, conhecido pelo clima ameno e distantes 402 quilômetros do Recife, até poços estão secando. A água deixou de correr no Riacho Canaã.

“É muito difícil ver o Canaã desse jeito. A água do riacho não parava de correr há cinco anos”, disse o motorista Sidney Rufino, 37 anos.

O Canaã desemboca no Rio Pajeú, que também secou.

Imagem semelhante pode ser vista no Riacho do Chinelo, em Carnaíba, município sertanejo a 399 quilômetros da capital.

Grande parte do Chinelo está vazia.  Isso porque a barragem com o nome do riacho não sangrou neste ano.

A Barragem Barra de Juá de Floresta, longe 434 quilômetros do Recife, encontra-se em nível considerado crítico. Menos de 30% de sua capacidade.

Sem água doce por perto, os sertanejos compram água a “peso de ouro”.

A aposentada Antonia Matos, 87, de Serra Talhada, distante 412 quilômetros do Recife, paga R$ 10,00 por um tonel de 200 litros de água.

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Falta água doce no Sertão

segunda-feira, 14 de maio, 2012 por jailsonpaz às 4:48 pm

A seca está deixando o Sertão cinza. E a água doce virando artigo de luxo para  moradores da região, como a agricultura Maria Ivanete dos Santos, 37 anos. Ela mora no município de Flores, a 384 quilômetros do Recife.

Há semanas, Maria Ivonete prepara os alimentos e toda a família – nove pessoas – toma banho com água salobra. A água de boa qualidade desapareceu de açudes, rios e riachos com a estiagem. Não chove forte no município há meses.

Na casa da agricultora, a água salobra chega graças à boa vontade de um vizinho que permite o acesso a um poço artesiano. Mas o poço deu sinais de que pode secar a qualquer hora caso não chova.

“Tirar uma lata d’água tem sido coisa trabalhosa”, lamenta.

Banho tem que ser com pouca água. Difícil também tem sido lavar roupa. Maria Ivanete, ao menos uma vez por semana, vai ao Rio Pajeú. Ou melhor, anda até as poças que sobraram do curso d’água. O Pajeú está seco.

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O Titanic e a Rio+20

sábado, 12 de maio, 2012 por jailsonpaz às 11:48 pm

Clóvis Cavalcanti, economista ecológico e pesquisador social

Em que medida o destino do Titanic tem a ver com a conferência da ONU no Rio de Janeiro em 20-22 de junho próximo, a Rio+20?

Nada, aparentemente, uma vez que a grande reunião que se aproxima é uma comemoração da conferência de junho de 1992, a Cúpula da Terra, também conhecida como Rio 92, cujo tema foi meio ambiente e desenvolvimento (o da que irá ocorrer é desenvolvimento sustentável, com ênfase no que se está chamando de “economia verde”). Ambas dizem respeito às possibilidades de se promover oportunidades econômicas à luz das restrições ecológicas do planeta. É aqui que o fim do Titanic no dia 15 de abril de 1912 e o encontro da ONU se cruzariam.

A ideia vem do cineasta James Cameron, diretor do aclamado filme Titanic, que declarou, em recente programa da TV a cabo National Geographic, ser o afundamento do navio uma metáfora do que acontece no mundo, hoje, em termos de arrogância, prepotência e fé na impossibilidade de dar errado o modelo econômico de crescimento que as nações do mundo consideram como solução para o progresso.

Como se sabe, do navio, que fazia sua viagem inaugural, dizia-se que jamais naufragaria. Segundo Cameron, a enorme máquina, “esse sistema humano, marchava para frente com tal dinâmica que não podia dar volta, não podia parar a tempo de evitar um desastre”. A seu ver, “isso é o que temos agora. Não podemos dar meia volta por causa da dinâmica do sistema, da dinâmica política, da dinâmica dos negócios”.

Sobre o assunto, o blogueiro Dave Gardner, no site http://steadystate.org, postou uma coluna (“O Código do Titanic”) no dia 19.4.2012 em que considera a metáfora de Cameron bastante adequada na medida em que o tamanho do navio significa que ele não era ágil. Nem podia parar bruscamente, nem mudar de curso. Era necessário que o comandante pudesse ver muito à frente para sondar o horizonte distante e planejar o curso da viagem com antecedência.

