Demorou, mas o Parque Dois Irmãos ganha plano de manejo

Listar as áreas verdes do Recife inclui obrigatoriamente o Parque Estadual Dois Irmãos.

Seja pelo zoológico, fincado no parque, seja pelo valor hídrico dos açudes e denúncias de crimes contra a reserva de Mata Atlântica.

Apesar desses desrespeitos ambientais, Dois Irmãos sobrevive a ocupações e à exploração indevida da fauna e da flora, provocada principalmente pelo cerco populacional da área nos últimos anos.

Mas resistência tem limite e o parque deu vários sinais disso, o que o estado parece ter compreendido ao publicar recentemente, no Diário Oficial, o plano de manejo do parque.

O documento estabelece o incentivo à pesquisa e ao monitoramento, propondo o estudo de viabilidade de corredores ecológicos.

Os corredores uniriam os 384 hectares que originalmente formavam o parque e os 744 hectares acrescidos recentemente.

Pena que a compreensão do estado para agir demorou em determinados aspectos, o que já levou a perdas irreparáveis no parque.

As denúncias de uso incorreto dos açudes, para banho e piquenique, são antigas, como velhos são os discursos para se resolver o problema.

Muito está por ser feito para preservar o parque, porém nessa briga o plano de manejo  tem papel essencial para o futuro de Dois Irmãos.

Ele supera as ações apaga incêndio e consolida o planejamento.

Se o plano será concretizado, o futuro nos dirá.

Vale lembrar que, da entrada em vigor da lei federal que exige planos de manejos para as unidades de conservação e a publicação do documento específico do parque, se passaram 14 anos. É muito tempo!

A manutenção da vida depende da preservação das florestas

Malena Damasceno, engenheira agronômica e especialista em gestão sustentável de recursos naturais

Comemorado em 21 de setembro, o Dia da Árvore é uma data que nos convida para uma reflexão profunda a respeito do que estamos fazendo pelo o meio ambiente. Pois até pouco tempo, quando falávamos em desmatamento, ouvíamos apenas discussões sobre problemas como o efeito-estufa, a perda da biodiversidade e o aumento da poluição. No entanto, com o passar dos anos, percebemos que as consequências são muito mais preocupantes.

Com as derrubadas na região amazônica, a umidade relativa do ar foi reduzida, o que tornou o clima mais seco e interferiu diretamente no volume das chuvas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, de maneira nunca antes vista. Em São Paulo, por exemplo, foi registrada uma das piores secas da história, o que resultou na baixa dos reservatórios de água que abastecem a maior metrópole do País.

Isso tudo ocorre porque a Amazônia é a responsável por bombear para a atmosfera a umidade que se transforma em chuva. Para se ter uma ideia de sua importância, uma única árvore é responsável por colocar no ar mais de 1.000 litros de água por dia. Inclusive, um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e o Instituto de Física Nuclear de São Petersburgo, na Rússia, aponta que, em algumas áreas do planeta, mais de 60% do transporte de umidade é realizado pela ação direta da floresta.

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Livro de imagens inéditas do Sertão

O entardecer em Buíque. Foto: Henrique José da Costa Moreira/Divulgação

O entardecer em Buíque. Foto: Henrique José da Costa Moreira/Divulgação

Ao percorrer o Nordeste, o engenheiro Henrique José da Costa Moreira passou a comungar da frase do escritor Guimarães Rosa:

“O Sertão é do tamanho do mundo”.

O engenheiro dimensionou esse mundo através de fotografias captadas ao percorrer 25 quilômetros em cinco expedições.

As andanças foram feitas em mais de 100 municípios de Pernambuco, Bahia, Piauí, Ceará, Paraíba, Alagos e Sergipe.Parte dos registros ilustram o livro “Olhos da Caatinga”, com 400 páginas e lançado em comemoração aos 40 anos da FMC Agrícola.

A publicação retrata desde a fauna à flora nordestina, passando pelo artesanato, habitantes e relevo dos sertões nordestinos.

De Pernambuco, o livro apresenta imagens dos municípios de Buíque, com destaque para o Vale do Catimbau, e de Petrolina.

É possível “folhear” toda a obra pelo endereço afmcagricola.com.br.

Apenas 10% dos resíduos das construções são reciclados no Grande Recife

Pioneira em Pernambuco, a Ciclo Ambiental reprocessa e recicla resíduos da construção civil. Foto> Blenda Souto Maior/DP/D.A.Press

Pioneira em Pernambuco, a Ciclo Ambiental reprocessa e recicla resíduos da construção civil. Foto Blenda Souto Maior/DP/D.A.Press

Dados da construção civil mostram o quanto a Região Metropolitana do Recife (RMR) precisa melhorar no campo da reciclagem de resíduos.

