Plantas exóticas e exóticas invasoras castigam a caatinga

Foto: Juliano Ricardo Fabricante/Divulgação

Foto: Juliano Ricardo Fabricante/Divulgação

Além do aquecimento global, a caatinga enfrenta outras adversárias.

Há décadas, plantas exóticas e exóticas invasoras provocam danos ao meio ambiente e ao sistema produtivo sem que os moradores da região tenham se dado conta do perigo.

Ao contrário, veem algumas espécies como benéficas e naturais do bioma, quando  foram introduzidas no bioma desde o Brasil Colônia.

Um grupo de estudo da Univasf, coordenado pelo professor Juliano Ricardo Fabricante, identifica essas vilãs que se passam por mocinhas.

A lista de espécies do quarto volume, lançado neste mês, traz plantas bastantes conhecidas, como a leucena, a amargosa, o capim-pé-de galinha e capim-de-burro.

E a aparentemente inofensiva boa-noite.

De flores rosas e brancas, a boa-noite ocupa quintais, terreiros e roças do semiárido, tirando o melhor do solo, produzindo substâncias tóxicas para animais e seres humanos e hospedando pragas.

Os quatro livros da Univasf detalham 20 de 63 espécies inventariadas pelo Centro de Referência Para Recuperação de Áreas Degradadas.

Mas a relação dessas espécies é bem maior.

Uma lista, publicada no ano passado, indicava mais de 130 plantas naturalizadas, equivalentes a exóticas, na caatinga.

É difícil prever as consequências futuras desse cenário.

Para revertê-lo ou amenizá-lo, precisa-se criar políticas e rubricas nos orçamentos público para se combater essas plantas.

A tendência é o agravamento de problemas ambientais e econômicos para um bioma presente em mais de dois terços de Pernambuco.

Estudo inclui Pernambuco entre os estados sem rede de monitoramento da qualidade do ar

Foto: Fellipe Castro/Esp. Aqui PE/D.A. Press

Foto: Fellipe Castro/Esp. Aqui PE/D.A. Press

Pernambuco está fora da lista das 11 unidades federativas, o que representa 40,7% do país, com redes para verificar as condições do ar.

Bahia e Sergipe são as únicas do Nordeste, segundo a pesquisa Monitoramento da Qualidade do Ar no Brasil, com uma rede.

O estudo foi elaborado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, que incluiu Pernambuco entre os estados que, por aspectos de risco, precisam ter a situação de monitoramento avaliada ou reavaliada.

Por risco, entenda-se tamanhos da frota veicular e do parque industrial, habitantes e densidade demográfica, a quinta mais alta do país.

Essa combinação tem se fortalecido nos últimos anos, embora as ações para monitorar a qualidade do ar tenham minguado.

O sistema para a coleta de amostras do ar, implantado em 1991, foi desativado pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) em 2007.

Seis anos depois, em dezembro de 2013, a CPRH retomou a política de monitoramento, inaugurando uma estação no Complexo de Suape.

O complexo concentra, em operação ou prestes a funcionar, plantas industriais bastante “sujas”, as de refino de petróleo e termelétrico.

Isso bastaria para o estado acelerar a implantação de pontos da rede não somente em Suape, mas em toda Região Metropolitana.

Destaque-se que apenas 1,7% dos municípios brasileiros tem o sistema de monitoramento do ar.  O indíce pernambucano é zero.

Em 2010, estudo das universidades de São Paulo (USP) e Federal de Pernambuco (UFPE) apontou o Recife entre as seis capitais de maior poluição atmosférica.

E a situação do Recife se agravou, com o aumento da população e do parque industrial. O número de veículos cresceu quase 30%.

Três animais silvestres são entregues por dia na CPRH

Filhote de jacaré de papo amarelo, resgatado no Recife e entregue à CPRH. Foto: CPRH/Divulgação

Filhote de jacaré de papo amarelo resgatado no Recife e entregue à CPRH. Foto: CPRH/Divulgação

Desde o final de abril deste ano, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) contabilizou a entrega voluntária de 230 animais silvestres.

O número dá uma média de três entregas por dia.

As idas voluntárias cresceram após ao acordo de cooperação entre a CPRH e o Ibama, antigo responsável pelo recebimento desses animais.

A lista de entregas inclui gaviões, coruojas, jacarés e bichos-preguiça.

“Infelizmente, a maioria destes animas é entregue com algum tipo de trauma”, disse o biólogo da CPRH, Eduardo Vasconcelos.

Os animais, completou Vasconcelos, costumam chegar à agência com sinais de atropelamentos ou feridas provocados por pedras e paus.

Embora a CPRH seja o local certo para as entregas, o resgate de animais pode ser feito pelas brigadas ambientais, Cipoma e Corpo de Bombeiros.

Técnicos vistoriam área destinada a parque para preservação do tatu-bola

Guardo a imagem do tatu-bola desde a infância.

