Jardineiros voluntários cuidam das plantas da Estrada da Batalha

Irrigação das mudas é feita com garrafas de refrigerante. Foto: Júlio Jacocina/DP/D.A.Press

Irrigação das mudas é feita com garrafas plásticas de refrigerante. Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A.Press

Quem trafega no início da manhã pela Estrada da Batalha, em Jaboatão dos Guararapes, deve ter visto dois homens regando as árvores que sobrevivem no corredor.

Os aposentados Ramiro Machado, 81, e Luiz Gonzaga Lira, 68, resolveram agir ao perceber que as mudas plantadas pelo estado morriam por falta de cuidados.

Para o trabalho, eles não precisam de grandes recursos.

Além da dedicação diária, aos dois bastam pás, baldes e garrafas plásticas, com as quais montaram um sistema de irrigação.

A água que precisam para regar as plantas é doada por armazéns, restaurantes, oficinas, farmácias e postos de gasolina do entorno.

As empresas também contribuem para adquisição das mudas.

Mais de 200 mudas foram plantadas por Ramiro e Luiz Gonzaga desde 2012, somando a ação da Estrada da Batalha a plantações em Boa Viagem, no Recife.

Por trás do trabalho da dupla prevalecem a satisfação pessoal, a defesa do verde e o sonho de um futuro com melhor qualidade de vida.

” “Daqui a a alguns anos vamos passar por aqui (Estrada da Batalha) e teremos outra paisagem”, projeta Ramiro Machado.

Com informações de Maira Baracho, repórter do Diario de Pernambuco

Apenas 2,5% do lixo do Carnaval foram separados para reciclagem

O Carnaval passou, mas o lixo pela quantidade produzida nos focos de folia do Recife continua merecendo análise.

Se pensarmos em 11,2 toneladas, o equivalente aos recicláveis coletados, imaginaremos montes de  latas de alumínio e de garrafas plásticas, o que ocorreu no Recife Antigo.

O material reciclável recolhido foi pouco se considerado toda a coleta da Emlurb, que totalizou 449 toneladas no Carnaval. Ele representou 2,5%.

No Japão, um dos países considerados exemplo em coleta seletiva, o índice de reciclagem do lixo fica entre 40% e 50%.

Das 11,2 toneladas de recicláveis, 68,75% foram de alumínio, ou melhor, de latinhas de cerveja e de refrigerante, cujo preço do quilo é um dos mais altos.

Apesar dos baixos 2,5%, a tendência, com ações de educação ambiental e exigência legal da coleta seletiva, é que o percentual aumente em futuros carnavais.

Vale ressaltar que 3,2 toneladas de material reciclável foram entregues voluntariamente, em pontos de coleta da Emlurb, pelos foliões.

Água, bem finito

cf2011aDom Genival Saraiva, bispo emérito da Diocese de Palmares (PE)

A falta de água tem uma repercussão muito grande na vida das pessoas, das comunidades, dos rebanhos e da agricultura. Apesar de ser um problema histórico na Região Nordeste, nunca foi resolvido, por razões conhecidas – interesse de grupos políticos e econômicos, inconsistência das políticas públicas e acomodação da população.

No momento, a sociedade brasileira está se dando conta, de uma forma mais atenta, do que representa o preocupante problema da estiagem que atinge a Região Sudeste do país; as razões para esse olhar coletivo sobre a escassez hídrica no Sudeste são evidentes: a localização, a população atingida, a consequência social e econômica.

O Sudeste é o epicentro da economia nacional, porque lá estão sediados os grandes aglomerados da indústria, do comércio e dos serviços. A população, além de muito numerosa, está concentrada em metrópoles e cidades de grande, médio e pequeno porte.

As consequências sociais são visíveis aos olhos das pessoas e das lentes da mídia; os efeitos econômicos têm seu registro na contabilidade das empresas e no custo de vida da população. Nesse sentido, a repercussão da estiagem, pelos seus múltiplos efeitos, vai além dos limites geográficos dos Estados afetados, passando a ter uma dimensão nacional. Na verdade, esse fenômeno é novo para a população dessa Região porque, nessa matéria, quem vive no Nordeste conhece essa experiência de sofrimento crônico.