Com uma população de 7 bilhões de pessoas, um PIB de US$ 75 trilhões, cidades em toda parte (do Nepal ao Marrocos, da China ao Brasil) entupidas de carros, obras de infraestrutura monumentais que se erguem de todos os lados, o mundo vê sua máquina econômica mover-se a todo pano, com ímpeto inexorável. Com um agravante: quase ninguém deseja vê-la parar.

Em 1992, percebia-se claramente que a Terra estava com seus limites ameaçados pelo crescimento econômico (ficou pior em 2012). Daí, a noção de desenvolvimento sustentável – que a ONU conceituou como o da economia que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de satisfação das necessidades das gerações que virão.

O uso excessivo da natureza conduz ao esgotamento não só de recursos não-renováveis, como também de renováveis cujas taxas de reposição não forem respeitadas. Isso é o que se vê agora, com a capacidade de assimilação de CO2 da atmosfera ultrapassada, pesqueiros esgotados, rios que secam, solos que se desertificam, biodiversidade que se extingue.

É nesse contexto que se persegue uma “economia verde”, um sistema que respeite a capacidade da natureza de prover recursos. Sentido da Rio%2b20. Para que não nos aconteça o destino trágico do Titanic.

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Em três anos, Prefeituras do Recife, Cabo e Petrolina concederam 2,5 mil licenças ambientais

sábado, 12 de maio, 2012 por jailsonpaz às 11:11 pm

O número de licenciamentos ambientais concedidos pelas prefeituras do Recife, Cabo e Petrolina  mostram o peso da municipalização dessa competência.

Desde 2009, os três municípios, os únicos preparados para esse tipo de serviço no estado, aprovaram mais de 2,5 mil projetos.

Os licenciamentos vão de padarias e postos de gasolina a grandes indústrias.

A média anual de processos aprovados na capital tem sido de 500. Ao todo, a  Secretaria de Meio Ambiente do Recife avalizou 1,3 mil licenças.

No Cabo, o governo municipal deu aval para 948 empreendimentos. Um deles é o complexo logístico localizado na antiga BR-101.

Petrolina aprovou cerca de 280 projetos do ponto de vista ambiental.

Os trabalhos em Petrolina, Cabo e Recife antecedem a sanção pela presidente Dilma Rousseff, em dezembro de 2012, da Lei Complementar 140.

Essa lei divide a competência do licenciamento ambiental, antes limitada à União e aos estados, com os municípios.

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Apesar de lei, 98,3% dos municípios pernambucanos não possuem serviço de licenciamento ambiental

sexta-feira, 11 de maio, 2012 por jailsonpaz às 3:31 pm

Os municípios pernambucanos terão que acelerar o passo.

Dos 184 municípios, apenas três  possuem estruturas para conceder o licenciamento ambiental. São as prefeituras do Recife e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana, e Petrolina, no Sertão.

A grande maioria dos municípios (98,3%) nem sequer deu o primeiro passo para montar os serviços de licenças, como ordena a Lei Complementar 140.

Detalhe: já se passaram seis meses que a Lei Complementar foi sancionada  pela presidente Dilma Rousseff. A sanção ocorreu no dia 8 de dezembro de 2011.

As prefeituras esbarram, principalmente, na falta de profisssionais qualificados e de recursos. Mas há, em alguns casos, pouca vontade política.

Para se ter ideia, o setor de Petrolina reúne 27 profissinais de áreas como biologia, engenharia, arquitetura, geologia e agronomia.

No Recife, a equipe técnica montada pela Secretaria de Meio Ambiente para o licenciamento conta com 52 pessoas.

Apesar da vagarosidade das prefeituras, o presidente da Associação Nacional dos Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), Mauro Buarque, acredita que a mudança não deve demorar muito a ser feita.

Ele acredita que isso vai ocorrer à medida que empresas e órgãos  públicos procurarem os serviços municipais.

Até que esses serviços sejam montados, os licenciamentos continuam sendo feitos pelo estado e pela União.

A Lei Complementar 140 dá competência às prefeituras para licenciamente projetos exclusivos de seus municípios.

No caso de dois ou mais municípios, a tarefa cabe ao estado.

A União licenciará projetos, segundo a lei, que envolva dois ou mais estados.

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Ovos verdadeiros por ovos falsos

domingo, 6 de maio, 2012 por jailsonpaz às 12:39 pm

A eliminação da garças-vaqueiras no Arquipélago de Fernando de Noronha vai entrar em uma nova etapa a partir de junho.