Caçador, meu pai retornou um dia da caatinga, entre as inúmeras vezes que se embrenhou mato adentro, trazendo aquele animal curioso.

Não lembro o destino dado ao bicho e jamais me deparei com o mamífero, cuja preservação voltou ao debate ao ser escolhido mascote da Copa do Mundo.

Nas discussões sobre o assunto, o trabalho do Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas (Crad) da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) merece destaque.

Partiu do biólogo José Alves Siqueira Filho, à frente do centro, a proposta para se criar um parque estadual destinado a proteger o tatu-bola, espécie não encontrada em em Pernambuco há dez anos.

A proposta entrou em fase decisiva nesta semana.

Técnicos do governo do estado se juntaram ontem a integrantes do Crad para vistoriar a área reservada à unidade de conservação.

A sugestão do biólogo prevê um parque com 75,6 mil hectares, espalhados nos municípios sertanejos de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista.

O tamanho da área pode parecer exagerada aos olhos de quem reside nos perímetros urbanos, embora não seja sob a análise científica.

A preservação do mamífero e de trecho importante do bioma caatinga exige o rigor da ciência, a vontade política e recursos financeiros.

Até agora, os dois primeiros elementos estão sendo reunidos para salvar um bicho que consta na lista das 121 espécies de animais cujo risco de extinção aumentou.

A liberação dos recursos financeiros para a execução do projeto dependerá do envolvimento da sociedade, que começou a despertar para importância de se defender um bioma e uma espécie que é a “cara” do semiárido nordestino.

Mangue vira cemitério de pneus

 

Foto: Fernando Melo/Divulgação

Foto: Fernando Melo/Divulgação

Além de desmatados, os manguezais de Igarassu estão virando lixões.

Um exemplo é um mangue próxima à comunidade Beira Mar II, onde nas última semanas tem aumentado o descarte de pneus velhos.

O descarte costuma ser feito por pessoas de outras comunidades e geralmente, segundo testemunhas, ligadas a borracharias e oficinas.

Entre os pneus jogados fora, há peças ainda inteiras, embora rasgadas e com ferragem à mostra, ou apenas pedaços deles.

A queixa de moradores é quanto à ausência de fiscalização.

Eles dizem ter feito denúncias a órgãos ambientais do município e do estado sem que nenhum fisca tenha aparecido no lugar.

Os pneus figuram entre os produtos cuja durabilidade é considerado por tempo indeterminado, ao serem jogados na natureza.

Índios devolvem água ao São Francisco

Em defesa do São Francisco, os índios da tribo Tingui-Botó devolveram ontem água limpa ao rio. A devolução simbólica ocorreu em Penedo, Alagoas.

O gesto foi feito após a dança do toré e uma caminhada pelas margens do rio com pescadores, professores, estudantes e servidores públicos.

“A população começa a se mobilizar em defesa do Velho Chico.  Acredito que esse movimento só irá crescer a partir de agora”, disse Maciel Oliveira.

Maciel é secretário do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), realizador e principal articulador do movimento realizado em Penedo.

Campanha propõe: vire carranca para defender o Rio São Francisco

Lixo polui águas do Velho Chico, em Petrolina. Foto: CBHSF/Divulgação

Lixo polui águas do Velho Chico, em Petrolina. Foto: CBHSF/Divulgação

Distante do São Francisco, perdi o chão quando integrantes do comitê da bacia hidrográfica do rio (CBHSF) me disseram ser possível atravessá-lo a pé.

Em que lugar?, apressei-me a perguntar.

A imagem apresentada era entre as cidades de Porto Real do Colégio, em Alagoas, e Propriá, em Sergipe. Demorei a acreditar naquela ponte extensa sobre poças.

O São Francisco escancarado ontem pelo CBHSF, em Brasília, estava distante da fotografia que minha mãe me ajudou a desenhar na memória: um rio largo, caudaloso, de águas límpidas e habitado por grandes peixes.

Fiz questão de guardar essa imagem durante anos. Afinal, por falta de maternidade no município dos meus pais, nasci em um hospital às margens do Velho Chico.

Retornei ao hospital na adolescência. Para minha surpresa, o rio tinha ganho um elemento a mais. Línguas de esgoto escorriam para a água clara do São Francisco, carregando plástico, papel, resto de alimento.

O encanto pela paisagem ribeirinha não desapareceu, porém bateu a inquietação.

A angústia veio à medida que me reencontrava com o rio e percebia a ausência ou a timidez de ações para revitalizar e proteger o Chico.

Sempre me senti sozinho com tal pensamento, o que foi quebrado com a angústia externada por professores, índios, quilombolas, agricultores, funcionários públicos ligados ao CBHSF.

As suas denúncias e apelos me conduziarm aos relatos da atual estiagem, a pior dos últimos 50 anos, e a política de se priorizar a geração de energia elétrica, o que leva ao maior represamento da água nas barragens.

