Ipês serão clonados em Pernambuco

Depois da experiência como o ipê-rosa, outras três espécies de ipê devem ser
clonados em Pernambuco.

Os estudos com as espécies roxa, branca e amarela começaram a ser feitas pelo
Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene).

Para clonar as plantas, os biólogos podem usar tecidos extraídos das sementes,
pontas de rama das espécies.

A pesquisa com o ipê-rosa começou em 2009 e em agosto deste ano começaram a ser distribuídas as primeiras mudas clonadas.

Não há uma data precisa para o fim dos estudos.

Clonagem de vegetais vem sendo testada há quatro décadas, mas as pesquisas
sempre foram voltadas para culturas comerciais como a soja.

A experiência com espécies da Mata Atlântica tem outro objetivo, que é o de
preservar árvores com risco de extinção.

Sertanejos assinam manifesto contra usina nuclear

Os sertanejos aderiram ao manifesto contra a energia nuclear. E assinaram, junto com instituições nacionais e regionais, a Carta de Itacuruba.

Quarenta entidades subscreveram o documento, que é uma crítica ao projeto de instalação de usinas nucleares no país.  Em particular, em Itacuruba.

Situado às margens do Rio São Francisco, o município foi apontado pela Eletronuclear como um dos possíveis pontos para se construir uma usina.

“Escolhemos Itacuruba por ser cidade-símbolo”, explicou o físico e coordenador da Caravana Antinuclear, Heitor Scalambrini.

A carta foi uma das ações da Caravana Antinuclear, iniciada na última sexta-feira e com desfecho, em Jatobá, nessa segunda.

A caravana começou em Belém de São Francisco, passou por Floresta e por Itacuruba, onde houve o lançamento da carta.

Entre as instituições que assinam o manifesto estão a Articulação Brasileira Antinuclear, Greenpeace, Cáritas e Associação Brasileira de Geógrafos.

Mãos de Césio: uma exposição que incomoda

Se o objetivo era produzir impacto nos  moradores do Sertão pernambucano,
a Caravana Antinuclear acertou ao escolher Mãos de Césio.

A exposição é um soco no estômago.

Mostrada pela primeira vez em Pernambuco, a exposição resgata cenas e
histórias do maior acidente nuclear brasileiro.

O episódio ocorreu em Goiânia (Goiás). Era 1987. Na época, dois catadores de
lixo retiraram 20 gramas do césio 137 de um aparelho de tratamento de câncer.

A substância radioativa, pelo brilho, chamava a atenção. Começava aí uma
reação em cadeia que afetou centenas de pessoas.

Pelo menos 65 pessoas morreram por ter contato direto com o produto.

Belém de São Francisco foi a primeira cidade a receber a exposição. Ela
passará por Floresta, Itacuruba e Jatobá, seguindo o roteiro da Caravana.

Depois do Sertão, o Recife será o próximo endereço de Mãos de Césio.

Na capital, adianta o coordenador da caravana, o físico  Heitor Sclambrini, ela deve ficar duas ou três semanas. O lugar da exposição não está definido.

Mãos de Césio, um projeto do Arquivo Amarelo/Uranium Film Festival do Rio de Janeiro, tem a curadoria do jornalista alemão Norbert G. Suchanek.

A exposição reúne fotografias dos acervos da Associação do Césio 137 de Goiânia, do Programa Memória Roberto Pires e do Centro de Pesquisa e Documentação do Jornal do Brasil.

Caravana protesta contra usina nuclear no Sertão

A proposta do governo brasileiro de instalar novas usinas nucleares, sendo Pernambuco um dos lugares preferidos, deu uma esfriada após o acidente de março no Japão.

Mesmo assim, movimentos sociais, professores, ambientalistas e artistas que integram a Caravana Antinuclear continuam em alerta contra o projeto brasileiro.

A Caravana começou hoje no Sertão do estado, onde pode ser instalada a usina, com uma série de debates, exposições e feiras de ciências relacionadas ao tema.

Belém do São Francisco foi o primeiro a parada. Amanhã, o grupo segue para Floresta, enquanto no domingo estará em Itacuruba.

Segundo estudos técnicos do governo federal, Itacuruba é o município que reúne melhores condições para se instalar uma usina nuclear no estado.

A questão tomou conta das ruas de Itacaruba, mas nada oficial foi comunicado à cidade. Daí as críticas da Caravana, que reclama da maneira como o governo conduz o assunto.

“O governo decidiu e planeja instalar a usina nuclear, mas não faz um diálogo com o povo da região para que ele fique ciente dos riscos”, afirma o coordenador da Caravana, o físico Heitor Scalambrini Costa.

Os principais riscos, segundo o professor, são para a saúde e o meio ambiente.

Dez empresas brasileiras estão entre as mais sustentáveis do mundo

Com a natureza dando sinais de revide e a pressão cada vez maior da sociedade sobre empresas e governos, a lista de rankings associados ao meio ambiente cresce.

O último foi publicado pela revista norte-americana Newsweek, que listou as 500 maiores empresas mundiais no campo da sustentabilidade.