Desde 2007, as construtoras são obrigadas a adotar um plano de gerenciamento e a destinarem corretamente o lixo das obras.

A exigência legal para veio com a Resolução nº 307 do Conama.

Passados sete anos, no entanto, a construção civil reaproveita apenas 10% das quatro mil toneladas de resíduos geradas por dia na RMR.

A lista dos resíduos inclui cimento, gesso, areia, madeira, papel e ferro.

Entre os empecilhos para o reaproveitamento e o gerenciamento, segundo especialistas, é a falta de controle das construções informais.

As pequenas construções geram 70% dos resíduos do setor.

Outro entrave é que existem apenas três empresas especializadas no gerenciamento de resíduos na RMR, número considerado baixo.

Instalada em Camaragibe, a Ciclo Ambiental recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos por mês. A partir delas, produz areia e brita.

Com informações de Rosa Falcão, repórter do Diario de Pernambuco

Lixo que vira lixo

Carlos Melo, engenheiro agrônomo

capa-planoNo dia 2 de agosto encerrou-se o prazo dado pelo governo federal para que as prefeituras fechassem os seus lixões. Pois bem, sabem o que aconteceu? Apenas 26 prefeituras das 184 do estado, cerca de 15%, cumpriram em boa parte o que diz a lei.

A rigor, isso deveria ter acontecido em 2012, mas o governo postergou para 2014 essa exigência. De anda adiantou. Tem prefeito, pasmem, alegando que foi eleito para ser gestor do município e não gestor de lixo. Até essas desculpas estão sendo dadas.

A pergunta que cabe é a seguinte: de que é a culpa? …Continue lendo…

Erosão destrói área de parque

Foto: Jailson da Paz/DP/D.A.Press

Foto: Jailson da Paz/DP/D.A.Press

Criado em 1979, o Parque Metropolitana Armando Holanda Cavalcanti, no Cabo de Santo Agostinho, enfrenta graves problemas de erosão.

As feridas no solo podem ser encontradas em vários pontos do parque, principalmente no trecho entre o farol e as ruínas da casa do faroleiro.

O fenômeno, com o inverno, ampliou a área erodida e atingiu trechos com vegetação nativa, soterrando as espécies menores.

Esse processo é, ao lado das invasões, um dos principais problemas do parque, que possui áreas de mata atlântica e imóveis tombados.

As invasões de terra, que resultaram no surgimento de centenas de casas, aconteceram nas localidades de Gaibu, Suape e Calhetas.

Por conta delas, o Ministério Público recomendou ações ao município, às  companhias de energia e água e ao Complexo de Suape.

O parque possui áreas de mata atlântica e imóveis tombados.

Suape terá fontes poluidoras identificadas por inventário

Primeira estação de monitoramento do ar funciona em Suape desde dezembro de 2013. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Primeira estação de monitoramento do ar funciona desde dezembro de 2013. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Até novembro deste ano, o Complexo Industrial Portuário de Suape terá um inventário de fontes poluidoras.

O documento definirá o número de estações de monitoramento do ar a ser instalada no complexo, que possui apenas uma estação.

A estação faz parte do projeto para instalar uma rede automática de monitoramento, como as de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Goiás.

Embora o inventário não esteja finalizado, a CPRH trabalha com a possibilidade de comprar, ao menos, duas estações para Suape até janeiro de 2015.

Além de Suape, a proposta é ampliar a rede de monitoramento para outros polos de desenvolvimento, a exemplo do Gesseiro, no Araripe.

Até 2007, havia um sistema que media a qualidade do ar em algumas cidades pernambucanas. Recife foi um dos lugares beneficiados.

Esse sistema, segundo a CPRH, não pode ser considerado uma rede integrada, pois as amostragens do ar eram coletadas de forma pontual.

O antigo sistema começou a funcionar nos anos 1990.

Ele teve reforço em 1995, quando a CPRH firmou parceria com a Agência de Cooperação Técnica do Governo Alemão (GTZ).

A parceria internacional possibilitou a compra de equipamentos e o aumento de locais de monitoramento da qualidade do ar.

Plantas exóticas e exóticas invasoras castigam a caatinga

Foto: Juliano Ricardo Fabricante/Divulgação

Foto: Juliano Ricardo Fabricante/Divulgação

Além do aquecimento global, a caatinga enfrenta outras adversárias.

