Onde está o nó da questão ecológica?

Leonardo Boff, teólogo e escritor membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra

Estamos acostumados ao discurso ambientalista generalizado pela mídia e pela consciência coletiva. Mas importa reconhecer que restringir a ecologia ao ambientalismo é incidir em grave reducionismo. Não basta uma produção de baixo carbono, mas mantendo a mesma atitude de exploração irresponsável dos bens e serviços da natureza. Seria como limar os dentes de um lobo com a ilusão de tirar a ferocidade dele. Sua ferocidade reside em sua natureza e não nos dentes.

Algo semelhante ocorre com o nosso sistema industrialista, produtivista e consumista. É de sua natureza tratar a Terra como um balcão de mercadorias a serem colocadas no mercado. Temos que superar esta visão caso quisermos alcançar um outro paradigma de relação para com a Terra e assim sustar um processo que nos pode levar a um caminho sem retorno e mesmo a um abismo.

Estamos cansados de meio-ambiente. Queremos o ambiente inteiro, vale dizer, uma visão sistêmica do sitema-Terra, do sistema-vida e do sistema-civilização humana, constituindo um grande todo, feito de redes de interdependências, complementações e reciprocidades.

Com razão a Carta da Terra tende a substituir meio-ambiente por comunidade de vida, pois a moderna biologia e cosmologia nos ensinam que todos os seres vivos são portadores do mesmo código genético de base – os vinte aminoácidos e as quatro bases fosfatadas – desde a bactéria mais originária surgida há 3,8 bilhões de anos, passando pelas grandes florestas, os dinossauros, os colibris e chegando a nós.

A combinação diferenciada desses aminoácidos com as bases fosfatadas origina a diversidade dos seres vivos. O resultado desta constatação é que um laço de parentesco une todos os viventes, formando, de fato uma comunidade de vida a ser “cuidada com compreensão, compaixão e amor”(Carta da Terra, n. I, 2). O que São Francisco de Assis intuía em sua mística cósmica, chamando a todos os seres com o doce nome de irmãos e irmãs, nós o sabemos por um experiento científico.
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Recife terá, ainda neste ano, carros elétricos para aluguel

Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

A entrada em operação do sistema de compartilhamento de carros elétricos no Recife – Car Sharing – é daquelas projetos indispensáveis para sensibilizar a população da importância e da viabilidade do emprego de energia limpa.

Do ponto de vista ambiental, os carros elétricos são comprovadamente menos poluentes que os movidos a combustíveis fósseis. O que impede o deslanche da experiência é o preço médio do veículo.

O valor de um carro elétrico alcança até R$ 200 mil no Brasil, enquanto no Japão, com incentivo governamental, chega a R$ 53 mil. Mesmo com esse incentivo, o preço supera os de carros movidos a gasolina.

O valor desses carros no Brasil varia entre as regiões, que possuem impostos diferentes. Em algumas, a tributação supera 120%.

Tais números refletem na estatística de vendas. Em 2013, por exemplo, apenas cerca de 500 veículos elétricos foram licenciados no Brasil, enquanto se negociou 189 mil a gasolina e 3,1 milhões flex fuel.

O país não pode se prender somente à lógica do preço. Esse cairá com a produção em maior escala dos carros elétricos, que, por sua vez, terá forte impacto no combate à poluição.

Logo, o início do projeto de compartilhamento no Recife terá o caráter pioneiro no país e educativo.  E a princípio, três carros serão disponibilizados em pontos dos bairros do Recife e Santo Amaro.

A estimativa do Porto Digital, à frente do projeto é que mais de 20 pessoas utilizem mensalmente os veículos. O número de usuários deve crescer em março de 2015 com a abertura do projeto para a população.

Durante um mês, a partir desegunda-feira (15), os três carros disponíveis na capital pernambucana funcionarão em fase de teste.

Em três anos, 13 municípios terão usinas eólicas em Pernambuco

Pernambuco terá 13 municípios com parques eólicos até o fim de 2017.

Gravatá, Macaparana e Pombos, no Agreste, são os únicos municípios com unidades instaladas e em funcionamento.