Dez empresas brasileiras aparecem na lista.

E o curioso é que as mais bem colocadas são do ramo financeiro. O Bradesco figura no quarto lugar geral. Depois surgem Santander (17), Banco do Brasil (50) e Itaú (54).

As brasileiras mais ligadas ao ramo produtivo ocupam posições intermediárias ou aparecem no fim do ranking.

A Eletrobrás está na posição 214; o Grupo Pão de Açúcar, 248; a Vale, 312; a Petrobras 364; a Ambev 412, enquanto a Gerdau, 463.

Um questionamento é inevitável: dá para comparar os impactos ambientais de um banco aos de empresas ligadas diretamente à produção?

Os organizadores do estudo dizem que sim.

Eles afirmam que, no caso dos bancos, também consideraram os investimentos feitos por essas instituições em outras empresas, a exemplo de madeireiras e mineradoras.

A lista das mais sustentáveis, vale lembrar, tem nas primeiras posições a Munich Re, a IBM e o Banco Nacional da Austrália.

O ranking considerou aspectos como meio ambiente e a transparência das informações disponibilizadas pelas empresas aos clientes.

Perdas e ganhos da Barragem Serro Azul

Com o ritmo acelerado, as barragens para conter as enchentes na Mata Sul do estado devem ficar prontas no próximo ano.

As barragens devem impedir a destruição, como as vistas em 2010 e 2011, nos municípios de Palmares, Água Preta e Barreiros.

Do ponto de vista social e econômico, os projetos para se erguer barragens, a exemplo de Panelas, Gatos e Serro Azul, trarão ganhos importantes.

O mesmo não se pode dizer  do meio ambiente.

O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da Serro Azul indica que 86,2% dos 58 impactos previstos pesarão contra a fauna, a flora e o meio físico.

Em alguns casos, as perdas serão difíceis de se reverter pelo desaparecimento, por exemplo, de habitats de mamíferos e aves.

Serro Azul, em Palmares, aponta para a dimensão do problema.

Nas áreas de interferência da barragem, segundo estudo do Itep, existem 26 espécies de mamíferos e 113 espécies de aves.

O desafio em relação ao ambiente é minimizar os danos, o que o Rima propõe. Os técnicos do Itep sugerem 16 programas de monitoramento.

Serro Azul vai inundar 907 hectares, podendo acumular 303 milhões de metros cúbicos das águas do Rio Una.

A ilusão de uma economia verde

Leonardo Boff
Teólogo/Filósofo

Tudo o que fizermos para proteger o planeta vivo que é a Terra contra fatores que a tiraram de seu equilíbrio e provocaram, em conseqüência, o aquecimento global é válido e deve ser apoiado.

Na verdade, a expressão “aquecimento global” esconde fenômenos como: secas prolongadas que dizimam safras de grãos, grandes inundações e vendavais, falta de água, erosão dos solos, fome, degradação daqueles 15 entre os 24 serviços, elencados pela Avaliação Ecossistêmica da Terra (ONU), responsáveis pela sustentabilidade do planeta(água, energia, solos, sementes, fibras etc).

A questão central nem é salvar a Terra. Ela se salva a si mesma e, se for preciso, nos expulsando de seu seio. Mas como nos salvamos a nós mesmos e a nossa civilização? Esta é real questão que a maioria dá de ombros.

A produção de baixo de carbono, os produtos orgânicos, energia solar e eólica, a diminuição, o mais possível, de intervenção nos ritmos da natureza, a busca da reposição dos bens utilizados, a reciclagem, tudo que vem sob o nome de  economia verde são os processos mais buscados e difundidos. E é recomendável que esse modo de produzir se imponha.

Mesmo assim não devemos nos iludir e perder o sentido crítico. Fala-se de economia verde para evitar a questão da sustentabilidade que se encontra em oposição ao atual modo de produção e consumo. Mas no fundo, trata-se de medidas dentro do mesmo paradigma de dominação da natureza.

Não existe o verde e o não verde. Todos os produtos contem nas várias fases de sua produção, elementos tóxicos, danosos à saúde da Terra e da sociedade. Hoje pelo método da Análise do Ciclo de Vida podemos exibir e monitorar as complexas inter-relações entre as várias etapas, da extração, do transporte, da produção, do uso e do descarte de cada produto e seus impactos ambientais.

Ai fica claro que o pretendido verde não é tão verde assim. O verde representa apenas uma etapa de todo um processo. A produção nunca é de todo ecoamigável.

Tomemos como exemplo o etanol, dado como energia limpa e alternativa à energia fóssil e suja do petróleo. Ele é limpo somente na boca da bomba de abastecimento. Todo o processo de sua produção é altamente poluidor: os agrotóxicos aplicados ao solo, as queimadas, o transporte com grandes caminhões que emitem gases, as emissões das fábricas, os efluentes líquidos e o bagaço. Os pesticidas eliminam bactérias e expulsam as minhocas que são fundamentais para a regeneração os solos; elas só voltam depois de cinco anos.