A CNBB colocou o problema da água no centro de uma discussão coletiva, em muitos plenários da sociedade brasileira, em algumas Campanhas da Fraternidade.

cf2004Assim o fez em 2004 – “Fraternidade e água”. Fundamentada em estudos climáticos e em dados estatísticos, a CF mostrou que a humanidade está diante de um “bem finito”, um bem que pode acabar, devido ao “uso múltiplo das águas.” Nenhum desses usos – irrigação, industrialização, produção energética e outros -, pode ter primazia sobre sua “destinação universal.” Em qualquer circunstância ou situação, a água é um elemento indispensável à vida. “Nenhum outro uso da água, nenhum interesse de ordem política, de mercado e de poder, pode se sobrepor às leis básicas da vida.”

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CPRH aplica multas de R$ 79,5 mil a criadores de aves

Fiscais trabalharam dois dias em Alagoinha. Foto: CPRH/Divulgação

Fiscais trabalharam dois dias em Alagoinha. Foto: CPRH/Divulgação

Em menos de uma semana, neste mês, quase 200 aves foram apreendidas em Alagoinha, no Agreste, e no Cabo de Santo Agostinho.

As 180 preensões em Alagoinha ocorreram por criação ilegal e maus-tratos, tendo a Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) aplicado multas de R$ 79,5 mil.

Fiscais recolheram, na maior das operações realizadas, 51 pássaros silvestres e 21 exóticos.

Noutra, a fiscalização localizou 63 aves de 23 espécies, como uma araponga e um ferreiro. Essas duas espécies figuram na lista das ameaçadas de extinção.

Além das aves, encontrou-se um tatu.O animal, preso em um tonel, estava sendo cevado para posterior consumo.

A ação em Alagoinha, no Agreste, resultou no recolhimento de alçapões e gaiolas, que foram quebrados e queimados.

Os pássaros em bom estado de saúde, segundo a CPRH, já estão livres na natureza e os demais passam por um processo de reabilitação.

No Cabo, a guarda ambiental, após denúncia anônima, fez a apreensão de 10 pássaros mantidos em cativeiro no Engenho Tiriri.

Os guardas resgataram aves como sabiá-branco e papa-capim.

Brasil está entre os 20 países que mais descartam plástico nos oceanos

Foto: Malin Jacob/Science/Divulgação

Foto: Malin Jacob/Science/Divulgação

Os oceanos recebem, em média, mais de 8 milhões de toneladas de lixo plástico por ano, segundo pesquisa divulgada na revista Science.

Para chegar a tal número, os pesquisadores tiveram como bases o recolhimento de resíduos sólidos em 192 países e o ano de 2010.

E o Brasil figura entre os 20 maiores poluidores do mundo.

Ocupamos na 16ª posição nesse ranking, superando os Estados Unidos, no 20º lugar.

A China ocupa a primeira posição, sendo acompanhada pela Indonésia.

Em 2010, o mundo produziu 275 millhões de toneladas de resíduos plásticos, tendo entre 4,8 milhões e 12,7 milhões chegado aos oceanos.

A estimativa para 2015 é do lançamento de 9,1 milhões de toneladas.

O quadro somente muda, conforme os pesquisadores, com a implantação de políticas de gestão de resíduos, de sistemas de reciclagem de plástico e de menor produção de lixo.

Sem tais medidas no campo ambiental, os oceanos poderão acumular até 155 milhões de toneladas de lixo plástico em dez anos.

Com informações da Science e do SOS Mata Atlântica

Onde está o nó da questão ecológica?

Leonardo Boff, teólogo e escritor membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra

Estamos acostumados ao discurso ambientalista generalizado pela mídia e pela consciência coletiva. Mas importa reconhecer que restringir a ecologia ao ambientalismo é incidir em grave reducionismo. Não basta uma produção de baixo carbono, mas mantendo a mesma atitude de exploração irresponsável dos bens e serviços da natureza. Seria como limar os dentes de um lobo com a ilusão de tirar a ferocidade dele. Sua ferocidade reside em sua natureza e não nos dentes.

