
Termômetro registrou 36,2° C no cruzamento da Rua São João com a Dantas Barreto. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press
A disposição geométrica das ruas e dos bairros têm influência na formação das ilhas de calor no Recife.
Prova disso é a Avenida Dantas Barreto, em São José e Santo Antônio, como aponta o estudo do mestre em geografia pela UFPE Luís Augusto Bakker Vital.
O pesquisador, ao analisar três pontos da via, identificou variações de temperatura de quase 7°C. Ele também avaliou a umidade da avenida.
A razão das variações, explicou Luís Bakker, é a forma como os prédios foram dispostos, tendo reflexo direto na circulação dos ventos na avenida.
O pesquisador fez análises durante 24 dias, sendo metade em dezembro e o restante em julho e agosto do ano passado, em três pontos da Dantas Barreto.
Três medições diárias eram feitas em cada lugar .
Os pontos de medição foram a calçada do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o Pátio do Carmo e a calçada da avenida próximo à Rua São João.
A maior diferença aconteceu em 3 de dezembro, às 9h. Registrou-se 36,2°C próximo à Rua São João e 29,4°C ao lado do TJPE.
Nessa época, detalhou ele, os ventos alísios do Nordeste circulam com facilidade próximo ao tribunal por não encontrar grandes barreiras arquitetônicas.
Considerando os pontos Rua São João e a calçada do TJPE, o estudo notou a inversão das temperaturas altas e baixas no inverno.
Isso porque os ventos circulam no sentido contrário ao dos alísios de Nordeste.
Vale lembrar que a Dantas Barreto é um dos mais antigos núcleos urbanos do Recife, onde prevalece a pavimentação ao solo natural.
E os prédios, diga-se, formam uma barreira para a circulação dos ventos.
A Avenida Nossa Senhora do Carmo, perpendicular à Dantas Barreto, funciona como um corredor para os ventos e ameniza a temperatura no Pátio do Carmo.
Luís Bakker foi orientado em sua dissertação pelo professor Ranyére Silva.