Para garantirmos uma produção, necessária à vida, que não estresse e degrade a natureza, precisamos mais do que a busca do verde. A crise é conceptual e não econômica. A relação para com a Terra tem que mudar. Somos parte de Gaia e por nossa atuação cuidadosa a tornamos mais consciente e com mais chance de assegurar sua vitalidade.

Para nos salvar não vejo outro caminho senão aquele apontado pela Carta da Terra: “o destino comum nos conclama a buscar um novo começo; isto requer uma mudança na mente e no coração; demanda um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal”(final).

Mudança de mente significa um novo conceito de Terra como Gaia. Ela não nos pertence, mas ao conjunto dos ecossistemas que servem à totalidade da vida, regulando sua base biofísica e os climas. Ela criou toda a comunidade de vida e não apenas nós. Nós somos sua porção consciente e responsável. O trabalho mais pesado é feito pelos nossos parceiros invisíveis, verdadeiro proletariado natural, os microorganismos, as bactérias e fungos que são bilhões em cada culherada de chão. São eles que sustentam efetivamente a vida já há 3,8 bilhões de anos.

Nossa relação para com a Terra deve ser como aquela com nossas mães: de respeito e gratidão. Devemos devolver, agradecidos, o que ela nos dá e manter sua capacidade vital.

Mudança de coração significa que além da razão instrumental com a qual organizamos a produção, precisamos da razão cordial e sensível que se expressa pelo amor à Terra e pelo respeito a cada ser da criação porque é nosso companheiro na comunidade de vida e pelo sentimento de reciprocidade, de interdependência e de cuidado, pois essa é nossa missão.

Sem essa conversão não sairemos da miopia de uma economia verde. Só novas mentes e novos corações gestarão outro futuro.

Abaixo-assinado contra projeto do novo Código Florestal

Mais de 30 mil pessoas já assinaram o abaixo-assinado do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável.

O comitê foi criado em junho por 152 organizações da sociedade civil contrárias à aprovação do PLC 30/2011, que trata do novo projeto do Código Florestal.

Entre as instituições estão a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Instituto Ethos e o Greenpeace.

Artistas,  escritores e modelos já aderiram ao movimento.

Gisele Bündchen, Lenine, Wagner Moura, Fernanda Torres e Washington Novaes, por exemplo, gravaram vídeos e aceitaram ser fotografados ao lado de cartazes da campanha.

As adesões cresceram  graças à internet. No site www.florestafazadiferenca.org.br, pessoas de todo o país têm feito downloads do documento.

Mudanças no Código Florestal vão beneficiar os ruralistas, dizem internautas

A queixa dos brasileiros de que “palavra de político não se escreve” cai bem em relação ao novo Código Florestal.

Senadores garantiram, em maio e junho, a aprovação do projeto até este mês.

Outubro, entretanto, está acabando. E nada. As votações nas comissões devem acontecer no dia 8 de novembro. Depois é que o projeto segue para o plenário.

Enquanto a proposta não se torna lei, mudanças vão sendo propostas. Algumas bem acanhadas se considerado o projeto da Câmara dos Deputados.

Na enquete do blog sobre o assunto, 55% dos internautas previram poucas mudanças no Senado, sendo que 45% acreditam em alterações  para beneficiar os produtores rurais. E 10%, em favor da preservação da natureza.

O percentual de quem acredita em muitas mudanças atingiu 42%. Aqui, novamente, os internautas vislumbraram vantagens para o setor rural. No caso, 32%. Os outros 10% esperam alterações favoráveis ao meio ambiente.

Em resumo, quem votou na enquete acredita que os ruralistas ganharão a disputa política em torno do novo Código Florestal.

Isso fica comprovado até nos que disseram não acreditar em mudanças no projeto do Senado em relação ao da Câmara, onde o setor rural levou a melhor.

Esperemos para ver o resultado.

Você priorizaria empresas que usam energias limpas?

O uso de energias renováveis tornou-se ponto obrigatório nos debates sobre a preservação do meio ambiente.

Nesse sentido, alguns governos e empresas deram sinais de compromisso implantando programas e ações com bons resultados. Outros, nem tanto.

O acompanhamento dos projetos dessas empresas e governos é feito pela população de dezenas de países. Especialmente  no chamado primeiro mundo.

Se empresas não agem para preservar a natureza, os habitantes boicotam os produtos. E até governos, como recentemente ocorreu na Alemanha.

Os eleitores alemães votaram nos verdes e a administração federal, diante da pressão popular, anunciou o fechamento das usinas nucleares

No Brasil, os passos para a consciência ambiental parecem, em muitos momentos, de fachada. Temos  muito a caminhar para sermos uma Alemanha.

Mas testes estão por chegar.

A ONU começa a certificar com um selo especial, em novembro, as empresas que usarem pelo menos 30% de energia eólica no seu funcionamento.

O selo deve ter impacto entre os moradores de grande parte da Europa. E por aqui, você acha que o certificado será considerao no momento da compra?

Pense um pouco. Agora, responda ao lado nossa nova enquete.