Desde janeiro deste ano, 300 aves foram capturadas por gaviões e, posteriormente, mortas e incineradas.

Além da captura das aves, considerada uma espécie invasora,  planeja-se a substituição dos ovos.

A técnica está sendo discutida, podendo os ovos verdadeiros virem a ser trocados, por exemplo, por ovos de isopor.

Outra possibilidade é cozinhar os ovos das garças e recolocá-los nos ninhos. 

“Não se pode é quebrar os ovos, pois aa garças, ao se fazer isso, tendem a pôr mais ovos”, explicou o veterinário Carlos Diógenes Ferreira de Lima Filho, da Coordenação de Meio Ambiente do arquipélago.

Segundo o biólogo e coordenador da Hayabusa Falcoaria e Consultorias Ambiental, Gustavo Trainini, a substituição deve acontecer em setembro e outubro deste ano. Esse é o período de reprodução das garças.

Desde janeiro, a Hayabusa, empresa do Rio Grande do Sul, tem empregado três gaviões-de-asa-telha para capturar as aves invasoras.

Além dos gaviões, oito biólogos, veterniários e falcoeiros gaúchos- nome dado a quem trabalha com falcões, gaviões e corujas – se revezam nesse trabalho.

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Mortas e incineradas

sábado, 5 de maio, 2012 por jailsonpaz às 4:48 pm

Fernando de Noronha vem sendo tomado pelas garças-vaqueiras há cerca de 30 anos.

As primeiras aves apareceram no arquipélado no começo dos anos 1980.

Existem duas possibilidades para a chegada das invasores nas ilhas administradas pelo governo de Pernambuco.

Uma delas é que as primeiras garças partiram do Brasil.

A outra possibilidade é de que  tenham vindo da África.

Estudiosos no assunto acham mais improvável essa segunda hipótese devido à distância entre o continente africano e Fernando de Noronha.

De onde quer que tenham partido, as garças-vaqueiras encontraram um ambiente propício para reprodução no arquipélago.

No planejamento da campanha de captura das aves, iniciada em janeiro deste ano, acreditava-se haver cerca de 1 mil garças.

As contas agora, com o fim da terceira etapa da campanha, apontam que existiam cerca de 600 animais.

Desses 600, metade teria sido capturada por gaviões-de-asa-telha, trazidos especialmente do Rio Grande do Sul para a tarefa.

Os três gaviões empregados apanharam fêmeas e machos,  adultos e jovens.

Muitas aves chegam à equipe de veterinários, biólogos e falcoeiros ainda vivas.

O veterinário Carlos Diógenes explica que as garças são posteriormente mortas, seguindo padrões determinados pela saúde pública, e incineradas.

Todo trabalho em Fernando de Noronha é comandado pelo coordenador de Meio Ambiente  Alexandre Lopes.

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Garças são capturadas e mortas, com ajuda de gaviões, em Fernando de Noronha

sábado, 5 de maio, 2012 por jailsonpaz às 4:06 pm

As garças estão desaparecendo de Fernando de Noronha.

Mas ao contrário do que possa parecer, isso é uma boa notícia.

Afinal, as garças são de uma espécie invasora no arquipélago.

Trezentas aves foram capturadas e mortas desde janeiro, quando a administração iniciou a campanha para eliminá-las.

A captura das garças – todas do tipo vaqueira - vem sendo feita com três gaviões, trazidos de Porto Alegre (Rio Grande do Sul).

Os animais participaram até  quinta-feira da terceira etapa da campanha.

Nos últimos anos, as garças  tornaram-se um problema ambiental, de saúde pública e para a aviação em Fernando de Noronha.

Duas aves, em janeiro deste ano, quase provocaram um acidente aéreo ao se chocarem com uma aeronave no aeroporto local.

Do ponto de vista ambiental, explicou o veterinário Carlos Diógenes Ferreira de Lima Filho, as garças oferecem dois riscos.

Elas se alimentam em grande escala da mabuia, um pequeno réptil da ilha, o que põem em risco essa espécie nas ilhas.

Ao mesmo tempo, as invasoras disputam espaços com aves milenares de Fernando de Noronha, a exemplo dos atobás.

“As garças-vaqueiras também são um perigo à saúde pública”, alerta Carlos Diógenes, da coordenação de Meio Ambiente do arquipélago.

Essas aves invasoras portam a salmonela, bactéria que causa problemas gastrointestinais graves nos seres humanos.

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