Há parques sendo projetados ou construídos no Agreste e no Sertão.

Esses pontos ficam em áreas de Araripina, Caetés, Capoeiras, Iati, Paranatama, Pedra, Pesqueira, Poção, Saloá, Tacatau e Venturosa.

Além desses investimentos em andamento, segundo o governo do estado, existem estudos para outras usinas sem contratos prévios.

Os estudos incluem Arcoverde, no Sertão, Belo Jardim, Caetés, Poção e Pesqueira, no Agreste.

Estima-se que o estado terá capacidade de produzir 882 megawatts de energia, a partir dos ventos, até o final de 2017.

Com informações da repórter Tatiana Pimentel, do Diario de Pernambuco

Salvem os nossos rios

Reno, que cruza a Colonia, na Alemanha, já foi um rios mais poluídos da Europa. Crédito: Koln/Divulgação

Reno, que cruza a cidade de Colonia, na Alemanha, já foi um rios mais poluídos da Europa. Crédito: Koln/Divulgação

Lázaro Guimarães, magistrado

Quem percorre a Europa sente o quanto são bem cuidados os rios e como servem a tantos fins, como o transporte, o passeio, o abastecimento de água, a geração de energia ou o simples deleite de paisagens.

O Reno é usado o ano inteiro para excursões em paquetes de luxo pelas belas cidades da Suiça, França, Alemanha e Holanda, além de ligar uma boa parte do continente por meio de barcaças de carga. O Tâmisa e o Sena atraem milhões e turistas para romântica navegação gastronômica.

O que impede os rios brasileiros, muito mais numerosos, de serem menos poluídos e melhor aproveitados?

Agora mesmo, preconiza-se até a morte do rio São Francisco, que é vital para o Nordeste e serve também, fortemente, à economia de Minas Gerais. Das suas águas depende a geração de energia de Paulo Afonso, Xingó, bem como a agricultura irrigada da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, dentre várias outras utilidades, constituindo fonte essencial de vida de milhares de comunidades.

Capibaribe sofre com o assoreamento. Crédito: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

Capibaribe sofre com assoreamento e despejos de esgoto doméstico e lixo. Crédito: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

No Recife, Capibaribe e Beberibe, ao passar pelas pontes da cidade, tão bela quanto suas congêneres europeias, deveriam servir de meio de transporte e de lazer. Estão sub-aproveitados, sujos, tragados pela erosão, como os demais em todo o país.

O Sudeste vê secarem as represas, sumirem os rios. São Paulo enfrenta a sua pior crise de abastecimento de água de todos os tempos e o problema ameaça se estender ao Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Há, contudo, notícia que devolve a esperança de que essa grave situação seja revertida. Engenheiros e arquitetos reunidos em congresso aprovaram moção de aplauso ao projeto apresentado pelo engenheiro e político João Alves, atual prefeito de Aracaju, que visa a revitalização do Rio São Francisco, com base nas experiências dos países europeus e dos Estados Unidos. Trata-se de estudo meticuloso sobre novas técnicas de restauração e proteção permanente de rios.

Com um investimento bem menor, por exemplo, que as obras de transposição, cuidar-se-ia, desde já, de salvar o Velho Chico, antes que se abata a tragédia anunciada da perda do rio da integração nacional.

E esse mesmo projeto poderia ser aproveitado para restaurar os demais cursos d’água que são grandes riquezas, desprezadas no Brasil.

O caminho para a sustentabilidade

Incêndios florestais estão entre as causas do desequilíbrio ambiental. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Incêndios florestais figuram entre as causas do desequilíbrio ambiental. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ary Avellar Diniz
Pedagogo e diretor da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS)

A era industrial, iniciada no mundo contemporâneo em fins do século 19, tem proporcionado extraordinário crescimento científico em favor da humanidade. Por outro lado, o progresso desordenado resulta em tristes consequências ao planeta Terra.

