Sertanejos desconhecem destino do lixo que produzem

Imagem: Célio Cruz /Divulgação

Imagem: Célio Cruz /Divulgação

O destino adequado ao lixo está longe das principais preocupações de grande parte dos pernambucanos.

Peguemos o caso do Sertão. A Caravana Cremepe/Simepe 2011, cujo relatório final foi divulgado hoje, mostra que os moradores de 52 cidades aprovam a coleta de lixo local.

“Mas poucas pessoas entrevistadas sabiam do destino dado pelas prefeituras aos resíduos”, revelou Fernanda Soveral, coordenadora executiva do Centro de Estudos Avançados do Cremepe.

Ao não procurar saber do destino do lixo, a população abre brechas para o que a caravana encontrou em Mirandiba.

A coleta do município recebeu a nota 9, a maior entre as 25 reveladas ontem, mas no lixão da cidade a caravana encontrou material hospitalar misturado ao doméstico.

Além de contaminar o solo, o lixão de Mirandiba era uma porta para contaminação dos catadores. “Ouvimos relatos de pessoas  que adoeceram por se ferirem em seringas e outros materiais hospitalares”, disse a coordenadora.

Fernanda integrou o grupo da caravana que esteve em Mirandiba, Carnaubeira da Penha, São José do Belmonte, Cedro, Serrita, Parnamirim, Terra Nova, Verdejante.

Nenhuma das 25 notas atribuídas à coleta de lixo ficou abaixo de 5, tendo mais da metade superado a média 6. A nota poderia ser de zero a 10.

A realidade dos lixões, no entanto, estava longe do ideal dos aterros sanitários.

A difícil tarefa de manter áreas protegidas

Da lei para a prática existe um longo caminho. Isso não é novidade no Brasil, sobretudo se falarmos de meio ambiente.

Mas  é impossível negar que, no campo da ecologia, estamos à frente de vários países, embora com medidas por serem feitas.

O Mapa-múndi digital, lançado recentemente pelo IBGE, traz sinais disso. Veja o endereço http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php.

Com maior território da América do Sul, o Brasil é o terceiro país do continente em área protegida: 28,92%.

Venezuela, com 65,7%, e Colômbia, 30,32%, aparecem na dianteira.

Logo abaixo do Brasil está a Bolívia (21,21%). Depois, Equador (15,13%), Chile (14,04%), Peru (13,24%), Suriname (13,21%) e Paraguai (5,97%).

A pior situação é a do Uruguai, com 0,34% de áreas protegidas. O país fica atrás da Guiana, um Departamento da França, que possui 2,15% de seu território protegido por lei.

Se os números acima colocam o Brasil numa situação razoável, apontam para nossas fragilidades. Afinal, temos leis que esbarram na estrutura limitada de fiscalização do estado e na pouca cobrança da população.

Prova disso está nas derrubadas e queimadas de áreas protegidas. Sejam elas na Amazônia ou no Sertão de Pernambuco.

No semi-árido, a caatinga desaparece em muitos pontos, sem qualquer projeto de manejo, para suprir carvoarias e pequenas indústrias.