Por tabela, ao despejo de lixo e erosão das margens do rio em Petrolina, ao desaparecimento da mata ciliar em Petrolânida e à invasão de peixes exóticos em Jataúba.

Era a descaracterização, ou porque não dizer o caminho para a morte, do São Francisco.

Para combater essa morte, eles me disseram ser como as  carrancas, escultura empregada pelos pescadores na proa de seus barcos para espantar os maus espíritos.

A escultura empresta, desde ontem, a alma à campanha Eu viro carranca para defender o Velho Chico. A campanha terá o ponto máximo em 3 de junho, declarado o dia para defesa de rio dito de integração nacional, mas explorado como se fosse um bem infinito.

E a água não é.

Justiça interdita três matadouros no interior de Pernambuco

A Justiça interditou por tempo indeterminado três matadouros públicos municipais de Itaíba, no Agreste.

A decisão acatou pedido do Ministério Público de Pernambuco.

Os promotores envolvidos na ação alegaram que os matadouros apresentavam risco para o meio ambiente e saúde da população.

Os matadouros possuem irregularidades no modo de abate dos animais e no armazenamento e transporte da carne.

Uma das unidades fica na área urbana de Itaíba. As outras estão localizadas no distrito de Negras e no povoado de Jirau.

A prefeitura tem 60 dias para apresentar resposta à Justiça e será multada em R$ 500 por dia se desrespeitar a decisão judicial.

Audiências públicas não bastam

Previstas por lei, as audiências públicas se tornaram recorrentes.

A cada projeto de grandes impactos sociais e ambientais, a exemplo da construção de barragens e indústrias, reserva-se horas para apresentar os estudos sobre tais projetos e para se ouvir as comunidades.

Quase sempre esses debates não conseguem unir.

O pesquisador Carlos Antonio Avelar de Melo, em artigo específico sobre a construção do Estaleiro CMO, no Complexo de Suape, defende que o debate sobre as obras de impacto negativo na vegetação não deve ficar restriro às audências públicas.

Ele defende a inclusão da comunidade científica no debate.

Ao afirmar isso, o pesquisador argumenta que o “conhecimento produzido até o momento sobre os ecossistemas estuarinos não permite sustentar as medidas mitigatórias com fundamentos científicos consolidados, nem extrair experiências de outros estudos realizados em estuários aonde porto foram construídos”.

Em resumo: as faladas ações compensatórias podem não produzir os efeitos desejados pelos estudos e relatórios de Impactos Ambientais.

Acrescento, parte de tais documentos podem ter se limitado a ser belos estudos. Nada mais.

Logo, a posição do pesquisador, exposta no recente número da Revista Pernambucana de Tecnologia, editada pelo Itep, aponta para a necessidade dos governos ampliarem as escutas, o que muitas vezes não acontecem pela pressa em executar tais projetos.

E quem mais perde com isso? O manguezal.

Livro conta a história das cisternas de placas no semiárido brasileiro

Foto: Fundação Banco do Brasil/Divulgação

Foto: Fundação Banco do Brasil/Divulgação

Apontada como umas das mais eficientes tecnologias sociais para o enfrentamento da seca, a Cisterna de placas se tornou título de livro.

A publicação analisa a cisterna dentro do contexto do semiárido e faz um relato da atuação da Fundação Banco do Brasil (FBB) nesse campo.

Desde maio de 2012, a FBB já financiou a construção de 70 mil cisternas nos nove estados que possuem o bioma Caatinga.

Exceto o Maranhão, os outros estados nordestinos possuem área no semiárido. O nono estado incluído nessa região é Minas Gerais.

Belo Jardim, Correntes, Cumaru e Garanhuns estão entre os municípios pernambucanos atendidos pelas ações da fundação.

“Quando falamos em tecnologias sociais, com frequência seu processo de construção é mais significativo que o produto em si”, disse o presidente da FBB, Caetano Minchillo.

As 70 mil cisternas resultaram de uma parceria da fundação com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), que mobiliza cerca de três organizações.

O processo construtivo conta com a participação de pedreiros e famílias das comunidades rurais beneficiadas pelo programa.

Há registros históricos, segundo o livro, que aponta o baiano Manoel Apolônio de Carvalho como o criador das cistermas de placas em 1955.

Ajudante de pedreiro, ele aprendeu a fabricar placas pré-moldadas de cimento em São Paulo, onde trabalhou na construção de piscinas.

“Imaginou então que, construindo algo semelhante, poderia armazenar água das chuvas e de alguma forma solucionar o problema crônico da seca que assolava sua regisão de origem, diz a publicação.

Manoel Apolônio, ao retornar de São Paulo para o Nordeste, passou a fazer cisternas, tendo atuado em vários estados da região.

* Blogueiro participou do lançamento do livro a convite da FBB.