As catástrofes ocasionadas pelo ritmo de crescimento desordenado são as mais variadas: erupções vulcânicas incessantes; terremotos no Chile, na China e até no Brasil, outrora nunca presenciados; enchentes provocadas pelos rios ocupados pelo homem, que buscam apenas seu leito do passado; maremotos, com destaque para o tsunami acontecido no Japão; incêndios florestais, queimadas inigualáveis como as ocorridas na Califórnia e na Austrália, aumentando muito a poluição do ar; crescentes furacões nos Estados Unidos, a exemplo do Katrina, que arrasou o sul da Flórida, Nova Orleans, Alabama, Mississippi e o estado de Louisiana; os criminosos desmatamentos da Amazônia, só detectados por satélites. Outro assunto que merece atenção é o lançamento sem volta de artefatos ao espaço, o que talvez possa prejudicar, futuramente, o perfeito equilíbrio do Sistema Solar. Espera-se que não aconteça um mal maior.

Felizmente, o homem responsável, preocupado com o meio ambiente, programa reuniões em congressos mundiais, emitindo sinais de alerta à humanidade: como a “Eco 92”, no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992, e outros eventos.

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Construção de canal, que desaguaria em Enseada dos Corais, é suspensa no Cabo de Santo Agostinho

Ao acatar a notificação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e suspender as obras do Canal do Boto, em Enseada dos Corais, a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho jogou luz para os erros urbanísticos que os municípios cometem na faixa de terra junto ao mar.

As obras estão suspensas desde a semana passada, quando a prefeitura se comprometeu com a promotora de Justiça Janaína Sacramento em encaminhar ao MPPE estudos técnicos sobre a desova de tartarugas e a erosão marinha, além de monitorar ligações clandestinas de esgoto ao canal.

A necessidade da construção do canal é a consequência, no mínimo, da ocupação urbana sem o devido planejamento e acompanhamento do município. Ali, como se viu em regiões alagadiças do Recife, São José da Coroa Grande, Jaboatão dos Guararapes e Paulista, imóveis surgiram após imensos aterros.

Para se fazer o alicerce de determinadas casas em Enseada dos Corais, o volume de terra superou a altura de um metro. A rede natural de escoamento – riachos e córregos – desapareceu quase que por completo e sem ela vieram os alagamentos.

Isso jamais foi segredo, embora gestores públicos tenham agido com vista grossa para a questão. E o que se tenta agora no Cabo é reduzir danos, mas, ao contrário do passado, respeitando-se as leis de proteção ao meio ambiente.

Pode-se alegar que nos anos 1980, época da abertura do loteamento em Enseada, a legislação ambiental era mais frouxa ou inexistia?

Esse seria um argumento plausível, mas gestores e técnicos, com as experiências da época, tinham a noção do que poderia acontecer na praia do Cabo e nos mangues aterrados de Jaboatão e do Recife.

Cachoeira do Urubu recebe título de parque estadual, mas lixo continua sendo problema grave

Foto: Cremepe/Divulgação

Foto: Cremepe/Divulgação

A Cachoeira do Urubu, em Primavera, na Mata Sul, figura habitualmente entre as principais alternativas de lazer e contemplação no estado.

A queda d’água e o seu entorno mereceram o título de parque estadual em 2013. Título merecido, sem dúvida.

Mas do decreto para a realidade, a história é outra.

Medidas para tornar o lugar digno da denominação começaram a ser adotadas, porém vagarosas, o que pode refletir em mais degradação.

Louva-se o fechamento de pontos comerciais para o bem da natureza e da saúde pública, mas as ações de educação ambiental, incluindo-se as relacionadas ao descarte dos resíduos, pouco andam.

E a qualidade da água para o banho, objetivo principal dos que procuram a cachoeira, está também ligada ao destino do lixo.

Daí, compreensível é a recomendação do Ministério Público para a retirada dos resíduos sólidos descartados inadequadamente e para a orientação para que os comerciantes utilizem contêineres destinados especificamente ao lixo.

Passados meses da assinatura do decreto estadual que criou o parque não cabe a desculpa para questões básicas a um destino turístico que, por anos, foi “vendido” por seus méritos naturais e pelo acesso relativamente fácil.

Demorou, mas o Parque Dois Irmãos ganha plano de manejo

Listar as áreas verdes do Recife inclui obrigatoriamente o Parque Estadual Dois Irmãos.