Há décadas, plantas exóticas e exóticas invasoras provocam danos ao meio ambiente e ao sistema produtivo sem que os moradores da região tenham se dado conta do perigo.

Ao contrário, veem algumas espécies como benéficas e naturais do bioma, quando  foram introduzidas no bioma desde o Brasil Colônia.

Um grupo de estudo da Univasf, coordenado pelo professor Juliano Ricardo Fabricante, identifica essas vilãs que se passam por mocinhas.

A lista de espécies do quarto volume, lançado neste mês, traz plantas bastantes conhecidas, como a leucena, a amargosa, o capim-pé-de galinha e capim-de-burro.

E a aparentemente inofensiva boa-noite.

De flores rosas e brancas, a boa-noite ocupa quintais, terreiros e roças do semiárido, tirando o melhor do solo, produzindo substâncias tóxicas para animais e seres humanos e hospedando pragas.

Os quatro livros da Univasf detalham 20 de 63 espécies inventariadas pelo Centro de Referência Para Recuperação de Áreas Degradadas.

Mas a relação dessas espécies é bem maior.

Uma lista, publicada no ano passado, indicava mais de 130 plantas naturalizadas, equivalentes a exóticas, na caatinga.

É difícil prever as consequências futuras desse cenário.

Para revertê-lo ou amenizá-lo, precisa-se criar políticas e rubricas nos orçamentos público para se combater essas plantas.

A tendência é o agravamento de problemas ambientais e econômicos para um bioma presente em mais de dois terços de Pernambuco.

Estudo inclui Pernambuco entre os estados sem rede de monitoramento da qualidade do ar

Foto: Fellipe Castro/Esp. Aqui PE/D.A. Press

Foto: Fellipe Castro/Esp. Aqui PE/D.A. Press

Pernambuco está fora da lista das 11 unidades federativas, o que representa 40,7% do país, com redes para verificar as condições do ar.

Bahia e Sergipe são as únicas do Nordeste, segundo a pesquisa Monitoramento da Qualidade do Ar no Brasil, com uma rede.

O estudo foi elaborado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, que incluiu Pernambuco entre os estados que, por aspectos de risco, precisam ter a situação de monitoramento avaliada ou reavaliada.

Por risco, entenda-se tamanhos da frota veicular e do parque industrial, habitantes e densidade demográfica, a quinta mais alta do país.

Essa combinação tem se fortalecido nos últimos anos, embora as ações para monitorar a qualidade do ar tenham minguado.

O sistema para a coleta de amostras do ar, implantado em 1991, foi desativado pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) em 2007.

Seis anos depois, em dezembro de 2013, a CPRH retomou a política de monitoramento, inaugurando uma estação no Complexo de Suape.

O complexo concentra, em operação ou prestes a funcionar, plantas industriais bastante “sujas”, as de refino de petróleo e termelétrico.

Isso bastaria para o estado acelerar a implantação de pontos da rede não somente em Suape, mas em toda Região Metropolitana.

Destaque-se que apenas 1,7% dos municípios brasileiros tem o sistema de monitoramento do ar.  O indíce pernambucano é zero.

Em 2010, estudo das universidades de São Paulo (USP) e Federal de Pernambuco (UFPE) apontou o Recife entre as seis capitais de maior poluição atmosférica.

E a situação do Recife se agravou, com o aumento da população e do parque industrial. O número de veículos cresceu quase 30%.

Três animais silvestres são entregues por dia na CPRH

Filhote de jacaré de papo amarelo, resgatado no Recife e entregue à CPRH. Foto: CPRH/Divulgação

Filhote de jacaré de papo amarelo resgatado no Recife e entregue à CPRH. Foto: CPRH/Divulgação

Desde o final de abril deste ano, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) contabilizou a entrega voluntária de 230 animais silvestres.

O número dá uma média de três entregas por dia.

As idas voluntárias cresceram após ao acordo de cooperação entre a CPRH e o Ibama, antigo responsável pelo recebimento desses animais.

A lista de entregas inclui gaviões, coruojas, jacarés e bichos-preguiça.

“Infelizmente, a maioria destes animas é entregue com algum tipo de trauma”, disse o biólogo da CPRH, Eduardo Vasconcelos.

Os animais, completou Vasconcelos, costumam chegar à agência com sinais de atropelamentos ou feridas provocados por pedras e paus.

Embora a CPRH seja o local certo para as entregas, o resgate de animais pode ser feito pelas brigadas ambientais, Cipoma e Corpo de Bombeiros.