Algo semelhante ocorre com o nosso sistema industrialista, produtivista e consumista. É de sua natureza tratar a Terra como um balcão de mercadorias a serem colocadas no mercado. Temos que superar esta visão caso quisermos alcançar um outro paradigma de relação para com a Terra e assim sustar um processo que nos pode levar a um caminho sem retorno e mesmo a um abismo.

Estamos cansados de meio-ambiente. Queremos o ambiente inteiro, vale dizer, uma visão sistêmica do sitema-Terra, do sistema-vida e do sistema-civilização humana, constituindo um grande todo, feito de redes de interdependências, complementações e reciprocidades.

Com razão a Carta da Terra tende a substituir meio-ambiente por comunidade de vida, pois a moderna biologia e cosmologia nos ensinam que todos os seres vivos são portadores do mesmo código genético de base – os vinte aminoácidos e as quatro bases fosfatadas – desde a bactéria mais originária surgida há 3,8 bilhões de anos, passando pelas grandes florestas, os dinossauros, os colibris e chegando a nós.

A combinação diferenciada desses aminoácidos com as bases fosfatadas origina a diversidade dos seres vivos. O resultado desta constatação é que um laço de parentesco une todos os viventes, formando, de fato uma comunidade de vida a ser “cuidada com compreensão, compaixão e amor”(Carta da Terra, n. I, 2). O que São Francisco de Assis intuía em sua mística cósmica, chamando a todos os seres com o doce nome de irmãos e irmãs, nós o sabemos por um experiento científico.
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Recife terá, ainda neste ano, carros elétricos para aluguel

Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

A entrada em operação do sistema de compartilhamento de carros elétricos no Recife – Car Sharing – é daquelas projetos indispensáveis para sensibilizar a população da importância e da viabilidade do emprego de energia limpa.

Do ponto de vista ambiental, os carros elétricos são comprovadamente menos poluentes que os movidos a combustíveis fósseis. O que impede o deslanche da experiência é o preço médio do veículo.

O valor de um carro elétrico alcança até R$ 200 mil no Brasil, enquanto no Japão, com incentivo governamental, chega a R$ 53 mil. Mesmo com esse incentivo, o preço supera os de carros movidos a gasolina.

O valor desses carros no Brasil varia entre as regiões, que possuem impostos diferentes. Em algumas, a tributação supera 120%.

Tais números refletem na estatística de vendas. Em 2013, por exemplo, apenas cerca de 500 veículos elétricos foram licenciados no Brasil, enquanto se negociou 189 mil a gasolina e 3,1 milhões flex fuel.

O país não pode se prender somente à lógica do preço. Esse cairá com a produção em maior escala dos carros elétricos, que, por sua vez, terá forte impacto no combate à poluição.

Logo, o início do projeto de compartilhamento no Recife terá o caráter pioneiro no país e educativo.  E a princípio, três carros serão disponibilizados em pontos dos bairros do Recife e Santo Amaro.

A estimativa do Porto Digital, à frente do projeto é que mais de 20 pessoas utilizem mensalmente os veículos. O número de usuários deve crescer em março de 2015 com a abertura do projeto para a população.

Durante um mês, a partir desegunda-feira (15), os três carros disponíveis na capital pernambucana funcionarão em fase de teste.

Em três anos, 13 municípios terão usinas eólicas em Pernambuco

Pernambuco terá 13 municípios com parques eólicos até o fim de 2017.

Gravatá, Macaparana e Pombos, no Agreste, são os únicos municípios com unidades instaladas e em funcionamento.

Há parques sendo projetados ou construídos no Agreste e no Sertão.

Esses pontos ficam em áreas de Araripina, Caetés, Capoeiras, Iati, Paranatama, Pedra, Pesqueira, Poção, Saloá, Tacatau e Venturosa.

Além desses investimentos em andamento, segundo o governo do estado, existem estudos para outras usinas sem contratos prévios.

Os estudos incluem Arcoverde, no Sertão, Belo Jardim, Caetés, Poção e Pesqueira, no Agreste.

Estima-se que o estado terá capacidade de produzir 882 megawatts de energia, a partir dos ventos, até o final de 2017.