Seja pelo zoológico, fincado no parque, seja pelo valor hídrico dos açudes e denúncias de crimes contra a reserva de Mata Atlântica.

Apesar desses desrespeitos ambientais, Dois Irmãos sobrevive a ocupações e à exploração indevida da fauna e da flora, provocada principalmente pelo cerco populacional da área nos últimos anos.

Mas resistência tem limite e o parque deu vários sinais disso, o que o estado parece ter compreendido ao publicar recentemente, no Diário Oficial, o plano de manejo do parque.

O documento estabelece o incentivo à pesquisa e ao monitoramento, propondo o estudo de viabilidade de corredores ecológicos.

Os corredores uniriam os 384 hectares que originalmente formavam o parque e os 744 hectares acrescidos recentemente.

Pena que a compreensão do estado para agir demorou em determinados aspectos, o que já levou a perdas irreparáveis no parque.

As denúncias de uso incorreto dos açudes, para banho e piquenique, são antigas, como velhos são os discursos para se resolver o problema.

Muito está por ser feito para preservar o parque, porém nessa briga o plano de manejo  tem papel essencial para o futuro de Dois Irmãos.

Ele supera as ações apaga incêndio e consolida o planejamento.

Se o plano será concretizado, o futuro nos dirá.

Vale lembrar que, da entrada em vigor da lei federal que exige planos de manejos para as unidades de conservação e a publicação do documento específico do parque, se passaram 14 anos. É muito tempo!

A manutenção da vida depende da preservação das florestas

Malena Damasceno, engenheira agronômica e especialista em gestão sustentável de recursos naturais

Comemorado em 21 de setembro, o Dia da Árvore é uma data que nos convida para uma reflexão profunda a respeito do que estamos fazendo pelo o meio ambiente. Pois até pouco tempo, quando falávamos em desmatamento, ouvíamos apenas discussões sobre problemas como o efeito-estufa, a perda da biodiversidade e o aumento da poluição. No entanto, com o passar dos anos, percebemos que as consequências são muito mais preocupantes.

Com as derrubadas na região amazônica, a umidade relativa do ar foi reduzida, o que tornou o clima mais seco e interferiu diretamente no volume das chuvas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, de maneira nunca antes vista. Em São Paulo, por exemplo, foi registrada uma das piores secas da história, o que resultou na baixa dos reservatórios de água que abastecem a maior metrópole do País.

Isso tudo ocorre porque a Amazônia é a responsável por bombear para a atmosfera a umidade que se transforma em chuva. Para se ter uma ideia de sua importância, uma única árvore é responsável por colocar no ar mais de 1.000 litros de água por dia. Inclusive, um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e o Instituto de Física Nuclear de São Petersburgo, na Rússia, aponta que, em algumas áreas do planeta, mais de 60% do transporte de umidade é realizado pela ação direta da floresta.

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Livro de imagens inéditas do Sertão

O entardecer em Buíque. Foto: Henrique José da Costa Moreira/Divulgação

O entardecer em Buíque. Foto: Henrique José da Costa Moreira/Divulgação

Ao percorrer o Nordeste, o engenheiro Henrique José da Costa Moreira passou a comungar da frase do escritor Guimarães Rosa:

“O Sertão é do tamanho do mundo”.

O engenheiro dimensionou esse mundo através de fotografias captadas ao percorrer 25 quilômetros em cinco expedições.

As andanças foram feitas em mais de 100 municípios de Pernambuco, Bahia, Piauí, Ceará, Paraíba, Alagos e Sergipe.Parte dos registros ilustram o livro “Olhos da Caatinga”, com 400 páginas e lançado em comemoração aos 40 anos da FMC Agrícola.

A publicação retrata desde a fauna à flora nordestina, passando pelo artesanato, habitantes e relevo dos sertões nordestinos.

De Pernambuco, o livro apresenta imagens dos municípios de Buíque, com destaque para o Vale do Catimbau, e de Petrolina.

É possível “folhear” toda a obra pelo endereço afmcagricola.com.br.