Com informações da repórter Tatiana Pimentel, do Diario de Pernambuco

Salvem os nossos rios

Reno, que cruza a Colonia, na Alemanha, já foi um rios mais poluídos da Europa. Crédito: Koln/Divulgação

Reno, que cruza a cidade de Colonia, na Alemanha, já foi um rios mais poluídos da Europa. Crédito: Koln/Divulgação

Lázaro Guimarães, magistrado

Quem percorre a Europa sente o quanto são bem cuidados os rios e como servem a tantos fins, como o transporte, o passeio, o abastecimento de água, a geração de energia ou o simples deleite de paisagens.

O Reno é usado o ano inteiro para excursões em paquetes de luxo pelas belas cidades da Suiça, França, Alemanha e Holanda, além de ligar uma boa parte do continente por meio de barcaças de carga. O Tâmisa e o Sena atraem milhões e turistas para romântica navegação gastronômica.

O que impede os rios brasileiros, muito mais numerosos, de serem menos poluídos e melhor aproveitados?

Agora mesmo, preconiza-se até a morte do rio São Francisco, que é vital para o Nordeste e serve também, fortemente, à economia de Minas Gerais. Das suas águas depende a geração de energia de Paulo Afonso, Xingó, bem como a agricultura irrigada da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, dentre várias outras utilidades, constituindo fonte essencial de vida de milhares de comunidades.

Capibaribe sofre com o assoreamento. Crédito: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

Capibaribe sofre com assoreamento e despejos de esgoto doméstico e lixo. Crédito: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

No Recife, Capibaribe e Beberibe, ao passar pelas pontes da cidade, tão bela quanto suas congêneres europeias, deveriam servir de meio de transporte e de lazer. Estão sub-aproveitados, sujos, tragados pela erosão, como os demais em todo o país.

O Sudeste vê secarem as represas, sumirem os rios. São Paulo enfrenta a sua pior crise de abastecimento de água de todos os tempos e o problema ameaça se estender ao Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Há, contudo, notícia que devolve a esperança de que essa grave situação seja revertida. Engenheiros e arquitetos reunidos em congresso aprovaram moção de aplauso ao projeto apresentado pelo engenheiro e político João Alves, atual prefeito de Aracaju, que visa a revitalização do Rio São Francisco, com base nas experiências dos países europeus e dos Estados Unidos. Trata-se de estudo meticuloso sobre novas técnicas de restauração e proteção permanente de rios.

Com um investimento bem menor, por exemplo, que as obras de transposição, cuidar-se-ia, desde já, de salvar o Velho Chico, antes que se abata a tragédia anunciada da perda do rio da integração nacional.

E esse mesmo projeto poderia ser aproveitado para restaurar os demais cursos d’água que são grandes riquezas, desprezadas no Brasil.

O caminho para a sustentabilidade

Incêndios florestais estão entre as causas do desequilíbrio ambiental. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Incêndios florestais figuram entre as causas do desequilíbrio ambiental. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ary Avellar Diniz
Pedagogo e diretor da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS)

A era industrial, iniciada no mundo contemporâneo em fins do século 19, tem proporcionado extraordinário crescimento científico em favor da humanidade. Por outro lado, o progresso desordenado resulta em tristes consequências ao planeta Terra.

As catástrofes ocasionadas pelo ritmo de crescimento desordenado são as mais variadas: erupções vulcânicas incessantes; terremotos no Chile, na China e até no Brasil, outrora nunca presenciados; enchentes provocadas pelos rios ocupados pelo homem, que buscam apenas seu leito do passado; maremotos, com destaque para o tsunami acontecido no Japão; incêndios florestais, queimadas inigualáveis como as ocorridas na Califórnia e na Austrália, aumentando muito a poluição do ar; crescentes furacões nos Estados Unidos, a exemplo do Katrina, que arrasou o sul da Flórida, Nova Orleans, Alabama, Mississippi e o estado de Louisiana; os criminosos desmatamentos da Amazônia, só detectados por satélites. Outro assunto que merece atenção é o lançamento sem volta de artefatos ao espaço, o que talvez possa prejudicar, futuramente, o perfeito equilíbrio do Sistema Solar. Espera-se que não aconteça um mal maior.

Felizmente, o homem responsável, preocupado com o meio ambiente, programa reuniões em congressos mundiais, emitindo sinais de alerta à humanidade: como a “Eco 92”, no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992, e outros eventos.

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